VIDEOCONFERÊNCIA
COM CU-SEEME.
Autor: Maurício Luiz
Viani
1 INTRODUÇÃO
Nos últimos
meses a Celepar tem testado produtos para videoconferência, atendendo
a demanda dos usuários de informática do Estado. No artigo Videoconferência
na LAN, publicado na edição número 66 do BateByte, descrevemos
as características do produto Intel Video System 200 (http://www.intel.com/proshare/conferencing/index.html).
Naquela ocasião foram realizados testes completos com o produto,
em rede IP, culminando com realização de uma sessão de videoconferência
através da Rede de Alta Velocidade do Governo do Paraná, com o acompanhamento
público.
Comentaremos,
agora, outro produto da linha de videoconferência para desktops:
o CU-SeeMe 3.0 (pronuncia-se siusimi) da White Pine Software (http://www.cuseeme.com/).
Ao contrário do Intel Proshare, que é um software não disponível
para download, hardware proprietário e custo mais elevado,
o CU-SeeMe possui versão shareware, e trabalha com uma variedade
maior de hardware não limitando, assim, o usuário a fornecedores
específicos. Neste artigo descreveremos como obter e instalar o
CU-SeeMe e realizar, com pouco esforço, sessões de videoconferência.
Encontram-se também em testes o Microsoft NetMeeting 2.0 (http://www.micro-soft.com/netmeeting/)
e PictureTel Live 100 (http://www.
picturetel.com), este último em ambientes ISDN e ATM.
2 O CU-SEEME
CU-SeeMe é um software
de baixo custo para videoconferência, desenvolvido originalmente
na Universidade de Cornell, EUA. Atualmente encontra-se na versão
3.0, e está disponível para plataformas PC e Macintosh. A partir
de 1995 passou a ser comercializado
pela White Pine Software. O programa está disponível para download
no site de ftp da White Pine. Para obtê-lo conecte-se ao site ftp2.wpine.com,
(ftp anônimo), diretório /pub/product/demo/ cuseeme e faça download
do programa cu30.exe (9,7Mb). Caso ocorram problemas com a conexão,
devido ao tamanho do arquivo (um pouco grande), experimente a versão
anterior do software, arquivo ./oldver/cu21w32.exe (6,0Mb). Existe
apenas um inconveniente: por tratar-se de versão shareware as sessões
de videoconferência estão limitadas a míseros 15 minutos e a licença
de uso expira após 30 dias de instalação. Para continuar utilizando
o software é necessário efetuar pagamento de US$99,00 para obter
o número de registro, ou realizar novo download.
3 REQUISITOS
DE HARDWARE E SOFTWARE
Antes de instalar
o software, cheque a lista de requisitos abaixo: [1]
- Processador
100Mhz ou superior;
- Windows95;
- Câmera de
vídeo;
- Placa de
som;
- Microfone;
- Caixas acústicas;
- Conexão de
rede TCP/IP.
Não existe obrigatoriedade
de instalação da câmera de vídeo e da placa de som, mas muito se
perde sem estes recursos. Na falta de imagem e áudio, o usuário
ainda poderá comunicar-se com outra pessoa através dos recursos
de chat e bloco de notas, presentes no CU-SeeMe. Uma relação
completa de câmeras e placas que funcionam com o CU-SeeMe pode ser
obtida em http://support.cu-seeme.com/ WhiteP/h64.htm. Adiantando
um pouco o assunto, as câmeras mais citadas na documentação analisada
até o momento são: Connectix ColorQuick Cam, Vivitar MPP2 e VideoLabs
FlexCam. As duas primeiras são ligadas diretamente na porta paralela
do micro, já a FlexCam requer a utilização de placa digitalizadora.
Atualmente as câmeras para video-conferência têm-se popularizado
e já podemos encontrá-las com preços acessíveis, nas lojas de informática.
