EXPOSIÇÃO
PARANÁ, ANOS 50
O Arquivo Público do Paraná apresenta, nesse
mês de fevereiro, uma exposição virtual para
marcar o cinqüentenário da posse de JK na presidência
da República, ocorrida em 31 de janeiro de 1956, e instigar
aos pesquisadores que venham ao Arquivo Público investigar
esse período histórico. Para tanto, a Divisão
de Documentação Permanente selecionou alguns documentos
para a transcrição e reproduziu algumas fotografias,
todos os itens documentais pertencentes ao acervo Moysés
Lupion.
A história política do Paraná
da primeira metade do século XX está cada vez mais
próxima dos paranaenses à medida em que avançam
as fases do longo processo de tratamento arquivístico do
acervo privado do ex-governador Moysés Lupion. Doado em 1999
pela viúva do titular, Wilma Lupion, o acervo, com 80 metros
lineares de documentos textuais e 2.356 fotografias, é constituído
por conjuntos documentais que se referem à vida empresarial,
privada e pública de Lupion, com datas-limite entre 1895/1982.
O início de um tratamento adequado somente foi possível
a partir da mudança do Arquivo Público do Paraná
para sua sede definitiva, em setembro de 2001, pois as más
condições de guarda em depósitos temporários
e impróprios adiou a implementação dos processos
de higienização e acondicionamento do acervo. Em 2002,
o acervo foi submetido a um levantamento geral no propósito
da elaboração de um arrolamento mais detalhado e da
quantificação mais precisa do acervo. A partir de
junho de 2003 procedeu-se ao seu reconhecimento, sua higienização
e organização minuciosa, resultando na classificação
em três grandes séries: pública, privada e empresarial.
Agora, após a completa higienização e acondicionamento,
os conjuntos documentais referentes à ação
pública de Lupion estão sendo descritos e classificados
em planilhas montadas de acordo com a Norma Internacional de Descrição
Arquivística, ISAD (G). E, como tal metodologia requer uma
dedicação a longo prazo, enquanto aplicada, os documentos
estão disponíveis ao público, podendo ser acessados
localmente por meio de uma base de dados no programa Excel. Informações
gerais sobre o acervo Moysés Lupion, bem como a biografia
do ex-governador são encontradas nessa mesma página
do Arquivo Público ao acessar o Guia de Fundos on-line.

1. Reprodução do discurso de JK pronunciado
as ser candidato à Presidência da República
pela Convenção Nacional do PSD, no Rio de Janeiro,
a 10 de fevereiro de 1955, que faz parte da publicação
“Sentido democrático de uma campanha”, impressa
em Belo Horizonte em 1955, que traz outros discursos feitos por
JK durante sua campanha eleitoral. (Ref.: Fundo privado/pessoal
Moysés Lupion, acervo público, caixa 145.)
“Agradeço-vos, meus amigos e
correligionários do PSD, a confirmação da escolha
do meu nome para disputar as próximas eleições
presidenciais. Destes provas indefectíveis de ânimo
varonil, de espírito de decisão; provastes que não
sois um partido de políticos inábeis, partido que
só saiba viver à sombra dos governos. O Partido Social
Democrático, diante da nação inteira, revelou
que não é apenas uma agremiação do centro,
inclinada às composições, ao império
do bom senso. Depois das horas que passamos juntos, das investidas
que sofremos, das tormentas que conhecemos e desta dura, áspera
e implacável travessia destes últimos dois meses,
temos o direito de considerar a nossa agremiação,
o nosso partido, como um barco resistente, duro nos embates, capaz
de avançar, paciente, mas forte, através das águas
bravias em direção ao seu destino, ao seu porto.
A consciência de que correspondi à vossa confiança,
de que não renunciei ao meu dever e que fui sensível
ao vosso exemplo de dignidade, faz-me, apesar de tantas injustiças
sofridas, sentir-me feliz, neste momento em que confirmais com a
vossa decisão o que não é mais vulgar imagem
de retórica, tão usada no velho estilo de nossa República
nos períodos da segurança, a de falar de posto de
sacrifício a propósito da perspectiva de atingir alguém
a Presidência da República. Nesta hora em que, comovido,
vos asseguro a minha decisão, posso dizer-vos que ser candidato
à presidência da República, mesmo de um partido
com as possibilidades eleitorais do nosso, é sacrifício,
como sacrifício é também militar seja em que
posto for do partido ou participar da vida pública de qualquer
forma.
Neste momento, em que deixo de ser um possível candidato
para ser de fato e de direito o vosso candidato, quero encerrar
esta luta que acaba de ser ultrapassada e iniciar outras sob um
outro signo.
