PRESERVAÇÃO
DE DOCUMENTOS
O Programa de Preservação de Documentos
teve início em 1995, com o objetivo de adotar medidas para
estabilizar ou amenizar os processos de degradação
do acervo, prolongando o tempo de vida e a qualidade de acesso às
informações. Trata-se de medidas de longo prazo, pois
o acervo carece de cuidados ininterruptos.
Em vista disso as instalações do DEAP obedecem, em
grande parte, às especificações exigidas para
a guarda de documentos, prevendo-se um local com condições
adequadas – controle de iluminação, umidade
e temperatura, mobiliário e acondicionamento apropriados,
laboratórios de reprodução, conservação
e reparos.
Também estão sendo realizados procedimentos sistemáticos
de higienização e reacondicionamento do acervo.
Fatores de deterioração
Os suportes modernos apresentam desde a sua produção
fatores intrínsecos de deterioração, pois não
existe preocupação com a sua durabilidade. Desta forma,
por exemplo, o papel moderno é ácido e frágil,
um disquete dura poucos anos e uma fotografia colorida perde rapidamente
suas cores. Existem também fatores extrínsecos que,
isolados ou conjugados, ocasionam a deterioração dos
documentos, qualquer que seja o seu suporte.
São fatores extrínsecos:
- umidade e temperatura
- radiações luminosas
- poeira e poluição atmosférica
- ataques biológicos (insetos e microorganismos)
- catástrofes (enchentes, incêndios)
- manuseio e acondicionamento inadequados
A deterioração dos documentos pode ser controlada
ou amenizada adotando-se medidas preventivas, que podem prolongar
a vida dos documentos e garantir o acesso às informações
neles contidas.
Como deve ser o ambiente de guarda
O local de guarda dos documentos deve ser muito limpo. O acúmulo
de pó no ambiente favorece o desenvolvimento e proliferação
de microorganismos ocasionando danos tanto aos documentos quanto
à saúde das pessoas. Deve ser realizada sistematicamente
a higienização das estantes, dos armários e
do chão com aspiradores e panos levemente umedecidos, de
forma a não dispersar o pó.
Nunca consumir alimentos e bebidas nas áreas de trabalho
e de guarda de documentos. Restos de comida e migalhas atraem roedores
e insetos que atacam os documentos, além do risco de derramar
líquidos e sujar documentos ou danificar equipamentos.
É proibido fumar nas áreas de trabalho e de guarda
de documentos. Além da questão da segurança,
os resíduos químicos da fumaça causam danos
aos documentos.
A área de guarda de documentos deve ser mantida com índices
de 20ºC de temperatura e 50% de Umidade Relativa do Ar. Altos
índices de temperatura e umidade são extremamente
prejudiciais aos documentos. Esses fatores aceleram processos químicos
de deterioração, além de permitir a proliferação
de pragas (insetos) e o ataque de microorganismos (fungos e bactérias).
Atenção especial deve ser dedicada aos filmes, fotografias,
negativos e microfilmes, que são facilmente atacados por
fungos.
Os ambientes muito secos, por sua vez, determinam a perda da umidade
dos materiais. No caso do papel, ele torna-se quebradiço
e frágil.
As estantes, mapotecas e armários devem ser de metal com
revestimento à base de esmalte e tratados por fosfatação
para evitar ferrugem. É contra-indicado o uso de mobiliário
de madeira que pode ser atacado por cupins e outros insetos que
causam danos ao papel. Recomenda-se móveis adequados ao tipo
e tamanho dos documentos de forma a evitar que os documentos sejam
danificados.
A entrada de luz solar deve ser controlada com filtros UV nas
janelas, ou com cortinas e persianas. O mobiliário deve ser
posicionado de forma que não receba luz direta. As radiações
luminosas são fatores de deterioração dos documentos,
causando alterações físico-químicas
na estrutura do papel, das tintas, das fotografias e do couro da
capa dos livros. As luzes solar e artificial emitem diversos tipos
de radiações, sendo uma das mais prejudiciais, as
radiações ultravioleta. A emissão desse tipo
de radiação, existente principalmente nas lâmpadas
fluorescentes, pode ser controlada com filtros especiais.
Manuseio
As mãos devem ser lavadas no início e ao final do
trabalho. Freqüentemente os dedos podem estar sujos de tinta,
manchando o papel. A gordura natural existente nas mãos também
danifica o documento ao longo do tempo.
Ao consultar livros ou documentos, não apoiar as mãos
e os cotovelos. Recomenda-se sempre manuseá-los sobre uma
mesa.
Cuidar para não rasgar o documento ou danificar capas e
lombadas ao retirá-lo de uma pasta, caixa ou estante.
Ao retirar um livro da estante é preciso segurá-lo
com firmeza na parte mediana da encadernação. Retirar
um livro puxando-o pela borda superior da lombada ocasiona danos
na encadernação.
Não dobrar ou rasgar os documentos, pois o local no qual
ele é dobrado resulta em uma área frágil que
rompe-se e rasga facilmente.
Evitar o uso de grampeador. Além das perfurações
produzidas, os grampos de metal enferrujam rapidamente.
Evitar o uso de clipes de metal em contato direto com o papel.
Utilizar de preferência clipes plásticos ou proteger
os documentos com um pequeno pedaço de papel na área
de contato.
Não usar fitas adesivas diretamente sobre os documentos.
Esse tipo de cola perde a aderência rapidamente, resultando
em uma mancha escura de difícil remoção.
Uso de cópias (fotocópias) de documentos é
contra-indicado, porque:
- as máquinas copiadoras, que operam com luz ultravioleta
em grande intensidade, causam danos tanto ao papel como à
tinta do documento original;
- manuseio inadequado na operação das máquinas
copiadoras pode ocasionar dobras e rasgos nos documentos. No caso
de encadernados pode danificar a costura e a lombada.
Acondicionamento
A maioria das caixas e pastas disponíveis no mercado são
feitas de papéis e papelões ácidos e apresentam
elementos prejudiciais como lignina e enxofre. A acidez, considerada
um dos piores fatores de deterioração do documento
ao longo do tempo, tem a característica de migrar através
do contato, ou seja, uma embalagem confeccionada com material de
má qualidade fatalmente irá ocasionar danos aos documentos
nela acondicionados. Diante disto deve-se ter especial atenção
no momento da escolha dos materiais para confecção
de embalagens. Recomenda-se utilizar papéis e papelões
com pH alcalino e livres de lignina.
Recomenda-se ainda:
- Analisar as melhores opções de embalagens.
- Pode-se adotar diversos modelos de caixas, envelopes, folders,
pastas, etc.
- Para definir a melhor forma de acondicionamento é necessário
considerar o tamanho e o tipo de documento, o espaço disponível,
os custos e o tempo de guarda.
- Uma boa solução de acondicionamento são
as pacotilhas, as quais devem ser feitas com papel de boa qualidade
e amarradas com cadarço de algodão.
- Jamais utilizar barbantes ou elásticos que cortam e
danificam a embalagem e os documentos ali acondicionados.
- Utilizar pastas com prendedores e hastes plásticas.
- Fixadores de metal enferrujam facilmente e danificam o documento.
- Usar embalagens de tamanho maior que o documento para não
dobrá-lo ou amassá-lo.
- Não acondicionar documentos acima da capacidade da pasta
ou caixa.
|