Introdução
O trabalho em equipes, a formação de times, e sua liderança, são assuntos bem
explorados na literatura de administração de profissionais técnicos e de gerência de
projetos. Este artigo aborda três textos a respeito de trabalho em equipes, resumindo-os
e suprimindo aquilo que não diz respeito especificamente ao tema teamwork. Fez-se uma
tentativa de extrair aquilo que parece mais importante, os pontos em comum destes três
autores, e também se fez uma reflexão sobre aquilo que parece importante no dia a dia,
mas está ausente nestes textos, ou não foi tão bem discutido.
É importante fazer algumas ressalvas aos textos. Primeiro, se ampliarmos a nossa leitura,
abordagens diferentes e opiniões opostas a estas podem ser encontradas. Há textos que
sugerem, por exemplo, que ao contrário de valorizar o papel do líder, a organização
deveria ser preparada para que funcionasse sem líderes. Mas aí teríamos que entrar em
cultura, da organização e ainda mais ampla, de uma sociedade latina que adora governo
forte, estado forte, presidente forte, diretoria forte, etc., uma discussão que não é
fácil conduzir, e para a qual nos falta conhecimento. Ficamos então em três textos. Um
pouco prescritivos, faça isto, faça aquilo, mas escritos por gente que apesar de estar
em universidades, tem uma enorme experiência na condução de trabalhos em equipe. Anos e
anos de projetos em universidades, em empresas, e no setor público, com certeza lhes
deram uma visão das dimensões a considerar. Mais uma ressalva: os três autores são
americanos. E lá é diferente daqui, sem dúvida. Isso deve ser considerado na leitura,
nem tudo o que funciona de um jeito lá, e dá certo, pode ser reproduzido aqui.
Times (equipes) para projeto
O artigo "Models For Achieving Project Success Through Team Building And
Stakeholder Management", (Tuman, 1993), apresenta técnicas para construção de
times de projeto. Especificamente, define o que é sucesso num projeto, identifica
quem determina o sucesso num projeto, descreve técnicas para mensurar o sucesso, e
explica como desenvolver um modelo para criar um time vencedor.
Segundo este autor, um projeto tem sucesso quando tudo acontece como planejado,
(pressupõe-se objetivos bem definidos) o trabalho é cumprido como programado e os
recursos são usados eficientemente. Além disto, claro, o cliente tem que ficar
satisfeito com o resultado final.
Há quatro grupos de stackholders (interessados, participantes) que determinam o sucesso
de um projeto:
Champions
Aqueles que têm alguma razão para querer ver o projeto se concretizar
(investidores, alta gerência...).
Participantes
Os que são responsáveis pelo planejamento e execução do projeto.
Comunidade
Grupos ou indivíduos diretamente afetados pelo projeto. Compõem
o ambiente que circunda o projeto.
Parasitas
Não têm envolvimento ou interesse direto para com o projeto. A
motivação primária é autopromoção (imprensa, por exemplo), o projeto interessa
na medida em que satisfaça essa motivação. Tanto podem ser a favor como
contra, dependendo do lado que preencha melhor o requisito da autopromoção.
É importante dar-se atenção às necessidades, forças e fraquezas de todos
estes grupos, se aceitarmos que o sucesso do projeto não é só função daqueles
que trabalham na equipe.
Para construir um time vencedor, este artigo sugere que, primeiro, deve-se
conceituar o time (planejar), para depois construí-lo.
Na conceituação do time, devem ser definidos os, atributos necessários
ao time. A meta é projetar um time que responda adequadamente às demandas
do ambiente de projeto (já anteriormente mapeado).
Para construí-lo, formá-lo, edificá-lo, deve existir um programa formal
de "teambuilding", três fases:
Fase 1 - Simulação do projeto. Usam-se técnicas de simulação
para organizar e treinar o grupo para um ambiente específico.
