Fóruns
de Discussão da Informática Pública no Brasil
Autor: Luiz Fernando
Ballin Ortolani
As discussões sobre o
uso da informática pelos órgãos públicos no Brasil ocorreram em
1995 em dois encontros: o SECOP - Seminário Nacional de Informática
Pública e o CONIP - Congresso Nacional de Informática Pública. Aquele,
em sua 23ª. edição, ocorreu em Gramado-RS, de 04 a 06 de setembro.
Este, realizado pela primeira vez em São Paulo-SP, no período de
21 a 23 de novembro.
Como qualquer segmento
com expressiva movimentação a nível nacional, a informática pública
é discutida para apresentar as aplicações desenvolvidas para uso
pelos órgãos públicos, para a troca de experiências em função de
problemas comuns à atividade pública, para definição de diretrizes
e atuações no plano político, visando os interesses dessa atividade
que movimenta expressiva quantia nas três esferas de governo: federal,
estadual e municipal, junto aos poderes: executivo, legislativo
e judiciário.
A participação nesses
eventos proporciona o conhecimento de novas aplicações da informática
na melhoria de processos na administração pública, a identificação
de oportunidades e uso criativo da tecnologia da informação para
melhoria das atividades de órgãos do setor público e a prestação
de serviços ao cidadão, conhecimento da legislação e organização
da informática em cada nível de governo.
No SECOP, cujo tema principal
para debate foi "A Reforma do Estado e as Tecnologias da Informação",
um palestrante mostrou os resultados de uma pesquisa realizada nos
Estados Unidos relacionando tópicos com respectivas prioridades,
que constituem as estratégias dos administradores públicos americanos
para as questões de informática e telecomunicações, nos seus domínios
de atuação:
- infra-estrutura de
comunicação;
- disponibilidade de
serviços públicos com recursos da tecnologia da informação - quiosques
de serviços públicos - em qualquer tempo, em qualquer lugar, de
maneira personalizada;
- organizações virtuais
- trabalho em casa interligado pelo computador;
- reengenharia;
- sistemas de suporte/apoio
à decisão do administrador público;
- melhor planejamento;
- integração intragovernamental:
federal, estadual, local;
- integração intergovernamental
entre diversos órgãos, departamentos num mesmo nível de governo;
- integração público-privado
por setores.
Enquanto os resultados
da pesquisa naquele país demonstraram maior nível de preocupação
com as questões de integração intra e intergovernamental, através
da tecnologia da informação, uma rápida enquete realizada no auditório,
durante a palestra, apontou como as questões de infra-estrutura
de comunicação, melhor planejamento, disponibilidade de serviços
públicos e integração intragovernamental. Tal fato sinalizou as
áreas onde se concentram os esforços da informática pública nacional.
Com relação às tendências
da informática pública no Brasil e no mundo destacaram-se os aspectos:
disponibilidade de informações e prestação de serviços diretamente
ao cidadão; democratização dos serviços públicos; governo 24 horas,
que em linhas gerais apontam para uma maior aproximação governo-cidadão
através da tecnologia da informação. Nos níveis internos das organizações
públicas, continuam as aplicações para racionalização do fluxo de
processos, manuseio/processamento de formulários eletrônicos.
Destacaram-se nas apresentações
aspectos que a discussão da informática saiu do contexto técnico
e passou para o contexto político. Como atividade meio, proporciona
soluções alinhadas às prioridades de governo; a tecnologia avançada
pode constituir ferramenta de transformação de governos; a abordagem
por processos disponibiliza soluções integradas na prestação de
serviços. Como atividade econômica, a discussão política da informática
debate pólos de tecnologia, incentivos fiscais, combate ao contrabando
e evasão fiscal, parcerias dos setores público e privado, terceirização
de serviços (do governo, de informática, etc). Como não poderia
deixar de ocorrer a Internet
ocupou lugar de destaque nos dois seminários.
A organização do CONIP
dividiu o evento em painéis gerais e palestras setoriais nas áreas
de: educação, energia, gestão urbana, legislativo, meio ambiente,
planejamento, administração e finanças, saneamento básico, saúde,
segurança pública, justiça e judiciário, transporte. Esta divisão
permitiu discussões setoriais nas áreas de interesse de cada participante.
Os debates setoriais
comprovaram que as necessidades de cada área, os problemas e propostas
de soluções são comuns a nível Brasil. Como exemplos, cita-se o
painel da área de segurança pública, justiça e judiciário e o painel
da área de meio ambiente dos quais participamos.
Um ponto que chamou a
atenção no CONIP foi a preocupação dos administradores públicos
quanto à gestão da política de informática nos estados e municípios.
Como coordenar as ações relativas à informática dos diversos órgãos
públicos alinhados aos planos de governo, questão que deve considerar:
disponibilidade de informações e serviços ao cidadão, instâncias
normatizadoras, integração de dados e informações, processos de
aquisição e contratação de bens e serviços de informática, definição
de diretrizes, arquiteturas e padrões, integração de aplicações
corporativas, terceirização de serviços, sistema de acompanhamento
e controle, orçamentos e investimentos em informática.
Outro ponto importante
para a participação neste tipo de evento são os produtos e serviços
de informática expostos em feiras paralelas. Como exemplo, cita-se
um software que auxilia todo o processo licitatório com base na
legislação de licitações, produto típico para o setor público.
Não se duvida que existem
diferentes níveis de informatização e aplicações que se destacam
em algum estado ou município. Os patamares mais elevados com relação
ao uso dos recursos da tecnologia da informação normalmente coincidem
nos locais onde a gestão da informática pública compõe diretriz
do plano de governo e comprometimentos individuais de determinados
dirigentes públicos. Estes aspectos reforçam comprovações de estudos
de administração de informática que o sucesso de projetos de informatização
dependem diretamente do envolvimento da alta administração.
O Paraná apresentou projetos
e soluções baseados na tecnologia da informação em uso pela administração
pública, tanto a nível de Estado como da Prefeitura de Curitiba.
Participaram como painelistas Carlos A. Kalinowski - Assessor Especial
da Prefeitura de Curitiba - painel de gestão urbana; Luis Alberto
L. Miguez - responsável pela área de geoprocessamento da Secretaria
do Meio Ambiente do Município de Curitiba- painel de meio ambiente;
Nádia Pádua de Mattos - chefe do Grupo Técnico de Informática da
Secretaria de Estado da Saúde - painel de saúde; Luiz Fernando Ballin Ortolani - Coordenador de Atendimento da CELEPAR - painel de segurança
pública, justiça e judiciário; Marcos Isfer - Diretor Presidente
do DETRAN-PR e Paulo Miró de Carvalho da Secretaria de Estado dos
Transportes - painel de transporte.
Para este ano, o SECOP
e o CONIP, fóruns nacionais de discussão da informática pública,
já foram previstos. Aquele, para a cidade de Florianópolis; este,
para o primeiro semestre de 1996 em São Paulo-SP.
ortolani@lepus.celepar.br

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