Desenvolvimento
de sistema para parcelamento de créditos fiscais da Secretaria da Fazenda
do Estado do Paraná, para elaboração do Trabalho Final do Curso de Especialização
em Análise Moderna de Sistemas da PUC- PR.
IntroduçãoO trabalho aqui
apresentado foi desenvolvido como trabalho de conclusão do Curso de Especialização em
Análise Moderna de Sistemas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Optamos
pelo desenvolvimento de um sistema em decorrência do perfil da equipe, mais voltado ao
projeto físico.
Acreditamos que a aplicação prática de
técnicas como a modelagem de dados e de processos; a utilização de uma metodologia de
desenvolvimento de sistemas, no caso a Metodologia de Desenvolvimento de
Serviços da Celepar, especificamente o Roteiro de Análise e Construção de Sistemas; e
o trabalho em equipe, abordados durante o curso, seriam mais proveitosos para fixar os
conhecimentos adquiridos do que a elaboração de uma monografia.
Atualmente, a Secretaria da Fazenda do
Estado do Paraná conta com um sistema de parcelamento de créditos (TPF - Termo de
Parcelamento Fiscal), que foi desenvolvido em 1977. Desta data até os dias de hoje, a
informática foi uma das áreas que mais avanços sofreu. Analisando-se somente por este
aspecto, pode-se considerar o sistema existente como um sistema desatualizado
tecnologicamente.
Por outro lado, a Secretaria da Fazenda vem
modernizando alguns de seus sistemas mais antigos, criando um contexto em que sistemas
mais atualizados ainda têm que conviver com sistemas situados em diversas fases do ciclo
de vida.
Além disso, há que se considerar o próprio ciclo de vida de um sistema. O sistema TPF,
que hoje ainda atende à Secretaria da Fazenda, já conta com cerca de dezessete anos de
existência, tendo que, durante este período, absorver alterações em suas funções.
Estas alterações são decorrentes de mudanças nas legislações estadual e federal,
adaptações à exigências do cliente, necessidades de integração com outros sistemas, e, também, de
alterações corretivas. Assim, o sistema perdeu grande parte de suas características
originais, exigindo hoje um grande esforço técnico para prover sua manutenção.
Nesse contexto, o desenvolvimento de um
novo sistema de parcelamento de créditos é prioritário, tanto pelo próprio interesse
da Secretaria da Fazenda, quanto pela necessidade da equipe técnica que a atende. Aliado
a isso, a equipe tem a oportunidade de, pela primeira vez, participar do desenvolvimento
de um projeto desde seu início, aplicando a Metodologia de Desenvolvimento de Serviços e
utilizando na prática algumas técnicas que foram objeto do Curso de Análise Moderna de
Sistemas.
Neste artigo, apresentaremos um enfoque
mais voltado ao processo de desenvolvimento de sistemas do que ao sistema de parcelamento
de créditos fiscais, uma vez que acreditamos que o processo seguido no desenvolvimento
tem mais importância que o desenvolvimento em si, pois poderá ser utilizado no
desenvolvimento de outros sistemas.
Objetivos
O trabalho foi desenvolvido com o objetivo
de conceber um novo sistema para o parcelamento de créditos fiscais (créditos
tributários oriundos do ICMS como: Auto de Infração, Guia de Informação e Apuração,
Dívida Ativa e Importação de Mercadorias, além de outros créditos como o ITCMD)
através da utilização da Metodologia de Desenvolvimento de Serviços, especificamente o
Roteiro de Análise e Construção de Sistemas (MDS-RACS).
Princípios
O desenvolvimento do trabalho seguiu os
princípios abaixo:
- Utilização da MDS-RACS em todo o projeto;
- Planejamento de cada fase (previsto na
MDS-RACS). O planejamento engloba atividades a serem desenvolvidas, previsão de
horas/homem necessárias, verificação/ajustes para os riscos identificados e divisão de
atividades, se possível.
- Definição de técnicas que serão
utilizadas durante o projeto e escolha de uma notação única. Foram escolhidas as
seguintes notações: Modelagem de Dados segundo James Martin e Modelagem de Processos
segundo Edward Yourdon.
- Trabalho em equipe. Definições e decisões
obtidas da equipe a partir de reuniões e/ou discussões. Projeto lógico desenvolvido por
toda a equipe.
- Envolvimento do cliente: com a
apresentação/discussão dos produtos.
- Acompanhamento e apoio do líder do projeto.
- Geração de produtos em cada fase, segundo
o previsto na MDS-RACS e adaptado para este sistema específico.
- Avaliação dos produtos gerados por um
grupo revisor, onde os produtos apresentados são questionados e a equipe de
desenvolvimento deve justificar suas decisões, com o objetivo de minimizar falhas e
melhorar a qualidade do sistema.
