EXPOSIÇÃO
OS POLONESES DO ACERVO RUY WACHOWICZ
APRESENTAÇÃO
O perfil da Coleção Ruy C. Wachowicz
recebida em 2005, é o do estudo sobre o imigrante polonês
estabelecido em colônias no Paraná e em Santa Catarina
a partir da década de 1870. As duas mil imagens que a compõem
foram utilizadas como instrumento de pesquisa do professor Ruy e
hoje nos permitem recuperar o que muitos documentos oficiais escritos
por si só não possibilitariam, tanto pelas lacunas
existentes, como também porque a historiografia brasileira,
desde meados do século XX, vem nos legando muitas novidades
para o estudo do mundo do trabalho, ampliando a visão para
além da análise dos movimentos operários organizados,
e colocando em evidência formas de trabalho diversas constituídas
entre a escravidão e a liberdade.
Quem foi Ruy Christovam Waschowicz?

professor, doutor em História pela Universidade
Federal do Paraná. Natural de Itaiópolis/SC, nasceu
em 26 de maio de 1936. Descendente de poloneses, dedicou-se ao estudo
do tema ligado à colonização polonesa em terras
do Paraná; produziu vários artigos e livros. Coordenou
a organização do “Almanaque Polonês”.
Na década de 1970, idealizou o 1º curso livre e gratuito
dedicado à história de Curitiba, capital do Paraná.
Ocupou a cadeira nº10 da Academia Paranaense de Letras, onde
criou as Semanas de História, ainda hoje realizadas.
Faleceu em Curitiba em 19 de agosto de 2000.
Considerando o potencial inesgotável do
acervo, o Arquivo Público do Paraná publicou o livro
Imagens do trabalhador imigrante no sul do Brasil: os poloneses
do acervo Ruy C. Wachowicz e, em conjunto com o Consulado
Geral da Polônia no Brasil, pode produzir esta exposição
itinerante - que você pode conhecer na íntegra no Espaço
Cultural do AAPPR - a fim de divulgar e melhor compreender o universo
do imigrante polonês e sua contribuição para
a formação dos espaços rural e urbano por meio
da sua arquitetura, técnicas agrícolas originais,
entre outros aspectos.
A exposição é uma amostra
do tratamento, seleção, identificação
e reprodução de 300 fotografias desse universo imagético,
ações estas viabilizadas pela conquista de um prêmio,
pelo Arquivo do Paraná, junto ao Centro de Pesquisa e Documentação
de História Contemporânea do Brasil da Fundação
Getúlio Vargas (CPDOC/FGV – Programa Memória
do Trabalho), para a publicação do livro
citado.
Publicação do APPR
“Imagens do trabalhador imigrante no Sul do Brasil –
O acervo
Ruy Christovam Waschowicz”

Tomás Coelho, um senhor, 1957: “Tomás
Coelho cumpriu com os objetivos de seu fundador [Lamenha Lins, 1876].
Tornou-se uma típica comunidade camponesa em regime de pequena
propriedade. (...). A comunidade camponesa de Tomás Coelho
não sobreviverá ao impacto da expansão industrial.
(....). Porém, no transcurso desses últimos cem anos,
a comunidade manteve-se camponesa por excelência.”
WACHOWICZ, R. C. Tomás Coelho: uma comunidade
camponesa. Curitiba: Prefeitura Municipal de Araucária/Real
Artes Gráficas, 1977, pp. 43 e 44.

Victor Gomes da Costa, memórias
de Araucária: “O tempo está dizimando
a velha geração de imigrantes. Leva-os inapelavelmente,
implacavelmente, para o merecido descanso. Em seu lugar vieram novos
homens – brasileiros com cabelos loiros, olhos azuis (...)
amantes da liberdade, da terra e do trabalho.”
Memórias de Koscianski, por Romão Wachowicz.
IN. Anais da Comunidade Brasileiro-Polonesa, v.
III, 1971, pp. 79.

Cena típica nas proximidades da
colônia Tomás Coelho(PR) – O colono com sua esposa
(1926), com seus dois genros, diante de uma venda, na localidade
de Campo Magro, em Araucária: “Entramos
numa venda polonesa. O dono recebeu-nos com cachaça, broa
e lingüiça polonesa. (...). Ao meio uma mesa e bancos
pesados. Tudo respira gosto polonês.”
Memórias de Koscianski, por Romão Wachowicz. IN. Anais
da Comunidade Brasileiro-Polonesa, v. III, 1971, pp. 89.

Casa do senhor Jozef Boboy: “Casa
primitiva de imigrantes da colônia Tomás Coelho (Paraná).
Esse tipo de construção, trazido pelos imigrantes,
é chamado de dom wegowy. Alguns exemplares ainda subsistem
na colônia. A casa da foto foi construída em 1886.”
(Arquivo Público do Paraná. Coleção
Ruy Wachowicz. Legendas das fotografias.)
“Araucária, visita de um grupo de teatro
amador de São José dos Pinhais, 1914 e 1915”.
(Arquivo Público do Paraná. Coleção
Ruy Wachowicz. Legendas das fotografias.)

Construções rurais de colonos
poloneses, 1912: “O homem sem terra esmorece,
como a árvore arrancada do solo. Construí minha propriedade.
Anualmente recebia a visita da cegonha. (...). Os colonos mais velhos
orgulham-se de possuírem 15, 16 e até 23 filhos. Se
um batalhão desses marchar para a roça, o trabalho
necessariamente terá que render. Os níqueis podem
acumular-se nos baús.”
Memórias de Koscianski, por Romão Wachowicz. IN. Anais
da Comunidade Brasileiro-Polonesa, v. III, 1971, pp. 67-68.
Alguns dos muitos livros publicados

Documentos do acervo

Pesquisa e texto - Tatiana Dantas Marchette
Montagem: Refinaria Promocional
Fotos: Gustavo Junqueira
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