EXPOSIÇÃO
CECÍLIA MARIA WESTPHALEN
SUA OBRA, SUA HERANÇA
[...seu maior patrimônio intelectual
foi demarcar um território de historiador não
empírico, mas, sim científico e metodológico,
regado pelo rigor e fidelidade às fontes e pela
riqueza das técnicas de pesquisa. Deste território
emergiu a sua produção, cujo legado é digno
de uma
grande historiadora.] Carlos Roberto Antunes dos Santos
Professor Titular do Depto. de História/UFPR
BIOGRAFIA
A paranaense Ceci, como era chamada na infância, nasceu na
Lapa, no dia 27 de abril de 1927, filha de Pylades Westphalen e
Palmira de Souza Westphalen.
Aos 20 anos de idade, graduou-se em Estudos Clássicos, também
cursado na capital, no Colégio Estadual do Paraná
e, em 1950, recebia o seu primeiro diploma universitário,
como bacharel e licenciada em Geografia e História pela Faculdade
de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal do
Paraná, onde também graduou-se bacharel em Direito,
em 1952.
Recém-formada em Geografia e História, em 1951 prestou
concurso público de títulos e provas para professora
da cadeira de Estudos Brasileiros e Paranaenses, do Instituto de
Educação do Paraná, tendo sido aprovada com
nota máxima. No mesmo ano, também com nota máxima
de aprovação, prestou concurso público para
professora da cadeira de História, do Colégio Estadual
do Paraná. Era o início de uma profíciente
carreira no magistério, que culminou com sua titulação
de Doutora, Docente-Livre e Professora Catedrática na Universidade
Federal do Paraná, após concurso público para
a cátedra de História Moderna e Contemporânea,
em 1957, atingindo 9,75 como nota de aprovação.
Entre 1958 e 1959 cursou pós-graduação na Faculdade
de Filosofia da Universidade de Colônia, na então Alemanha
Oriental, e na 6ª Sessão da École Pratique des
Hautes Études, em Paris, especializando-se em História
Moderna e Contemporânea.
A professora Cecília Maria Westphalen e a Universidade Federal
do Paraná têm uma longa história comum, pois
esta instituição foi seu espaço privilegiado
de atuação profissional, como professora e pesquisadora
e, por outro lado, cresceu e se fortaleceu em virtude das suas ações
administrativas desenvolvidas, desde 1951 como diretora do Departamento
de Cultura da Reitoria, até o início da década
de 1980, como coordenadora de pesquisa da Universidade.
PRODUÇÃO ACADÊMICA
Em mais de três décadas dedicadas
ao ensino e pesquisa na UFPR, Cecília Maria Westphalen promoveu
ações fundamentais para a consolidação
da historiografia paranaense no cenário nacional, fortalecendo
e profissionalizando os estudos de história regional.
Publicou 252 trabalhos, no Brasil e no exterior, destacando-se,
dentre eles, o compêndio didático Pequena História
do Paraná, cuja primeira edição, em 1953, coincidiu
com as comemorações do centenário da emancipação
do Paraná, e Carlos Quinto, 1500/1558; seu império
universal, de 1955, tese apresentada ao concurso público
de História Moderna e Contemporânea prestado na UFPR
em 1951. Segundo a autora, o século XVI constitui a base
de todo processo histórico do mundo moderno, como também
a chave para a compreensão deste século se encontra
no Império de Carlos V. Tal a razão que me levou a
enfrentar o assunto deste livro, sobretudo porque ninguém
ainda, em nosso País, o havia feito. Esta falta e a boa-vontade
em supri-la foram as responsáveis pela amplitude do tema
cujo fascínio não pude fugir.
A PROFESSORA CECÍLIA E AS FONTES DOCUMENTAIS
Destaca-se, em suas ações profissionais, a luta
pela preservação e divulgação das fontes
primárias paranaenses. Um dos projetos mais audaciosos e
que marcou época foi o projeto por ela coordenado, como professora
e chefe do Departamento de História da UFPR, denominado Levantamento
e Arrolamento de Arquivos, desenvolvido no final da década
de 1960 e que resultou na publicação de uma série
de boletins com o resultado das investigações das
equipes dos professores departamentais e graduandos junto aos diversos
arquivos regionais (paranaenses), públicos e privados localizados
em todo o Estado do Paraná.
Em várias oportunidades, a professora Cecília denunciou
o descuido generalizado com os acervos documentais no Brasil, bem
como atuou de forma decisiva nessa área ao divulgar, em escritos
e palestras, a importância de arquivos organizados e acessíveis
e a formação de pesquisadores como usuários
conscientes e éticos. Assim, vivenciou as práticas
da arquivística ao se aproximar desses profissionais.


Pesquisa, texto e montagem - Tatiana Dantas Marchette
e Márcia Doré
Fotos: Gustavo Junqueira
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