Este trabalho tem como
objetivo demonstrar uma forma de cálculo para elaborar pontuações em editais de
licitação do tipo técnica e preço, de forma que as mesmas representem com a maior
acuracidade possível, o peso do valor financeiro dos objetos ofertados.
Ou seja, para um determinado lote com vários ítens, a proporção existente entre os
pontos máximos possíveis de cada item deve ser a mesma proporção que existe entre o
valor dos recursos (quesitos) adicionais a serem ofertados como diferenciais técnicos
pontuáveis.
Esta forma de determinar a pontuação evita, por exemplo, que algum quesito adicional de
pouco valor permita uma pontuação muito elevada, distorcendo a avaliação do lote, e
permitindo que algum proponente se utilize disso para ofertar recursos adicionais baratos
para vencer um lote com objetos de alto valor.
Antes de proceder ao cálculo das pontuações devemos ter em mãos algumas informações:
1) Quais quesitos queremos pontuar?
Recomendamos que sejam escolhidos quesitos (recursos adicionais) de relevância para o
contratante, e bem dimensionados para os equipamentos em questão. Devemos lembrar que os
equipamentos descritos nos editais já devem estar coerentes com as necessidades
previamente estabelecidas e, portanto os recursos adicionais a serem incorporados deverão
servir apenas como diferencial técnico entre as propostas.
2) Quanto devemos aceitar de acréscimo?
Acreditamos que seja razoável pontuar acréscimos em torno de 50% acima da capacidade
estabelecida como limite mínimo obrigatório para os quesitos em questão.
3) Como devem ser ofertados os quesitos?
Devemos dar preferência para as características técnicas que possam ter acréscimos em
parcelas, pois isto incentiva as ofertas. Por exemplo, ao invés de 2 Megabytes de
memória adicional em um micro, devemos especificar "até 4 incrementos de 0,5
Mb" (desde que isto seja tecnicamente possível).
4) Qual o valor dos recursos a serem acrescidos?
A obtenção destes valores é fundamental para a formação da pontuação. Além do que,
eles devem ser coerentes com o valor do objeto básico.
Em caso de não se conseguir os valores dos recursos que queremos pontuar, é preferível
não incluí-los no processo de pontuação, pois, caso contrário, poderemos
distorcer todo o resultado obtido.
Vamos, a seguir, ver no quadro de exemplo em anexo, a forma de cálculo passo a passo.
Neste exemplo fictício, os diversos objetos foram agrupados em um lote, para que todos
eles fossem fornecidos pelo mesmo proponente.
O
lote em questão possui 3 itens (micros, impressoras e nobreaks) e cada um destes itens
possui quesitos que queremos pontuar (índice Norton, memória e área em disco para os
micros; páginas por minuto (PPM) e buffer para as impressoras; potência (KVA) para os
nobreak's).
Vejamos então:
- A coluna A relaciona os quesitos que serão
pontuados.
- A coluna B mostra o valor unitário dos
quesitos. Este valor é o preço da quantidade máxima que pode ser ofertada para
cada quesito.
- A coluna C mostra a quantidade dos objetos
do lote. Temos 3 micros, 2 impressoras e 3 nobreak's.
- A coluna D mostra 13 * C.
- A coluna E mostra os valores de D como
percentuais em relação ao total do lote.
- A coluna F mostra os valores de D como
percentuais em relação ao total do próprio item.
- A coluna G mostra em quantas parcelas o
recurso poderá ser incrementado. No caso dos nobreak's,
especificamos como Característica Mínima Obrigatória a
potência de 1 KVA. e permitimos até 2 acréscimos de 0,5 KVA.
- A coluna H mostra E dividida por G.
- Na coluna 1 colocamos o menor valor
encontrado na coluna H (3,93).
- A coluna J mostra H dividida por 1.
- A coluna K mostra os valores da coluna J
arredondados para o número inteiro mais próximo. Passaremos a chamar estes valores de X.
- A coluna L mostra K * G. Passaremos a chamar
estes valores de Y.
- A coluna M mostra L * C.
- A coluna N mostra os valores de M como
percentuais em relação ao total do lote.
Explicando:
1. A pontuação máxima que um proponente pode obter em cada quesito, deve ter a mesma
proporção em relação à pontuação máxima total do lote, que a proporção em que se
apresentam os preços anotados na coluna E.
2. Os cálculos efetuados até a coluna I servem para se determinar qual quesito tem o
menor acréscimo (em valor) pontuável. Este valor é dependente do valor do quesito e do
número de parcelas em que ele é subdividido. Ele servirá como unidade na pontuação.
3. Na coluna J calculamos a proporção dos outros valores em relação ao unitário da
coluna I. Neste ponto os valores encontrados já são os que serão utilizados como
"pontos".
4. Nas coluna K e L temos os números que servirão para a elaboração dos textos de
pontuação na seguinte forma:
Para o caso dos nobreak's:
_________________________________________________________________
"X pontos para cada 0,5 KVA adicionais, limitado a Y pontos para cada
configuração"
_________________________________________________________________
Onde X e Y são os valores encontrados nas colunas K e L, respectivamente, e no exemplo
valem 4 e 8.
Note que o valor de X=1, encontra-se no quesito "disco" que obteve o menor valor
na coluna H.
5. Na coluna M obtivemos o número máximo possível de pontos para cada quesito. Na
coluna N, calculamos estes valores como percentuais do total. Como citamos no
item 1,
estes valores devem manter proximidade com os valores da coluna E. A diferença que
observamos se deve ao arredondamento feito na coluna K.
