Autor:
Paulo Alcion de Oliveira
O papel da
CELEPAR é alavancar o processo de informatização do Governo do
Estado, visando a melhoria dos serviços públicos, em benefício
do cidadão paranaense. Somente com os recursos que dispõe é inviável,
pois a demanda é muito maior. Surge a necessidade de complementar
os recursos através da contratação de serviços junto ao mercado.
Este é um processo novo na empresa, sendo que inicialmente não
contávamos com experiência tanto na contratação, como na gestão
deste tipo de recurso.
Este artigo
pretende abordar aspectos técnicos e administrativos com relação
a este processo, vinculado a uma divisão da área de desenvolvimento
(GPS/DITEC-E), que vão desde a contratação dos recursos e serviços,
passando pelo processo de gestão e aprovação dos produtos. Serão
abordados pontos com relação a questões pessoais, principalmente
aqueles voltados a uma nova postura e forma de trabalho.
Um primeiro
ponto a abordar é como este processo se insere no ambiente da
empresa. Ele modifica a forma de trabalho, utilizando alguns processos
existentes e gerando a necessidade de mudança em outros. Assim,
será difícil a inserção se não houver evolução dos processos internos.
O contratante deve possuir processos de: especificação de produtos,
contratação de serviços, acompanhamento de andamento do desenvolvimento,
verificação da qualidade de produtos parciais/totais e outros.
Além disto deve-se tratar as questões voltadas ao lado pessoal,
seja no processo de avaliação de desempenho, como no acompanhamento
constante de dificuldades individuais. A evolução e a melhoria
que estávamos promovendo na forma de trabalho da divisão, facilitou
a inserção do processo de terceirização.
O difícil
foi vencer a resistência, mas a pressão por resultados e a escassez
de recursos falou mais alto. Partimos, então, para a elaboração
de editais de licitação para contratação de recursos. Neste ponto
uma das questões que surgiu, foi como especificar os custos e
prazos para o desenvolvimento do serviço. Estávamos estudando/implantando
a técnica de Pontos de Função, para estabelecimento do porte de
produtos. O produto especificado em Pontos de Função, independe
da produtividade em horas trabalhadas. Se uma empresa é mais organizada
e desenvolve produtos com maior produtividade, gasta menos horas
e recursos por ponto de função, auferindo maior lucro. Se ao contrário
é improdutiva, não haverá o repasse ao contratante. Neste sentido,
a CELEPAR tem definido a sua média de custos por Ponto de Função
voltados ao desenvolvimento de alguns tipos de produtos, que balizam
a elaboração de editais. Outra preocupação no edital é estabelecer
uma forma de pontuação que possibilite a seleção de empresas que
possam garantir a qualidade dos serviços produzidos. Desta forma,
são estabelecidos critérios voltados à apresentação de resultados
anteriores e a preocupação com qualidade dos serviços. Seleciona-se
a empresa que apresentar melhor proposta vinculada a Técnica e
Preço.
Tivemos na
equipe dois tipos de contratação: um de recursos para o desenvolvimento
de vários serviços e outros para a contratação de desenvolvimento
específico (aplicação). Neste momento abordaremos somente o primeiro,
ficando o segundo para um próximo artigo.
A contratação
de recursos para vários serviços, foi a experiência mais rica
em termos de aprendizado, pois houve a possibilidade de participação
de vários técnicos e onde a qualidade de trabalho em equipe foi
destacada. A idéia inicial foi que a experiência e o conhecimento
de cada técnico fossem imediatamente repassado aos outros da equipe.
Neste sentido, foi solicitado aos primeiros técnicos contratantes
que preparassem um documento, que poderíamos chamar de um Roteiro
para Contratação de Serviços com Terceiros, e que, a cada nova
experiência, fosse complementado. Havia pouca experiência com
relação à especificação de serviços em Ponto de Função, surgindo
como primeiro impulso a especificação de horas para conversão
em Pontos de Função. Foi determinado que, mesmo com dificuldades,
fosse utilizada a técnica. Ajudou bastante neste processo, contarmos
com um instrumento, que é uma aplicação informatizada para cálculo
de Pontos de Função a partir das características do serviço demandado.
Utilizando a técnica de forma devida, absolutamente todas as demandas
puderam ser tratadas, mesmo aquelas em que era desenvolvida uma
nova rotina ou manutenções em aplicações já existentes.

As primeiras
reuniões foram de organização do processo, sendo repassadas ao
terceiro tudo o que se tinha tratado internamente na equipe, pois
o entendimento e o conhecimento homogêneo são é extremamente importantes.
O terceiro deve ser encarado como um parceiro no processo, sendo
necessário que todas as preocupações sejam mutuamente tratadas,
visando estabelecer o melhor relacionamento.
A partir de
período de organização, não se pode esperar que o processo flua
sem problemas. As dificuldades surgem nos trabalhos diários, sendo
necessário o estabelecimento de um processo de gestão. Visando
atender a estas necessidades foi criado um formulário de Gestão
de Serviços de Terceiros, a ser preenchido semanalmente em reunião
entre gestores do contrato, das empresas contratante e contratada.
São levantados os percentuais de execução dos serviços em andamento,
as dificuldades encontradas e ações corretivas, com responsável
e prazo. Cópias do formulário preenchido são distribuídas aos
líderes dos projetos que atualizam seus cronogramas, sendo que
cada cópia compõe a pasta de documentação do projeto.
