Projetos
de Informatização na Agricultura
Autor: Fernando José
Fendrich
Sempre encontramos o
Paraná em qualquer lista dos maiores produtores agrícolas do País.
De fato, a importância da agricultura e da pecuária para a economia
do Paraná é enorme, sendo relevante também como fator de fixação
do homem do campo na área rural, contribuindo para a produção de
alimentos sem aumentar a pobreza nas metrópoles industrializadas.
A informática é um instrumento
de que o Estado pode dispor para melhorar as condições do setor
agropecuário, prestando serviços de maneira mais ágil e eficiente
e contribuindo para a melhoria da nossa qualidade de vida.
O Paraná tem desenvolvido
vários projetos associando à agricultura e à informática. Neste
artigo trataremos de 2 deles, que contam com a participação da Celepar.
Emissão de Certificados
de Classificação
A Empresa Paranaense
de Classificação de Produtos - CLASPAR, é uma empresa vinculada
à Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento - SEAB e que
efetua a certificação da qualidade dos produtos agrícolas. Podemos
observar o resultado deste trabalho quando compramos arroz ou feijão
no supermercado. Por exemplo: se observarmos a embalagem, ela tem
a classificação do produto, tipo 1 ou tipo 2, classe, categoria,
etc., que indicam a qualidade do produto que estamos comprando.
Quem faz a classificação destes produtos, no Paraná, é a Claspar.
Para realizar a classificação,
a Claspar conta com uma estrutura de 56 Postos de Classificação,
localizados em rodovias, portos, aduanas e outros locais de intenso
tráfego de produtos agrícolas. Nestes postos são emitidos os Certificados
de Classificação, após o fiscal do Posto retirar amostras das cargas
para análise e classificação. De posse do Certificado, o produto
pode ser vendido aos estabelecimentos comerciais e, quanto melhor
a qualidade expressa no Certificado, melhor o preço obtido.
Cada Certificado emitido
é cobrado, para efetuar a manutenção da estrutura de fiscalização
e classificação, sendo que parte das receitas obtidas deve ser repassada
ao Ministério da Agricultura até o dia 10 do mês seguinte. Para
conseguir em 10 dias o montante faturado no mês, são processados
manualmente os dados de todos os Certificados (aproximadamente 950.000
anuais, média de 80.000 mensais), apenas no que se refere aos valores
financeiros, pois se fossem apurados os dados dos produtos agrícolas
classificados, não haveria tempo para o repasse ao Ministério.
No final de agosto de
1995, a Claspar e a Celepar iniciaram o levantamento de dados para
desenvolvimento do sistema de Emissão de Certificados de Classificação.
Atualmente, com o Projeto Lógico do sistema já concluído, está sendo
elaborada a licitação para a contratação do desenvolvimento do sistema.
Pelo Projeto elaborado, será desenvolvido um sistema para os Postos
de Classificação, em ambiente Windows, que permitirá a digitação
dos dados dos Certificados e sua emissão. Ao final do dia, os arquivos
serão transmitidos via linha discada para a sede da Claspar, em
Curitiba. Na sede poderão ser obtidas as informações consolidadas
do Estado, tanto financeiras quanto técnicas, possibilitando um
repasse mais ágil para o Ministério e a obtenção quase instantânea
dos dados dos produtos classificados, seu volume, qualidade, locais
do Estado, etc.
A melhoria dos processos
administrativos, financeiros e técnicos será bastante acentuada
e, além disso, a comunidade agrícola do Estado também sairá ganhando,
não só pelo banco de dados mais completo sobre a qualidade da produção
do Estado como pela maior eficiência e precisão nos serviços prestados
nos Postos de Classificação, que é uma das linhas de frente do relacionamento
entre o Estado e os produtores agrícolas.
