Autor:
Pedro Luis Kantek Garcia Navarro
Muito se tem
falado dentro e fora da Celepar a respeito dos Núcleos de Informática.
É um tal de núcleo pra cá, núcleo pra lá, que às vezes as pessoas
se perguntam, o que é esse tal de núcleo? Poder-se-ia fazer aqui
o resumo da lei que os instituiu, ou do decreto que os regulamentou.
Seria útil, mas optou-se por um caminho adicional. Afinal as leis
são públicas e público é o seu conhecimento, pelo menos em tese.
É melhor falar do que está acontecendo por aí, na vida real.
Fomos descobrir
como um órgão público, cliente da Celepar, está lidando com essa
novidade chamada Núcleo de Informática.
Antes de começar
a entrevista com o Coordenador do Núcleo do IASP, vale o registro
de como eu o conheci (e de quebra, de como perdi uma excelente
chance de ficar de boca fechada). Substituindo o Jorge Haas, em
merecidas férias velejando pelo litoral da Santa e Bela Catarina,
fui convocado a uma reunião no IASP. Lá chegando, bom dia,
boa tarde para todos, caiu um problema na mesa: como resolver
essa licitação? Alguém sugeriu consultar a assessoria jurídica.
E eu, na minha boquirrotice e lembrando daqueles pareceres imensos
e enrolados, logo fui sugerindo: não pergunte para um advogado,
citando a seguir as minhas razões. Ao final da frase, sentindo
o peso do que havia dito, me toquei e perguntei em voz baixa:
não há nenhum advogado aqui... espero. Pois o coordenador
de núcleo do IASP, silenciosamente levantou a mão.
Então, com
vocês o advogado Valmir Teixeira, Coordenador do Núcleo de Informática
e Informações do IASP. Ele vai mostrar como dificuldades de toda
ordem (e podem ter certeza de que elas não faltaram aqui) não
são empecilhos para se fazer um bom trabalho, quando há vontade
e determinação.
PK:
Como é que um advogado virou Coordenador do Núcleo de Informática?
VT:
Eu sou da Claspar. Vim para o IASP há dois anos, a pedido do Presidente
e para assessorá-lo. Comecei a me envolver em várias áreas. Nessa
época apareceu a onda dos Núcleos. O Presidente, sentindo a importância
da empreitada, me deslocou para cá. Eu estava receoso, mas o desafio
era irrecusável. E cá estamos...
PK:
E o que é o IASP?
VT:
É o Instituto de Ação Social do Paraná. Trata-se de um organismo
da Secretaria de Estado da Criança e Assuntos da Família. Nosso
público é a infância e a juventude em situação de risco pessoal
e social. Assim, atendemos crianças abandonadas, menores carentes,
portadores de deficiência física, cada qual com programas específicos
de atendimento.
Atendemos
ainda menores que cometeram ato infracional, encaminhados pelos
juizados das Varas de Infância e Juventude de todo o Estado. Ao
todo são mais de 5000 crianças e adolescentes atendidos em todo
estado.
PK:
E qual a história do Núcleo?
VT:
Começou a funcionar em junho de 1996. Temos 3 funcionários, eu,
a Solange e o Burda. Além deles existem também 3 estagiários,
sendo um do IASP e dois da Celepar. Até agora, passamos pela batalha
de viabilizar recursos de informática. Agora, por estes dias,
tais recursos estão chegando e planos é o que não faltam.
PK:
Quais os recursos de equipamento de que você fala?
VT:
Hoje temos na sede uma rede composta de 22 microcomputadores.
Aguardamos a chegada de mais 30 micros, e com eles pretendemos
interligar boa parte de nossas Unidades: São elas, Ponta Grossa,
Londrina, SAS - Curitiba, todas para atendimento de internação
provisória de adolescentes de atos infracionais e as unidades
de São Francisco (ex Queiroz Filho) e Joana Richa (para o sexo
feminino) que atendem adolescentes em regime de privação de liberdade,
já sentenciados pelo Juizado da Infância e da Juventude. As Unidades
Hermínia Lupion (antigo lar das meninas), Santa Felicidade, Castro,
Tibagi, Guaratuba e Mallet, atendem crianças e adolescentes carentes,
órfãos e abandonados. Faltou também falar do CRAV que é a nossa
unidade de atendimento de menores excepcionais.
PK:
E para que a informática vai ser usada?
VT:
Há dois usos principais, e vários destes derivados. Há o uso educativo.
Vamos montar laboratórios, onde os menores vão poder ser treinados
em informática e também vão poder usar a informática em suas atividades
curriculares. Há também o uso administrativo cuja finalidade principal
é melhorar o fluxo de informações entre nossas unidades. Por exemplo,
quando um menor é encaminhado de uma unidade para outra, suas
informações vão trafegar ao mesmo tempo. Isso vai nos permitir
um melhor conhecimento da realidade de atuação do IASP.
PK:
E vão começar por onde?
VT:
Na área educativa, estamos viabilizando programas e conteúdos
através de convênios e doações das entidades produtoras desses
insumos. Na área administrativa, um bom começo é o Correio Eletrônico,
que começa a funcionar (toc, toc, toc) agora em março.
PK:
E qual é a receptividade dos seus colegas do IASP à informática?

VT:
Tem de tudo. Mas poderia particularizar em dois pólos. De um lado,
no primeiro grupo estão aquelas pessoas que assustam-se um pouco
com o computador, acho que lá no fundinho, têm medo de levar uma
mordida da máquina. E há o outro extremo, que usa o recurso pra
valer. Por exemplo, na área do Gabinete, se eu sugerir tirar de
lá as máquinas, sou capaz de apanhar. Já estão até demandando
o desenvolvimento de um aplicativo especial, sob medida. Na área
financeira, a mesma coisa. Na área de compras idem, idem. A nossa
sorte é que o segundo grupo é maior, e cresce cada vez mais.
PK:
Para encerrar, valeu a pena trocar os pareceres pelos bites e
bytes?
VT:
Eu estou gostando. O trabalho que fazemos está começando a aparecer
e a mudar aos poucos a cultura organizacional do IASP. Ainda há
muito que aprender, mas posso dizer que o desafio continua irrecusável.
kantek@celepar.gov.br
