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Era uma árvore de calçada, nova ainda.
Estava caída, quebrada junto à raiz. Resultado talvez de um arroubo
maior de um adolescente apaixonado, ou de um vândalo.
Talvez não tivesse tido muitos desafios. Fôra plantada em uma circunferência
de um metro de diâmetro aberta na calçada. Bem adubada. Terra preta
enriquecida com humus. Cresceu sem dificuldades, livre da concorrência
sequer dos capins, pois o diligente jardineiro arrancava os competidores.
Também nunca faltou água.
Diferente foi o destino de outra árvore, da mesma espécie, aproximadamente
mesma idade. Cresceu nas encostas da Torre dos Sinos, uma das montanhas
do famoso conjunto Marumbi. Competiu por água, humus, sol, terra.
Sofreu com a inclemência dos temporais na Serra do Mar, ventos velozes
forjaram suas fibras. Graças a isso, talvez ela conseguiu resistir
quando tive de apoiar-me nela para deter a queda de um companheiro
de escalada. Ela vergou, mas suportou os pesos somados de duas pessoas.
Penso nessas árvores como dois sistemas semelhantes, um implantado
em um ambiente neutro, passivo, "favorável", outro em um
ambiente hostil, desafiante, resistente, "desfavorável".
Imagino o que seria do primeiro sistema, após algum tempo: grande,
de aparência saudável e vigorosa, mas pouco flexível, sem enraizamento
e nem integração ao ambiente. Um cenário, uma maquete. Uma boa aparência,
porém vulnerável às muitas mazelas que podem atingi-lo, sujeito a
ser suprimido ao primeiro embate com a realidade.
E o segundo? Após o mesmo tempo não estaria tão grande, teria muito
espaço ainda para conquistar, sua aparência não seria de tanto vigor,
até poderia parecer combalido, mas teria a capacidade de mudar quando
necessário, teria penetração no ambiente e estaria integrado com as
outras funções. Não estaria completo, mas aquilo que estivesse pronto
teria conteúdo, consistência. Seria capaz de resistir às turbulências
naturais, recuperando rapidamente sua estabilidade.
O Sistema Estadual de Informações - SEI está passando por um período
crítico. Teve criada a sua base legal, foi instalado e está tendo
as suas diversas funções gradualmente implantadas. Sofre os primeiros
desafios.
Enquanto meras palavras alinhadas em papéis, o SEI não despertou muita
atenção. Era mais uma novidade dos informáticos. Quando começou a
mostrar que sua implantação revolucionava o modo como a informação
passaria a ser considerada, rompendo com conceitos ultrapassados de
propriedade, buscando colocar os recursos de dados e informações dos
órgãos e entidades da Administração Pública direta e indireta do Estado
do Paraná, salvo em casos de limitações estabelecidas em lei, à disposição
de todos aqueles que deles necessitam para estudos, pesquisas e decisão,
apareceram os primeiros sinais de que havia uma mudança em curso e
isso, naturalmente, provocou perplexidades e resistências.
A perplexidade se manifesta em relação aos espaços institucionais.
O novo modelo redistribui espaços considerados historicamente pertencentes
a determinadas instituições. O novo modelo destrói espaços institucionais
vistos como eternos. O novo modelo gera novos espaços institucionais
ainda sem pertinência estabelecida.
Algumas instituições buscam articulação interna e externa diante da
mudança. É um movimento que, por princípio, provoca atrito. É como
a competição que a pequena árvore da serra desenvolve para firmar
suas raízes e integrar-se no ambiente.
Outras adotam uma postura de observadores. Colaboram no que puderem,
sem comprometer-se demais. Esperam o quadro definir-se para então
participar do modo mais conveniente. É como a pequena árvore da calçada,
que não compete com os capins esperando a ação do jardineiro.
Entre esses dois extremos existem várias instituições, e o SEI vai
ganhando forma. Ora fortalece-se na discussão, nas disputas, às vezes
até contundentes, porém sadias, pois significam a busca do caminho
mais adequado; ora enfraquece-se na omissão, na participação decorativa,
cômoda, mas danosa.
O vetor resultante desse jogo de forças é animador, aponta no sentido
de um sistema inovador para a gestão da informática e informação públicas,
aponta na mesma direção que as tendências inferidas das discussões
sobre o novo alinhamento necessário entre os sistemas de informação
e a tecnologia da informação. Raízes firmes e bem integradas ao ambiente;
estrutura flexível, adaptável: este é o sistema que poderá suportar
as transições políticas, dando sustentação a projetos cuja concepção
técnica garante o uso de seus produtos em conformidade com as necessidades
de estudos, pesquisas e decisões.
Dentro dessa realidade, o SEI já instalou oito Câmaras Técnicas:
-
Câmara Técnica de Padronização,
Normalização e Automação dos Acervos Documentais.
-
Câmara Técnica de Normas e Padrões
para Apresentação de Dados e Informações.
-
Câmara Técnica de Cartografia
e Geoprocessamento.
-
Câmara Técnica de Administração
de Dados.
-
Câmara Técnica de Metodologia
de Desenvolvimento de Sistemas.
-
Câmara Técnica de Termo de Referência.
-
Câmara Técnica de Integração
de Sistemas Computacionais.
-
Câmara Técnica de Normatização
das Estruturas Geradoras de Informações Setoriais.
Também existem
algumas comissões especiais para discutir negociação conjunta com fornecedores
de software, cujos resultados em breve poderemos divulgar, e encontra-se
em fase de discussão o novo modelo para aquisição de bens e serviços de
informática, que busca introduzir simplificação de procedimentos e será
objeto de artigo específico proximamente.
bb@celepar.gov.br
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