Desenvolvimento
de Projetos com Tecnologias Não Dominadas
Autor: Paulo Alcion
de Oliveira
Trabalho apresentado
em Novembro/94 com o Projeto Final do Programa de Desenvolvimento
de Habilidades de Gestão, promovido pelo Instituto Superior de Administração
de Empresas do Paraná ISAD em convênio com a Pontifícia Universidade
Católica do Paraná - PUC/PR.
Introdução:
A CELEPAR passa por um
processo de adequação de seus serviços segundo uma nova realidade
provocada por uma maior exigência de seus clientes em soluções inovadoras,
pelos menores custos das soluções computadorizadas e, principalmente,
pela desmistificação da informática como ferramenta na organização
dos serviços públicos.
A isto alia-se um novo
patamar tecnológico onde apresentam-se plataformas menores com baixos
custos de aquisição e operação, soluções distribuídas onde privilegia-se
a troca de informações, redes de comunicação com velocidades cada
vez maiores, interfaces amigáveis com usuários permitindo maior
produtividade na operação de soluções informatizadas e possibilidade
de domínio pelo cliente das tecnologias envolvidas.
Em projetos em andamento,
principalmente nos aspectos de organização dos setores técnicos,
resistências a mudanças e no gerenciamento dos projetos, demonstram-se
dificuldades no tratamento de soluções que envolvam novas tecnologias,
ainda não dominadas pela empresa.
Com relação à organização
dos setores técnicos, encontramos dificuldades principalmente quando
os projetos necessitam de inter-relacionamento setorial, gerando
falta de agilidade no atendimento às necessidades dos clientes.
A cultura da empresa
reside na construção de soluções em plataforma de grande porte e
de pequeno porte em microinformática, gerando resistências, do corpo
gerencial e técnico, às mudanças que precisam ser implementadas.
O gerenciamento dos projetos
depende da capacidade e do perfil do técnico encarregado por sua
liderança, não baseando-se em metodologia plenamente implantada,
mas na experiência adquirida no decorrer da carreira do seu responsável.
Quando o projeto determina como requisito a utilização de novas
tecnologias e o grau de risco aumenta, os problemas decorrentes
de uma gestão ineficiente surgem com mais veemência
O trabalho visou, sem
esgotar o assunto, propor algumas medidas para solução das dificuldades
com relação a uma melhor estruturação dos setores técnicos, diminuição
das resistências a mudanças e aspectos que devem ser levados em
conta no gerenciamento de projetos que utilizem tecnologias não
dominadas.
Organização
dos Setores Técnicos:
Foram envolvidos os seguintes
setores da empresa:
- Gerência de Atendimento
a Clientes
- Gerência de Projetos
de Sistemas
- Gerência de Prospecção
Tecnológica
- Gerência de Serviços
Operacionais
- Assessoria Técnica(na
época, responsável pelo projeto da Rede Estadual de Comunicação
de Dados e Serviços, assumida atualmente pela GSR - Gerência de
Serviços de Rede)
- Gerência de Recursos
Humanos (Treinamento)
A seguir serão discorridas,
de forma resumida e por setor, algumas medidas.
A Gerência de Atendimento
a Clientes deve: preparar Planos de Informatização dos órgãos estaduais;
coordenar o processo de atendimento junto às outras áreas da empresa,
criando mecanismos de contratação de Serviços e dando uma visão
para toda a empresa do uso da informática de cada cliente. Dar ênfase
em profissionais com capacidade de Gestores de Projetos com perfil
generalista.
A Gerência de Projetos
de Sistemas deve: definir sua capacidade de atendimento à demanda
existente e o atual nível de comprometimento destes recursos; contratar
terceiros através de processo licitatório para complementação de
recursos para desenvolvimento e manutenção de sistemas, gerenciando
os projetos contratados; diagnosticar constantemente a utilização
das metodologias de Gerenciamento de Projetos e de Desenvolvimento
de Sistema; selecionar/adquirir instrumento de planejamento e acompanhamento
de projetos.
A Gerência de Prospecção
Tecnológica deve: pesquisar as tecnologias disponíveis no mercado
visando conhecimento, divulgação e repasse; definir, em conjunto
com todos os setores técnicos, a plataforma tecnológica da empresa,
através da criação de Comitê de Tecnologia; promover eventos ligados
a novas tecnologias e convênios com entidades universitárias e outras
empresas, para formação de grupos de estudo e trabalho. Investir
em profissionais com perfil de pesquisadores (conhece-repassa).
A Gerência de Serviços
Operacionais deve: organizar-se por grandes assuntos tecnológicos;
elaborar estudos e implantar programas de atualização do ambiente
operacional da empresa e dos clientes; apoiar na definição de objetos
técnicos para licitação de recursos computacionais pelos clientes.
A Gerência de Serviços
de Rede é a responsável atual pelo estudo e implantação de Serviços
junto à Rede Estadual de Comunicação de Dados e Serviços.
