Uma
Patente Prima
Autor: Pedro Luis Kantek Garcia Navarro
Direitos legais põem
programadores contra advogados.
- Extraído da Scientific
American, nº 1, vol 273, de julho de 1995, tradução de P. Kantek
Roger Schlafly acaba
de fazer alguma coisa que os matemáticos nunca fizeram. Ele patenteou
um número. Esse evento, aparentemente bizarro, é a última etapa
da saga que vem atormentando o Departamento Americano de Patentes
e Registro de Marcas Comerciais, há mais de 20 anos. "Eu estou
seguro que se alguém chegasse lá e dissesse: eu posso patentear
um número primo ? eles certamente diriam para você: não, é ridículo"
diz Schlafly, um consultor de computação que vive perto de Santa
Cruz, Califórnia.
Schlafly, é claro, não
teve a patente para um número qualquer. Seu número, que tem 150
dígitos de comprimento, tem uma propriedade que torna possível tomar
certos atalhos quando se executa sua divisão modular. Uma pequena
melhoria na performance faz uma enorme diferença quando é usado
o sistema Diffie-Hellman de criptografia pública, o qual usa repetidas
divisões modulares como ferramenta para encriptar e decriptar códigos
secretos. Chaves critográficas são, tipicamente, números com centenas
de dígitos de comprimento, então uma pequena melhora no desempenho
significa um grande ganho de tempo.
Mas, mesmo com esta patente
ajudando a melhorar o desempenho de uns poucos cálculos matemáticos,
de um modo geral, a dificuldade do patenteamento diminui o progresso
do desenvolvimento de software. Tais patentes estão em crescimento:
foram 4500 em 94, e para 95 estão previstas 5400, diz Gregory Aharonian,
que publica o serviço de notícias sobre patentes na Internet.
É difícil de acreditar que todas essas 9000 patentes refletem novidades
e idéias não óbvias, ele nota.
Em 1972, a Suprema Corte
estabeleceu que algoritmos não poderiam ser patenteados. Mas em
1978, tal decisão foi reinterpretada por uma corte menor, que concluiu
que a Suprema Corte realmente proibiu apenas o patenteamento de
algoritmos matemáticos. Desgraçadamente, a decisão nunca definiu
o que é um algoritmo matemático. Desde então, o número de patentes
de software tem sido crescente.
A patente de Schlafly
parece cair bem dentro da atual política do Departamento de Patentes.
Denominada "Método de Redução Parcial Modular" ela descreve
um algoritimo para encontrar números primos que tenham uma determinada
propriedade. A patente deveria parar por aqui. Mas Schlafly vai
mais além dizendo que são os números primos que têm a propriedade.
O primeiro e mais famoso tem cerca de 150 dígitos, o segundo 320.
Segundo o critério do patenteamento, em princípio, está correto.
Eles são novos, já que não há registro de que eles tenham sido usados
antes. E eles são úteis, nesse caso, para a criptografia.
Eu estava interessado
nisso para ver quão longe se poderia ir com esse tipo de proposta,
diz Schlafly, um membro da Liga para a Liberdade dos Programadores,
uma organização que se opõe a patentes de software. Ainda que Schlafly
tenha agora os direitos únicos de usar esses números, ele não está
preocupado com os possíveis infratores a esses direitos. "Quando
você quer números tão grandes que ninguém ainda trabalhou com eles,
o universo é o limite. Há uma porção deles, cada vez maiores".
O mesmo não pode ser
dito a respeito dos algoritmos em si. Schlafly está presentemente
envolvido em uma demanda contra a Public Key Partners (PKP) uma
empresa da Califórnia que mantém os direitos sobre as mais importantes
patentes no domínio de criptografia de chave pública. O grupo afirma
que uma das suas patentes abrange todo o campo. Uma segunda patente
da PKP, entretanto, é o coração do programa que Schlafly escreveu,chamado
Agente Secreto, o qual é usado em encriptação de sistemas de correio
eletrônico.
Simson Garfinkel
kantek@lepus.celepar.br

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