Autor: Douglas
José Peixoto de Azevedo
1. Introdução
A função do modelo conceitual
foi gradativamente sendo ampliada de documentação central de uma
base de dados para o modelo que serve de ponto de partida ao projeto
da base de dados. O modelo conceitual procura ser um modelo abstrato
da área da organização representada na base de dados, o qual não
contém detalhes de implementação. A maior parte das atividades de
pesquisa relacionadas com o modelo conceitual se concentrou, inicialmente,
sobre a descrição dos estados corretos da base de dados. Modelos
conceituais desta categoria receberam, na literatura, a denominação
modelo de dados. Mais tarde, com a utilização do modelo conceitual
também no projeto de aplicações sobre bases de dados, surgiu a necessidade
de incluir no modelo conceitual também propriedades dinâmicas, isto
é, também a descrição das alterações de estados que ocorrem sobre
a base de dados. Modelos de propriedades dinâmicas recebem na literatura
a denominação de modelos de função ou modelos de comportamento.
Então, a definição moderna de modelo conceitual é um modelo de uma
área de uma organização, o qual não envolve detalhes de implementação
e descreve tanto as propriedades estáticas quanto as propriedades
dinâmicas do sistema modelado.
A prática demostrou que
não é possível descrever todas as propriedades de um sistema em
um único modelo. As técnicas de modelagem usualmente procuram descrever
o(s) sistema(s) através de algumas, que são: voltada para dado (modelo
estático), onde o modelo de dados (conjunto de estados) de um sistema
é definido de forma abstrata; voltada para controle (modelo dinâmico),
onde o modelo é definido baseado em seu fluxo de controle, isolando
basicamente as atividades que são executadas seqüencialmente ou
que ocorrem independentemente, e voltada para funções, onde o modelo
é definido baseado em seu fluxo de dado entre as unidades funcionais.
Dentre as diversas técnicas
existentes, temos a rede de petri [Roi90] que é talhada para modelar
a organização porque especifica sistemas concorrentes, é independente
de implementação, faz a representação gráfica, tem uma base formal
(não ambígua) e tem ferramentas para edição, simulação e geração
de código.
Existem 2 tipos de redes
de petri. A primeira delas é a rede de petri elementar que descreve
apenas o comportamento de um número fixo de condições e eventos.
Cada lugar em uma rede de petri elementar é considerado como um
depósito de conteúdo variável, que pode ou não estar marcado, o
que é representado graficamente pela presença ou ausência de uma
ficha (·), portanto, cada lugar na rede define uma marca que pode
ou não estar presente. A idéia é que cada marca sirva para modelar
um estado local do sistema, servindo uma marcação da rede para modelar
um estado global. A segunda é a rede de petri compacta que veio
para contornar as restrições apresentadas na rede elementar. A idéia
é usar uma rede compacta para representar o comportamento de muitas
redes elementares, as redes subjacentes da rede compacta.
Este trabalho irá abordar
uma solução de modelagem conceitual para um problema denominado
sistema para matérias para publicação baseado em rede de petri compacta,
e está assim estruturado: iniciamos descrevendo o enunciado do problema
a ser modelado, logo após descrevemos o seu fluxo de dados ( workflow)
operacional, depois a modelagem conceitual do problema apresentado,
usando rede de petri.
2. Enunciado
do Problema
O Departamento de Imprensa
Oficial do Estado - DIOE , deseja construir um sistema de matérias
para publicação para apoiar a organização em seu trabalho, visando:
melhorar a produtividade e modernizar os processos internos,
procurando firmar um padrão no recebimento dos documentos fontes
para publicação, advindos de seus cliente externos.
Para atingir os objetivos
destacados e desejados, dois componentes sofrerão mudanças e adequações
nos seus processos atualmente executados. São eles:
Os agentes
externos;
Os agentes internos.
2.1 Agentes Externos
Entendemos como agentes
externos qualquer instituição ou pessoa que necessite publicar um
documento com um fim especifico na Imprensa Oficial do Estado. Documento
com um fim especifico pode ser: convites, licitações, contratos,
balancetes leis etc.).
2.2
Agentes Internos
Entendemos como agentes
internos setores do Diário Oficial do Estado que participam do processo
de publicação de matéria, com as atividades de recepção, tratamento,
composição e impressão.
Este trabalho irá apresentar
apenas a solução de workflow adotada para a operação deste aplicativo,
desenvolvido em Lotus Notes versão 4.0 e está definido da seguinte
forma: apresentamos o workflow operacional, forma de implementação,
passos dos métodos tradicional e moderno e a rede de petri elementar
e compacta dos métodos tradicional e compacta.
3. Workflow
Operacional
Nossa proposta se baseia
em alterar os procedimentos dos dois agentes já descritos acima,
da seguinte forma:
Os agentes externos terão
que se adequar nos seus procedimentos atuais, visto que ao invés
de datilografar, digitar e enviar as matérias ao DIOE na forma de
papel, os mesmos deverão encaminhá-las em algum tipo de meio ou
correio eletrônico.
Os agentes internos terão
que implementar alteração ou aperfeiçoamento em seu fluxo de dados,
visto que realmente é onde o sistema irá atuar.
3.1 Forma de
Implementação
A partir da implementação
do sistema, teremos três formas de receber matérias no DIOE, conforme
descritos e demostrado na figura 1 a seguir.
- Pessoal: isto é, o
interessado entrega na recepção do DIOE a matéria;
- Lotus Notes: através
do Correio Eletrônico do Estado;
- Internet: através
de formulários desenvolvidos no Lotus Notes, publicado na Internet.
