As redes de Petri surgiram
em 1962 como resultado da tese de doutorado do matemático alemão
C. A. Petri. De lá para cá, inúmeros estudos pelo mundo afora aprofundaram
e introduziram diversas variantes sobre o assunto.
A rede de Petri é uma
ferramenta formal de especificação da dinâmica dos fenômenos. Por
exemplo, existem propostas de utilização da rede de Petri na modelagem
das transformações (dinâmica) por que passam as entidades e relacionamentos
de um banco de dados.
Neste artigo, mostraremos o tipo básico de redes de Petri: as redes
de lugar/transição.
Apenas três elementos são necessários para a elaboração de uma rede
lugar/transição: os lugares representados por círculos,
as transições representadas por pequenas retas e os
arcos que ligam os lugares às transições (figura 1).

Figura 1
Uma transição possue lugares
de entrada (1 ou vários) e lugares de saída (1 ou vários) como mostrado
na figura 2.

Figura 2
Para representar o dinamismo
dos fenômenos, é necessário que se coloquem marcas (tokens)
em determinados lugares da rede. A circulação destas marcas através
da rede é que nos vai dar a noção deste dinamismo.
Uma transição é dita habilitada quando todos os seus lugares
de entrada estão marcados. Ocorrendo isto, a transição pode ser
realizada, isto é, retira-se uma marca de cada lugar de entrada
e coloca-se uma marca em cada lugar de saída.
Na figura 3 temos um exemplo do uso das marcas. No momento 1
existe uma marca no lugar L1 e não existem marcas nos lugares L2
e L3; neste caso apenas a transição T1 está habilitada. Estando
habilitada, a transição T1 faz com que a marca do seu lugar de entrada
seja transferida para os seus lugares de saída que resulta no
momento 2.


Figura 3
Agora a transição T1 não
está mais habilitada, mas a transição T2 está pois todos os seus
lugares de entrada, no caso L2 e L3, contêm marcas, o que faz com
que a rede volte ao estado representado pelo momento 1.
Para ilustrar o funcionamento de uma rede lugar/transição, mostraremos
a sua utilização no seguinte caso prático, tirado do dia-a-dia.
"Todas as manhãs,
uma família composta por três pessoas: o pai, a mãe e um filho,
realizam antes de sair de casa as seguintes atividades:
a) levantar da cama,
b) ocupar o banheiro (só existe um banheiro na casa e as pessoas
devem ocupá-lo uma de cada vez),
c) a mãe prepara o café da manhã,
d) todos tomam o café da manhã juntos, necessariamente após a atividade
b,
e) a mãe lava a louça,
f) o filho abre a porta da garagem,
g) o pai liga e aquece o motor do carro,
h) todos saem juntos."
A rede que representa este ritual matinal está representada na figura
4.
O funcionamento da mesma começa com marcas nos lugares banheiro-desocupado,
pai-dormindo, filho-dormindo e mãe-dormindo.
Para acompanhar o desempenho da família, sugerimos ao leitor que
se municie de grãos de feijão e, partindo do estado inicial mostrado
na figura, realize as transições e confira se a rede realmente modela
as atividades e obedece às restrições que foram colocadas.

Figura 4
Referência
Bibliográfica
WALTER, Cláudio. Notas de aula da disciplina Informática Industrial do
Curso de graduação em Ciência da Computação. Porto Alegre: Instituto de
Informática, UFRGS /1994/
dante@celepar.gov.br