Autor: Paulo Alcion
de Oliveira - DITEC-E - Ramal 408
O artigo "!Vamos
usar Metodologia? " do Fendrich no Bate Byte 56 demonstra que
estamos trilhando um bom caminho na nossa divisão técnica, através
do amadurecimento de seus componentes. Este artigo pretende contar
um pouco da história da divisão, comentando alguns aspectos sobre
este processo na equipe.
A DITEC-E acompanha os
indicadores de qualidade dos seus processos produtivos (projetos/atividade
contínua) desde setembro/95. Iniciou este processo com o intuito
de organizar as atividades, mas os resultados apresentados superaram
as expectativas. Mesmo que trabalhoso inicialmente, pois a sua implantação
foi iniciada em um momento que a equipe tinha uma demanda por serviços
muito grande, aos poucos foi organizando as atividades de uma forma
que o retrabalho, normal em processos menos organizados, foi diminuindo.
Em um primeiro momento
não entendia-se o porque das pessoas responderem tão de imediato
ao processo. Atualmente entende-se que a chave de todo o processo
é o Acompanhamento, mas isto vamos ver mais adiante.
O entendimento dado era
que o processo de estabelecer indicadores de qualidade e definir
ações corretivas para as questões não observadas, puxaria (como
puxou) o processo de internalização da Metodologia de Desenvolvimento
de Serviços em sua Versão 2 - MDS-V2. Até porque os pontos verificados
estão voltados a observação do uso da Metodologia nos processos
de trabalho.
De imediato sentiu-se
a necessidade de divulgação do porque da implementação da metodologia,
quais os objetivos e as vantagens tanto para a equipe e individualmente,
como para a empresa de uma maneira geral.
Naquele momento estávamos
implementando uma nova versão da Avaliação de Desempenho, que prevê
dois processos: Momento de Avaliação Individual e o Plano Individual.
Na primeira fase não foi montado um plano individual para cada componente,
mas estabeleceu-se um processo de discussão com cada pessoa, onde
foram minuciosamente expostos todos os aspectos com relação a utilização
da MDS.
Após esta fase iniciamos
o processo de implementação do Roteiro de Acompanhamento - RPAC,
procurando organizar as tarefas do coordenador, dos líderes e das
equipes de projetos. Pensou-se inicialmente em adotar a periodicidade
prevista na MDS - quinzenal, mas devido as reuniões iniciais serem
demoradas, a periodicidade adotada foi mensal.
Atualmente não temos
este processo perfeitamente internalizado na equipe, demonstrado
pelo entendimento não homogêneo dos membros do grupo sobre as questões
metodológicas, mas estamos no caminho. Foram sentidas dificuldades
com relação ao processo, gerando sugestões de melhoria que foram
repassadaos ao Grupo de Qualidade e Produtividade, responsável pela
elaboração da MDS-V2, visando a evolução da mesma.
A Metodologia e a Avaliação
de Desempenho são processos complementares, pois o envolvimento
individual nas questões metodológicas é bastante discutido.
Atualmente estamos encerrando
a segunda fase das avaliações de desempenho na equipe, onde no plano
individual estão sendo contratados desafios para cada componente.
Estes desafios estão ligados a melhoria/organização dos processos
de trabalho e aspectos de atuação individual e visam estabelecer
de forma clara as expectativas com relação ao crescimento na carreira
de cada pessoa. A partir da aceitação de cada desafio a sua condução
é de inteira responsabilidade de cada técnico, cabendo ao coordenador
dar todo o suporte, provocado por suas observações ou por solicitação
direta. Estas expectativas poderão ser melhor acompanhadas e em
uma terceira fase das avaliações poderão ser analisadas e replanejadas.
A partir de alguns meses
de implantação, a equipe sentiu a necessidade de melhoria de seu
processo de acompanhamento. Surgiu a necessidade de um acompanhamento
com periodicidade menor que a adotada, afinal muitos fatos acontecem
durante um mês e podem prejudicar o andamento de um projeto. Outra
necessidade era fornecer informações atualizadas sobre o andamento
dos serviços à empresa e principalmente ao cliente. Nesta época
não tínhamos uma forma de prestação de informações mais estruturada,
gerando muito trabalho.
