Flagrantes
Autor: Pedro Luis Kantek Garcia Navarro
Uma Secretária
Avoada...
Avoada é pouco. Ela era
elétrica, meio sonsa, adoidada, confusa, embrulhona e "otras
cositas más"... Não está mais entre nós aqui na Celepar e já
se passaram 10 anos, portanto, os causos podem ser contados. A pudicícia
impede de citar o nome dela, mas vamos chamá-la (nome fictício,
é claro) de Márcia.
Pois a Márcia era um
terror. Figura cativante, falava pelos cotovelos, tudo era nota
10 pra ela, só que na maior parte do tempo ela raciocinava com os
hormônios em vez de com o cérebro. Um dia, havia um grupo de senhores
engravatados esperando na frente do elevador para uma reunião aqui
no quarto andar. A Márcia passou por eles, e com uma cara de quem
havia visto o galã da novela das 8 em carne e osso, entrou na sala
dela dizendo (bem alto), MAS... QUE PEDAÇO DE HOMEM... O azar (ou
sorte, sabe-se lá), é que o diabo do homem entrou em seguida e estava
50 cm atrás dela durante a exclamação. Foi um tal de nego jogar
copo de café, chaveiro, teclado, o que estivesse à mão no chão,
pra poder se abaixar e estourar de rir sem dar muito na vista. Vocês
pensam que ela perdeu a tramontana ? Que nada, virou e na maior
cara de pau largou um "oi..., pode entrar por aqui que a reunião
é na próxima sala".
Um dia eu pedi pra ela
me copiar um livro, e depois encadernar a cópia com garras. Na semana
seguinte eu entreguei um segundo livro (bem raro e caro por sinal)
e falei pra ela: "Márcia, faz favor: o mesmo serviço da semana
passada". E, o que fez a Márcia ? Simplesmente passou a guilhotina
no livro raro e caro e botou uma linda garra no original, me entregando
com a cara mais lavada do mundo, dizendo "Não ficou bonito
assim ?" Lá fui eu me explicar com a bibliotecária que havia
emprestado em confiança o livro raro e caro e que agora estava devidamente
"engarrado".
Vê-la levemente embriagada
era um espetáculo à parte. Se no normal ela já não tinha muitas
travas na língua, depois do 2o chope era digna de figurar no Guiness
Book. Devíamos ter gravado em vídeo algumas performances. Mas o
caso que vai se contar aqui é o do "rabo quente".
Nessa época, aqui na
GPT, estávamos numa fase meio mística. Era um tal de chá de ervas
da Amazônia, Oriental, do Paquistão e de Campo Largo, que não acabava
mais. O caso é que lá pelas tantas, sentimos falta daquele dispositivo
prosaico que serve para ferver água a partir de uma tomada elétrica
e que atende pelo singelo nome de "rabo quente". Como
ela era a nossa secretária, coube a ela fazer uma pesquisa de preços
nas diversas lojas que vendiam a tralha.
Sabendo dos seus antecedentes,
logo que se espalhou a notícia de que a Márcia ia fazer uma enquete
pra achar o rabo quente mais barato, começaram a chegar pessoas
que a conheciam pra assistir aos telefonemas. Vendo a torcida se
formar, a Márcia teve um repentino ataque de recato e sacou logo
do Aurélio pra achar o nome científico (digamos assim) do aparelho.
O nome certo era "ebulidor". Já se ouviram uns muxoxos
na platéia. Não ia ter diversão! Mas, quem conhecia a Márcia de
verdade, acalmou os mais próximos. Deixasse estar, que na hora H
ela não havia de nos faltar. Não deu outra. Ela ligou pra primeira
loja e perguntou "vocês têm ebulidor ?" - "sim"-
" e quanto custa?" - "custa tanto", - "é
bom?" - "excelente" - "tem bastante aí na loja
?" - "tem...", e ela esticando a conversa, com o
rabo quente preso na língua, estourando de vontade de pular fora.
Aí veio o toque de mestre: vendo que não podia desapontar a massa
que bebia o telefonema, ela não resistiu e tascou "mas, vem
cá... esse troço que você está me oferecendo é um eficiente dum
rabo quente não é ?". Não sabemos o que o pobre vendedor respondeu,
as gargalhadas do lado de cá não deixaram ouvir.
kantek@lepus.celepar.br

|