Fase 2 - Condicionamento ao projeto. Condicionamento
do time a uma metodologia formal de resolução de problemas. Esta fase
prepara o grupo para aceitar problemas ou eventos não esperados como parte
normal do trabalho. Deve ser desenvolvida uma cultura no grupo que considere
as anormalidades do projeto como oportunidade para aprendizagem e aperfeiçoamento.
Fase 3 - Maturidade. Desenvolvimento das tarefas ao projeto,
bem como treinamento formal e informal. É importante o aperfeiçoamento
profissional, a rotatividade no cumprimento das atividades e atividades
recreativas.
O segundo artigo, A Conceptual TeamBuilding Model: Achieving Teamwork
Through Improved Communications And Interpersonal Skills, de Paul
Dinsmore (Dinsmore, 1993), apresenta o termo teamwork como pessoas
cooperando para alcançarem objetivos comuns.
Cita como benefícios do seu uso aumentar a chance de sucesso do projeto,
promover criatividade, obter sinergia, criar uma atmosfera de "solução
de problemas" e um espírito de grupo que reduz tensão e conflitos.
O conceito pode ser usado tanto em grandes organizações como em grupos
pequenos, e responde adequadamente ao desafio enfrentado por todas as
organizações - o processo de mudança.
No entanto, o autor também cita que a formação de um grupo pode trazer
algumas desvantagens à organização: pode haver sinergia negativa, pode
haver excessiva independência do grupo, precisa-se de tempo para formar
e manter o time, e a tomada de decisão em grupo pode ser muito lenta.
De Tuckam and Jansen 1, vêm os cinco estágios existentes
no processo de formar um time, e também orientações de como conduzí-lo
ao longo desses cinco estágios: Forming, Storming, Norming, Performing,
Adjourning.
Forming
Nesta etapa, gerente e grupo focam mais as tarefas do que o grupo.
Organizam-se a estrutura do grupo, as metas, clarificam-se valores, e
desenvolve-se uma visão geral do propósito do grupo. O papel do gerente
é dirigir e encorajar o grupo para atingir consenso e comprometimento.
Storming
Menos estruturado que o primeiro estágio, o gerente deve incluir
o estabelecimento dos relacionamentos. Quando começa a ser importante
pertencer a um grupo, deve se dar ênfase às interações pessoais. Saber
ouvir, gerência de conflito, criatividade, flexibilidade,...
Norming
Aqui o processo de formação do time é mais orientado para o relacionamento
do que para as tarefas. Comunicação, feed-back, humor, entrepreneurship
e afirmação dos valores para motivar o grupo.
Performing
O time já opera por si só. O papel do gerente é servir como um
mentor/treinador e ter uma visão de longo prazo.
Adjourning
O gerente deve focar a avaliação, a revisão e o fechamento do time
de projeto. Os membros do grupo continuam motivados por sentimento de
autorealização.
Dinsmore(Dinsmore, 1993) aconselha líderes de projeto a seguirem suas
regras (dez), as quais considera essenciais para a formação de um time
: 1- identificar o que guia o grupo (coisas), 2- o líder deve ser
um dos participantes, 3- entender as regras do jogo, 4- avaliar a competição
que se estabelece, 5- escolher os participantes e ajustar o grupo, 6-
identificar e desenvolver líderes internos ao grupo, 7-treinar o grupo
para se desenvolver, 8- motivar os jogadores, 9- planejar e, por fim,
10- o processo de controlar, avaliar e melhorar continuamente.
No planejamento e implantação de times, o autor sugere ao líder que envolva
as pessoas no processo do planejamento do time (nesse planejamento, podem
ser usadas técnicas de decisão). Diz que devem ser considerados todos
os fatores do time, desde as características pessoais até a visão global
da organização.
Alguns passos são essenciais no processo de transformar grupos em times.
