Com o desenvolvimento
acelerado de novas tecnologias, a concepção de administração foi levada
a evoluir para uma busca contínua de atingimento dos objetivos do negócio.
A eficácia passou a ser o fundamento do esforço administrativo.
Trazido tal conceito para a educação, temos
que diretores e professores precisam ser estimulados a se verem como empreendedores.
Terem uma percepção clara do que é esperado da educação, tanto como processo
que educa, quanto como estrutura que a viabiliza.
Oportunamente, o Governo do Estado está
dando uma ênfase maior ao treinamento e ao aperfeiçoamento dos professores,
o que é muito bom.
É necessário, porém, para direcionar o
esforço do aperfeiçoamento, que se defina, nos aspectos de pesquisa e
desenvolvimento e, em especial, na compreensão do que é, para todos nós,
a qualidade do ensino em todas as facetas do processo. É preciso ter disponível
a resposta para a questão: Aperfeiçoar para quê?
Planejar estrategicamente para realizar
o resultado desejado só será possível, com a eficácia requerida, após
essa definição concreta e clara.
O significado
da qualidade do ensino, desde o vigia da escola mais distante ao Governador
do Estado, precisa ser o mesmo. É claro que terão percepções diferentes,
mas não antagônicas. O conceito, no que for fundamental,
tem que ser único.
A qualidade do ensino
depende de todo o ciclo da educação. Inclui a pesquisa das necessidades
dos clientes: Estado, Comunidade, Família, Educando, Administração Escolar,
Servidores do Estado de todos os níveis vinculados ao processo educacional;
a concepção do resultado - aluno educado - nos níveis esperados; a aquisição
dos conhecimentos, dos materiais e equipamentos necessários; o aperfeiçoamento
dos professores e demais servidores, o processo pedagógico de obtenção
de conhecimentos, o espaço utilizado; a adequação desse espaço aos fins
desejados; o envolvimento da comunidade servida, a oferta de oportunidades,
os compromissos assumidos com os clientes, a análise e acompanhamento
dos resultados, a avaliação dos planos e as correções necessárias.
Todos esses aspectos precisam ter procedimentos
relativos à qualidade ao alcance de todos. Conhecimento e comprometimento
formam a base do sucesso.
Para que se possa oferecer o conhecimento
adequado à compreensão do que, cada um, na sua atividade, precisa contribuir
para a qualidade ser alcançada, é necessário decodificar o conceito e
as tarefas correspondentes a cada atividade. Só quando se obtém a compreensão
clara do que é esperado de nós é que podemos nos sentir motivados e comprometidos.
Desse modo, qualidade do ensino envolve
a todos, precisa de todos e cabe à toda a Educação, entendida esta, como
todos os organismos que têm participação no processo educacional.
Tal como a Qualidade Total, que verificou
ser necessário incluir fornecedores e clientes no esforço, também a Educação
precisa fazê-lo. Comunidade, prefeitura clubes de serviço, associações
comerciais, enfim, todas as forças vivas da sociedade precisam ser chamadas
a colaborar.
Todo sistema educacional
precisa ser revistado pelos seus agentes. O ambiente externo ao
sistema tornou-se turbulento; as expectativas sociais mudaram, o estado
do Paraná evoluiu. Somente num processo contínuo
de aprendizagem é possível manter atuais os procedimentos em uso e, para
isso, como sugere Garvin, precisamos: resolver problemas de forma sistemática,
experimentar novas abordagens, aprender com
o passado, aprender com as melhores práticas dos outros e transferir conhecimentos.
Manter o sistema educacional em contínua interação com o meio ambiente,
tornando-o flexível, inovador, eficaz e participativo é o desafio proposto,
enquanto estrutura organizacional para realizar a educação.
A eficácia, porém, está do outro lado da sala. O principal elemento do
processo que é o indivíduo que aprende. Considerar a pessoa que aprende
e não a que ensina como personagem central do processo é a característica
das tecnologias modernas de aprendizagem.
"A aprendizagem, entendida como uma mudança no indivíduo, devida
à interação desse indivíduo com o seu ambiente, que preenche uma necessidade
e o torna mais apto a lidar adequadamente com o seu ambiente", como
o define Burton, é preciso ser continuamente buscada no sistema educacional.
A busca da excelência na educação engloba necessariamente o fazer pedagógico,
a gerência desse fazer e de todo o complexo sistêmico que ambienta esse
fazer.
Um sistema eficaz que resulte, obrigatoriamente, num aluno educado, sempre
que esse aluno mantenha sua "adequacidade" - entendida esta
como a satisfação das exigências básicas do processo - durante o tempo
previsto para essa realização. O sistema deve, também, ter instrumentos
capacitados a avaliar e reajustar, com sucesso progressivo, os alunos
que venham a apresentar distorções nessa "adequacidade", incluída
sua saúde física e mental e sua motivação pessoal.
Ele, o aluno, não age por acaso, e sim movido pelas necessidades suas,
de sua família ou grupo social. São vulneráveis às necessidades externas
a si mesmo e elas o levam a decidir-se por seus objetivos como pessoa
ou, o que é mais comum, pelos objetivos dos seus responsáveis. Essa realidade
precisa estar contemplada no sistema. Como motivar pais, carentes de mão-de-obra
familiar, a manter seus filhos na escola? Como garantir o maior comprometimento
possível da comunidade com a escola seja como estrutura física, protegendo
a, como espaço de evolução pessoal - respeitando-a e convivendo com ela?
Como aumentar o interesse dos pais no aproveitamento escolar e reduzir
o enfoque no "passar de ano"?
Essas e outras questões têm mais de uma resposta, dependendo da formação
e das crenças de quem as responde.
Além de obtê-la, importa muito que componham um ideário congruente para
o esforço educacional, com conteúdo e sustentação lógica para orientar
docentes e discentes.
Compreender a escola de forma integrada e dinâmica, sob o prisma de um
pensamento sistêmico e capacitado a fornecer-lhe instrumentos conceituais
que a permitam atuar com disciplina metodológica e independência pedagógica,
é uma questão que precisa ter como resposta propostas claras, conhecida
e aceitas pelos envolvidos.
A escola, esse universo onde acontece o encontro do conhecimento com a
ânsia do saber, precisa ser bem compreendida, não só como realidade atual,
mas também como busca do futuro, do inusitado, do vir a ser.
Os desafios são muitos e são complexos, mas importa mais estar no caminho,
cair e se levantar, como dizia Roosevelt, do que ficar à beira, não cair,
e não ter nunca o mérito de vencer.
bb@celepar.gov.br

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