Toda
profissão parece submeter seus iniciantes a um rito de passagem. O médico
cirurgião precisa abrir seu primeiro paciente; o advogado, defender sua
primeira causa; o analista, desenvolver seu primeiro sistema.
Já para o operador de computador, a barreira é a primeira madrugada cuidando
"da máquina". É pela primeira vez que ele, sozinho, é responsável
por um computador de muitos milhares de dólares, e o que é mais importante,
por sistemas que manuseiam informações vitais. Qualquer descuido, deslize,
e .... lá se vão dados, arquivos, programas, rotinas etc.
Sabendo disso, há muitos anos, quando a operação batch era muito mais
importante do que é hoje e tudo caía nas costas do operador responsável,
a CELEPAR preparava um esquema especial para esta primeira noite.
O esquema envolvia um grupo de profissionais experientes que ajudava e
dava apoio nesta primeira madrugada. Só que - junte um grupo de celeparianos,
... logo vai aparecer quem? Ora, no mínimo um gozador.
Pois no causo que ora se conta, preparava-se o primeiro turno da madrugada
de um colega recém contratado - ótima pessoa - mas muito apavorado. O
tal do comitê, esmerou-se por preparar uma madrugada inesquecível - sob
todos os aspectos. Tudo começava com uma sutil diminuição da luz na sala,
escurecendo cantos, num jogo de luz e sombras. Daí os colegas foram se
espalhando, dando a impressão casual (mas como numa coreografia ensaiada)
de que nossa vítima ia ficando sozinha (claro, todo mundo foi se escondendo
pelos cantos). A música ambiente deixou de ser música anódina usual e
passou a uma enervante trilha de suspense.
Daí a console (que naquele tempo era de papel, não havia vídeos) começou
a matraquear.
Nossa vítima não sabia, mas era um programa especialmente escrito para,
simulando o computador, enganar o operador. (A propósito, o nome do programa
era trouxa).
O operador preparou-se para responder ao computador (?) direitinho, como
ele havia aprendido no curso.
As mensagens em inglês, igualzinhas às do manual, se sucediam, e o operador,
respondendo uma a uma foi se entusiasmando sem sequer imaginar que podia
ser uma brincadeira.
Até que no meio do diálogo, no meio da madrugada, no meio do lusco-fusco,
e no meio da solidão, diz a máquina patética: "O PROGRAMA KYZX0000
entrou em LOOP", mais alguns segundos "OS CIRCUITOS ESTÃO SE
AQUECENDO" instantes de suspense, "EMERGÊNCIA: A MÁQUINA VAI
EXPLODIR" e em seguida... "CORRA"...
Não precisou mandar duas vezes.
O resultado?
Pela ordem: parar de rir, desligar a máquina, religar as luzes, e ...
ir buscar nosso colega lá no estacionamento.
kantek@celepar.gov.br

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