Para cada
serviço demandado é criada uma Ordem de Serviço (OS), onde são
especificados o número da OS, cliente, descrição do serviço e
produtos, o número de pontos de função previstos, etc. Junto com
a OS, deve ser entregue ao terceiro uma especificação do serviço,
detalhando de forma clara o problema, a solução e os produtos
esperados. Para apoiar este trabalho é utilizado o Roteiro para
Projeto Preliminar - RPRE, componente da Metodologia de Desenvolvimento
de Serviços - MDS. A partir da entrega da OS é marcada reunião,
entre o líder do projeto e o analista da contratada, para discussão
sobre o serviço, negociação dos números de Pontos de Função previstos
e elaboração de cronograma de atividades. Dependendo da complexidade
da demanda, podem ser marcadas novas reuniões, intercaladas por
períodos de uma maior análise do problema.
Após concluído
o serviço pelo terceiro, os produtos são testados internamente
pelo líder do projeto e pelo cliente. Se considerados aprovados,
é revisto o número de Pontos de Função e promovida a aceitação
da OS. A partir das OS aceitas, mensalmente o terceiro emite as
faturas, que são conferidas e aprovadas para pagamento pelo gestor
interno do contrato, sendo enviadas ao setor financeiro.
Todos os documentos
gerados compõem uma pasta do contrato, especialmente criada. Dela
fazem parte o edital de licitação, o contrato, os aditivos ao
contrato, o roteiro gerado e complementações, os formulários de
gestão e as OS e especificações por serviço. Para facilitar o
processo de gestão foi criado um quadro em que devem ser assinaladas
todas as OS emitidas e saldo dos Pontos de Função do contrato.
Havendo a necessidade de uma nova demanda o líder deverá buscar
o número da OS e assinalar o serviço e número de Pontos de Função
previstos. Esta pasta organizada facilita os trabalhos proporcionando
maior rapidez nas ações da equipe.
Após estes
aspectos mais técnicos e administrativos do processo é importante
ressaltar um pouco o lado pessoal, pois nestas questões é que
está a chave para o sucesso de qualquer empreitada. Todo o processo
baseou-se na competência dos componentes da equipe e aqui ressalta-se
equipe aquela formada por nós e nossos parceiros. Tendo
isto em vista, as dificuldades existem para serem vencidas, ou,
como ouvido há algum tempo: são "oportunidades para novas
experiências e conhecimentos".
O trabalho
conjunto e organizado rapidamente apresentou resultados, gerando
maior agilidade e satisfação no atendimento ao cliente. Esta satisfação
foi verificada e incorporada pela equipe, incentivando a continuidade
dos trabalhos. Uma boa constatação é que o mercado propicia excelentes
técnicos e eles podem auxiliar no nosso processo de evolução.
O relacionamento baseado na organização do processo cria um clima
de respeito mútuo, possibilitando que eventuais problemas sejam
rapidamente corrigidos, revertendo-se em resultados para nossos
clientes. A parceria apresentou resultados, pois o nosso ponto
forte foi ressaltado, ou seja, o conhecimento sobre o negócio
do cliente, sendo que aproveitamos a agilidade do mercado em prover
rápido desenvolvimento. O mercado tem maiores facilidades de garantir
rapidamente recursos treinados a partir das necessidades dos projetos.
A postura
pessoal muda, pois a partir do momento em que é assumido o papel
de cliente, na gestão dos serviços, verifica-se que temos que
atuar melhor no nosso papel de fornecedores. A utilização com
sucesso de técnicas e novas formas de trabalho, incentiva a inserção
das mesmas em nosso processo de trabalho. Somos muito críticos
com relação à nossa forma de atuação, mas verificamos que, basicamente
os nossos objetivos e dificuldades são os mesmos que as empresas
de mercado. Isto nos coloca como componentes de um grupo, que
pode trocar experiências e compartilhar conhecimentos.
Uma das preocupações
iniciais era se os técnicos da CELEPAR conseguiriam assimilar
os conhecimentos, principalmente aqueles voltados às novas tecnologias.
A preocupação era a seguinte: Não teremos dificuldades para replicar
as soluções desenvolvidas em outros projetos, ou seja, a partir
de agora não estaremos amarrados aos trabalhos de terceiros, ficando
dependentes? Os técnicos da equipe respondem que NÃO. Se o serviço
for acompanhado devidamente pelo líder e outros participantes
do projeto, os conhecimentos são assimilados sem problemas. O
importante é considerar os recursos de terceiros como participantes
da equipe de projeto.
Como o contrato
atual está em vias de encerrar, surge a necessidade que outros
sejam estabelecidos, o que já está sendo providenciado, através
de contrato para toda a área de desenvolvimento. Sentimos que
nossa primeira experiência foi muito boa e que resultados foram
alcançados, gerando segurança no tratamento de novos contratos.
Todo este processo iniciou-se há menos de um ano, sendo sentido
que evoluímos muito, mas que podemos evoluir mais.
A CELEPAR
tem um papel importante, como empresa ligada ao poder público
e responsável pela informatização do Governo do Estado. Deve,
não somente evoluir na sua forma, de atuação, mas apoiar, de alguma
forma a evolução das empresas de informática no Estado. Terá que
ser rigorosa na seleção de seus parceiros, permitindo somente
que as empresas que tenham preocupações de prestação de serviços
de qualidade e baixos custos, tenham acesso a negócios com o Governo.
Assim, tornar-se-á uma referência e será um agente importante
na evolução das empresas e do Paraná, em benefício de seus cidadãos.
alcion@celepar.gov.br