Para facilitar o entendimento
do workflow, dividimos o fluxo de trabalho em 2 métodos ou procedimentos,
denominados de tradicional e moderno.
3.2 Método Tradicional
Neste método as matérias
são recebidas pela recepção, quando o(s) interessado(s) ou agente(s)
externo(s) entrega(m) pessoalmente suas matérias ao DIOE.
3.2.1 Passos
do Método Tradicional
Recepção:
- Receber a matéria
de interessado(s) / agente(s) externo(s);
- Verificar se a matéria
está contida em papel;
- Se sim, medir para
apurar o valor e registrar o valor em um formulário;
- Se for o caso de
pagamento imediato, solicitar ao interessado o pagamento requerido;
- Fazer o registro
do recebimento da matéria e obter o número do protocolo;
- Registrar o número
de protocolo no comprovante de entrega;
- Devolver ao interessado
o comprovante de entrega de matéria;
- Juntar e acondicionar
num recipiente próprio a matéria e o valor apurado, se for o
caso;
- Anotar no recipiente
a data e o número de protocolo e vistar;
- Encaminhar este
recipiente, que denominamos de container, ao setor de tratamento
de matérias;
- Devolver os rejeitados
ao(s) interessado(s) / agente(s) externo(s).
Tratamento:
- Recuperar o conteúdo
do container;
- Capturar de alguma
forma ( scanner ou digitar);
- Se vier em disquete,
ler e fazer a profilaxia da mídia;
- Encaminhar via correio
à inteligência ( agenda ).
Inteligência:
- Incorporar o texto;
- Revisar este texto;
- Anotar no sumário
o status da matéria ( aceito ou rejeitado );
- Registrar se é para
pagar, se já foi paga ou é isenta;
- Registrar que esta
matéria está na pauta de publicação daquele dia;
- Encaminhar via correio
à composição.
3.3 Método do
Moderno
Neste método as matérias
são encaminhadas à caixa postal do DIOE, iniciando o processo de
publicação.
3.3.1 Passos
do Método Moderno
Recepção:
- Receber a matéria
via email dos agentes externos;
- Devolver os rejeitados
aos agentes externos.
Inteligência:
- Incorporar o texto;
- Revisar este texto;
- Anotar no sumário
o status da matéria ( aceito ou rejeitado );
- Registrar se é para
pagar, se já foi paga ou é isenta;
- Registrar que esta
matéria está na pauta de publicação daquele dia;
- Encaminhar via correio
à composição.
4 Modelagem
Conceitual do Sistema

5 Conclusão
Como mostramos na introdução
do nosso trabalho o modelo conceitual procura ser um modelo abstrato
da área da organização representada na base de dados, o qual não
contém detalhes de implementação e, que dentre as diversas técnicas
existentes, temos a rede de petri [Roi90] que são talhadas para
modelar a(s) organização(ões), existindo 2 tipos de redes de petri.
A primeira delas é a rede de petri elementar que descreve apenas
o comportamento de um número fixo de condições e eventos. A segunda
é a rede de petri compacta que veio para contornar as restrições
apresentadas na rede elementar.
Nós não usamos as redes
de petri elementar para a solução do problema porque nem sempre
elas são adequadas para a aplicação prática na modelagem conceitual
de sistemas. Se mesmo assim quiséssemos utilizá-las, seria necessário
um maior empenho e trabalho, pois imagino que teríamos que modelar
os dois métodos em que foi dividida a solução (tradicional e moderno)
separadamente e, mesmo assim, fazer uma análise de cada evento e
quais os estados que eles podem assumir. Imagine que o modelador
julgasse conveniente incluir no modelo também o comportamento de
cada matéria entregue ao DIOE. Certamente à rede teriam que ser
adicionados lugares e conexões aumentando o tamanho da rede elementar.
Então, sistemas grandes e complexos resultariam em redes grandes
e complexas.
Já a rede de petri compacta
procura contornar os problemas citados usando diversas redes elementares
para representar o comportamento de muitas redes elementares. A
idéia básica da passagem de uma rede elementar para uma rede compacta
é a de classificar lugares e conexões em classes de lugares e conexões
"similares". Não há critério objetivo para decidir quando
dois lugares ou duas alterações são similares.
O critério depende da
intenção do modelador. Entretanto, há uma regra prática usada com
freqüência: quando uma conexão de uma classe possui um lugar de
entrada / saída em uma classe de lugares, então cada uma das demais
conexões da classe da rede possui um lugar de entrada / saída na
mesma classe de lugares. A rede compacta usa a adição de anotações
à rede obtida pela classificação dos lugares e conexões da rede
elementar. A anotação na rede compacta é feita com uma linguagem
formal; a linguagem de anotação tem como objetivo definir as conexões
e os lugares elementares representados por cada elemento da rede
compacta.
Para fazer a modelagem
conceitual do sistema de matérias para publicação foi utilizado
o tipo de rede de petri compacta porque ela compõe a abordagem condição
/ evento e que é mais adequada à modelagem conceitual de sistemas
de informação e pelas nossas colocações a respeito dos tipos de
modelagem conceitual dessas redes.
6 Bibliografia
[Roi90] ROISER, Carlos
A. Modelagem conceitual de sistemas:
Redes de Petri: Porto Alegre: UFRGS, 1990.
[Roi96 ] ROISER, Carlos
A. Modelagem dinâmica de sistemas de informações. Londrina:
UEL, 1996.
douglas@celepar.gov.br

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