A Gerência de Recursos
Humanos, através de sua área específica, deve contratar treinamento
que leve em conta as necessidades de agilização do processo de assimilação
de novas tecnologias, privilegiando as formas que ofereçam estudos
práticos em que haja grande interação entre instrutor e treinando
e adotar abordagem de contratação de instrutor externo que apoie
a construção, a nível de prototipação, de soluções reais.
Resistências
às Mudanças
Um dos grandes problemas
enfrentados atualmente pelas empresas é a resistência às mudanças
que precisam ser implementadas, visando acompanhar as inovações
técnicas necessárias a atingir seus objetivos.
Quando os gerentes defrontam-se
com estes problemas, quase que geralmente, culpam as pessoas que
resistem, sem examinar as causas desta resistência, prejudicando
a tomada de ações que visem reduzi-las.
Surge a questão se os
gerentes podem forçar a implementação aos seus subordinados. Ressalta-se
que somente com a participação das pessoas na especificação e implantação
das mudanças é que a resistência será reduzida. Mas será que só
o envolvimento das pessoas é suficiente, ou haverá resistência na
própria participação?
Paul Lawrence, em seu
artigo Como lidar com a Resistência a Mudanças, descreve que a resistência
não reside nas mudanças técnicas, e sim, nas sociais, colocando
que:
- A mudança técnica
é a feitura de uma modificação mensurável nas rotinas de físicas
no trabalho, já a social refere-se ao modo como aqueles por ela
afetados pensam como ela irá alterar seus relacionamentos estabelecidos
na organização. As mudanças técnicas resultam em mudanças nos
relacionamentos humanos.
- Verificam-se 8 necessidades
de alterações na postura dos gerentes, dando ênfase ao lado humano,
procurando entender quais os fatores que influenciam as resistências
e definir ações que visem o sucesso das mudanças e dos projetos
que envolvem inovações tecnológicas.
A seguir serão discorridas,
de forma resumida, algumas medidas.
Quanto ao Gerente, deve:
entender a real natureza das resistências, valorizando as pessoas
no processo, não só preocupando-se com aspectos técnicos, mas com
os que podem estar incomodando as pessoas. Encorajar os técnicos
a estabelecer em abordagens diferentes nas soluções dos problemas,
incentivando um clima de criatividade e encarando os técnicos como
especialistas e não pessoas que podem ter suas vontades manipuladas,
visando, sobretudo a adoção de soluções mais práticas.
Quanto ao Líder do Projeto,
deve: ser estimulado na aceitação de contribuições dos técnicos,
visando que sugestões implementadas funcionem como incentivo à apresentação
de outras; ser orientado no sentido de que a satisfação obtida em
termos de produtividade e criatividade é a mesma satisfação que
deve ser dada por ele aos técnicos; estabelecer que os problemas
e o conteúdo das soluções seja entendido por todos os membros da
equipe, permitindo uma real compreensão de todas as variáveis do
problema e o que precisa ser feito para resolvê-lo; ser preparado
para que não encare as resistências como um problema a ser resolvido,
mas como um útil sinal de alerta de que algo está saindo errado,
pois o aparecimento da resistência demonstra que algo está desajustado
e que as causas devem ser analisadas.
Como medida geral, deve
ser investido em treinamento, visando educar as pessoas antecipadamente
no sentido de eliminar ou diminuir as resistências, definir a linha
mestra e desenvolver plano de mudanças tecnológicas.
Gerenciamento
do Projeto:
O gerenciamento de projeto
é um processo que se completa em si próprio, ou seja, problemas
de gestão, conflitos e toda e qualquer situação que se apresenta
ao projeto, deve ser objeto de análise e reposicionamento no próprio
processo de gestão. A habilidade de condução de um projeto independe
da tecnologia e da solução a ser adotada.
O que se pretendeu, é
o estabelecimento de algumas medidas que devem ser levadas em conta
pelo gestor do projeto, quando da condução de desenvolvimento de
soluções utilizando novas tecnologia não dominadas. As medidas visam
aumentar as chances de sucesso de projetos, não sendo exaustivo
com relação ao assunto e compreendendo que as mesmas poderiam ser
tomadas sem a necessidade destas especificações.
A seguir serão discorridas
resumidamente algumas medidas.
Quanto ao Líder do Projeto,
a sua escolha será definida a partir da análise das características
do projeto, do perfil dos candidatos a serem envolvidos e da capacidade
no gerenciamento de pessoas.
Quanto ao Envolvimento
do Cliente, deve ser optado pela PARCERIA. Nesta modalidade é preciso
deixar claro as atribuições de cada parceiro e oferecer vantagens
compatíveis com o porte do projeto. Todas as responsabilidade e
mecanismos de controle devem ser estabelecidos no plano de gerenciamentos,
comprometendo o cliente com os riscos associados ao projeto.