Surge o acompanhamento
semanal. Os líderes de projeto, de forma resumida e pelo correio
eletrônico, enviam suas informações de andamento e problemas encontrados
dos projetos ao coordenador. Este agrupa as informações ao mesmo
tempo que define ações que serão repassadas aos líderes ou serão
conduzidas pelo próprio. Após concluído, o relatório é disponibilizado
para a empresa através de formulário Notes. É estabelecido um histórico
de acompanhamentos que servem de referência para a reunião mensal,
sendo que esta gera informações que servem de base para a avaliação
de desempenho (não na totalidade pois o acompanhamento é do projeto
e não da atuação do líder ou da equipe).
Em maio/96 a Gerência
da área de desenvolvimento - GPS, solicitou aos Coordenadores um
plano de implantação da metodologia em cada divisão técnica. Foi
verificado pela equipe que embora várias ações estivessem sendo
tomadas, careciam de uma organização maior. Havia a necessidade
de um levantamento mais completo de dificuldades que viabiliza-se
uma definição mais criteriosa das ações corretivas. Na verdade sentiu-se
a necessidade de estabelecer um Projeto para a divisão, onde seriam
definidas as soluções a partir dos problemas encontrados e levado
em conta as diretrizes/requisitos dos níveis superiores. Pelo acompanhamento
ao projeto poderia-se verificar a efetividade das ações conduzidas
e possibilitar a correção das naturais distorções que poderiam surgir.
A partir de uma boa sugestão,
foi adotado como referência para elaboração do Plano o Roteiro para
Projeto Preliminar - RPRE. Foram levantadas as várias dificuldades
e organizadas em três grupos, com forte interação entre si: TECNOLOGIA,
METODOLOGIA e PESSOAS. Verifica-se que o plano extrapolou os propósitos
iniciais pretendidos, mas considerou-se que o tratamento de somente
um dos pontos não traria os resultados esperados.
No grupo Tecnologia foi
analisado o estágio da equipe na utilização das tecnologias disponíveis
na empresa nos projetos. Tínhamos obtido alguma cultura nas ferramentas
de desenvolvimento voltadas ao ambiente Windows e um certo domínio
sobre bancos relacionais, mas encontrávamos dificuldades no domínio
efetivo do desenvolvimento de aplicações em arquitetura cliente/servidor
e orientação a objetos.
No grupo Metodologia
verificava-se que tínhamos conseguido resultados, principalmente
com relação a organização da forma de trabalho da equipe e melhoria
na qualidade dos produtos gerados. Foram verificados problemas de
desconhecimento e falta de entendimento, parcial ou total, sobre
os vários roteiros que compõem a metodologia, principalmente as
voltadas para o planejamento e replanejamento de atividades. Neste
contexto surgiram dificuldades com relação a utilização da ferramenta
de gestão de projetos adotada pela empresa - MS-Project. Foram levantadas
várias dificuldades, mas consideradas no plano somente aquelas mais
prioritárias.
No grupo Pessoas foram
consideradas várias questões e que merecem ser melhor detalhadas.
Foi considerado que o Líder é o principal agente de sucesso (ou
insucesso) de qualquer trabalho sob sua responsabilidade, devendo
adotar uma postura ativa quanto a qualquer problema que surja em
seu projeto. Adoção de uma postura crítica com relação ao trabalho
de seus colegas de trabalho, de dentro e fora da equipe. Participação
no processo de mudança da empresa, até porque as dificuldades são
muito complexas, exigindo trabalho em grupo. Atuação individual
procurando não atuar como freio ao entusiasmo da equipe frente aos
desafios, neste momento não espera-se que as pessoas percam o senso
crítico com relação aos problemas, mas que estejam atentos na forma
e no momento de colocar suas opiniões
Também foram estabelecidos
alguns requisitos ao projeto, baseados em informações coletadas
pela equipe. Estabeleceu-se requisitos do CLIENTE e do COORDENADOR.
Nossos clientes solicitam
maior agilidade e qualidade no atendimento de suas necessidades.
Deve ser dado o entendimento que cada técnico é o legítimo representante
da empresa e deve estar atento as necessidades e encaminhar as soluções.
Também deve-se entender que quando o cliente nos solicita um serviço,
está contratando uma solução e que nós é que somos os especialistas
em informática, sendo que devemos tratar absolutamente todas as
questões que envolvem o projeto. Inclusive as normais dificuldades/resistências
de desenvolvimento/implantação do serviço na organização do cliente.
