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Autora: Maria Alexandra
V. C. da Cunha - GPT - Ramal 334
1.
Introdução
Ninguém discute o potencial
de transformação que a Internet tem para as mais diversas organizações.
Mas às vezes nos perguntamos: E neste ramo de negócio, para quê
eu usaria? E em sala de aula, como poderia ser usada?
Este texto foi escrito
com o objetivo de descrever experiências reais do uso da Internet
na atividade de ensino de administração na FEA/USP (Faculdade de
Economia, Administração e Contabilidade da USP). É baseado num artigo
escrito para um Seminário na FEA, que descreve estas (e outras)
experiências de uso da Internet. Como muitos de nós na Celepar somos
professores, tanto na empresa como em muitas faculdades de Curitiba,
a idéia foi relatar experiências reais que possam servir de inspiração
para a realização de trabalhos semelhantes em cursos de qualquer
natureza, seja na nossa empresa, seja em instituições de ensino.
2. Um pouco
de teoria sobre Internet no Ensino
A convergência da informática,
comunicações e das tecnologias de gerenciamento de documentos, e
a penetração das redes de computadores - a Internet principalmente
- têm um potencial extraordinário para transformar a educação, vindo
ao encontro das necessidades crescentes de ensino customizado e
sob demanda.
A Tecnologia de Informação
possui três propriedades:
Compressão do tempo e
espaço: é possível para as organizações romperem com os padrões
tradicionais, que determinavam as suas fronteiras físicas e restringiam
os horários de operação;
Expansão e transformação
do conhecimento armazenado: o volume de dados, em textos ou estruturados,
armazenado pelos computadores nas organizações é enorme e vai continuar
crescendo, o que constitui um acervo de valor inestimável;
Aumento da flexibilidade:
a flexibilidade da TI vai expandir as possibilidades de aplicação
e melhorar a capacidade de adaptação das organizações.
O exercício destas propriedades
tende a mudar a educação. Para uns, significará uma revolução; para
outros, a TI propiciará ganhos, mas serão somas ao processo ensino-aprendizagem
tal como o conhecemos hoje em dia.
Há os que defendem que
a educação continuará baseada em salas de aula tradicionais e que
a Internet trará para o processo de ensino melhorias incrementais,
que será mais um recurso entre tantos disponíveis a alunos e professores
(ainda que no ensino de administração pese sobre este grupo um contra-argumento
muito forte - se os negócios não serão os mesmos após o advento
da Internet, como as escolas de administração poderão continuar
sendo as mesmas? (Ives e Jarvenpaa, 1996).
Há, por outro lado, os
que afirmam que a TI, particularmente a Internet, trarão no seu
bojo uma verdadeira revolução. Mostram como primeiro sintoma editores
e fabricantes de software que estão desenvolvendo produtos multimídia
que vão substituir, mais do que complementar, a educação na sala
de aula tradicional. A tecnologia da Internet assemelha-se à revolução
dos microcomputadores pessoais dos anos 80, a qual transformou a
administração da informação. Mas, de modo diferente à computação
pessoal, esta tecnologia chega com um canal de comunicação imbutido.
Ives e Jarvenpaa (1996) afirmam que a existência deste hiper-canal
imbutido de distribuição de produtos baseados em conhecimento pode
ter várias conseqüências, entre elas a expectativa de que a educação
sob demanda para escolas, lares e mesmo profissional seja um negócio
ainda maior do que o entretenimento sob demanda.
O Brasil está começando
a usar Internet nas instituições de ensino, tanto como ferramenta
pessoal de comunicação e pesquisa dos professores e alunos quanto,
ainda que em menor número, na atividade de ensino. Pesa sobre algumas
escolas de administração a acusação de serem excessivamente conservadoras
e por isso demorarem a se lançar à descoberta de novas possibilidades
do uso da tecnologia. No caso de Internet, a tecnologia é recente,
e mais recente ainda a disponibilização do acesso e facilidades
de uso a todos os alunos e professores das escolas. Provavelmente
não se trata de um caso de conservadorismo mas do pouco tempo disponível
para assimilação da tecnologia. Ansoff (1990), diz que a resistência
à mudança é proporcional à variação imposta à cultura, ao poder
e ao tempo de introdução da mudança. Sem entrar no terreno da cultura
e do poder nas escolas, assuntos que por si só constituem tema para
a exploração, podemos dizer que a introdução da Internet é muito
nova, é preciso mais tempo para que o seu uso se espalhe. Aquelas
instituições que tomarem atitudes pró-ativas na busca de uma rápida
disseminação e de um uso efetivo para melhoria do processo de ensino-aprendizagem,
adaptando-a às características de poder e cultura da organização
local, vão ganhar vantagem numa mudança que ao longo do tempo virá
inexoravelmente - a incorporação dos recursos de TI a todos os processos
de bens e serviços baseados em conhecimento e informação. O potencial
de transformação da Internet foi ampliado pela World Wide. Web (ou
WWW, ou W3) permitiu que qualquer um, por um custo modesto, publique
informação acessível a outros em qualquer lugar no planeta.
