Contratação
de Serviços pela Celepar
Autora: Lilia Pinheiro
Cristaldi Silva
Síntese da monografia
apresentada no Curso de Programa de Desenvolvimento de Habilidades
de Gestão, realizado na PUC em 1994.
Introdução
Levando-se em consideração
o contacto cada vez maior das empresas e instituições com serviços
de informática, e as facilidades oferecidas pelos diversos fabricantes
de software, constata-se a necessidade de centrar foco na gestão
do negócio propriamente dito, ficando a construção da solução a
cargo de empresas especializadas.
Para atender com maior
presteza e agilidade aos diversos setores da administração pública,
faz-se necessário que a CELEPAR passe a atuar cada vez mais como
consultora, como gestora dos projetos, repassando assim, as atividades
contínuas e de manutenção dos sistemas existentes e, dependendo
do caso, a própria construção dos sistemas, às empresas prestadoras
de serviços de informática.
A CELEPAR, por ser empresa
do Estado, apresenta dificuldade para aumentar e reciclar seus funcionários,
necessitando muitas vezes, de autorização prévia do governador.
Esse fato também é um limitador na capacidade de atendimento a seus
clientes.
A direção da empresa
já se pronunciou nesse aspecto, abrindo os horizontes do mercado
como recursos ilimitados que a CELEPAR pode e deve utilizar para
desenvolver seus produtos.
Em se tratando, a CELEPAR,
de uma Empresa de Informática do Estado do Paraná, só por essa característica
já é uma empresa de prestação de serviços ao Estado. Ao se pensar
em repassar serviços de desenvolvimento de sistemas parece, em primeira
instância, que a CELEPAR estaria iniciando a desestruturação da
própria empresa, por passar a terceiros sua atividade fim.
Entretanto, seriam os
serviços de programação a atividade fim da CELEPAR? Com certeza
não! O planejamento estratégico da CELEPAR, feito em Maio de 1994,
estabelece, como negócio da empresa: Soluções para a Gestão na Administração
Pública e, como missão: Promover soluções de melhoria da administração
pública do Paraná e dos serviços prestados ao cidadão, utilizando
tecnologias da informação e de gestão.
Portanto, para cumprir
a sua missão, a CELEPAR deve repassar tarefas rotineiras e mecânicas,
habilitando seus funcionários no negócio da empresa, ou seja, em
buscar soluções para a gestão na administração pública.
"A terceirização
surge, portanto, como uma alternativa bastante eficaz para tornar
as empresas flexíveis, mais enxutas e mais competitivas." (SEBRAE/PR
- 1992).
O repasse de atividades
de desenvolvimento de sistemas deve ser um processo de parceria,
caracterizado por um relacionamento com altos compromissos de ambas
as partes e menor formalismo.
"Um dos aspectos
mais importantes ao convocar parceiros para a realização dos processos
de informação é a otimização no gerenciamento das atividades. Com
fornecedores, você está administrando serviços e não pessoas, sempre
vulneráveis às variações internas da empresa." (EXAME INFORMÁTICA
- SET/93).
Com quem
Terceirizar
"As empresas que
poderão participar da concorrência devem ser escolhidas com muito
cuidado. Elas devem ter uma notória especialização na área a ser
terceirizada. Isto deve ser feito antes de se avaliar qualquer item
relacionado a custos." (CONNECTIONS - MAI/94).
A Negociação
"É importante criar,
através desse processo, um clima de confiança e credibilidade.
O negócio deve ser bom
para as duas partes (ganha-ganha). A negociação não deve ficar restrita
às áreas de suprimentos da empresa contratante e comercial do contratado.
Devem ser envolvidos
todos aqueles que supervisionarão os serviços de terceiros.
O envolvimento desde
o início fortalecerá o relacionamento e possibilitará uma parceria
de sucesso." (GUIDE/SHARE - 1993).
