A informatização da sociedade moderna apoia-se
cada vez mais na integração de redes de computadores, constituindo um ambiente no qual
inúmeros sistemas computacionais, das mais variadas tecnologias e dos mais diversos
fabricantes, interconectam-se para interoperar de forma cooperativa na busca dos
resultados necessários para atingir os objetivos. Esta dispersão que aumenta à medida
que cresce o número de sistemas computacionais leva à necessidade de existência de um
sistema de informações capaz de localizar e fornecer informações sobre os mais
variados recursos existentes na rede.
Esta necessidade motivou a ISO- Organization for Standardization a
desenvolver, no âmbito do Modelo de Referência OSI-Open Systems
Interconection,
um padrão internacional para sistemas de diretório, definindo uma
série de protocolos que são implementados de forma padronizada nos
vários tipos de sistemas computacionais, para tornar transparente,
para as aplicações na rede, o processo de localização de objetos.
Os padrões para o Serviço de Diretório foram definidos pelo conjunto
de normas ISO-9594/n e pelas recomendações da série X.500 da ITU-T-International
Telecommunication Union-Telecommunication.
0 Diretório X.500,
como é conhecido no mercado, é capaz de localizar e prover informações sobre qualquer
tipo de objeto estes que podem ser pessoas, organizações,
endereços de correio eletrônico, endereços de rede, aplicações, autorizações de
acesso, recursos computacionais, produtos, serviços, enfim, qualquer tipo de objeto que
seja do interesse de urna comunidade interconectada em uma rede.
ESTRUTURA DO DIRETÓRIO
0 Diretório
X.500 é constituído por uma base de dados conceitual para definição
de objetos, representada pela DIB-Directory Information Base, e por
uma estrutura hierárquica para acesso aos objetos, representada pela
DIT-Directory Information Tree. No aspecto organizacional, possui
abrangência global no domínio das redes inter- conectadas, sendo visto
como uma única base de dados, operando, porém, de forma distribuída
através de um número ilimitado de sistemas computacionais, onde cada
ambiente pode ter a sua própria base de diretório.
A DIB consiste de um conjunto
de informações estruturadas no conceito de orientação a objetos, sendo
composta por entradas, denominadas de entradas de Diretório ou entradas
de objeto, as quais representam os objetos do mundo real, contendo
as respectivas informações características. As recomendações da série
X.500 padronizam apenas a estrutura lógica do Diretório não se preocupando
com a forma de armazenamento da DIB nos sistemas de arquivos de cada
ambiente operacional na rede.
Um objeto no Diretório é descrito por um conjunto de atributos. Cada atributo, por sua
vez, possui um tipo de atributo e um ou mais valores de atributo, conforme representado
esquematicamente na Figura 1.

Objetos que possuem
as mesmas características e que, portanto, são de um mesmo tipo, são
agrupados em classes de objetos. Assim, existem as classes das pessoas,
das organizações, dos países, das aplicações, dos endereços de redes
e outras. A especificação de uma classe de objeto define os seus atributos,
classificando-os entre mandatórios, os quais, por serem relevantes,
devem estar sempre presentes, e os opcionais, que complementam a sua
definição. Aplicam-se às definições de classes de objetos os conceitos
de hierarquia de classes, ou seja, novas classes podem ser definidas
a partir de super-classes, herdando destas os seus atributos. A Figura
2 exemplifica a estruturação de uma classe de objeto, corri valores
de atributos para uma determinada instância, no caso a organização
CELEPAR.
CLASSE DE OBJETO: organização

0 Diretório
possue uma série de classes de objetos e uma série de tipos de atributos já definidos
de forma padrão para uso universal. Dentre os objetos padronizados encontram-se, na
recomendação X.521, classes como topo do Diretório (é uma classe raiz herdada
obrigatoriamente por todas as classes), país, localidade, oganização, unidade da
organização, pessoa, pessoa residencial, pessoa organizacional, processo de aplicação,
DSA de Diretório dispositivo, dentre outros. Dentre os tipos de atributos padronizados
pela recomendação X.520, destacam-se classe de objeto (obrigatório para todos os
objetos), nome de país, nome de localidade, sigla de estado, endereço de ruas, categoria
de negócio, número de telefone e de fax, endereço de rede X.25, nome e sobrenome de
pessoa, nome de organização e de unidade da organização, código postal, caixa postal,
endereço de aplicações e senha de usuário. Estas classes de
objetos e tipos de atributos padronizados podem ser utilizados pelo usuário na criação
de novas classes de objetos para atender as necessidades de suas aplicações. Também
existem padronizações de sintaxe para os valores mais comumente encontrados nos
atributos de objetos.