Quanto ao coordenador é solicitado, a partir de uma maior organização
do trabalho, a diminuição da sua participação nas questões técnicas
dos projetos da equipe, liberando tempo para a coleta/análise de
informações, para organização geral das atividades da divisão e
no estabelecimento de ações visando a evolução das formas de trabalho.
Estabelecidas as dificuldades
e os requisitos, partimos para a definição de ações, sendo adotado
duas linhas de atuação:
1) Atuação em dificuldades
individuais de cada técnico, procurando observar aquelas que afetam
a todos e que podem ser resolvidas de maneira geral.
2) Atuação em ações gerais
que possam ser identificadas pela análise das informações do próprio
processo. Neste ponto seriam especificadas ações para as dificuldades
gerais de cada grupo mencionado.
Antes de entrar no detalhamento
de cada linha de atuação, seria interessante fazer uma parada e
comentar o principal foco de atuação de todo o processo de mudança
e também do documento preparado. É o CLIENTE.
Todo o processo visa
sempre a agilização e a melhoria da qualidade dos serviços prestados
aos nossos clientes. Eles também passam pelo mesmo processo de mudança
e, como nós, são pressionados a apresentar resultados. Como toda
a empresa que precisa mudar, encontram resistências dentro de suas
organizações e procuram parceiros que possam apoiá-los neste trabalho.
Estão a procura não somente de sistemas visando a informatização,
mas de soluções que tratem de maneira completa e satisfatória a
reorganização de seus processos de trabalho.
É extremamente importante
que estabeleçamos parcerias com nossos clientes, formando grupos
de trabalho com o intuito de atingir determinados objetivos. Devido
as características pessoais dos componentes, não pode-se esperar
que não surjam dificuldades provocadas por deficiências individuais.
O importante é que estas deficiências sejam tratadas de maneira
clara e objetiva, visando encontrar alternativas de como minimizá-las,
em benefício das soluções.
Outra questão é atuarmos
de forma a não limitar as necessidades de nossos clientes, propondo
problemas baseados nas nossas dificuldades internas, individuais
dos técnicos ou coletivas dos setores que compõem a empresa. Devemos
propor soluções livres das dificuldades, pois elas devem ser tratadas
e resolvidas internamente, até porque ao cliente não cabe resolvê-las.
Retornando, na atuação
individual foi definido pela continuidade do processo de avaliação
de desempenho, onde seriam tratados de forma criteriosa as dificuldades
do grupo Metodologia e Pessoas. Também foi definido pela continuidade
do processo de Acompanhamento Mensal do processos produtivos, sendo
estabelecido que trataríamos criteriosamente e por serviço os problemas
do Grupo Metodologia.
A atuação geral, como
comentado, foi tratada por grupo:
Tecnologia: Quando
se fala em novas tecnologias surge de imediato necessidade de treinamento.
Mas treinar e não usar na prática e de forma organizada os conhecimentos
adquiridos, não apresenta bons resultados. Entendeu-se como necessário
a adoção de treinamento de acordo com as necessidades reais de um
projeto, com a possibilidade de implementação na prática dos novos
conhecimentos. Estabelecemos que todos os projetos na equipe são
candidatos a inserção de novas tecnologias, dependendo de suas necessidades.
Atualmente estamos trabalhando em projetos com propostas claras
de absorção das tecnologias a nossa disposição.
Metodologia: Foram
definidas ações voltadas as necessidades de gestão de projetos,
definindo-se pontos onde haveria uma maior atuação do coordenador
da equipe. Quando detectados problemas gerais seriam organizados
eventos (tipo Workshop), voltados especialmente para a equipe. Para
verificação da qualidade técnica dos projetos, seriam incentivados
a formação de Grupos de Qualidade, conforme preconizado no Roteiro
para Revisão Técnica - RREV.
Pessoas: Entendia-se
como necessário a continuidade o processo de avaliação de desempenho
e acompanhamento mensal dos processos produtivos. Nestes momentos
as questões de envolvimento das pessoas seriam amplamente discutidas.
Outra ação definida seria a contratação de treinamento, específico
para a equipe, voltado ao processo de mudanças nas empresas. Atualmente,
a partir dos bons resultados apresentados pela avaliação de desempenho
e pelo acompanhamento, estas contratações foram adiadas.