Há experiências descritas
no uso da Internet nas escolas por parte de alunos para: o contato
informal com colegas; o acesso a bibliotecas eletrônicas ou bibliotecas
de outras escolas; a realização de vídeo-conferências; a criação
de realidades virtuais ou ainda a participação em projetos com outras
escolas/grupos de pesquisa em real-time.
Interessa-nos especialmente
a utilização da Internet por parte de professores e pesquisadores.
Há relatos de que estes a usam para: realizar pesquisas e responder
dúvidas, possibilitar o acesso a professores de outras instituições,
inclusive de outros países; acessar outras fontes e bases de dados
além das locais e fazer pesquisas via Internet; trabalhar conjuntamente
com pessoas de áreas/disciplinas ou possibilitar o aprendizado sobre
implantação de trabalhos em equipes em escolas e cidades .
Ives e Jarvenpaa (1996)
descrevem as novas possibilidades que o uso da Internet traz especificamente
ao ensino de administração:
1) a discussão assíncrona
de um assunto, que pode prolongar-se por vários dias;
2) o uso de tutoriais
on-line em cursos estruturados como por exemplo estatística e introdução
às finanças;
3) vídeo-conferências,
onde qualquer um pode participar sem a necessidade da sua presença
no local; e
4) a discussão e o uso
de casos. Professores ao redor do mundo estão aptos a distribuir
casos eletronicamente, por um pequeno custo, para outros professores.
Estes casos distribuídos eletronicamente podem ser acessados pelos
alunos diretamente no servidor onde o professor responsável pela
disciplina os achou. O caso pode conter materiais diversos - vídeos
com segmentos de entrevistas, materiais publicitários das empresas,
relatórios financeiros atualizados e apresentação de links (ligações
hiper-texto) para as páginas Web (reais) das empresas, com demonstração
de produtos. O professor e a turma de alunos podem enriquecer o
caso tornando acessível ao mundo as conclusões do grupo, os pontos
discutidos e recomendações para os que utilizarem no futuro o mesmo
caso.
3. As Experiências
As experiências descritas
a seguir, realizadas no primeiro semestre de 1996, referem-se ao
uso da Internet na atividade de ensino. Em destaque, duas experiências:
na primeira, um trabalho cooperativo desenvolvido por alunos de
administração de várias instituições ao redor do mundo; na segunda,
foram colocados especialistas de outras instituições, distantes
geograficamente, em contato com salas de aula do Mestrado/FEA utilizando
o serviço Internet apelidado de Chat (bate-papo).
3.1 Trabalho cooperativo
A participação em trabalhos
cooperativos, com os membros de um grupo geograficamente distantes,
parece ser uma das mais promissoras possibilidades do uso da Internet
nos meios acadêmico e profissional. É o exercício da propriedade
da TI de compressão das barreiras de espaço-tempo - através da Internet
pessoas distantes umas das outras podem colaborar interativamente
na execução de uma tarefa comum.
A tarefa
Na disciplina de Sistemas
de Informação, oferecida no curso de Mestrado do Programa de Pós-graduação
em Administração (PPGA) da FEA/USP, o objetivo era expor os alunos
a um trabalho de cooperação internacional. Cada aluno integrou um
grupo composto de cinco pessoas, onde os demais participantes eram
alunos de cursos de mestrado de escolas de Administração espalhadas
pelo mundo. Esta experiência, já descrita no boletim informativo
da FIA/USP ou na página Web http://www.usp.br/fea/adm/fia/boletim/ult/96nicola.htm
exigia que cada grupo montasse páginas de serviços no ambiente WEB
na Internet, uma tarefa tecnicamente não muito complexa mas que
exigia a cooperação de todos. O projeto desenrolou-se durante os
meses de março e abril. As páginas criadas foram lançadas na rede
no início de maio fornecem informações a profissionais da área de
sistemas de informação. Intranet, tecnologias EDI e ISDN, consultoria
à distância e mercado virtual global são alguns dos assuntos que
foram abordados.