Para a especificação da DIB, as normas definem o denominado Esquema do Diretório, o
qual consiste de um conjunto de regras estruturais que provêm moldes para a definição
das classes de objetos, tipos de atributos e sintaxes para os atributos. Estes moldes,
disponíveis para o projetista das aplicações de Diretório através de três macros,
OBJECT-CLASS, ATTRIBUTE e ATTRIBUTE-SYNTAX, garantem consistência nas definições,
prevenindo contra o uso de tipo de atributo inapropriado em uma dada classe de objeto, ou
a adição de um valor com uma sintaxe que não combine com a sintaxe definida para um
determinado tipo de atributo.
A DIT, estruturada de forma hierárquica, reflete o relacionamento natural que existe
entre os objetos no mundo real. Considerando que o Diretório tem como principal
característica ser único em termos de abrangência e distribuído em termos de
implementação, a escolha do modelo hierárquico favorece dois aspectos importantes da
sua administração. Primeiramente, como cada nó da árvore possue um único caminho até
a raiz, este caminho pode ser utilizado para identificação não ambígua na nomeação
dos objetos associados à cada nó da estrutura. Diferentes instâncias de um objeto podem
ser implementadas em nós distintos com o mesmo nome, como é o caso, por exemplo, de
pessoas que possuem o mesmo nome mas que trabalham em organizações diferentes, ou
processos de aplicações que possuem o mesmo nome e operam em computadores diferentes. Em
segundo lugar, como o Diretório possui um número muito grande e crescente de entradas,
é possível delegar autoridades administrativas a partir de um determinado nó. Por
exemplo, cada país pode assumir responsabilidade sobre as entradas que pertençam ao seu
domínio, podendo estes, por sua vez, delegarem responsabilidade para organizações
administrarem seus segmentos da árvore, e assim por diante.
Cada nível na estrutura da DIT é associado a uma determinada classe de objeto. Para o
projeto de um determinado nível, a primeira tarefa a ser desenvolvida é a determinação
da classe de objeto do Diretório e dos atributos que serão utilizados na nomeação dos
objetos. A Figura 3 mostra um exemplo de estrutura da DIT, onde o primeiro nível é
composto pela classe país, nomeada pelo atributo país(C=), o segundo nível é composto
pela classe organização, nomeado pelo atributo organização (0=), e o terceiro
compreende a classe unidade da organização, nomeada pelo atributo
unidadeOrganização(OU=).
A DIT representa o modelo conceitual de
organização do Diretório. A sua implementação no sistema de arquivos em cada ambiente
operacional não está sujeita a qualquer tipo de padronização, ficando a critério de
cada implementador. 0 importante em uma rede composta por ambientes heterogêneos, é que
cada sistema possa ser acessado para oferecer os serviços de Diretório. solicitados, de
acordo com o padrão de organização lógica definido.
0 nome de uma entrada de objeto no Diretório é denominado RDN-Relative Distinguished
Name, ou nome característico relativo, o qual é constituído por um conjunto de
atributos diferenciadores, que são escolhidos pelo administrador do Diretório. para cada
classe de objeto. Os valores dos atributos diferenciadores de um RDN têm que ser únicos
sob um determinado nó da estrutura da DIT. Para que um determinado objeto possa também
ser unicamente identificado em todo o Diretório. os RDNs são encadeados seguindo os
níveis imediatamente superiores na DIT, constituindo uma seqüência ordenada, que parte
da raiz e se estende até o nível da entrada que está sendo endereçada. Esta
concatenação ordenada de RDN é denominada dn Name, ou nome
característico. A Figura 4 apresenta exemplos de RDNs e de DNs associados à estrutura da
DIT exemplificada na Figura 3.

| Nível da DIT |
RDN |
dn |
| país |
C= BR |
{C=BR} |
| organização |
O= CELEPAR |
{O=BR
O=CELEPAR} |
| unidadeOrganização |
OU=Tecn |
{C=BR,
O=CELEPAR,
OU=Tecn} |
Figura 4 - Exemplos de nomeação de
entradas no diretório.
