Autor: Pedro Luis Kantek Garcia Navarro - GAC - Ramal 381
Longe de mim a pretensão
de abordar tal questão pela via deontológica. Quero algo bem mais
simples: apenas relatar alguns casos reais (descritos no excelente
livro Management Information Systems, Laudon e Laudon, 1995).
Vamos a eles:
Continental
Can
Uma empresa de Connecticut
que desenvolveu uma base de dados de pessoal, na qual incluiu todos
os seus empregados. Entremeado entre os dados típicos de pessoal,
a empresa incluiu um campo (denominado a propósito red flag),
que sinalizava quando a aposentadoria estava se aproximando, ou
quando o indivíduo já estava habilitado a requerer a pensão. Durante
toda a década de 80, a "facilidade" (e bota aspas nisso)
esteve ativa, e sempre que ela era sinalizada para alguém, a empresa
o despedia, mesmo após décadas de serviços leais. Em 1991, uma corte
federal em Newark, NJ, reconheceu o direito de ex-empregados, por
demissão injusta, e determinou o pagamento de indenizações que chegaram
ao montante de US$ 445 milhões.
Revlon
Em 1988, uma das maiores
empresas de cosméticos do mundo, a Revlon, contratou uma pequena
empresa de software chamada Logisticon Inc, para desenvolver o software
de controle de estoque pela quantia de US$ 600.000. Em outubro de
1990, o vice presidente de desenvolvimento de software da Revlon,
Nathan Amitait tentou romper o contrato alegando que o sistema tinha
ficado "aquém das expectativas" Neste ponto, a Revlon
devia a Logisticon US$ 180.000, mas não quis pagar até que o trabalho
referente à primeira fase do contrato estivesse completo. O presidente
da Logisticon Donald Gallagher acusou os outros sistemas da Revlon
por qualquer defeito de funcionamento do sistema de estoque e reclamou
o pagamento. A Revlon recusou.
As 2:30 da manhã do dia
16 de outubro de 1990, o pessoal de sistemas da Revlon relatou uma
queda genaralizada no sistema de estoque. Um fax da Logisticon,
no dia seguinte, relatou que a empresa tinha desabilitado o software
na última noite, mas com todos os cuidados para não corromper nenhum
dado. O fax dizia ainda que se a Revlon usasse ou tentasse restaurar
o software de propriedade da Logisticon haveria uma possibilidade
real de perda dos dados, pela qual a Logisticon não se responsabilizaria.
O fax terminava dizendo que, quando e se um acordo fosse encontrado
referente a pagamentos atrasados, o sistema poderia ser reestabelecido
em poucas horas.
Durante os próximos 3
dias, as vendas dos dois centros de distribuição afetados foram
interrompidas, resultando na perda de milhões de dólares, e na dispensa
temporária de centenas de trabalhadores. O sistema foi restaurado
pela Logisticon no dia 19. No dia 22 de outubro a Revlon entrou
judicialmente contra a Logisticon acusando-a de interferência em
relações contratuais, transgressão, roubo de segredos comerciais,
quebra de contrato e garantia. Uma das alegações da Revlon era de
que a Logisticon não mencionou no contrato a existência do dispositivo
de morte súbita (ou a bomba no software) dentro do sistema comprado.
Avanços Tecnológicos
na AT&T
Em março de 1992, quatro
meses antes da discussão anual com o sindicato dos telefônicos,
a AT&T anunciou que estava introduzindo tecnologia que iria
eliminar um terço das 18.000 vagas de operadores de longa distância
em 1994. O sindicato reclamou que o anúncio era apenas uma tática
intimidatória planejada para amainar as reclamações sindicais por
melhores condições de trabalho. Os planos da AT&T eram os de
utilizar um software de reconhecimento de voz, para diminuir a necessidade
de operadores humanos e permitir ao computador reconhecer uma série
de respostas dos usuários a questões-chave formuladas pelo computador.
Um novo algoritmo chamado "word spotting" permitiria
reconhecer a fala, desde que ela fosse pausada. Os planos da AT&T
previam a dispensa de 3000 a 6000 postos de trabalho de telefonista,
e de 200 a 400 postos gerenciais, bem como o fechamento de 31 escritórios
em 21 estados. Os telefonistas ganhavam entre 10.300 e 27.100 dólares
anuais, com encargos trabalhistas de cerca de 1/3 desse total. A
AT&T disse que nem todos seriam dispensados e em muitos casos
haveria retreinamento e reaproveitamento.
Privacidade
do E-mail na Epson
Em março de 1990, a administradora
de E-mail da EPSON, Alana Shoars, demandou judicialmente seu (ex)
empregador numa Corte Superior de Los Angeles, alegando invasão
de privacidade de seu empregador Epson America Inc. Ela pediu 1.000.000
US$ em perdas. Em julho de 1990, Alana liderou um pedido de 700
empregados e aproximadamente 1.800 usuários externos, solicitando
75.000.000 de indenização, porque eles tinham tido seus E-mails
monitorados pela Epson. Alana disse que tinha sido despedida por
ter argüido a política da companhia de monitorar e imprimir mensagens
de E-mail. A Epson retrucou que a Sra Alana tinha sido despedida
por ter aberto a conta do gerenciador de mails sem permissão. Muitas
empresas alegam ter o direito de analisar as mensagens que fluem
em seus sistemas porque são elas que pagam por tais facilidades
pretendendo que elas sejam usadas apenas para negócios.
kantek@lepus.celepar.br

|