Escrito
por Rosane Antunes Fernandes e Tânia Mara Vostoupal
Intodução
O Governo do Estado do
Paraná incentivou a informatização de seus Órgãos e, atualmente,
a maioria deles possui uma rede local ou, pelo menos, microcomputadores.
Em decorrência deste processo de informatização, houve uma grande
mudança no perfil dos usuários, que se aproximaram da tecnologia
e passaram a dominar Windows, planilhas eletrônicas, editores de
texto, correio eletrônico, tornando-se mais exigentes em termos
de produtos de software. Usuários que antes trabalhavam com terminais
"burros", estão hoje utilizando a informática como ferramenta
no desenvolvimento de suas atividades cotidianas. Assim, estão solicitando
cada vez mais produtos com interface amigável para aplicação imediata,
gerando uma demanda muito grande por produtos de software, principalmente
da área administrativa.
Dentro deste contexto,
o papel da Celepar como responsável pela informatização do Estado,
é fornecer soluções eficazes para atender esta demanda, de acordo
com as necessidades dos usuários e dentro de prazos cada vez menores.
Assim, há que se considerar a possibilidade dos produtos demandados
já existirem prontos e acabados no próprio mercado de software.
Desta forma, a atuação da Celepar abrange desde a orientação dos
órgãos, pesquisa de mercado, elaboração de objeto técnico de editais
de licitação, auxílio na avaliação e seleção de produtos, ou até
mesmo o desenvolvimento interno dos produtos de software demandados.
Um dos maiores problemas
encontrados no desenvolvimento destas atividades quando faz-se a
opção pela busca da solução no mercado, foi a dificuldade em avaliar
e selecionar produtos de software de forma objetiva, uma vez que,
por força de legislação federal, os mesmos devem ser adquiridos
através de licitação. Nesse sentido, a utilização da norma NBR 13596
- Tecnologia de Informação: Avaliação de Produto de Software - Características
de Qualidade e Diretrizes para seu Uso (ISO 9126, homologada como
norma brasileira através da ABNT - Associação Brasileira de Normas
Técnicas em janeiro de 1996) mostrou-se bastante apropriada.
A NBR 13596
- Tecnologia de Informação: Avaliação de Produto de Software
Esta norma define seis
características de qualidade de produto de software, que são subdivididas
em diversas subcaracterísticas. A seguir, apresentaremos um breve
esquema da norma.
| CARACTE-RÍSTICA
DE QUALIDADE |
SUBCARAC-TERÍSTICA
DE QUALIDADE |
DEFINIÇÃO
|
| FUNCIONALIDADE
|
|
Conjunto de atributos
que evidenciam a existência de um conjunto de funções e suas
propriedades especificadas. |
| |
Adequação |
Atributos do software
que evidenciam a presença de um conjunto de funções e sua apropriação
para as tarefas especificadas. |
| |
Acurácia |
Atributos do software
que evidenciam a geração de resultados ou efeitos corretos ou
conforme acordados. |
| |
Interoperabilidade
|
Atributos do software
que evidenciam sua capacidade de interagir com sistemas especificados.
|
| |
Conformidade
|
Atributos do software
que fazem com que ele esteja de acordo com as normas, convenções
ou regulamentações previstas em leis e descrições similares,
relacionadas à aplicação. |
| |
Segurança de acesso
|
Atributos do software
que evidenciam sua capacidade de evitar o acesso não autorizado,
acidental ou deliberado, a programas e dados. |
| CONFIABILIDADE
|
|
Conjunto de atributos
que evidenciam a capacidade do software de manter seu nível
de desempenho sob condições estabelecidas durante um período
de tempo estabelecido. |
| |
Maturidade
|
Atributos do software
que evidenciam a freqüência de falhas por defeitos do software.
|
| |
Tolerância a falhas
|
Atributos do software
que evidenciam sua capacidade em manter um nível de desempenho
especificado nos casos de falhas no software ou de violação
nas interfaces especificadas. |
| |
Recuperabilidade
|
Atributos do software
que evidenciam a sua capacidade de restabelecer seu nível de
desempenho e recuperar os dados diretamente afetados, em caso
de falha, e o tempo de esforço para tal. |
| USABILIDADE (Capacidade
para uso) |
|
Conjunto de atributos
que evidenciam o esforço necessário para poder-se utilizar o
software, bem como o julgamento individual deste uso, por um
conjunto implícito ou explícito de usuários. |
| |
Inteligibilidade
|
Atributos do software
que evidenciam o esforço do usuário para reconhecer o conceito
lógico e sua aplicabilidade. |
| |
Apreensibilidade
|
Atributos do software
que evidenciam o esforço do usuário para apreender sua aplicação.