Recomendações:
- Para se obter uma pontuação bastante
próxima da proporção dos preços, como no exemplo, devemos evitar:
- Pontuar quesitos com muita diferença de
valores entre si;
- Número de parcelas para acréscimo, muito
grande;
- pois isto gera o seguinte problema:
- Valores de X muito grandes e desarmoniosos,
como por exemplo: "139 pontos para cada .... adicional ... limitado a 973 pontos etc"
- Como o processo de pontuação é bastante
trabalhoso, recomendamos:
- Pontuar o menor número possível de
quesitos;
- Elaborar a pontuação somente após a
conclusão final do edital, pois qualquer modificação em preços e quantidades afeta
diretamente o resultado desta.
- A seqüência de cálculo apresentada pode
facilmente ser realizada com o auxílio de planilhas eletrônicas.
Cálculo do Índice Técnico:
Mesmo tendo elaborado todos os ajustes necessários nos valores de pontuação, ainda
devemos tomar alguns cuidados quanto ao cálculo do índice técnico. É bastante comum o
uso das seguintes fórmulas:
_______________________________________________
IT = 1 - [ (NP/PM) * P ] onde
IT = índice técnico da proponente
NP = número de pontos da proponente
PM = número de pontos máximos possíveis
P = peso
_______________________________________________
NF = IT * PO, onde
NF = nota final da proposta
IT = índice técnico
PO = preço do objeto
_______________________________________________
É usual a adoção do valor 0,3 para o peso, onde acredita-se que com isso estamos
aceitando um acréscimo no(s) preço(s) do(s) objeto(s), de até 30 % em virtude dos
recursos adicionais ofertados para pontuação.
Porém, existe aqui neste ponto um erro de interpretação, pois, na verdade, estamos
aceitando um acréscimo de 42%. Vamos demonstrar isso com o seguinte raciocínio:
Suponha duas propostas para um determinado objeto:
Proposta |
valor
ofertado (PO) |
número
de pontos obtidos (NP) |
número
max. de pontos (PM) |
IT |
NF |
A |
$
100,0 |
30 |
30 |
0,7 |
70 |
B |
$
70,1 |
0 |
30 |
1 |
70,1 |
Neste caso a vencedora seria
a proposta A, com a menor NF.
Quanto nos custaram a mais os recursos adicionais ofertados na proposta A?
100/70,1 = 1,42, ou seja, pagamos 42% a mais para comprar os adicionais ofertados, e não
30% como se acredita.
Portanto, devemos ajustar o valor do peso (P), para que ele represente exatamente o valor
dos bens pontuáveis que são incorporados ao objeto original, pois, se não procedermos
assim, corremos o risco de adquirir estes bens por valores superiores aos de mercado.
A fórmula que nos fornece este valor é a seguinte (devemos obter um valor de P para cada
lote) :
___________________________________________________
P = PA / (PA + PTL), onde:
P = peso
PA = preço total dos adicionais (unitário * num. de objetos)
PTL = preço total do lote (unitário * num. de objetos)
___________________________________________________
No exemplo mostrado no anexo temos:
PA = ( 250 + 1000 + 500) * 3 + (300 + 340) * 2 + 1000 * 3 = 9530
Supondo que o valor unitário dos objetos fosse:
- micros $ 5000
- impressoras $ 950
- nobreak's $ 2600
teríamos:
PTL = 5000 * 3 + 950 * 2 + 2600 * 3 = 24700
e portanto P = 9530 / (9530 + 24700) = 0,28
Portanto, utilizando as fórmulas para cálculo de IT e NF, concluímos que, no nosso
exemplo, pagaríamos 38% a mais pelos adicionais, que é um valor compatível com os
preços de mercado, pois o peso P foi derivado deles.
Conclusão:
Se utilizamos a metodologia descrita neste trabalho, estaremos aplicando uma técnica de
pontuação bastante justa, tanto para o contratante/adquirente como para os proponentes,
e todo negócio só é bom quando é bom para as duas partes envolvidas.
Exemplo:
|
A |
B |
C |
D |
E |
F |
G |
H |
I |
J |
K |
L |
M |
N |
|
quesi-
tos |
valor
unit. |
qt |
preço |
preço
% |
prop.
ao lote |
pc |
1/2
p/ parc. |
min |
H/I |
X |
Y |
L*C |
% |
|
cpu |
250 |
3 |
750 |
7,87 |
14,29 |
1 |
7,87 |
3,93 |
2,00 |
2 |
2 |
6 |
8 |
Item
1 |
memo
|
1.000 |
3 |
3.000 |
31,48 |
57,14 |
2 |
15,74 |
3,93 |
4,00 |
4 |
8 |
24 |
32 |
|
disco |
500 |
3 |
1.500 |
15,74 |
28,57 |
4 |
3,93 |
3,93 |
1,00 |
1 |
4 |
12 |
16 |
Item
2 |
ppm |
300 |
2 |
600 |
6,3 |
46,88 |
1 |
6,30 |
3,93 |
1,60 |
2 |
2 |
4 |
5 |
|
buffer |
340 |
2 |
680 |
7,14 |
53,13 |
1 |
7,14 |
3,93 |
1,81 |
2 |
2 |
4 |
5 |
Item
3 |
kva |
1.000 |
3 |
3.000 |
31,48 |
100,00 |
2 |
5,74 |
3,93 |
4,00 |
4 |
8 |
24 |
32 |
|
|
|
|
|
100 |
|
|
|
|
|
|
|
|
98 |
helio@celepar.gov.br

|