A coordenação geral do
projeto, em 1996 na terceira edição, esteve sob a responsabilidade
de uma equipe da Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos.
Envolveu cerca de 400 alunos de aproximadamente 75 faculdades de
Administração, em torno de 30 países. Foi a primeira participação
da FEA.
O projeto surgiu de contatos
pessoais entre professores de várias escolas de Administração. A
idéia foi de uma professora da Universidade do Texas em Austin,
que articulou o trabalho com professores da área de sistemas de
informação em um congresso internacional em 1995 e também através
da Internet.
Descrição da execução
do trabalho
Cada aluno da FEA estava
em um grupo diferente, foi regra que cada grupo não poderia ter
membros do mesmo país. O trabalho seguiu uma estrutura pré-determinada.
Na primeira fase, os componentes travavam conhecimento mútuo, numa
rodada de e-mail onde cada um preencheu um questionário. O roteiro
pré-determinado fazia com que cada um se apresentasse (quem é, o
que faz, quais as habilidades, o que estuda) e descrevesse o seu
interesse específico ao participar do projeto. A segunda fase foi
uma rodada de pesquisa na Internet, sobre o tema geral (desenvolver
um serviço de informações na Internet sobre Sistemas de Informações).
O objetivo da segunda rodada foi fazer os alunos aprenderem a pesquisar
na rede e a conhecer os serviços já estabelecidos. Nesta fase os
alunos de um mesmo grupo deveriam trocar entre si as informações
obtidas. A terceira fase supunha a definição do projeto, e o relato
técnico. A descrição do serviço, justificativa, teoria que o suportava
e um simulador do serviço (um protótipo) deveriam estar implantados
como resultado do grupo em uma home-page até à data final de entrega
do trabalho. Há um prêmio para o melhor serviço implementado como
resultado do trabalho.
Cada grupo definiu o
seu coordenador e nalguns grupos alguém assumiu a redação final
do trabalho, noutros, houve especificação formal do responsável.
O processo de discussão estabeleceu-se em várias rodadas de e-mail,
nuns grupos um processo extremamente cordial através da busca do
consenso, quase sempre obtido, em outros grupos nem tanto, sem consenso
e com votação (reproduziu-se o funcionamento dos grupos tradicionais,
afinal). No encerramento, cada membro do grupo preencheu um extenso
relatório sobre o projeto e sobre os demais membros do grupo.
Um dos grupos relatou
que houve até o estabelecimento de camaradagem, trocaram fotos e
após a entrega formal do trabalho estouraram um champanhe
virtual.
Para avaliação da experiência,
buscou-se a opinião dos participantes da FEA. Este não é o resultado
final da pesquisa efetuada com todos os componentes de todos os
grupos, que ainda não foi publicado. Para os participantes brasileiros,
o trabalho apresentou alguns pontos positivos e alguns negativos.
Como pontos positivos
foram notados:
1) o ponto mais importante
a remarcar é que se testou a possibilidade de trabalhar cooperativamente
à distância. É possível fazê-lo, e facilmente;
2) a um baixo custo;
3) com comunicação eficiente.
Como pontos negativos:
1) a língua (o inglês)
não foi exatamente um ponto negativo, mas os brasileiros podem melhorar
nesta habilidade. A comunicação estabeleceu-se mesmo alguns participantes
demonstrando dificuldades de fluência no inglês (não só brasileiros);
2) diferenças de fuso
horário. O prazo de cumprimento de tarefas teve que considerar data
e hora, estabelecido em uma única referência geográfica. Não foi
um problema, mas alguns membros do grupo ganhavam horas extras de
trabalho;
3) problemas na coordenação
influenciaram negativamente o desempenho total do grupo. Num grupo
com problemas de relacionamento estabeleceu-se uma cisão, houve
troca de mensagens paralelas às do trabalho e com certeza o resultado
do trabalho daquele grupo poderia ter sido bem superior;
4) alguns membros do
grupo ausentavam-se por problemas particulares, tendo que ser chamados
repetidamente de volta à discussão.
3.2 Chat com professores
de outras instituições
A motivação do uso de
Internet nesta experiência foi ligar a turma de alunos de uma disciplina
do programa de pós-graduação da FEA com um especialista de excelência
de outra instituição no assunto que estavam estudando e discutindo
em sala, avaliando também o potencial da ferramenta Chat como recurso
disponível para os professores.
O Chat
O Chat é um serviço Internet
que permite que seus usuários se comuniquem ao mesmo tempo com várias
pessoas . Originalmente só prevendo que as pessoas conversassem
por texto (o que um digita é transmitido para todos os participantes
da sessão), hoje há servidores chat para som e imagem, ou seja,
podemos ouvir os interlocutores e ver sua imagem em movimento (vídeo-conferência).