Quanto a Padrões a serem
adotados, devem ser os abertos disponíveis pelo mercado, evitando
que novas tecnologias declarem a obsolescência prematura da solução,
sendo definido, junto ao cliente, os que serão utilizados no projeto,
verificando a aceitação dos mesmos.
Quanto à Equipe de Desenvolvimento,
procurar-se-á técnicos com perfil que aceite desafios, que sejam
pró-ativos, que demonstrem capacidade de trabalhar sob pressão e
de adaptação às mudanças que surgirem. Procurar promover dinâmica
de grupo, visando melhorar o relacionamento interpessoal, na busca
de soluções condensadas pela equipe e prever no plano de gerenciamento
todas as necessidades de treinamento, sendo realizado em paralelo
com as tarefas previstas.
Quanto à Infra-estrutura
para Desenvolvimento, devem ser especificadas no plano de gestão
todas as necessidades de hardware e software, sendo explicitados
quais os riscos associados à não incorporação no momento previsto.
Quanto a Formas de Acompanhamento
do Projeto, deve ser permanente e com periodicidade reduzida, para
que as correções necessárias sejam implementadas rapidamente, devido
o processo pressupor alta integração íntima da equipe, impondo maior
controle e acompanhamento.
Quanto ao Tratamento
de Resistências, devem ser observados no plano de gerenciamento,
os riscos e as forças atuais que podem-se constituir em possíveis
causas de resistências, verificando o quanto estas podem afetar
o projeto e propondo estratégia para solução. O processo de desenvolvimento
deve ser monitorado, procurando observar se as ações estão produzindo
os efeitos desejados.
Quanto à Documentação,
deve ser documentado todo o processo de desenvolvimento, permitindo
que o conhecimento adquirido seja repassado para projetos futuros.
Quanto a Técnicas de
Desenvolvimento, deve ser utilizada a prototipação como meio ferramentas
de apoio privilegiam esta de desenvolvimento, pois a agilidade das
técnica, mostrando resultados concretos e com maior rapidez.
Conclusão:
Entende-se que a empresa
está sensibilizada para a necessidade de mudanças na sua Forma de
atuação, verificando que o seu modelo tradicional está exaurido
e desalinhado com as necessidades atuais de seus clientes. Observa-se
que os próprios clientes passam por necessidades de mudanças, provocadas
por alterações nas ordens sociais, políticas e econômicas, afetando
o seu ambiente de negócio.
Várias ações estão sendo
executadas na empresa visando a adequação de suas atividades, objetivando,
principalmente, apoiar o Governo do Estado na adaptação de seus
processos de gestão destas novas exigências.
Baseado em Cezar Taurion
Chede, em seu artigo Tempos Modernos, o processar de prestação de
serviços de informática deve sofrer mudanças, privilegiando o desenvolvimento
de sistemas/soluções de forma ágil, aliado a utilização de tecnologias
mais modernas que permitam maior produtividade e propiciem a constituição
de uma estrutura com um mínimo de burocracia. Considera que a empresa
adote uma posição de capacitada, não limitando as necessidades dos
clientes.
O trabalho procurou estabelecer
algumas medidas que contribuam para o processo de mudança da empresa,
visando o papel de provedor de recursos para seus clientes, com
base nas dificuldades encontradas no desenvolvimento de alguns projetos.
Estas dificuldades foram provocadas pela confrontação entre a necessidade
de incorporar, e o advento de novas tecnologias, frente a um modelo
tecnológico tradicional, plenamente resolvido em termos culturais
e operacionais.
Com relação à Organização
dos Setores Técnicos, procurou-se destacar quais seriam as principais
dificuldades encontradas e estabelecer algumas hipóteses de solução.
Alguma medida pode extrapolar a questão de utilização de novas tecnologias,
podendo ser aplicada para desenvolvimento com tecnologia tradicional.
O que procurou-se foi a agilização do processo através da melhoria
na gestão de recursos setoriais envolvidos.
Na questão do Tratamento
de Resistências à Mudança, foram definidas algumas medidas que visem
reduzi-las. Entende-se que a eliminação é praticamente impossível,
já que o processo de mudança e cíclico. Deve ser objeto de constante
preocupação do corpo gerencial, sendo que, quando identificado,
deve ser imediatamente analisado e tratado. Entende-se que o caminho
para a reduzir as resistências é o da Gerência Participativa
Com relação ao Gerenciamento
de Projetos, foram especificadas medidas que visam apoiar o Gerente
quando da montagem do Plano de Gestão e medidas que subsidiem a
administração do projeto. Considera-se que estas medidas formam
uma relação preliminar, que pode ser continuamente melhorada, a
partir de outras experiências.
Por fim, entende-se que
contamos com pessoal altamente qualificado para vencer todos os
desafios apresentados, viabilizando uma empresa plenamente afinada
com os desejos de seus clientes e da comunidade.
alcion@lepus.celepar.br

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