Autora: Sara Fichman
Raskin
De forma geral, o cenário
é de uma evolução tecnológica galopante e a questão não é mais "se"
mas "como" vamos acompanhá-la, tentando
diminuir os impactos e prejuízos oriundos dessa constante renovação.
Além da própria tecnologia, há dificuldade pessoal de mudar e evoluir
no mesmo ritmo, de acompanhar as tendências, aliada à nossa capacidade
de adaptação ao novo ambiente.
Por outro lado, o mundo
hoje é muito mais dinâmico; a globalização da economia propiciada
pela evolução das telecomunicações forçando as empresas a repensarem
suas formas de atuação, exige novas aplicações da Tecnologia da
Informação como forma de agilizar decisões estratégicas das empresas.
Então, se não mudamos
pela tecnologia em si, por simplesmente estarmos no estado
da arte, o novo perfil empresarial requer essa mudança, exige
sistemas de informações estratégicos, ágeis, distribuídos, atualizados...
Mas precisamos ter muito
cuidado; essas mudanças não se fazem da noite para o dia, sem planejamento
e análise de mercado para tendências, na tentativa de minimizar
os riscos. A transição deve ser gradual, permitindo uma convivência
entre sistemas antigos e novos para dar maior segurança, e os projetos
Cliente/Servidor devem manter harmonia com mainframe, que continuará
tendo seu papel nesse novo modelo distribuído.
Tive a oportunidade de
participar, no final de abril, do DBForum 96 - 7o. Congresso Nacional
de Novas Tecnologias e Aplicações em Banco de Dados. E como os bancos
de dados relacionais (por enquanto, pois já se
fala em multidimensionais) são peças-chave das aplicações Cliente/Servidor,
este foi, na realidade, o tema principal do Congresso, cuja programação
incluiu as palestras Gerenciando Projetos Cliente/Servidor,
Migrando Legacy Systems para Arquitetura Cliente/Servidor,
Data Warehousing e OLAP, Administrando os Custos
Intangíveis do Modelo Cliente/Servidor, Como migrar
para Orientação a Objetos, entre outras.
Quero tentar registrar
aqui um pouco da experiência adquirida nesses dias de Congresso,
pois sei o quanto tudo isso é importante para ser repassado à Celepar
(não somente mas principalmente), nessa fase de migração.
Se há alguns anos o modelo
Cliente/Servidor era vendido para as Empresas como solução para
todos os seus problemas com várias promessas, hoje nós sabemos que
existem muitas dificuldades e a complexidade é muito maior do que
inicialmente imaginamos.
É importante deixar claro
que o novo modelo Cliente/Servidor envolve mudanças não só de tecnologia
mas nos processos e pessoas das organizações; a falta de sincronismo
entre a capacidade de usar a tecnologia e a tecnologia adequada
pode ser responsável por um projeto mal sucedido. Segundo Cezar
Taurion (Diretor de Consultoria em TI da Origin), até 1995, 80%
das aplicações Cliente/Servidor não alcançaram os resultados esperados,
tendo gasto mais tempo e dinheiro que o planejado. Nossa dificuldade
em desenhar sistemas Cliente/Servidor (que são diferentes das aplicações
tradicionais) aumentam os prazos de desenvolvimento, não conseguimos
a independência de fornecedores que imaginamos, as ferramentas ainda
não são totalmente adequadas e todos esses fatores aumentam os riscos
de um projeto.
Devemos planejar uma
infra-estrutura adequada para Cliente/Servidor, incluindo padrões
de interface gráfica, Middleware, administração de bibliotecas de
classes, técnicas de gerenciamento de sistemas, seleção e suporte
de ferramentas e administração de dados. As equipes de desenvolvimento
devem acompanhar as áreas de negócios da organização pois a centralização
não atende mais o modelo de aplicações distribuídas.
A arquitetura tecnológica
também deve ser considerada pois ela deve garantir a interoperabilidade
entre todos os componentes do sistema e ao mesmo tempo não pode
ser limitante. É importante na definição da arquitetura, considerar
padrões de fato e estarmos preparados para trabalhar com vários
fornecedores em segmentos diversos.
Um bom projeto Cliente/Servidor
deve tentar equilibrar o processamento da aplicação, que deve ser
particionada, e aí está a dificuldade: a divisão em camadas. Devemos
ir evoluindo gradativamente. Uma tecnologia passa por fases que
vão desde o aprendizado à obsolescência e na maioria das empresas
a tecnologia Cliente/Servidor ainda está passando da disseminação
ao controle não tendo ainda atingido a maturidade. E à medida que
vamos adquirindo experiência, vamos tendo condições de pensar em
formas de métricas e acompanhamento dos projetos. É normal que os
primeiros projetos percam os prazos estipulados pois várias questões
como a complexidade das novas tecnologias não são consideradas.
Ainda vamos enfrentar
dificuldades, pois como ainda estamos nas primeiras aplicações Cliente/Servidor,
não sabemos como vai ser a manutenção de todo esse ambiente, que
por ser muito heterogêneo, oferece inúmeros pontos potenciais a
falhas.
Resumindo tudo isso,
existe um enorme potencial para evolução no modelo Cliente/Servidor,
mas não podemos ignorar que existem obstáculos para essa migração,
que existem riscos que devem ser considerados e limitações que devem
ser conhecidas.
sara@lepus.celepar.br

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