|
| |
Operacionali-dade
|
Atributos do software
que evidenciam o esforço do usuário para a sua operação e controle
da sua operação. |
| EFICIÊNCIA
|
|
Conjunto de atributos
que evidenciam o relacionamento entre o nível de desempenho
do software e a quantidade de recursos usados, sob condições
estabelecidas. |
| |
Comportamento em relação
ao tempo |
Atributos do software
que evidenciam seu tempo de resposta, tempo de processamento
e velocidade na execução de suas funções. |
| |
Comportamento em relação
aos recursos |
Atributos do software
que evidenciam a quantidade de recursos usados e a duração de
seu uso na execução de suas funções. |
| PORTABILIDADE
|
|
Conjunto de atributos
que evidenciam a capacidade do software em ser transferido de
um ambiente para outro. |
| |
Adaptabilidade
|
Atributos do software
que evidenciam sua capacidade de ser adaptado a ambientes diferentes
especificados, sem a necessidade de aplicação de outras ações
ou meios além daqueles fornecidos para esta finalidade pelo
software considerado. |
| |
Capacidade para ser
instalado |
Atributos do software
que evidenciam o esforço necessário para sua instalação num
ambiente especificado. |
| |
Conformidade
|
Atributos do software
que o tornam consoante com padrões ou convenções relacionados
à portabilidade. |
| |
Capacidade para substituir
|
Atributos do software
que evidenciam sua capacidade e esforço necessários para substituir
um outro software, no ambiente estabelecido para este outro
software. |
| |
|
Conjunto de atributos
que evidenciam o esforço necessário para fazer modificações
especificadas no software. |
| |
Analisabilidade
|
Atributos do software
que evidenciam o esforço necessário para diagnosticar deficiências
ou causas de falhas, ou para identificar partes a serem modificadas.
|
MANUTENI-
BILIDADE |
Modificabilidade
|
Atributos do software
que evidenciam o esforço necessário para modificá-lo, remover
seus defeitos ou adaptá-lo a mudanças ambientais. |
| |
Estabilidade
|
Atributos do software
que evidenciam o risco de efeitos inesperados ocasionados por
modificações. |
| |
Testabilidade
|
Atributos do software
que evidenciam o esforço necessário para validar o software
modificado. |
A Aplicação
da Norma
A norma define as características
de qualidade que devem ser avaliadas em um produto de software,
qualquer que seja a sua forma de aquisição ou de desenvolvimento.
No caso de aquisição,
deve ser seguida a legislação pertinente, ou seja, à Lei No. 8666,
que determina a compra através de licitação. A norma, neste caso,
atua como um guia na elaboração do objeto técnico, definindo o que
deve ser avaliado (as características e subcaracterísticas de qualidade).
A aplicação da norma é adaptável ao produto que se deseja adquirir,
ou seja, podemos definir quais características e subcaracterísticas
são mais determinantes para o produto de software em questão. Por
exemplo, para um determinado produto, as questões de segurança de
acesso e de recuperabilidade podem ser mais importantes do que para
outro. Assim, é possível definir uma pontuação para as características
e subcaracterísticas de qualidade de acordo com o que se espera
do produto de software desejado, de forma objetiva e clara, com
a atribuição de pesos para as características mais importantes para
o produto desejado. O resultado desta pontuação é que determina
o produto vencedor da licitação.
Entretanto, apesar da
norma definir cada característica e subcaracterística de qualidade,
ela não define como medi-las. Há a necessidade, então, de um trabalho
de definição das métricas a serem aplicadas em cada uma das subcaracterísticas
de qualidade.
Exemplo:
Característica de qualidade
de Funcionalidade:
- Subcaracterística
Adequação:
- quantidade de funções
atendidas, que poderão ser subdivididas em desejáveis e obrigatórias.
- Subcaracterística
Segurança de Acesso:
- definição de notas
a serem atribuídas de acordo com o atendimento de segurança de
acesso a dados e funções; somente a funções; somente a dados;
ou não possui segurança de acesso.
A definição da forma
de medição das características e subcaracterísticas de qualidade
também pode ser efetuada de acordo com o que se quer obter do produto
a ser adquirido, ou seja, pode-se definir a medição somente para
aquelas características que são determinantes para o produto de
software desejado. Aliado a esta medição, a separação das características
de qualidade permite a atribuição de pesos de forma a reforçar a
importância desta ou daquela característica.
Na Celepar a norma tem
sido aplicada também para a realização de pesquisas no mercado.
Para a realização da pesquisa, constroem-se questionários seguindo
as características da norma e estes questionários são enviados aos
fornecedores. Estes são retornados à Celepar e pontuados, e servirão
para construção de cartas-convite e definição de quem deverá recebê-las.
A norma também é de grande
valia no caso do desenvolvimento de um produto de software, quando
pode ser aplicada durante a realização dos testes de aceitação do
produto ou de subprodutos do desenvolvimento, quase da mesma forma
que a descrita acima. A diferença existente é que não há a necessidade
de se definir uma fórmula de pontuação geral do produto, mas sim
a definição de níveis mínimos de pontuação aceitáveis, abaixo dos
quais o produto ou subproduto não será aceito. Também deve ser definida
a sistemática a ser aplicada durante os testes: definição dos avaliadores,
perfil dos avaliadores, critérios para consolidação da pontuação
em caso de divergências entre os avaliadores, etc.
Conclusão
A qualidade de um produto
de software era algo intangível, sem definições concretas. A norma
NBR 13596 permite visualizar mais facilmente esta qualidade e, por
conseqüência, definir uma forma de medir esta qualidade, possibilitando
uma avaliação mais objetiva e uniforme. Além disso, é acessível
a qualquer pessoa ou empresa, por se tratar de uma norma brasileira
e, portanto, disponível a quem se interessar.
A aplicação da norma
é simples, flexível e adaptável ao que se espera obter de um produto
de software. Transforma a tarefa de avaliação e seleção de produtos
de software em um procedimento claro, definido e matemático.
A seguir, citamos alguns
exemplo de aplicação da norma nos projetos da Celepar:
- DETRAN - para aceitação
de produtos de software desenvolvidos por terceiros;
- Almoxarifado - para
pesquisa de mercado e elaboração de objeto técnico;
- Recursos Humanos -
para pesquisa de mercado.
taniam@celepar.gov.br
rosane@celepar.gov.br

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