Vale a pena. Instalar o CU-SeeMe é fácil. Basta executar o programa
obtido através do download, e responder a algumas per-guntas
cadastrais, que o software instala-se automaticamente. Vá ao grupo
de pro-gramas do CU-SeeMe e execute o programa principal para abrir
o software.
4 EFETUANDO
UMA CHAMADA
A maneira mais prática
de efetuar uma conexão é chamar diretamente uma estação que esteja
rodando CU-SeeMe na rede. Para isto, clique no ícone Call
e preencha o campo de endereço com o número IP da estação a ser
chamada. Do outro lado, o usuário chamado receberá um prompt
solicitando confirmação para o estabelecimento da conexão. A partir
deste ponto surgirão, na tela, as janelas de vídeo local e remoto.
Caso não apareçam, clique no
menu Window opção Show all. Faça um teste de som conversando
com seu interlocutor. Se o som estiver ruim experimente calibrar
o microfone, através do mixer do Windows95 ou então clique
no menu Edit opção Preferences, do CU-SeeMe, e altere
as opções apresentadas. Escolha a codec de áudio que apresente a
melhor qualidade em sua rede. Fique atento ao fato de que melhor
qualidade significa mais consumo de banda. Em redes congestionadas
a melhor opção seria a codec voxware que consome apenas 2,4Kbps.
Da mesma forma escolha a codec de vídeo apropriada. Se a sua câmera
produzir imagens em tons de cinza escolha a codec CU-SeeMe Gray.
Para câmeras coloridas a codec WhitePine Color produz bons resultados.
Outro detalhe importante seria configurar a câmera/placa para gerar
imagens não comprimidas, com resolução de média qualidade. A primeira
recomendação é necessária porque o CU-SeeMe não aceita imagens comprimidas,
ele emprega algorítmos próprios de compressão e segundo, imagens
de alta qualidade podem comprometer a performance geral da
conferência.
5 O REFLETOR
Refletores são softwares
que rodam em máquinas servidoras com o objetivo de permitir conferências
multiponto. Permite aos usuários a ele conectados realizar uma conferência
como se estivessem em uma reunião, cada qual tendo acesso ao vídeo
e áudio dos demais participantes. Na Celepar temos um refletor instalado
no servidor AIX3. Este servidor pertence à rede corporativa e não
está disponível para a Internet, somente usuários da rede de alta
velocidade poderão acessá-lo. Para chamá-lo deve-se iniciar o CU-SeeMe,
abrir janela de conexão, como descrito no item anterior, e informar
o endereço IP do refletor que é 10.15.61.53. Ao estabelecer a conexão,
o refletor enviará uma tela de boas vindas e a seguir abrirá as
janelas de vídeo dos participantes. Também são possíveis conferências
em broadcast, onde os usuários que logarem-se no refletor
apenas receberão vídeo e áudio dos conferencistas, sendo impedidos
de enviar dados para o refletor. Em nosso caso, o refletor está
parametrizado para aceitar confe-rências livres de até oito usuários
com taxas de transmissão e recepção limitadas a 80Kbps. A configuração
assim foi feita para não sobrecarregar o servidor, que também atende
a outros serviços.
Para quem tiver
interesse em conhecer mais, o software do refletor pode ser obtido,
via download, do site cu-seeme.cornell.edu, diretório /pub/CU-SeeMe/
Refletor. Lá, podem ser encontradas versões freeware para
os prin-cipais Unix do mercado. Existem, também, versões mais aprimoradas
do refletor comercializadas pela White Pine software, inclusive
para Windows NT.
Nosso refletor,
por tratar-se de versão freeware, possui a limitação de aceitar
somente imagens monocromáticas. Imagens em cores produzem janelas
cinza escuro nas outras estações. Para contornar o problema execute
o software de configuração da câmera e escolha a opção que produza
imagens monocromáticas. Fácil!
Vale a pena
lembrar que a inexistência da câmera de vídeo não impede a utilização
do CU-SeeMe. Ficam ainda disponíveis os recursos de áudio, chat
e bloco de notas, este último chamado de WhitePine Board.