Do ponto de vista de
infra-estrutura, o serviço Chat funciona de maneira simples. Numa
explicação não muito técnica do funcionamento do chat, podemos dizer
que uma instituição disponibiliza um servidor com bons recursos
de comunicação. O usuário conecta-se a esse servidor, onde existem
vários canais (vários bate-papos). O nome do canal indica (normalmente)
o assunto principal de discussão, o mote da conversa. O usuário
escolhe o bate-papo de que quer participar, e liga-se (join) a ele.
Existe a possibilidade de se criar um canal para discussão de um
assunto de interesse.
Começada a conversa,
aquilo que cada um digita na tela do seu micro é enviado para todos
os outros que participam do canal, com a identificação do autor
da mensagem. Podem ser enviadas mensagens particulares para um participante
específico que só serão lidas por ele.
Um canal sempre tem um
(ou mais) operador(es) com poderes especiais - de poder, por exemplo,
eliminar participantes inconvenientes de uma conversa, ou limitar
o número de participantes, ou ainda deixar aquele canal privativo,
escondido dos demais integrantes da rede.
Na FEA foi utilizado
o mIRC, um programa que implementa a parte cliente (aquela
que roda no micro do usuário, conversando com o programa servidor,
que roda no computador da instituição que disponibiliza o serviço).
Este programa é shareware para instituições de ensino e pesquisa
(pode ser usado e copiado livremente), e tem uma interface gráfica
(roda sob Windows) muito simples de ser usada.
As experiências com
o Chat
Em uma disciplina do
curso de Mestrado em Administração da FEA é discutido o tema Inteligência
Organizacional. Na sessão do primeiro trimestre de 1996, os
alunos leram e discutiram os trabalhos sobre este assunto produzido
por um professor da Universidade de Denver, EUA. A primeira sessão
colocou em contato os alunos do curso com este professor, tanto
para discussão do assunto como para proposição de questões.
As questões foram previamente
preparadas pelos alunos, mas havia a expectativa de que a conversa
se estabelecesse e outras questões surgissem durante a sessão Chat.
Foi convidado o nosso
colega da Celepar, Pedro Luis Kantek Garcia Navarro, para participar
da sessão. Durante cerca de quarenta e cinco minutos o professor
convidado respondeu dos Estados Unidos às indagações dos alunos.
A segunda experiência
com o Chat foi realizada para discutir o assunto Sistemas
de Apoio à Tomada de Decisão, com um professor do PPGA/UFRGS
- Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul. Além deste assunto pretendia-se uma avaliação
da ferramenta Chat como recurso instrucional.
Os testes e treinamento
aconteceram interativamente envolvendo o pessoal do Rio Grande do
Sul e de São Paulo. A sessão com os alunos durou cerca de uma hora,
cada aluno e professor contava com um microcomputador, simulando
uma situação em que cada um poderia estar num lugar geograficamente
distante dos outros.
Avaliação da ferramenta
Após as duas sessões,
foram colocadas como vantagens no uso deste recurso:
1) a possibilidade de
reunir em um mesmo espaço (ainda que virtual) especialistas distantes
geograficamente. Esta é sem dúvida a principal vantagem;
2) a facilidade de uso
do serviço, que não requer treinamento específico;
3) a motivação inerente
ao uso de uma nova ferramenta para os alunos e professores envolvidos.
Como desvantagens foram
notadas:
1) a ferramenta pode
tornar-se o alvo das atenções, ao invés do assunto que está sendo
discutido, ainda que circunstancialmente às primeiras vezes de uso;
2) na sala de aula onde
estão os alunos estabeleceu-se uma conversa falada paralela
à conversa virtual - pode desviar o interesse do assunto
que se pretendia discutir;
3) há necessidade de
um operador da sessão se os participantes não estiverem treinados
no uso da ferramenta;
4) faz-se necessário
criar regras de funcionamento da sessão. Uma vez que se faz uma
espécie de conferência, onde um de cada vez expõe suas
idéias, há necessidade de criar as regras de comportamento (quando
interromper, como, sob que circunstância enviar mensagem particular
ao apresentador ...) e
5) por ter-se utilizado
um servidor chat no exterior, a comunicação era muito lenta, provocando
retardo na transmissão.
