Escrito por Gessi
Terezinha Zampieri
Autoridade é um tipo
de poder e baseia-se no reconhecimento da legitimidade ou na legalidade
da tentativa de exercer influência. Os indivíduos ou grupos que
tentam exercer influência são percebidos como tendo o direito de
fazê-lo dentro de limites reconhecidos, um direito que decorre de
sua posição formal numa organização.
O poder é a capacidade
de exercer influência. Com isso, quem detém o poder muda o comportamento
e as atitudes das outras pessoas. E a influência provoca uma mudança
no comportamento ou na atitude de outra pessoa. Por exemplo: uma
pessoa que trabalha duro pode influenciar as outras e aumentar a
produtividade. Também os administradores podem usar sua influência
para elevar a auto-estima em relação ao tipo de trabalho desenvolvido
pelo grupo de trabalhadores, ou então, usar sua influência para
mudar estratégias usadas pela direção, pelas autoridades governamentais,
ou ainda pelos consumidores.
A Base da Autoridade
Formal. Duas visões:
"O que lhe dá o
direito de me dizer o que fazer?" Esta pergunta familiar sugere
que, antes de obedecermos a uma instrução, temos de estar convencidos
de que a pessoa que a exige tem o direito de fazê-lo. É improvável
que façamos essa pergunta a um superior em nossa organização, desde
que aceitemos que um superior tenha o direito de nos dar instruções.
Mas, por que é assim? De onde os administradores tiram o direito
de dirigir a autoridade formal nas organizações: a visão clássica
e a visão de aceitação (ver a Fig.1).
Visão Clássica:
Nas Organizações americanas, a administração tem o direito de dar
ordens legais e os subordinados têm a obrigação de obedecer. Essa
obrigação é auto-imposta, mas ao entrar e permanecer numa organização,
os subordinados aceitam a autoridade dos proprietários ou dos superiores
e têm o dever de obedecer às diretrizes legais.
A Visão da Aceitação:
É a aceitação por influência, por parte do influenciado, porque
é este quem decide se cumpre as leis em todas as circunstâncias
ou não, mas a maior parte é aceita pelos membros da organização,
vindo ordens da autoridade formal. Essa visão parte da observação
de que nem todas as leis ou comandos legítimos são obedecidos em
todas as circunstâncias. Quatro condições acontecem simultaneamente
para uma pessoa aceitar numa condição contendo autoridade:
Ela pode entender e
entende a comunicação;
No momento de sua decisão
ele acredita que ela não é incoerente com o propósito da organização;
No momento de sua decisão
ele acredita que ela seja compatível com seu interesse pessoal com
um todo;
Ela está apto mental
e fisicamente a cumpri-la.

Além dessas condições, existem duas expressões que se referem à
inclinação dos indivíduos a aceitar a maioria das ordens dadas por
seus superiores, desde que estas estejam num âmbito normal, que
são: zona de indiferença e área de aceitação. Contudo, uma ordem
que exija uma ação ilegal ou não-ética é uma coisa inteiramente
diversa.
As Fontes de Poder
são identificadas como cinco pelos autores John French e Bertram
Ravem:
O Poder de Recompensa
baseia-se numa pessoa (o influenciador) que tenha a capacidade de
recompensar outra (o influenciado) pelo cumprimento de ordens ou
pela realização de outras exigências. Onde as recompensas são melhor
usadas para reforçar as ações desejáveis dos subordinados, e não
como "suborno" para realizar tarefas;
O Poder Coercitivo
é o lado negativo do poder de recompensa, onde a punição pode ir
desde pequenos privilégios até a perda do emprego. Este poder geralmente
é usado para manter um padrão mínimo de desempenho ou de conformidade
entre os subordinados;
O Poder Legítimo,
este poder tanto pode ser de cima para baixo ou de baixo para cima,
ou seja, o encarregado de um setor exige que se cumpra um certo
horário e concomitantemente, o vigia exige que o gerente use o crachá
para entrar na empresa;
O Poder de Competência
é o que podemos chamar de conhecedor do assunto, pois nele temos
total confiança ao que ele nos recomenda;
O Poder de Referência
existe no colega de trabalho que nos atrai ao seu lado na hora das
reuniões de departamento pelo seu carisma e pelo seu nível de prestígio
e admiração.