Um bom exemplo deve ser dado pelo líder, e ao gerenciar os membros do
time, ele deve lembrar que pessoas diferentes devem ser tratadas de maneira
diferente, não há uma "receita de bolo" que sirva para todas
a situações. Os membros do time devem ser treinados em trabalho em equipe,
através de pequenos grupos ou em um grupo só, com o conjunto de interessados.
Ainda em (Dinsmore, 1992) sugere-se implantar um programa formal de formação
e capacitação do time.
A chave para o sucesso de um time é desenvolver relações interpessoais
efetivas. Deve ser desenvolvido o saber ouvir, o saber tratar conflitos
interpessoais, e o negociar e influenciar.
O terceiro artigo, Effective Leadership For Building Project Teams,
Motivating People, And Creating Optimal Organizational Structures,
(Thamain, 1993), defende que o gerenciamento efetivo de times envolve
três dimensões - as habilidades pessoais dos membros do time, a estrutura
organizacional, e o estilo da gerência. Estes fatores são por sua vez
influenciados pela tarefa específica a ser desenvolvida pelo ambiente.
As necessidades dos profissionais que trabalham em time são: ter um trabalho
interessante e desafiante, ter um ambiente de trabalho estimulante profissionalmente,
ter crescimento profissional, ter liderança, haver prêmios tangíveis,
haver expertise técnica nos membros do grupo, haver assistência na solução
de problemas, ter objetivos claramente definidos, haver planejamento apropriado,
definição clara das tarefas, comunicação aberta, e mudanças no nível mínimo
que for possível.
São dadas algumas recomendações para gerenciamento de time de projeto.
O líder tem que construir um ambiente onde os membros do time sejam profissionais
satisfeitos, estejam envolvidos e tenham confiança mútua. Os que conduzem
o projeto têm que ser estimulados e ter as barreiras minimizadas. Para
isso, o líder deve reconhecer as barreiras, definir claramente os objetivos
do projeto, assegurar o comprometimento da alta gerência, gerenciar e
liderar, criar envolvimento, assegurar staff adequado, definir
a estrutura do time, conduzir sessões de têm-building, desenvolver
o seu time continuamente, desenvolver o comprometimento do time, assegurar
o suporte da alta gerência (são responsáveis pela existência de um ambiente
apropriado), reconhecer potenciais problemas e conflitos antes que apareçam
e mostrar seu empenho pessoal.
Para gerenciar projetos, deve-se criar um ambiente de trabalho estimulante,
assegurar um bom programa de liderança, prover pessoal adequado e prover
um ambiente técnico e organizacional estável.
Não é tarefa fácil. Um líder de projeto deve desenvolver suas habilidades
de gerenciamento de time, a habilidade para unir times multifuncionais
e guiá-los a resultados integrados; construir um ambiente que satisfaça
as necessidades motivacionais; promover participação ativa, mínimos conflitos
interpessoais e comunicação efetiva; ser capaz de exercer liderança em
ambientes não-estruturados; desenvolver credibilidade em grupos distintos:
os membros da equipe, a alta gerência e cliente.,;. Além de tudo, tem
que ser um "arquiteto social" que entenda a organização e sua
cultura, o sistema de valores, o ambiente e a tecnologia.
Teoria X Prática
Nos textos estudados, alguns pontos são de menção obrigatória, aparecem
de uma ou de outra forma nos vários textos, e são dignos de observação.
0 sucesso é função de outros além do time.
Este tópico aparece de uma certa maneira em todos os textos, as vezes
como uma referência aos stackholders do projeto, às vezes como "ambiente".
Não dá para dizer que determinados grupos são mais ou menos atuantes,
porque isso depende de cada projeto especificamente. Mas com certeza os
membros do grupo não são os Únicos responsáveis pelo fracasso ou pelo
sucesso de um projeto. Parece clara a relação deste ponto da teoria com
a prática.
A necessidade de planejamento na formação do time.