Etapas Desenvolvidas X Produtos
Gerados
Planejamento Global:
Etapa na qual é efetuado um planejamento
inicial para o desenvolvimento do projeto. Para tanto, necessita de uma primeira visão da
situação-problema, para atingir os seguintes objetivos:
- definição da equipe do projeto (Cliente e
Celepar);
- preparação do ambiente de trabalho;
- análise preliminar do contexto envolvido;
- definição das técnicas e ferramentas a
serem utilizadas no desenvolvimento do projeto; e
- definição do roteiro metodológico a ser
aplicado.
Tem como produto o Plano de Abordagem
Global, que descreve o contexto no qual o sistema está inserido, bem como o planejamento
para o seu desenvolvimento.
Investigação da Situação-problema:
Levantamento detalhado sobre o objeto do
estudo, abrangendo os procedimentos executados para o funcionamento do sistema, além do
próprio sistema de processamento de dados existente, com o objetivo de especificar de
maneira completa a situação-problema.
Tem como produtos:
- Fluxogramas de Skinner dos procedimentos -
descrição gráfica do levantamento de dados. Não previsto na MDS, mas como a MDS é
flexível, não houve problema em utilizar esta técnica. Utilizado aqui com o objetivo de
associar as informações coletadas através de entrevistas em uma representação que
facilite a visualização e propicie para a equipe (técnicos e clientes) um entendimento
uniforme do sistema objeto de estudo, além de fornecer maior agilidade para revisão das
informações. Além disso, informa sobre os procedimentos realizados que afetem o sistema
em estudo, não o restringido em sua parte somente de processamento eletrônico de dados.
Dessa forma, a utilização do Fluxograma de Skinner possibilita a análise crítica
destes procedimentos, para promoção de sua racionalização.
- Modelo de dados preliminar descreve
preliminarmente o modelo de dados do sistema em estudo.
- Restrições - restrições encontradas para
o desenvolvimento do sistema; neste caso específico são restrições legais
- Lista de termos - lista de termos que farão
parte do glossário do sistema.
- Alternativas de implementação - propostas
para a implementação do sistema: pacote, reaproveitamento, sistema centralizado ou
distribuído, para avaliação do cliente.
- Proposta de desenvolvimento modularização
do sistema ou entrega completa.
Modelagem da Essência da
Solução:
- Concepção do modelo lógico do novo
sistema, buscando representá-lo integralmente, através de modelagem de dados e de
processos, com o objetivo de solucionar os problemas e atender às expectativas do
cliente.
Tem como produtos:
- Diagrama de contexto proposto
- Diagrama de fluxo de dados (DFD)
- Dicionário de dados - descrição de
entidades, depósitos, processos e fluxos de dados.
- Modelo de dados - detalhamento e
normalização (até a 3a. forma normal) do modelo de dados preliminar.
Análise do Processo de
Desenvolvimento
Pontos Positivos:
- Planejamento de atividades e recursos,
inclusive com previsão de horas/homem necessárias, e por conseguinte, previsão de
prazos.
- Envolvimento do cliente - o cliente consegue
acompanhar e desenvolver junto com a equipe.
- Trabalho em equipe - disseminação do
conhecimento entre os membros da equipe.
- Divisão de responsabilidades - com o
envolvimento do cliente e o trabalho em equipe, juntamente com as revisões em cada fase,
as responsabilidades sobre o sistema são divididas entre toda a equipe e o cliente,
havendo assim um maior comprometimento de todos com o sistema. Como conseqüência, há uma
maior possibilidade de sucesso e uma maior garantia de qualidade do sistema.
Pontos negativos:
- Ferramenta CASE (PC-CASE) não se mostrou
completa e fácil de utilizar: chave de acesso por hardware, 2 cópias disponíveis,
qualidade de impressão, não adequada para trabalho em equipe, não integrada.
- Desenho e documentação do sistema - em
decorrência da não adequação da ferramenta CASE disponível e do setor de
documentação da CELEPAR não trabalhar integradamente com a equipe, a equipe gastou
muito tempo em desenho e documentação do sistema, tempo este que poderia ser melhor
aproveitado em atividades mais produtivas de análise de sistemas.
- Acompanhamento do projeto - a ferramenta
existente para o acompanhamento do projeto não se mostrou adequada para trabalho em
equipe (APC), dificultando a análise de horas gastas por atividade.
Sugestões para Continuidade do
Projeto
Sugerimos continuar o desenvolvimento do
projeto seguindo as fases complementares previstas na MDS-RACS e no Plano de Abordagem
Global. São elas:
Também sugerimos a manutenção
da mesma equipe para consolidar a experiência no desenvolvimento integral
de projetos com a utilização da Metodologia de Desenvolvimento de Serviços,
além de preservar o ambiente de trabalho favorável entre a própria equipe
técnica e o cliente. A continuidade do projeto é necessária, pois existe
a demanda por parte do cliente por um novo sistema de parcelamento de
créditos fiscais, satisfazendo, assim, à expectativa dos usuários, além
de não existirem razões que justifiquem a descontinuidade do trabalho.
lcarlos@celepar.gov.br

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