SERVIÇOS DE ACESSO
Os serviços do Diretório são providos aos seus
usuários através de dois agentes, o DSA-Directory Service Agent, que é o agente
servidor do Diretório e do DUA-Directory User Agent, que é o agente de interfaceamento
com a aplicação do usuário, cujas especificações estão contidas na recomendação
X.51 1. A comunicação entre os agentes se dá através do uso de dois protocolos, o
DAP-Directory Access Protocol, que é o protocolo de acesso ao Diretório o qual
estabelece as regras para comunicação entre o DUA e o DSA, e o DSP-Directory Service
Profocol, protocolo de serviços do Diretório, que determina a forma de cooperação
entre os diversos DSAs que compõem o Diretório. Estes protocolos são especificados na
recomendação X.519. A relação entre agentes e protocolos é esquematicamente mostrada
na Figura 5.

0 DUA é um processo de aplicação que assiste ao
usuário, que pode ser uma pessoa, através de uma interface interativa, ou então um
programa de aplicação, na preparação das operações que o mesmo pretende realizar,
seja uma leitura, uma pesquisa ou uma modificação de informações no Diretório. Para a
prestação do serviço requerido pelo usuário, o DUA estabelece uma ligação ou
associação com o Diretório, interagindo através do protocolo DAP com um DSA
previamente definido, o qual pode estar em seu próprio ambiente operacional ou em um
ambiente operacional remoto.
0 DSA é também um processo de aplicação, responsável pela resposta à solicitação
efetuada pelo DUA. Caso a informação não esteja contida no seu domínio, uma vez que o
Diretório, é implementado de forma distribuída, é função do DSA prover a busca nos
DSAs dos demais domínios, através do protocolo DSP, retornando a resposta ou uma
referência de onde a informação requisitada pode ser encontrada, de acordo com o
método de pesquisa escolhido na implementação.
Os serviços do Diretório, definidos na
recomendação X.511 são oferecidos através de acesso a portas que implementam os
protocolos DAP e DSP, portas estas que se comunicam entre dois sistemas através dos
serviços de operação remota oferecidos pelo elemento de serviço de aplicação de uso
genérico ROSE-Remote Operations Service Element, da camada de aplicação do modelo
OSI.
Cada porta executa as operações para prover os serviços ao usuário através de um
elemento de serviço de aplicação, ASE-Application Service Element, específico da
camada de aplicação do modelo OSI para o Diretório.
Atualmente a padronização do Diretório. define três portas para operações sobre a
DIB: portas para interrogação denominadas Read, para acesso a um objeto específico, e
Search, para pesquisar um conjunto de objetos, e ainda a porta denominada
Modify, para
proceder modificações.
A porta Read, que possui os protocolos implementados pelo elemento de serviço de
aplicação readASE, permite ao usuário o acesso a informações da entrada de um objeto
específico da DIB, podendo ser:
Read: permite ao DUA recuperar informações da entrada do objeto especificado pelos
argumentos, os quais contêm o dn da entrada do objeto, acompanhado da lista dos atributos
que se deseja recuperar.
Compare: efetua a comparação de valor de um determinado atributo de uma entrada de
objeto particular, representado pelo seu dn, com um ou mais valores que são informados
como parâmetro na operação, retornado o resultado da comparação. Um exemplo de uso
desta operação é a verificação de uma senha de acesso contida em um objeto no
Diretório, contra um valor fornecido pelo usuário.
A porta Search, implementada pelo elemento de serviço de aplicação
searchASE, tem como
função proceder pesquisa sobre um conjunto de objetos no Diretório, podendo ser de duas
formas:
List: retorna a lista dos subordinados diretos da
entrada do objeto especificado. Considerando a Figura 3, que exemplifica uma estrutura de
DIT, a execução do List com o objeto país, com valor de atributo C=BR, retorna a lista
das organizações que pertencem ao Brasil na árvore do Diretório, ou seja
O=Cefet e
O=Celepar.
Search: retorna a subárvore inteira da DIB, pertencente à entrada do objeto especificado
na operação, não restringindo ao primeiro nível de subordinação como ocorre no
List.
