| Abordei a mentira-padrão
"RUIM COM ELE, PIOR SEM ELE", desmascarei "SOMOS MUITO BONS
DE DIAGNÓSTICO MAS NÃO CONSEGUIMOS IMPLEMENTAR" e, neste terceiro capítulo,
faço uma revisão, pois produzi uma candidata a
frase-encobridora: "resta
- só - trabalhar".
Para evitar que esta
frase possa ser usada como encobridora é melhor explicitá-la. O contexto em que a frase
foi colocada (ver segundo capítulo) é melhor dito pela sua transcrição: "Quando
digo guerreiros trata-se de metáfora, de substituição para empregados-mais-evoluídos
que já entenderam que por estarem submetidos ao contrato de trabalho que assinaram, resta
- só - trabalhar, e que este esforço de trabalhar é sensivelmente menor que o de
enganar-se (não trabalhar, pensar enganar o patrão,...).". Embora não fosse
intenção, a frase pode levar a pensar que se resta - só - trabalhar, isto pode ser
feito como se fosse um "trabalinho", realizado por um sujeito "jogado nas
cordas".
Se alguém pensou assim sobre o que foi dito é porque está num movimento de enganar-se,
pois a frase está em outro universo: o processo produtivo de uma empresa.
Vou abordar o que pode levar um sujeito a "jogar-se nas cordas". O processo
produtivo envolve vários fatores (recursos humanos, financeiros, equipamentos,
instalações, ... ). Entre estes fatores, como já é sabido, as pessoas (SUJEITOS) são
o de maior complexidade. O diagrama que segue é uma redução do contexto da questão
fator humano, mas pode facilitar um incremento no saber sobre estes sujeitos,
O ser humano, de forma ininterrupta, estará passando por três espaços distintos para
realizar qualquer coisa. Realizar uma tarefa pressupõe ter percorrido estes espaços
inúmeras (realmente muitas) vezes, num processo cíclico que não tem fim.

No primeiro espaço reside a COMPETÊNCIA que, segundo Velloso -
ORGANIZACIONAL -, "A competência, mais simplesmente, pode ser analogada
a um SABER (TÉCNICO), ou um CONHECIMENTO IMPLÍCITO que o sujeito tem da
sua técnica de execução, no entanto é um saber que não diz necessariamente
do SABER FAZER, mas de um dever - ser, conjunto de conteúdos que constitui
um sistema de coerções, conjunto de prescrições e interdições.".
Trata-se do SISTEMA REFERENCIAL que tornará a ação possível. Não há cientificidade(*)
em se produzir alguma coisa sem que se tenha a competência requerida.
O terceiro espaço é o da PERFORMANCE. que é o da competência realizada,
transformada em PRODUTO, onde se inserem os ATOS do sujeito.
Este espaço é atingido por movimento inerente à CAPACIDADE do sujeito.
O segundo espaço, entre competência e performance, é um campo importantíssimo
da problemática da ação humana. E onde realmente acontecem as SABOTAGENS
do processo produtivo. Está fora do campo da viabilidade empresarial (antieconômico)
conhecer todas as sabotagens internas, estruturais de cada sujeito. Entretanto,
estes fatores são, em sua grande maioria DESCONHECIDOS, no sentido de
ocuparem um lugar de desconhecimento ativo por parte dos elementos inteligentes
do sistema, E, por assim ser, torna-se o campo causal do fracasso no processo
produtivo. Por outro lado, a existência destes fatores deve ser CONSIDERADA
e TRABALHADA na execução do processo produtivo. Persistir no DESCONHECIMENTO
implicará em continuar vivenciando situações desagradáveis numa empresa,
como demitir um empregado, por exemplo.
Grande parte dos trabalhos são realizados por grupos de pessoas. Cada
sujeito deste grupo, seja da empresa ou do Cliente, estará cíclica e ininterruptamente
passando pelos três espaços, com potencialização do problema pelo fato
de que, quando reunidos em grupo, apresentam alteração no seu comportamento
individual conhecido (Freud, 'Psicologia de Grupo e Análise do Ego",
1921).
Ao profissional que ocupa o plano da ADMINISTRAÇÃO caberá nulo desconhecimento
do fator humano que atua no sujeito, seja enquanto indivíduo ou participante
de um grupo e, antes de tudo, que atua nele próprio. Profissionais com
este perfil são escassos. Podemos requisitar já formados - a peso de ouro
- junto ao mercado ou preparar, conforme mostrou o texto ORGANIZACIONAL:
selecionar profissionais com perfil próximo e "atuar sobre a estrutura
subjetiva, num FAZER - SER, afim de que o profissional se otimize em relação
ao sistema", processo que é longo e de alto custo.
Então, se alguém pensou o que foi dito (resta - só - trabalhar) como Jogar-se
nas cordas" é porque foi atuado pelo campo da SABOTAGEM, entendida
sem a conotação moralizante que acompanha esta palavra. Sabotagem não
é sacanagem, é mecanismo estrutural que atua no sujeito. Se o pensar em
"jogar-se nas cordas" é efeito do campo da sabotagem. o "jogar-se
nas cordas", após pensar nisto, é fruto de SACANAGEM (contra si),
esteja este sujeito no plano da administração ou da execução.
Outra questão, que necessita um capítulo à parte, é o contrato. O contrato
de trabalho foi citado por ser o contrato "guarda-chuva" sob
efeito do qual serão estabelecidos outros contratos, em especial os inúmeros
contratos para realização das tarefas, para que ninguém possa sentir-se
tentado a "jogar-se nas cordas".
(*) No sentido da aplicação de métodos científicos, sem exceção, a todos
os domínios da vida humana.
bb@celepar.gov.br

|