Sistema de Informações
em Sanidade Animal
A Secretaria de Estado
da Agricultura e Abastecimento - SEAB presta variados serviços à
comunidade agropecuária do Paraná. Dentro da sua estrutura administrativa
existe a Divisão de Defesa Sanitária Animal (DDSA), que atua para
manter a sanidade dos rebanhos das propriedades rurais de todo o
Estado. O trabalho da DDSA é a vigilância sanitária e epidemiológica,
procurando zelar pela saúde de bovinos, suínos, aves e outras espécies
animais, algumas até pouco conhecidas de nós, como o bicho-da-seda.
Este trabalho é que garante a sanidade dos rebanhos que nos alimentam
e geram divisas importantes para o Brasil pelas exportações.
Só para se ter uma idéia
da importância dessas atividades para a economia paranaense, estima-se
que o abate médio mensal de animais no Estado chegue a valores superiores
a R$ 75.000.000,00 e as exportações mensais de carne do Paraná superam
os US$ 15,000,000.00. Muitas empresas que geram milhares de empregos
dependem destes recursos. Se houver ocorrências de febre aftosa
ou peste suína, por exemplo, as exportações poderão ser suspensas
e o impacto sobre a economia será muito grande.
Deste modo, é muito mais
barato para o Estado investir na estrutura de fiscalização e defesa
sanitária, controlando vacinações dos rebanhos e problemas sanitários
que ocorrem nas propriedades rurais, granjas, abatedouros, frigoríficos,
cooperativas e estabelecimentos agrícolas em geral, o que permite
uma qualidade muito maior dos animais e o crescimento desta importante
atividade econômica.
Para realizar este trabalho,
a DDSA dispõe atualmente de uma estrutura de 96 Unidades Veterinárias
espalhadas pelo Paraná. Cada Unidade deve possuir um Veterinário,
um Auxiliar de Campo e um Auxiliar Administrativo (algumas estão
com quadro de pessoal incompleto). Enquanto o Auxiliar Administrativo
permanece no Escritório da Unidade, o Veterinário e seu Auxiliar
deslocam-se entre os vários municípios de abrangência da Unidade
realizando suas tarefas.
Estas tarefas de campo
merecem um parêntese. Quando efetuávamos o Levantamento de Dados
para definição do escopo do sistema, passamos 3 dias inteiros só
para mapear superficialmente as atividades que se realizam no campo.
Elas são tantas e tão variadas que dão até um certo grau de aventura
à profissão. Quem imaginaria um acampamento noturno na saída de
cavernas para capturar morcegos transmissores da raiva dos herbívoros?
Ou então, um Veterinário vestido como um astronauta para inspecionar
laboratórios e instalações de última geração tecnológica que se
encontram nas nossas empresas avícolas ?
O Projeto de Informatização
da DDSA prevê um computador e uma impressora em cada Unidade Veterinária,
onde um sistema em ambiente Windows será instalado e através do
qual serão mantidos os cadastros de cada propriedade rural da região,
detalhes do seu rebanho, histórico de enfermidades, vacinações,
entradas/saídas de animais da propriedade, dados de abatedouros,
laboratórios e outros estabelecimentos agropecuários da região,
além de relatórios que permitam à Unidade extrair preciosas informações
destes bancos de dados.
As informações arquivadas
na Unidade serão transmitidas via linha discada para a sede da SEAB
em Curitiba e comporão um cadastro com todas as propriedades do
Estado e seus rebanhos, além de outras informações coletadas no
campo, banco de dados este que se constituirá em importante fonte
de pesquisas e que embasará as futuras ações de defesa e vigilância
sanitária animal no Paraná.
A segunda fase deste
projeto inicia-se agora em janeiro, com a contratação do desenvolvimento
do sistema com base no Projeto Lógico elaborado pela Celepar, compra
e instalação de equipamentos, treinamento de pessoal e uma série
de ações integradas para a implantação gradual do projeto. Quando
ele estiver em pleno funcionamento, o Paraná terá a melhor estrutura
de Defesa Sanitária Animal do País, além de oferecer a este dinâmico
setor da economia, serviços com maior eficiência e qualidade.
fendrich@celepar.gov.br

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