Em face de Deus, diante de vós, meus amigos e partidários,
que fostes exemplo de fidelidade ao compromisso assumido, diante
de nosso País, de todos os brasileiros favoráveis
ou adversários do meu nome, solenemente, como a situação
requer e permite, juro e prometo que não guardo rancores
do que sofri, das ofensas e injustiças que tive de suportar,
e que só aspiro a trabalhar de agora em diante pela paz política,
pela união profunda e viva da nacionalidade, pela elevação
do nível desta campanha, por um amplo, generoso e sincero
entendimento geral.
É com os propósitos mais honestos de harmonia que
vivo o meu primeiro momento de candidato do Partido Social Democrático
à presidência da República.
Desde agora, está o nosso Partido com todas as suas portas
abertas para estabelecer com os demais as bases de possíveis
acordos, para que se processe a luta democrática pacífica,
legal e eleitoral, dentro das recomendações dos homens
ponderados, sensatos e patriotas, que consideram que não
convém a exacerbação de paixões e de
lutas estéreis que podem agravar as imensas dificuldades
que a Nação atravessa.
A união do País pode ser feita perfeitamente, sem
que para isso seja necessário mutilar, reduzir, estrangular
a democracia no que ela tem de mais saudável, de mais normal,
que é o debate em torno de candidatos que representem tendências
diversas, programas de trabalho e de ação, permitindo,
assim, que se pronuncie o corpo eleitoral de acordo com as suas
preferências e inclinações. É este o
ponto de vista do nosso Partido, mas, se não for isso, porém,
o que os demais Partidos consideram, e eles julgarem mais útil,
mais patriótico, mais conveniente para o atual momento do
Brasil a união, que estudem o que vamos propor, que examinem
com sinceridade os nossos propósitos e formem conosco nesta
frente única que preconizam. Seria, esta, uma atitude certa
e lógica, que realizaria imediatamente o que lhes parece
indispensável para a atual conjuntura. Posso assegurar, com
toda a sinceridade e firmeza, que nos anima a todos nós do
PSD e ao seu candidato um sentimento de fraternidade, de compreensão,
de humildade. Toda a tenacidade, toda a energia que possa conter-se
na minha pessoa, eu a quero pôr a serviço da verdadeira
pacificação do Brasil. Não esmorecerei, de
agora em diante, na luta pela tranqüilidade da família
brasileira. Não conhecerei descanso, enquanto não
conseguir eliminar as divisões internas, as dilacerações,
os ódios e unificar num só leito as águas,
hoje divididas, que separam o povo brasileiro em dois rios que se
devem confundir para o bem comum, para o trabalho construtivo que
se impõe.
Não tivesse eu uma grande, uma legítima, uma patriótica
missão, e não teria chegado até aqui. Já
me conheceis o suficiente para saber que não está
entre os meus defeitos, que são sem dúvida numerosos,
a megalomania, a convicção de que seja melhor do que
os outros. Uma qualidade apenas ouso acreditar que possuo: o conhecimento
de mim mesmo, na medida em que isto é possível. E
é por isso que me vejo tal como sou: um homem comum, um homem
como os outros. Não sou, não quero ser um iluminado,
uma figura carismática, um enviado do destino.
Mas este homem comum, que fizestes hoje vosso candidato a Presidente
da República, tem algumas idéias que, se assim estiver
nas intenções da Providência, deseja executar.
Não o entorpece o mal do gigantismo, a vertigem do desmesurado.
Em primeiro lugar, o que se impõe ao Brasil, aos seus homens
de governo, ao seu povo, a todos nós, é uma integração
na realidade, a conformação com que é possível.
Precisamos, de uma vez, para sempre, considerar o Brasil tal como
é e não como desejamos, como entendemos que seja.
Temos grandes coisas a fazer com este imenso País, mas impõe-se,
sem demora, que cuidemos também de pequenas coisas simples
e que se tornarão falhas terríveis se delas nos esquecermos,
se não as procurarmos solucionar.
Não sou um homem de imaginação babilônica,
mas de ação prática e equilibrada, que procura
situar-se sempre dentro das suas próprias fronteiras. Cumpre-nos,
primeiro, arrumar sem tardança a nossa Casa, dignificá-la
com a dose de austeridade que é um imperativo da ordem e
uma decorrência do respeito que devemos à terra de
nossos pais e de nossos filhos. Devemos sanear a nossa moeda, o
que é uma exigência da nossa própria sobrevivência
nacional. País de moeda vil é país em estado
de desordem. Devemos combater, por isso, a inflação,
mas fazê-lo numa guerra total, com todas as armas, principalmente
do trabalho, aumentando a produção, melhorando a técnica
de todas as atividades, modernizando a nossa agricultura, aumentado
o rendimento de nossas indústrias para que os preços
possam descer das alturas em que estão.
Devemos garantir direito sagrado ao trabalho não só
para os que já estão em plena atividade, mas para
as levas de homens jovens que necessitam utilizar as suas reservas
num país necessitado de energias humanas, como nenhum outro
o é no mundo.
Devemos abandonar a estrada larga do desperdício, da falta
de medida, e caminhar para a conquista de nossa independência
moral e econômica, pela via difícil e estreita do labor
honesto.