Os argumentos incluem, além do dn da entrada do objeto base da pesquisa, o parâmetro de
subconjunto, definindo o escopo de pesquisa, o parâmetro de filtro com condições que
limitam o volume dos resultados retornados, e o parâmetro de seleção, que define os
atributos de cada entrada que serão apresentados no resultado.
A porta Modify, implementada pelo elemento de serviço de aplicação
modifyASE, oferece
serviços de modificações sob a DIB, contando atualmente com a existência de quatro
operações definidas:
AddEntry: adiciona uma nova entrada de objeto à DIT, estando previsto para o futuro a
possibilidade de adição de uma subárvore inteira. Os argumentos contém o
dn da entrada
de objeto superior, sob o qual o novo objeto vai ser inserido, e o conjunto das
informações que compreendem a nova entrada.
RemoveEntry: remove uma entrada de objeto, podendo também ser estendida futuramente para
possibilitar remoção de subárvore completas da DIT.
ModifyEntry: efetua modificações sobre uma entrada existente no Diretório,
compreendendo as seguintes possibilidades: adicionar um novo atributo, remover atributos
existentes, adicionar, modificar ou remover valores de atributos.
ModifyRDN: modifica o RDN, nome característico relativo de uma entrada de objeto, tendo
como argumentos o dn da entrada do objeto cujo RDN vai ser modificado e o novo
RDN.
OPERAÇÕES DE ACESSO DISTRIBUÍDO
As operações remotas entre os DSAs, que ocorrem quando a informação solicitada não se
encontra no DSA pesquisado, são especificadas pelo protocolo DSP, que utiliza os mesmos
tipos de portas descritas acima para o DAP, sendo estas denominadas respectivamente
Chained Read, Chained Search e Chained Modify.
A resposta a uma consulta do usuário pode ser precedida por uma pesquisa completa sobre
toda a estrutura do Diretório, distribuído. Para isto, cada DSA precisa conhecer quais
informações são mantidas por outros DSAs, e de que forma podem ser acessadas, para o
que são especificados mecanismos de navegação de forma a garantir que a DIT inteira
seja potencialmente pesquisada. Esta navegação é realizada através de um sistema
inteligente de conhecimento, cujas informações são armazenadas em cada
DSA, contendo
referências aos contextos existentes nos demais DSAs. As informações de conhecimento
permitem ao DSA saber onde seus contextos de nomeação estão posicionados na DIT global.
Sempre que for requisitado o acesso a uma entrada de objeto que não esteja sob a
autoridade administrativa do DSA ao qual o usuário estabeleceu associação, este DSA
procura, em suas informações de conhecimento, a localização da autoridade
administrativa responsável pela raiz do contexto de nome que contém a entrada. As
informações de conhecimento podem ser expressas em termos de cinco tipos de
referências:
Referências internas: o DSA precisa manter uma referência interna para cada entrada no
Diretório, que esteja sob sua autoridade administrativa, a qual consiste do RDN da
respectiva entrada e da localização onde a entrada está armazenada.
Referências subordinadas: para cada entrada imediatamente abaixo de qualquer das entradas
de seu contexto de nomeação, e que esteja em um contexto externo, o DSA mantém uma
referência subordinada que constitui-se do RDN da entrada e do DSA no qual a mesma está
localizada.
Referência superior: cada DSA possui uma referência apontando para o DSA que mantém o
contexto de nomeação imediatamente superior. Estas referências não existem para os
DSAs de primeiro nível, ou seja, aqueles que estão localizados imediatamente abaixo da
raiz do Diretório,
Referência cruzada: com o objetivo de tornar a pesquisa mais rápida, um DSA pode ter
ponteiros de referência direta para contextos de nomes externos, compostos pelo prefixo
de contexto e o DSA que mantém aquele contexto. Este tipo de referência é opcional no
Diretório, podendo um DSA armazenar qualquer número de referências cruzadas.
Referência subordinada não específica: consiste de um ponteiro para um DSA externo que
mantém um ou mais contextos de nomes subordinados imediatos de uma entrada. Difere da
referência subordinada por não serem conhecidos os prefixos de contexto dos
subordinados.
A navegação entre DSAs no Diretório pode ser realizada de três formas básicas, que
podem ser utilizadas isoladamente ou combinadas em um sistema:
Encadeamento: esta forma estabelece uma passagem seqüencial da solicitação do usuário
entre os diversos DSAs, até atingir o DSA que mantém a entrada de objeto que contém as
informações requeridas pelo usuário. 0 resultado da pesquisa encadeada retorna ao DSA
originador na seqüência inversa, para ser entregue ao DUA requisitante.
