MAIO
Um navio que
trazia um grande número de especiarias, foi assaltado por violenta
tempestade.
A embarcação
teria sido destruída pela fúria das ondas se não fosse a bravura
de 3 marinheiros. O comandante, querendo recompensar os denodados
marujos, deu-lhes certo número de moedas. Esse número, superior
a duzentos , não chegava a trezentos. As moedas foram colocadas
numa caixa para que no dia seguinte, por ocasião do desembarque,
as repartisse entre os três corajosos marinheiros. Aconteceu,
porém, que durante a noite, um dos marinheiros acordou, lembrou-se
das moedas e pensou: "Será melhor que eu tire a minha parte.
Assim não terei ocasião de discutir ou brigar com meus amigos".
E, sem nada dizer aos companheiros, foi até onde se achava guardado
o dinheiro, dividiu-o em três partes iguais, mas notou que a divisão
não era exata e que sobrava uma moeda. "Por causa desta mísera
moedinha é capaz de haver discussão amanhã." E o marinheiro
atirou a moeda ao mar. Horas depois o segundo marinheiro teve
a mesma idéia. Também em sua divisão sobrava uma moeda. Como o
primeiro, jogou-a ao mar. O terceiro marinheiro, ignorando por
completo a antecipação dos companheiros, teve a mesma atitude.
Dividiu as moedas e também em sua contagem sobrava uma. Também
não querendo complicar o caso, jogou-a ao mar. No dia seguinte,
no desembarque, o almoxarife encontrou um punhado de moedas na
caixa, soube que pertenciam aos marinheiros e dividiu-as em três
partes iguais. Ainda dessa vez a divisão não foi exata, pois sobrava
uma moeda. O almoxarife guardou esta como paga do seu trabalho.
É claro que
nenhum dos marinheiros reclamou, pois cada um deles estava convencido
de que já havia retirado a parte que lhe cabia. Pergunta-se afinal:
Quantas eram as moedas? Quanto recebeu cada um dos marujos?
RESPOSTA
As moedas,
uma vez que eram em número superior a 200 e não chegavam a 300,
deviam ser a princípio em número de 241. O primeiro marinheiro
dividiu-as em três partes iguais, jogando uma ao mar, levando
consigo um terço das 240: 80 moedas, deixando 160. O 2° encontrou
as 160, jogou uma ao mar, ficando com uma terça parte das 159
restantes, ou seja, 53. O 3° marinheiro encontrou a caixa com
106 moedas, dividiu em partes iguais e jogou a moeda que sobrava
ao mar como seus companheiros. Retirou uma Terça parte de 105,
isto é, 35 moedas, deixando um resto de 70. O almoxarife encontrou
70 moedas, retirou uma e dividiu as 69 restantes em três partes,
cabendo então a cada um mais 23 moedas.
JUNHO
Joãozinho
insistiu tanto que o pai acabou comprando um casal de pombos com
um mês de vida. Não eram aves comuns. Resultado da mais avançada
engenharia genética, o casal podia procriar um mês após seu nascimento
e, a partir do mês seguinte, invariavelmente todos os meses, produziriam
um casal de filhotes. Este se tornaria adulto após um mês de vida
e passaria a procriar como os pais. O pai de Joãozinho achou que
fez um bom negócio. O custo da manutenção de um casal de pombos
era baixo: 10 reais por mês. Mas, após um ano, ele estava desesperado.
Ninguém comia os pombos e o menino não queria doar nenhuma ave.
Ao final de um ano, qual era a despesa mensal com os pombos?
Extraído do
livro:
O Homem que Calculava Malba Tahan e Revista Globo Ciência.
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