Em geral estas fontes
de poder são adicionadas pelos administradores pela recompensa aos
subordinados através de dinheiro, privilégio ou promoções ou de
puni-los retirando estas recompensas. Queremos pensar que seja inerente
ao cargo de um administrador e presume-se que eles tenham algum
grau de competência. Podemos ter vários exemplos de organizações,
como a tendência de subordinados seguirem o modelo de executivos
mais experientes e bem sucedidos.
O Poder das
Organizações
Nos últimos anos o poder
e os processos políticos nas organizações se tornaram grandes preocupações
dos autores na área de administração. O autor David Mccleland escreveu
"as duas faces do poder"- uma face negativa e outra positiva.
A face negativa geralmente
é expressa em termos de domínio-submissão: se eu vencer, você perde.
Ter poder implica ter poder sobre alguém, que por causa disso é
menos afortunado. A liderança baseada na face negativa do poder
vê as pessoas como pouco mais que peões de xadrez a serem usados
ou sacrificados de acordo com a necessidade.
A face positiva do poder
é caracterizada por uma preocupação com os objetivos do grupo, isso
implica em exercer a influência em favor de e não sobre os outros.
Os administradores que exercem positivamente seu poder encorajam
os membros do grupo a desenvolverem a força e a competência que
precisam para serem bem sucedidos como indivíduos e como membros
da organização. Esses administradores encorajam o espírito de equipe,
apoiam os subordinados e recompensam suas realizações, com isso
levantando o "moral".
Argumentam esses autores
que o ambiente externo das organizações contribui para a necessidade
crescente de capacidades relacionadas ao poder entre os administradores.
Na listagem I - Características
Básicas do Poder Exercido com Sucesso, segundo Kotter (transportada
na íntegra):
1) São sensíveis a fonte
de seu poder. Mantêm suas ações coerentes com as expectativas das
pessoas. Por exemplo: não tentam aplicar a um campo de poder de
competência de outro campo.
2) Reconhecem os diversos
custos, riscos e benefícios das cinco bases do poder. Utilizam-se
na base de poder que seja apropriada para uma situação ou pessoa
em particular.
3) Admitem-se que cada
uma das cinco fases de poder tem seus méritos. Tentam desenvolver
suas habilidades e sua credibilidade, de como que possam usar o
método que for o melhor de todos.
4) Possuem objetivos
de carreira que lhes permite desenvolver e usar o poder. Buscam
cargos que vão desenvolver suas habilidades, que façam as pessoas
sentirem-se dependentes deles, e empregam um tipo de poder com o
qual se sintam confortáveis.
5) Agem com maturidade
e exercitam o autocontrole. Evitam demonstrações egoístas e impulsivas
de seu poder e temem não ser desnecessariamente ásperos com os que
estão ao seu redor.
6) Compreendem que o
poder é necessário para realizar as coisas. Sentem-se confortáveis
usando o poder.
Na listagem II, Kotter
nos mostra os meios de alcançar o Poder Organizacional (transportada
na íntegra):
Atividades Extraordinárias.
Fazer mudanças, ser a primeira pessoa a ocupar um cargo ou obter
sucesso após assumir riscos excepcionais, podem levar a um poder
maior.
Visibilidade.
Ser notado, obter visibilidade aos olhos dos que estão no poder,
e até mesmo fazer com que certas atividades pareçam mais arriscadas
do que na verdade são, também pode aumentar o poder - um fato que
levou Kanter a especular se aparência pública poderia ser um fator
mais influente do que a capacidade genuína.
Relevância. Resolver
um autêntico problema organizacional pode ser uma fonte de poder
e pode dar uma credibilidade extraordinária aos fatores atividade
e visibilidade.
Patronos. Ter
um patrono ou um mentor - alguém que o aconselhe em como ter sucesso
na organização - pode ser uma fonte informal de poder, especialmente
se o patrono for muito poderoso.
Delegação é definida
pela atribuição da autoridade formal e da responsabilidade por realizar
atividades específicas que são atribuídas a outra pessoa. Sendo
a delegação de poder de superiores a subordinados saudável, é necessária
para o funcionamento eficiente de qualquer organização.