Referência: quando o DSA que está sendo acessado não consegue resolver a pesquisa, ele
devolve ao solicitante uma referência de qual DSA pode conter as informações
requisitadas pelo usuário. É estabelecida então uma nova ligação com o DSA indicado e
assim procede até que seja encontrado o DSA que pode atender a solicitação.
Múltiplos caminhos: o DSA ao qual o DUA estabeleceu uma associação, dispara uma mesma
consulta simultaneamente para vários outros DSAs, cada um retornando uma resposta ao DSA
interessado.
CONTEXTOS DO DIRETÓRIO
Tendo em vista a organização conceitual das entradas de objetos na estrutura
hierárquica definida pela DIT, e os aspectos de distribuição do Diretório, são
estabelecidos contextos de nomeação mantidos sob responsabilidade exclusiva de um
determinado DSA. Um contexto de nomeação representa um fragmento da DIT, composto por
uma subárvore, ou parte dela, na estrutura do Diretório, podendo um mesmo DSA manter
vários contextos.
0 início de um contexto de nomeação é um nó da DIT, que é denominado vértice
inicial do contexto, ou raiz do contexto, sendo o dn da entrada do vértice inicial
denominado prefixo de contexto. 0 contexto estende-se pela estrutura da subárvore
subordinada ao vértice inicial até que não se encontrem mais referências subordinadas,
ou então, até que se encontre um outro nó que se constitui no vértice inicial de um
novo contexto de nomeação.
0 Diretório, além das informações das entradas de objetos, possui também
informações de conhecimento sobre os contextos de nomes que são mantidos por um
determinado DSA, e de que forma estes contextos estão posicionados na DIT como um todo. A
figura 6 mostra uma estrutura de contextos de nomeação. No exemplo, o dsabr
é o DSA que
abriga um único contexto de nomeação denominado ContextoBR, o qual atribui autoridade
de administração de nomes para outros dois contextos denominados ContextoSP e
ContextoPR, para as localidades São Paulo e Paraná respectivamente. 0 DSASP contém
somente o contextoSP, enquanto no DSAPR estão contidos três contextos de nomeação. 0
ContextoPR, além de administrar a nomeação dos objetos em seu próprio contexto,
atribui ainda direitos de nomeação para os outros dois contextos subordinados,
ContextoCEL e ContextoCFT, para as organizações Celepar e Cefet respectivamente.
Os prefixos de contexto para a estrutura mostrada na Figura 6 são os seguintes: { C=BR },
{C=BR, L=SP }, { C=BR, L=PR}, {C=BR, L=PR, O=Celepar } e { C=BR, L=PR,
O=Cefet }.

A administração de nomeações no Diretório
distribuído é efetuada por domínios de gerenciamento denominados DMD-Directory
Management Domain. Cada domínio é constituído por um ou mais DSAs e zero ou mais DUAs,
e o conjunto dos domínios, agregando todas as partes da DIB, forma então o Diretório
global. Existem dois tipos de domínio: ADDMD-Administration Directory Management
Domain,
os quais são operados por empresas públicas, como é o caso das operadoras de
telecomunicações, e PRDMD-Private Directory Management Domain, que são implementados
por outras organizações para uso privativo.
REPLICAÇÃO DE INFORMAÇÕES NO DIRETÓRIO
No conceito de diretório distribuído, a rede de computadores que interliga os
equipamentos onde residem os DSAs, impõe limitações à operação do Diretório com
respeito a tempo de resposta para as consultas e disponibilidade para acesso em caso de
falhas de qualquer dos componentes envolvidos. As operações locais em um sistema
computacional, por sua vez, não são influenciadas por fatores externos. Por isso, o
Diretório define padrões para implementação de cópias replicadas de partes da DIT
remota no ambiente local dos usuários, garantindo disponibilidade e performance
compatíveis com a qualidade de serviço requerida.