Não tenho, neste momento, senão o tempo de dar nestas
palavras rápidas algumas linhas do meu pensamento, que é
o vosso pensamento, meus bravos companheiros de Partido, a que me
sinto unido pelos laços mais fundos nascidos de sofrimentos,
perigos e lutas, suportados em comum pela solidariedade das horas
difíceis, pelo respeito que o exemplo da resistência
varonil inspira.
Que Deus me assista e proteja para que não desminta a vossa
confiança.”
2. Carta de JK para angariar partidários
à sua campanha pela presidência da República
no pleito de 3 de outubro de 1955. (Ref.: Fundo privado/pessoal
Moysés Lupion, acervo público, caixa 84, pasta E3
– C07, sem data.)
“Anima-me ao empreender a campanha eleitoral
pela Presidência da República o sincero e nobre ideal
de aplicar todos os meus esforços e energias pelo engrandecimento
de nosso querido Brasil, promovendo o seu progresso, a prosperidade
coletiva, proporcionando ao povo brasileiro melhores condições
de vida, sob a égide da verdadeira democracia em ambiente
de ordem e de trabalho, para que a nossa estremecida Pátria
seja respeitada e se imponha no conceito universal, pelo valor de
seus filhos e pela sua proeminência moral, intelectual e material.
A fidelidade aos compromissos assumidos tem
sido norma invariável de minha carreira pública. Sou
dos que confiam nas virtudes inatas do povo, na capacidade realizadora
dos Brasileiros, nos gloriosos destinos de nossa Pátria.
Esta confiança no valor de nossa gente é que me infunde
ânimo e crença para realizar, se eleito Presidente
da República, um programa de restauração econômica,
de normalização financeira e de progresso intenso,
observando as verdadeiras normas democráticas que são
aquelas que asseguram aos cidadãos a liberdade na disciplina,
a igualdade na justa equivalência de valores, a fraternidade
pela prática da reta justiça.
Altamente honrado me considerarei se contar
com a sua valiosa simpatia e a sua inestimável solidariedade
nesta campanha democrática em que me conforta o valoroso
apoio de ponderáveis forças democráticas. E
neste ensejo venho exprimir ao distinto Colega a minha alta admiração
e sincera estima.”
3. Carta de JK para angariar partidários
à sua campanha pela presidência da República
no pleito de 3 de outubro de 1955. (Ref.: Fundo privado/pessoal
Moysés Lupion, acervo público, caixa 84, pasta E3
– C07, sem data.)
“Candidato à Presidência
da República no pleito eleitoral de 3 de outubro, estimulado
e apoiado por ponderáveis forças democráticas,
permito-me fazer esta comunicação ao prezado concidadão
e ilustre colega para solicitar-lhe simpatia, cooperação
e solidariedade ao candidato e à causa que este exprime na
campanha ora empreendida.
Prezo-me de ser tenente-coronel médico
da valorosa Polícia Militar de Minas e no exercício
de minhas atribuições, nessa nobre milícia,
tive oportunidade de conhecer bem de perto os sentimentos cívicos,
a dedicação ímpar, o valor e a tradição
que enobrecem as corporações militares. Lutando ombro
a ombro, participando dos riscos e sacrifício em rudes pelejas
ou nas horas de paz quando, ainda assim, o soldado arrisca a vida
pela ordem, pela segurança e pela tranqüilidade públicas,
mais se impôs à minha admiração e ao
meu respeito todo aquele que, sob juramento sagrado, se comprometeu
ao cumprimento de deveres que tanto exigem de renúncia, devotamento
e abnegação.
Estou bem certo de que os predicados que exornam
os valorosos componentes da Polícia Militar de Minas são
os mesmos que recomendam ao apreço de todos os concidadãos
os dignos e denodados elementos que constituem a Força Pública
de todos os Estados, porque igual e fundamental é o sentimento
patriótico, idênticas e formativas as qualidades mestras
de nosso povo, indistintamente, em qualquer parte de nossa Pátria
que todos amamos e procuramos servir com intenso fervor cívico.
Por isso é que me sinto habilitado a compreender as aspirações
legítimas dos meus nobres colegas, porque assim me considero,
pois do meu posto de tenente-coronel faço um dos títulos
de que mais me desvaneço.”
GALERIA DE IMAGENS
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JK
em campanha para Lott e Goulart, [1960] |
ML
e JK juntos às lideranças políticas do
PSD e PTB, [1960] |
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ML
e JK juntos às lideranças políticas do
PSD e PTB, [1960] |
Moysés
Lupion e Hermínia Lupion do RJ, [década de
1950]
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Moysés Lupion
no RJ, [década de 1950]
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Recepção
de JK no Paraná, [década de 1950]
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Recepção
de JK no Paraná, [década de 1950]
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Recepção
de JK no Paraná, [década de 1950]
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Recepção
de JK no Paraná, [década de 1950]
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