Este ponto merece ter resgatada uma discussão interessante - o fato de
costumeiramente não se ter a oportunidade de montar a equipe que se deseja,
que seria a mais adequada. Há uni contingente de pessoas na área, ou passíveis
de alocação, e são essas que têm que desenvolver os projetos, não há uma
escolha baseada nas potencialidade e habilidades de cada integrante. Os
recursos mais capacitados, os que identificamos como os detentores de
mais habilidades, são escassos, e são disputados pelos vários projetos.
Os projetos emergenciais e de prioridade zero, que justificam a formação
de uma força tarefa especial, são poucos em cada organização. 0 que fazer?
Planejar cuidadosamente a formação de um time que já sabemos qual é? Coloca-se
em dúvida este ponto teórico, quando pensamos nas limitações organizacionais
da prática. 0 planejamento na formação do time seria ideal, deve ser buscado
e deve haver tentativas de se sensibilizar o nível executivo para essa
necessidade, mas na prática muito poucas vezes se tem esta oportunidade.
Esta questão pode vir a ser facilitada, tia medida em que mudem as relações
de trabalho e se tenha mais profissionais especialistas e autônomos no
mercado, ou nas universidades, dispostos a trabalhar em projetos de empresas.
De qualquer maneira, a longo prazo, o problema se reproduz aqueles profissionais
que tios interessam serão disputados por vários projetos.
Programa formal de formação do time.
Este tópico aparece em todos os textos, e é enfatizado que a formação
não pode ser só técnica. No caso de construção de times multidisciplinares,
as habilidades interpessoais são um ponto crítico, a capacidade de se
comunicar, e a de saber ouvir, o desenvolvimento de habilidade e técnicas
de trabalho em grupo, de resolução de problemas. Todo um conjunto de conhecimentos
e de práticas que deve ser experimentado e que não é explorado tradicionalmente.
Em discussões sobre gerência de profissionais técnicos há questionamentos
em relação à possibilidade destas práticas alterarem comportamentos, mas
há relatos de experiências de promoção deste tipo de formação, com bons
resultados (a nível pessoal e organizacional).
A formação de um time é um processo.
Aparece também um aparente conflito entre este tópico, e a prática do
dia a dia das empresas. Um dos princípios de uma área que funciona "por
projetos", é que estes têm duração e dimensões (tempo e emprego de
recursos) diferentes. Como conciliar a visão de formação de um time como
um processo, com um área funcional que tem seus recursos alocados dinamicamente
aos diversos projetos. Chega-se à conclusão que sempre se deve pensar
em time em um projeto, e que nesse caso a formação é uni processo. Significa
pensar também em construção de time em projetos de duração mais longa,
ou para uma área funcional que trabalhe em projetos curtos, mas que a
equipe base seja a mesma, e cujos membros trabalhem próximos fisicamente.
Um time atravessa várias fases.
Os textos tratam as fases percorridas pelos times com nomenclaturas diferentes,
mas são unânimes no conceito de que em cada fase a atuação do líder deve
ser distinta. As fases atravessadas pelos times lembram as do ciclo de
vida de um projeto (Kruglianskas, 1993), e reforçam o conceito de formação
de equipe como um processo.
Questiona-se a possibilidade de um líder de projeto poder transitar pelas
diversas atuações necessárias ao longo do tempo com o mesmo grupo, porque
afinal ele tem características próprias que influenciam o seu comportamento.
Ele pode ser mais ditatorial, ou mais democrático; pode ter uma orientação
pessoal mais para tarefas (uma formação mais de engenheiro), ou mais para
relacionamentos. De qualquer maneira, o líder, mesmo que se considere
suas características pessoais, tem que saber identificar o estágio do
grupo e pautar sua atuação por procurar atender as necessidades específicas
do grupo daquele estágio.
Não há "receita de bolo".