A replicação do Diretório é efetuada sob forma de espelhamento de imagem, ou
sffidowing, de parte da DIT de um DSA para outro. Para que possa ocorrer um espelhamento
de imagem entre dois DSAs é necessário que seja estabelecido um acordo entre as
autoridades administrativas dos mesmos, acordo este que inclui no mínimo termos como a
especificação de subárvore, entradas e atributos a serem replicados e a forma como as
atualizações das imagens replicadas serão efetuadas.
0 processo de replicação do Diretório requer dois protocolos específicos para sua
operacionalização: o DOP-Directory Operational Binding Prolocol, protocolo de ligação
operacional, e o DISP-Directory Information Shadowing Protocol, protocolo de informação
de espeIhamento de imagem. Estes protocolos e os procedimentos de replicação estão
definidos na recomendação X.525. 0 DOP, protocolo de ligação operacional, é utilizado
para o estabelecimento, modificação e terminação de uma ligação entre DSAs para a
replicação de informações através do espelhamento de imagem de parte da
DIT,
Estabelece o mútuo entendimento entre as partes envolvidas, as quais expressam a
concordância para engajamento em um processo de interação. 0 DISP, protocolo de
informação de espelhamento de imagem, operacionaliza efetivamente o processo de
replicação de informações, sendo executado a partir do estabelecimento do acordo feito
entre os DSAs através do protocolo DOP.
APLICAÇÕES PARA 0 DIRETÓRIO
As utilizações de Diretório que têm sido propostas, compreendem ainda poucos tipos
básicos de aplicações, apesar de sua potencialidade como instrumento para
disponibilização de informações em redes de computadores. Uma das aplicações mais
conhecidas é a utilização do Diretório para localização de organizações, pessoas e
aplicações em uma rede, operada sob a forma de acesso a uma entrada específica da
DIT,
ou então através de entradas múltiplas classificadas por determinada característica
comum aos objetos em pesquisa, como uma lista telefônica amarela. Um dos exemplos é o
uso do Diretório em sistemas de correio eletrônico, onde, possuindo-se os nomes pelos
quais os destinatários são conhecidos, o acesso ao Diretório permite obter os
respectivos endereços X400 e o endereço de rede onde estão localizadas as caixas
postais de cada um, para onde as mensagens devem ser encaminhadas.
Outra aplicação importante, que inclusive é padronizada pela recomendação X.509, é a
de certificação de identidade de usuários na rede, a qual pode ser realizada através
de dois métodos básicos denominados: Autenticação Simples, Simple Authontication, e
Autenticação Forte, Strong Authentication.
A autenticação simples baseia-se no princípio comum de verificação de
senha de acesso do usuário, como encontramos normalmente em qualquer aplicação.
Cada usuário que deseja ser identificado possui uma entrada no Diretório,
na qual um dos atributos é a sua senha secreta. Ao solicitar o acesso,
o usuário informa o seu dn e a sua senha, a qual é verificada através
de uma operação Compare, sendo devolvida como resposta uma confirmação
ou uma negativa.
A autenticação forte é realizada com o uso de técnicas de criptografia
baseada em chave pública, onde cada usuário possui uma chave pública e
uma chave privada. Este sistema possui como propriedades a inviabilidade
de se derivar a chave privada a partir da chave pública correspondente,
e que uma mensagem criptografada com a chave pública só pode ser decifrada
com o uso da chave privada correspondente e vice-versa. Assume-se que
a chave privada é mantida em segredo pelo usuário, enquanto a chave pública
do usuário é armazenada em sua entrada no Diretório.
Para aplicações como as acima referenciadas, os produtos de mercado que
implementam as recomendações X.500 podem ser utilizados diretamente, sem
esforços de desenvolvimento de aplicação, necessitando um trabalho de
modelagem de um diretório para a organização, inserido no contexto de
um diretório global, para acessar e ser acessado pela comunidade universal
dos usuários de Diretório. Entretanto, um sistema que implementa Serviço
de Diretório possui uma série de recursos e capacidades já disponíveis
para que desenvolvedores de aplicações utilizem na solução de uma grande
quantidade de problemas. Duas propostas de aplicação são apresentadas
para ilustrar a potencialidade do Diretório:
Uma delas tem como objetivo facilitar os acessos de um usuário de uma
rede a múltiplos ambientes operacionais através do uso de uma identificação
única. Nas redes corporativas heterogêneas existe uma grande variedade
de ambientes operacionais de diferentes tecnologias, cada um deles com
uma estruturação diferente para identificação do usuário. Por outro lado,
mesmo para ambientes de mesma tecnologia, cada um pode ter uma filosofia
diferente de identificação, que fica por conta do administrador. Desta
forma é comum que um mesmo usuário que possua acessos a vários ambientes
em uma rede corporativa, precise usar diversas identificações até o limite
de uma por ambiente. A proposta, neste caso, reside na definição de uma
classe de objeto do Diretório, cujo principal tipo de atributo é a identificação
única do usuário, contendo outros atributos para informar quais são os
ambientes na rede corporativa que o usuário possui permissão de acesso
e quais são as respectivas identificações em cada um deles, e as respectivas
senhas de acesso. A aplicação desenvolvida é uma interface de um DUA,
a qual, além de identificar o usuário de forma única na rede, pode ainda
prover a execução automática dos procedimentos de acesso ao ambiente desejado.