4. Outras
Iniciativas
Há outras iniciativas
de uso de ferramentas de TI ou de Internet na FEA, já desenvolvidas
ou em curso. Não é uma lista exaustiva:
Disponibilização de material
de cursos. Os arquivos podem ser transferidos automaticamente a
partir da página web do professor para o microcomputador do visitante.
Após a transferência dos arquivos estes podem ser abertos pelo Word
para Windows.
Teleconferência. Desde
o início de 1996, o Programa de Educação Continuada em Administração
para Executivos apresenta um ciclo de teleconferências que é uma
primeira iniciativa de um projeto de ensino à distância na FEA.
As teleconferências são geradas ao vivo na San Diego State University
e transmitidas via satélite, com tradução simultânea. À transmissão
internacional segue-se debate nacional ao vivo gerado no Rio de
Janeiro, com participação de dois especialistas brasileiros no tema.
As transmissões são realizadas em parceria com a Fundação Carlos
Alberto Vanzolini e com a KTV Comunicações. Até o final de 1996
terão sido realizadas oito teleconferências. As próximas fases do
projeto, ainda sem cronograma, prevêem na segunda fase a geração
de teleconferências na FEA, para o Brasil, e na terceira fase a
geração de cursos à distância.
Uso da Internet no ensino
à distância. Na disciplina de Didática do Ensino de Administração
II, no programa de pós-graduação da FEA/USP, os alunos estão pesquisando
a educação à distância na Internet. A classificação dos lugares
mais interessantes divide-se entre os grupos que usam a Internet
como mídia (canal de divulgação) e aqueles grupos ou organizações
que usam a própria Internet como meio de comunicação (lugar de ensino,
uma sala de aula virtual).
Alguns endereços interessantes:
Disponibilização de recursos
de vídeo-conferência para a FEA/USP. Neste ano foram realizadas
as primeiras experiências de vídeo-conferência.
A WEB como ferramenta
didática. Uso da Internet para demonstração em sala de aula das
potencialidades da rede para aplicações estratégicas nas áreas de
Marketing, Compras, Recursos Humanos e Comunicação, e para alavancar
negócios. O professor usa a Internet como recurso didático, para
demonstração.
5. Conclusão
É recente a introdução
da Internet nas atividades de pesquisa no Brasil. Mais recente o
uso da rede como apoio à atividade de ensino. Embora alguns autores
já defendam modelos tecnológicos para o uso efetivo dos recursos
de Tecnologia de Informação na organização de ensino e pesquisa,
até com o estabelecimento de universidades virtuais (Hämäläinen,
Whinston e Vishi,1996), ainda estamos na fase inicial de adoção
destas tecnologias. As duas experiências relatadas, de participação
em grupos de trabalho à distância e do uso de chat, mostraram que
é possível o uso da TI no ensino de terceiro grau e não só em cursos
de ciência da computação e afins. Há pontos positivos, o maior é
a eliminação da barreira distância geográfica. Quanto
aos pontos negativos listados, não comprometeram o resultado final
pretendido.
Existem certamente possibilidades
e aplicações das tecnologias descritas inexploradas. Há outras tecnologias
por surgir, que tornarão as atuais obsoletas e cuja utilização ainda
é difícil prever. O uso efetivo dos recursos de TI nos processos
de ensino pode ser alavancado pela comunicação das experiências
realizadas e dos resultados obtidos. É necessária a criação de uma
rede de troca de informações e a própria Internet pode ser a infra-estrutura
física de implementação dessa troca de experiências.
Certamente duas semanas
após a apresentação deste artigo (quem sabe menos), existirão muitas
mais experiências a relatar.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANSOFF. H. I. Implanting
strategic management. Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1990. apud
ALMEIDA, Fernando C. de. Atores e fatores na introdução de um Sistema
de Informação. In: Encontro Anual da associação Nacional dos programas
de Pós-Graduação em Administração, 19, 1995. João Pessoa. Anais
do 19o ENANPAD, João Pessoa, 1995. v. I, n 4, p 309-323
HÄMÄLÄINEN, Matti; WHINSTON,
Andrew B.; VISHI, Svetlana. Electronic markets for learning: education
brokerages on the internet. Communications of the ACM. v.39, June
.1996.
IVES, Blake; JARVENPAA,
Sirkka. Will the internet revolutionize business education and research?
Sloan Management Review, Spring, 1996.
Participaram da elaboração
do artigo original, no qual este foi baseado:
Maria Alexandra V. C.
Cunha - xana@usp.br
José de Oliveira Siqueira
- siqueira@usp.br
Sandro Márcio da Silva
- smdsilva@usp.br
Nicolau Reinhard - reinhard@usp.br
xana@lepus.celepar.br

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