Uma das conclusões da teoria que merece ênfase no resumo, é não haver
uma prescrição padrão para se lidar com um grupo e com os integrantes
do grupo. Pessoas diferentes têm que ser tratadas de forma diferente,
e o próprio grupo também, dependendo da fase de maturidade em que se encontra.
A atuação do líder tem que se pautar pelo estágio do grupo, pela natureza
da tarefa, pelo ambiente, e pelas suas próprias habilidades. Cada
caso é um caso, e ao longo do tempo o líder vai acumulando experiências
no tratamento das situações, mas não pode achar que o que resolveu em
uma situação aplica-se, incondicionalmente, em outra aparentemente semelhante.
A importância do líder do projeto.
Durante a leitura dos textos, salta aos olhos a importância dada ao papel
exercido pelo líder do projeto. Ele deve identificar os diversos estágios
pelos quais o grupo passa e vai passar, e conduzí-lo ao longo desses estágios.
A sua atuação é diferente em cada estágio, com maior ênfase em tarefas
ou relacionamento das pessoas, com maior preocupação no controle ou na
formação do grupo. 0 líder acaba sendo um exemplo para o grupo e deve
estar realmente comprometido com o projeto. Para saber tratar conflitos
ou ao enfrentar crises e pressões ( técnicas, políticas, de recurso, ...
), tem que saber ouvir, negociar e influenciar. Ele é uma "ponte"
entre os técnicos e a alta gerência, entre o projeto e o nível executivo,
tem que saber falar a língua dos dois lados e obter o envolvimento dos
níveis hierárquicos superiores.
Também funciona corno uma ponte entre o time do projeto e os demais stackholders.
Um perigo a enfrentar na formação de um time, é o time adquirir valores
e objetivos diferentes daqueles da organização. 0 líder do projeto tem
que procurar não deixar o time 'independente" - os resultados obtidos
têm que estar integrados aos resultados, objetivos, e à organização como
um todo. Um dos textos refere-se ao líder do projeto como "arquiteto
social", porque tem que entender a organização, sua cultura, valores,
ambiente e tecnologia.
Será que existe a possibilidade de se encontrar um líder de projeto que
preencha todos os requisitos listados rios textos? Seria encontrar um
"super-homem", alguém para casar e não para colocar na liderança
de uma equipe. Retomando o tom mais sério, vamos entender que os textos,
e as referências às habilidades do líder, são importantes para que cada
líder reflita na sua atuação em relação a cada um dos pontos em particular,
para melhorar seu desempenho, e não como critérios de seleção de líderes
de projeto. Também se deve dar atenção à forma como se prepara um líder
de projeto- além de toda a bagagem teórica que pode ser obtida e que não
é dispensável, um líder de projeto forma-se ao longo de anos, liderando
projetos. A organização precisa aceitar o risco de ter líderes de projeto
menos experientes, permanentemente, como parte do processo de preparação
e mudança da organização.
Relações interpessoais são importantes.
Os profissionais técnicos não têm formação específica para lidar com as
relações interpessoais que se estabelecem num time. É importante desenvolver
estas habilidades no líder e nos componentes do time.
Além da teoria - questões importantes.
Alguns pontos interessantes e dignos de nota não são comentados no textos.
Primeiro, o sucesso do projeto pode não ser um sucesso da empresa. Retornando
(Tuman, 1993), "um projeto tem sucesso quando tudo acontece como
planejado (pressupõe-se objetivos bem definidos), o trabalho é cumprido
como programado e os recursos são usados eficientemente. Além disto, o
cliente tem que ficar satisfeito com o resultado final". Podemos
imaginar projetos, especificamente ria área de Tecnologia de informação,
que, ao serem implantados, fragilizam a empresa rio seu relacionamento
com o mercado. A dimensão de sucesso é mais ampla do que a deste autor.
Um outro ponto a considerar, pouco comentado nos textos, é a importância
dos sistemas de avaliação e recompensa. Ainda que brevemente abordado,
em Miamain, 1993), esta é uma das questões evidenciadas pela experiência
prática que não foi suficientemente enfatizada nos textos discutidos.