Outra proposta de aplicação interessante do Diretório é o suporte para
uma aplicação originada do conceito de uma função denominada Trader, existente
nas definições do Modelo de Referência para Processamento Distribuído
Aberto da ISO, ODP-Open Distributed Processing. 0 Trader executa uma função
de agente de negociação entre provedores e tomadores de serviços em uma
rede de computadores. Um determinado provedor que possui serviços para
oferecer, efetua uma operação de exportação para o Trader, com a finalidade
de anunciar a existência do serviço. Um usuário da rede, ao necessitar
um determinado serviço, executa uma operação de importação junto ao Trader,
no sentido de obter as referências necessárias para localização do serviço
desejado. A ligação entre o tomador e o provedor do serviço é efetuada
diretamente entre ambos, com a utilização das interfaces repassadas pelo
Trader. Uma classe de objetos do Diretório pode ser estruturada para armazenar
as informações sobre as características de serviços do provedor, as interfaces
requeridas para acesso aos serviços, o endereço de rede onde o provedor
está instalado naquele momento, dentre outras informações. Uma aplicação
de interface com o DUA executa as funções do Trader sendo possível, inclusive,
que uma aplicação provedora de serviços migre de um ambiente para outro
de forma transparente para a aplicação tomadora daquele serviço.
EXPERIÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO
As experiências no Brasil limitam-se ainda ao meio acadêmico através de
um produto denominado QUIPU, que é uma implantação de diretório de
domínio
público, tendo sido desenvolvido com o intuito de experimentação através
de um piloto de diretório global, compatível com as especificações das
recomendações X.500. Este piloto está contido no projeto denominado Paradise
que implementa este diretório, cujo DSA mestre global é administrado pelo
ULCC-University of London Computíng Center, a quem todos os demais, no
mundo inteiro, se referem. No Brasil o DSA mestre é o da UFRGS-Universidade
federal do Rio Grande do Sul, a quem os demais domínios estão ligados.
Além da UFRGS, os outros domínios existentes no Brasil atualmente são
os do CPQD-Telebrás, UFMG-Universidade Federal de Minas Gerais e do CEFET-Centro
Federal de Educação Tecnológica do Paraná, este último implantado no ano
passado. As classes de objeto encontradas nas pesquisas efetuadas no diretório
do projeto Paradise são: C=país, 0=organização, OU=unidade da organização
e CN=pessoa.
Para uso comercial, existem informações de que a Embratel está em processo
de aquisição de um sistema para o fornecimento de serviços públicos de
diretório, podendo tornar-se o ADMDD para o Brasil, constituindo-se, assim,
no ponto de entrada e saída do país para integração com os diretórios
de outros países, assim como acontece com o sistema de correio eletrônico
público X.400 baseado no sistema STM-400. As demais organizações no Brasil
estariam ligadas hierarquicamente como subárvore da entrada C=BR. Em
âmbito privativo, o primeiro projeto de Diretório em fase de estruturação
é o do governo federal, para implantação em toda a administração pública.
Na Rede Integrada de Comunicação de Dados e Serviços, desenvolvida e operada
pela CELEPAR para uso pelos órgãos do Governo do Estado do Paraná, o projeto
para desenvolvimento e implantação de um Serviço de Diretório, baseado
nas recomendações X.500, deverá iniciar ainda neste segundo semestre de
1995 para implantação no próximo ano. É mais um serviço da Rede que manterá
o Paraná ligado ao mundo.
armando@celepar.gov.br

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