A
Tecnologia da Informação na Administração Pública
Autor: Luiz Fernando
Ballin Ortolani
Introdução
Organizações bem sucedidas,
públicas ou privadas, serão, neste final de século, aquelas que
souberem escolher e utilizar a tecnologia de forma apropriada para
atingir seus objetivos.
À medida em que a tecnologia
se confunde com os produtos e serviços gerados por uma organização,
permitindo inovação, melhoria na qualidade e novas abordagens de
relacionamento com seu público-alvo (o cliente), administrá-la deve
tornar-se o foco central de toda sua estratégia.
Entretanto, para muitas
organizações, ainda existe um hiato muito grande entre estratégias
e uso de tecnologia, principalmente com relação à tecnologia da
informação
.A tecnologia consiste no saber fazer, aplicação sistemática de
conhecimentos científicos e de conhecimentos originados pela experiência
e pela tradição à produção de bens/produtos/insumos e à prestação
de serviços.
A gestão da tecnologia
- saber escolher e saber usar - constitui o processo decisório destinado
à introdução planejada de novas tecnologias e à manutenção em funcionamento
de determinadas, compreendendo: prospecção, avaliação, disseminação,
absorção, monitoramento e administração do uso das tecnologias,
funções que, no caso da tecnologia da informação, devem ser desempenhadas
por uma unidade competente da organização, a fim de que negócio,
estratégias e objetivos organizacionais tenham plena sintonia com
a tecnologia e, em especial, com a tecnologia da informação.
Conceito
de Tecnologia da Informação
Segundo Baker [Bak85],
"a Tecnologia da Informação (TI) é o conjunto de recursos não
humanos dedicados ao armazenamento, processamento e comunicação
da informação, e a maneira como esses recursos estão organizados
num sistema capaz de executar um conjunto de tarefas".
A TI não se restringe
a equipamentos (hardware), programas (software) e comunicação de
dados. Existem tecnologias relativas ao planejamento de informática,
ao desenvolvimento de sistemas, ao suporte ao software, aos processos
de produção e operação, ao suporte de hardware.
Estratégias
de Uso da TI na Administração Pública
Cada organização, pública
ou privada, possui um público-alvo para o qual atua produzindo bens
ou serviços, comumente denominado por cliente. No caso de empresas,
este público é o consumidor, enquanto que para a organização pública,
o público-alvo, em sua instância final, é o cidadão.
O recurso administrado
em ambos os casos é a informação.
O uso da TI pelo setor
privado busca explorar ao máximo os benefícios dessa tecnologia
para obter vantagem competitiva em relação aos concorrentes através
da eficácia organizacional, internamente à organização, e da competitividade,
no ambiente externo da organização.
USO ESTRATÉGICO
DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NA INICIATIVA PRIVADA
Fonte: [Cun94]
Dissertação de Mestrado de Maria Alexandra V. C. da Cunha - Administração
dos Recursos de Informática Pública: Estudo de Caso do Modelo Paranaense
- EAESP-FGV, 1994
Na empresa privada, a
utilização dos recursos de informática era justificada pela expressão
da língua inglesa "save money"- que recursos economizo:
materiais, humanos, tempo, dinheiro ... - mas, nos tempos atuais,
a expressão utilizada é "make money" - o que o uso da
TI possibilita em termos de produtos, serviços e mercados, plenamente
justificados quando o objetivo final é obter lucro.
Se para a organização
pública não é vital o ganho de competitividade, qual a importância
da TI nessas organizações?
A resposta é simples:
na perpetuação da organização pública em função dos serviços prestados.
Isto significa que, além de melhorias no ambiente interno da organização,
pelo aumento da eficácia organizacional (agilização de processos,
da estrutura, da comunicação e a eliminação da burocracia), o uso
estratégico da TI e a administração dos recursos de informática
pode (e deve) melhorar o atendimento da população e os serviços
prestados ao cidadão.
USO ESTRATÉGICO
DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Fonte: [Cun94]
Dissertação de Mestrado de Maria Alexandra V. C. da Cunha - Administração
dos Recursos de Informática Pública: Estudo de Caso do Modelo Paranaense
- EAESP-FGV, 1994
Quando uma organização,
pública ou privada, não consegue desempenhar adequadamente sua missão,
surgem forças externas (concorrentes, no caso da organização privada;
outras entidades - públicas, privadas ou governamentais, no caso
da organização pública) que assumem seu papel (fatia de mercado
para o setor privado ou competência para o setor público) levando
à extinção (falência, na iniciativa privada ou deterioração, na
área pública).
Se o Estado deixa de
executar de forma eficaz seu papel, surgem grupos organizados que
proverão à população suas necessidades, passando a exercer um forte
domínio sobre a mesma, influenciando-a conforme seus interesses.
Portanto, a gestão da
TI na administração pública deve vislumbrar não apenas o contexto
interno da organização que visa obter a eficácia organizacional,
mas principalmente o ambiente externo, que diferencia a qualidade
dos serviços prestados ao cidadão, contribuindo para uma atuação
eficaz do poder público na área de atuação de sua competência.
Importância
da Informação na Organização
Segundo Meirelles [Mei90],
"a tendência natural é tentar medir o valor da informação pelo
quanto adicional ela traz, entretanto, o conceito mais amplo e correto
é o custo de oportunidade - quanto custa não tê-la. Neste sentido,
medir o valor da informação passa a ser um processo semelhante ao
de um seguro ou propaganda - quanto custa não ter". Portanto,
nesta abordagem amplamente utilizada, a informação é tratada como
recurso, possuindo então custo e valor, taxa de retorno, custo de
oportunidade de não se ter a informação; pode existir uma sinergia
ao combinar dados cujo resultado final é maior que a soma das partes.
Independente do tipo
de organização - privada ou pública - o administrador orienta suas
decisões de investimentos adotando o princípio da racionalidade
econômica: obter o máximo resultado com um dado montante de recursos
ou minimizar este montante para obtenção de um determinado resultado.
Para esta análise, os
recursos de informações oportunas e de qualidade são fundamentais
para a decisão de maneira a garantir uma atuação eficaz do Estado
nas áreas sob sua responsabilidade.
ortolani@lepus.celepar.br

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