Como avaliar e recompensar os desempenhos diferentes do time? Numa equipe
multidisciplinar, com profissionais de diversas origens, como avaliar
tarefas diferentes, e como recompensar seu desempenho (imagine por exemplo
num projeto multimídia, o líder do projeto ferido que avaliar roteiristas,
pessoal de fotografia e vídeo, e programadores - quais são os critérios)?
E além do desempenho técnico individual, como recompensar seu desempenho
rio grupo? E como fazer se o projeto envolve mais de uma organização,
como se avaliar as contribuições das organizações e dos indivíduos? Se
estas perguntas não forem respondidas adequadamente no primeiro proj .
eto que se faça numa empresa, elas terão um impacto negativo tia condução
dos projetos seguintes e tornar-se-ão por si mesmas fonte potencial de
conflitos entre o líder e o grupo, entre o nível executivo e o grupo.
Conclusão
A conclusão óbvia, nestes textos (porque há autores que defendem o contrário),
é que não há espaço para deixar um time agindo por conta própria; tudo
tem que ser planejado e gerenciado, tarefas e relacionamentos. Mesmo na
fase de maturidade do time, quando o controle é muito menor , a fase deve
ser planejada e gerenciada, o líder deve estar permanentemente atento
às necessidades do grupo e da organização.
Além desta conclusão, outras são de menção obrigatória, como: o sucesso
ser função de outras pessoas além dos membros do time; a importância e
cuidado a tomar no planejamento e na execução de um programa de formação
do time; o fato da construção de um time ser um processo, e que atravessa
várias fases com atuações diferentes requeridas para o líder; o não haver
um receituário pronto para aplicação na condução de um time de projeto,
e depender da natureza do projeto, dos participantes, do ambiente, do
estágio de maturidade do grupo, e até das habilidades e capacitações do
líder. A importância do líder foi ressaltada nos textos, bem como a importância
das relações interpessoais e a formação de habilidades para tratar com
elas, tanto no líder como nos participantes do time. Dois pontos despertam
atenção quando pensamos na nossa experiência prática, que não foram suficientemente
abordados nos textos - o sucesso ser medido por critérios além daqueles
referentes ao resultado do projeto isoladamente, e a importância e dificuldades
de estabelecimento de sistemas de avaliação e recompensa, principalmente
ao trabalhar com equipes multidisciplinares
Referências Bibliográficas
ALBUQUERQUE, Lindolfo, G. Política de Recursos Humanos para Profissionais
Técnicos. In: XV Simpósio Nacional de Pesquisa e Administração
em Ciência e Tecnologia. Anais. São Paulo, Out. 1990.
Dinsmore, Paul C; A Conceptual Team-Building Model: Achieving TeamWork
Throught Improved Conimunications And Interpersonal Skills. ln: The
Handbook of Project Management, Paul Dinsmore ed.; AMACOM. EUA,
1993.
Kruglianskas, Isak. Engenharia Simultânea: organização e implantação em
empresas brasileiras. Revista de Administração de Empresas,
São Paulo V.28, n 4, p. 104-110, Out/Dez 1993.
Sbragia, Roberto. Trabalho em Equipe e inovação Tecnológica. Revista
de Administração de Empresas, São Paulo v.287 n. 1, p.36-43,
Jan-mar 1993.
Thamhain, Hans J., Effective Leadership For Building Project Teams, Motivating
People, And Creating Optimal Organizational Structures. The Handbook
of Project Management, Paul Dinsmore ed.; AMACOM. EUA, 1993.
Tumam Jr, Jolin- Models For Achieving Project Success Through Team Building
And Stackeholder Management. The Handbook of Project Management,
Paul Dinsmore ed., AMACOM. EUA, 1993.
xana@celepar.gov.br

|