O que pode ser delegado
a outrem é a autoridade e a responsabilidade, esta é a base do princípio
escalar. Mas esta delegação de poder pode ser bem discutida, porque
para um administrador delegar responsabilidade a um subordinado,
ficará assim mesmo com a responsabilidade de prestar contas aos
seus próprios superiores.
Na listagem III podemos
ver o que a Delegação não é.
Não é abdicação: não
é simplesmente uma questão de designar trabalhos para as pessoas
e mandar que elas os realizem. Quando é utilizada essa abordagem,
raramente se alcançam os resultados pretendidos ou esperados pelo
administrador. As pessoas que recebem este tipo de delegação são
postas numa situação de importância secundária no final do trabalho;
Não é abandono da responsabilidade
do administrador;
Não significa que o
administrador perde o controle;
Não significa que o
administrador evita tomar decisões: o administrador que delega continua
tomando decisões. O ponto importante é que ele pode se concentrar
nas decisões e nas questões de maior importância, e deixar que os
subordinados tomem determinadas decisões que só o contato direto
com o problema permite.
As vantagens da Delegação
- A vantagem mais importante da delegação é que quanto mais tarefas
os administradores são capazes de delegar, mais oportunidades terão
de solicitar e aceitar maiores responsabilidades dos administradores
de níveis mais altos. Delegando tarefas que exijam raciocínio e
iniciativa, estamos livres para funcionar com o máximo de eficácia
para nossas organizações.
Barreiras à Delegação
- Existem barreiras para a delegação no sentido de os administradores
não confiarem nos seus subordinados e na resistência destes em não
aceitarem a delegação por não terem responsabilidade com tarefas
específicas. Por outro lado, existem administradores que temem delegar
pois poderão correr o risco de terem as tarefas mais bem feitas
do que se fossem executadas por eles.
Na listagem IV temos
as diretrizes Clássicas para a Delegação Eficaz:
Estabelecer uma linha
clara de autoridade, indo do nível mais alto ao nível mais baixo.
Esta regra, conhecida como princípio escalar, ajuda os membros da
organização a compreender para quem podem delegar, quem pode delegar
para eles, e a quem devem prestar contas.
Para evitar confusão,
cada pessoa deve prestar contas a apenas um superior. Isto é conhecido
como princípio da unidade de comando.
Atribuir a responsabilidade
por tarefas específicas aos níveis organizacionais mais baixos em
que exista capacidade de informação suficiente para realizá-las
por completo.
Dar aos subordinados
autoridade suficiente para realizar as tarefas delegadas. Um gerente
de vendas que deve alcançar uma certa cota, encontraria obstáculos
sem autoridade para atribuir territórios, recompensar vendedores
eficazes e despedir os incompetentes.
Certificar-se que os
subordinados entendam que são responsáveis por resultados específicos.
Isso não significa que os administradores não sejam mais responsáveis
pelas tarefas delegadas. Significa meramente que os administradores
têm que comunicar com clareza as tarefas e os objetivos aos subordinados,
e influenciá-los a aceitar a autoridade e a responsabilidade por
essas tarefas.
Descentralização
Delegação é o processo
de atribuir autoridade ou responsabilidade de um nível administrativo
para outro. A descentralização é o grau em que a autoridade e a
responsabilidade são passadas a níveis inferiores. Quanto mais autoridade
for delegada através da organização, mais descentralizada ela será.
As vantagens da descentralização
são semelhantes às vantagens da delegação: redução do fardo dos
administradores do topo, melhora na tomada de decisões, pois elas
são tomadas mais perto do local de ação, melhor treinamento, moral
mais elevado e mais iniciativa nos níveis mais baixos e mais flexibilidade
de decisões rápidas em ambientes em rápida mudança.
Numa organização deve-se
levar em conta a questão de qual é o grau em que ela deve ser descentralizada,
pois isso depende da própria finalidade da organização em sua descentralização.
Tendências da Descentralização
- O crescimento econômico
entre a Segunda Guerra Mundial e os anos 70 levou a se iniciar uma
descentralização. Já nos anos 80, nos Estados Unidos, houve uma
tendência à centralização. Mas a tendência atual é para maior descentralização
pois as empresas buscam aumentar a produtividade eliminando a custosa
duplicação de funções.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SILVA, Clóvis L. Machado
da Mudança e análise organizacional. Curitiba : UFPR-PMC/IMAP, 1996.
bb@celepar.gov.br

|