O Contrato
"É preciso evitar
conflitos com o Poder Judiciário realizando contratos revestidos
de legalidade que excluam a lesão econômica ao empregado do parceiro
e condicionem o cumprimento de todos os seus direitos trabalhistas.
A empresa que terceiriza
com o intuito apenas de reduzir custos, sem levar em conta os trabalhadores
que estão envolvidos no processo, sem estabelecer uma cadeia de
qualidade, sem preocupar-se com os resultados a médio e longo prazos,
vai acabar, cedo ou tarde, pagando a conta. Na grande maioria das
vezes, o que estimula a interferência do judiciário trabalhista
é a contratação indevida. Enfim, a contratação entre empresas não
tem sentido se não for segura do ponto de vista jurídico. Não se
pode esquecer que o Direito é bom senso e a lei, o bom senso codificado."
(SEBRAE/PR - 1992).
Acordo Flexível
"É necessário também
definir claramente como se dará o handover1 tanto no que se refere
à transferência dos serviços in house2 para terceiros, bem como
no caso de mudança do prestador de serviço quando o contrato acabar."
(CONNECTIONS - MAI/94).
Acompanhamento
e Controle
"Para manter a relação
contratual em dia é necessário um acompanhamento e controle de sua
execução, no que tange aos aspectos técnicos, de qualidade, social,
trabalhista, previdenciário, contábil, econômico, etc." (SEBRAE/PR
- 1992).
Como Implantar
a Terceirização
"A estratégia para
se iniciar um processo de repasse de serviços de desenvolvimento
pode contemplar um escopo completo, ou através de etapas, de forma
gradual e progressiva. Particularmente, cremos que a segunda forma
é a melhor. Permite um período de conhecimento, no qual, tendo consciência
do todo, o parceiro começa com uma parte pequena do serviço. Nesta
fase que poderia ser chamada de adaptação e conhecimento mútuo,
será estabelecido o modus operandi básico entre os parceiros. A
empresa prestadora do serviço estará, nesta fase, aprendendo a cultura
da empresa contratante. Uma outra vantagem em relação a esta estratégia
refere-se à redução de risco. Implementando o serviço em etapas,
a avaliação de performance, da qualidade do serviço, e da postura
do fornecedor é mais fácil. O trauma de uma parceria mal sucedida
pode ser amenizado desta forma. Por outro lado, aumentar o escopo
do serviço gradualmente, impede a acomodação do prestador, que tem
uma preocupação constante de melhorar e preparar-se para a fase
seguinte. Nesta etapa, muitas coisas definidas inicialmente no escopo
do contrato, não acontecerão como previsto. Além disto, muitas situações
não planejadas irão surgir no dia-a-dia, que exigirão das duas partes
agilidade e bom senso. Muitas destas coisas são impossíveis de prever
em contrato e, realmente, a ocorrência deste tipo de situação e
da forma e como são tratados por ambos, são um excelente termômetro
para avaliar o grau de parceria existente. Estabelecer medidas claras
de desempenho e acompanhamento, é importante tanto para o prestador
como para o contratante do serviço." (CONGR.INTER.TECN. - 1993).
Prevenções
"Com relação aos
riscos, devemos estar cientes que o outsourcing 3 não é facilmente
reversível, daí a necessidade de especificar desde o início como
o contratado e o contratante irão proceder em caso de término do
acordo, com transferência de responsabilidade para outro ou para
a própria empresa contratante.
Por fim, o outsourcing
somente é viável se a troca de parceiros também puder ser feita.
Neste momento, temos uma verdadeira mudança de paradigma onde no
momento anterior as empresas convidadas a apresentarem propostas
eram concorrentes. No instante seguinte, terão que passar a ser
colaboradoras no processo de handover. Isto exige um alto grau de
profissionalismo de ambas as partes, além de um acompanhamento próximo
por parte dos profissionais da empresa contratante." (CONNECTIONS
- MAI/94).
lilia@lepus.celepar.br

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