Como todo projeto, o
plano precisava ser acompanhado e após três meses, ou seja em agosto/96,
foi preparado o primeiro relatório sobre a sua execução, detalhando
as atividades concluídas e em andamento, identificando dificuldades
e replanejando algumas ações.
Neste documento além
das tarefas previstas no plano, foram descritas algumas outras atividades
que merecem ser mencionadas:
Serviços com terceiros:
Foi estabelecido contrato com empresa da iniciativa privada, para
complementação de recursos de desenvolvimento voltados as necessidades
da equipe e a divisão inicia o processo de contratação de serviços.
Visando organizar esta atividade foi solicitado aos técnicos a preparação
de Roteiro de Contratação de Serviços de Terceiros, a partir da
experiência adquirida na equipe. Temos uma primeira versão do roteiro,
que está sendo aperfeiçoado pela continuidade dos trabalhos. Os
serviços já iniciaram, os resultados iniciais demonstram que a parceria
será um sucesso.
Ambiente de desenvolvimento:
A partir das dificuldades da equipe com seu ambiente de desenvolvimento
foi apresentado, à Gerência da área de desenvolvimento - GPS, documento
contendo sugestões da divisão quanto a organização o ambiente operacional
da empresa. A gerência encontrava-se em negociações com a área de
prospecção tecnológica - GPT, visando o estabelecimento de um projeto
para o ambiente de desenvolvimento. A divisão, através de seu coordenador,
foi indicada como representante da área para este projeto. O trabalho
com relação a montagem de Projeto Preliminar já iniciou.
Acompanhamento Integrado
de Projetos: No grupo Metodologia foi identificado a falta de uma
ferramenta automatizada que integrasse todos os dados gerados pela
empresa sobre seus projetos. A equipe apresentou sugestão à Gerência
da área de desenvolvimento - GPS, na forma de um modelo de dados,
de uma aplicação informatizada que integra-se as necessidades de
um Cadastro e Classificação de Projetos, Acompanhamento e Avaliação
de Projetos, Indicadores/Ação de Qualidade, Registro de Trabalho,
Contratação de Serviços, Referenciamento de Documentos e Cronogramas
de Atividades. Foi decidido pelo gerente o início de um projeto
e ficou definindo-se que a divisão ficaria como responsável por
seu desenvolvimento. Surgiu o Acompanhamento Integrado de Projetos
CELEPAR - API, cujo Projeto Preliminar contou com a participação
de várias áreas. Em revisão por Grupo de Qualidade foi definido
pelo desenvolvimento por versões e a implantação por fases. Atualmente
está sendo apresentado um protótipo da primeira versão para várias
áreas da empresa, visando a coleta de sugestões.
Por fim, é interessante
comentar o nível de participação e as respostas imediatas que os
técnicos apresentaram. Na verdade o acompanhamento aos projetos
permite uma melhor identificação das dificuldades e possibilita
que o grupo discuta de forma mais organizada as ações corretivas.
O entendimento que a participação de todos no processo é importante,
anima no enfrentamento dos inúmeros desafios. Os planos individuais
procuram nortear a forma de trabalho dos técnicos, dando o necessário
feed-back quanto as expectativas individuais de evolução profissional.
A cada acompanhamento mensal são estabelecidas inúmeras discussões
acerca de como melhorar o nosso trabalho e as questões individuais
são tratadas abertamente, em um clima de respeito profissional (os
indicadores/ações de qualidade saem nos últimos minutos das reuniões).
As informações fluem mais naturalmente e o aprendizado é geral e
constante, surtindo efeitos imediatos. As reuniões semanais da equipe
são descontraídas e a participação é constante. Os resultados e
a forma de atuação são comentados fora da equipe e geram satisfação
de fazer parte deste processo, incentivando a continuidade do trabalho.
Quando apresentados os desafios, não procura-se encontrar problemas,
mas soluções baseadas no trabalho em grupo.
Estamos cientes da necessidade
de constante evolução, sendo que somente iniciamos o processo de
mudança e ainda temos muito que aprender. Revendo os resultados
obtidos até o momento, verificamos que a equipe está aos poucos
se preparando para vencer os desafios.
alcion@lepus.celepar.br

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