6 OUTROS
REFLETORES POR AÍ
Na tela principal
do Cu-SeeMe aparece uma lista pré-configurada com diversos refletores
espalhados por aí. A maioria nos EUA. Dois deles, contudo, estão
localizados no Brasil: PUC-RJ (139.82.17.17) e Universidade Federal
do Rio Grande do Sul. Nestas salas de conferências geralmente tem
alguém conectado. A taxa de quadros das imagens recebidas é baixa,
devido ao tráfego da Internet, resultando em imagens robotizadas
ou até mesmo estáticas, mas o chat funciona bem.
7 MAS,
AFINAL, O QUE É VIDEOCONFERÊNCIA?
Videoconferência consiste
na agregação de diversas tecnologias com o objetivo
de proporcionar a comunicação entre dois ou mais participantes através
de áudio e vídeo. Pode, também, incluir o compartilhamento de dados,
isto é, transferência de arquivos, comparti-lhamento de aplicativos,
chat e bloco de notas, entre outras aplicações. A primeira distinção
entre os produtos para video-conferência dá-se justamente entre
os que incluem ou não o compartilhamento de dados. Outras características
importantes para a classificação dos produtos para videoconferência
seriam: número de participantes simultâneos, tipos de conexão suportados
(TCP/IP, IPX/SPX, NetBIOS, Ethernet, Token-Ring, Linha Telefônica,
ISDN), fatores operacionais (algoritmos de compressão, quadros por
segundo, resolução por quadro) e, principalmente, os padrões internacionais
de videoconferência suportados pelo produto (ITU H.32x). Estes padrões
permitem que softwares de fornecedores diferentes comuniquem-se
entre si. Antes do advento da padronização a comunicação era restrita
aos produtos de um mesmo fabricante. Gradativamente os fornecedores
estão embutindo em seus produtos o suporte aos padrões inter-nacionais.
Uma análise detalhada e com-parativa entre produtos para videocon-ferência
pode ser obtida em [2], [3] e [4]. Nestes artigos constam referências
aos softwares: BocaPRO Video Phone Elite, Connectix VideoPhone,
Creative Labs ShareVision PC3000, Intel ProShare Conferencing Video
System, Enhanced CU-seeMe, Vivitar VideoLink, Microsoft NetMeeting,
Intel Internet Video Phone e PictureTel LiveLan-V.
Os artigos estão
disponíveis na biblioteca da Celepar.
8 PADRÕES
PARA VIDEOCONFERÊNCIA
Esta sessão
foi redigida com base no artigo publicado pela Vtel Corporation
[5].H.320 foi o
padrão lançado pelo ITU (International Telecommunications Union)
com o objetivo de definir requisitos mínimos de um sistema de videoconferência.
A maioria dos produtos, hoje em dia, tende a ser compatível com
o padrão H.320. Este padrão,
assim como outros, está subdividido em classes de implementação.
A diferença entre uma classe e outra está na quantidade de fatores
de Qualidade que ela agrega. Assim, quanto maior a classe, maior
a qualidade do áudio e vídeo.
- Classe 2:
classe 1 + suporte a alguns fatores opcionais;
- Classe 3:
classe 1 + todos os fatores opcionais.
Os fatores opcionais
seriam: resolução da imagem, taxa de quadros, pré e pós-processamento,
predição de movimentos e áudio. Os fornecedores devem implementar
no mínimo a classe 1 para que seus produtos sejam compatíveis com
os demais. As outras classes são opcionais, e servem para qualificar
e diferenciar os produtos entre fornecedores.
8.1 Resolução
da Imagem
As resoluções
de imagem possíveis no padrão H.320 são: CIF (Commom Intermediate
Format) e QCIF (Quarter Common Intermediate Format). As imagens
no formato CIF possuem resolução de 352 X 288 pontos enquanto que
o formato QCIF provê resolução de 176 X 144 pontos. Os sistemas
da classe 1 suportam apenas imagens QFIC, já os da classe 2 podem
suportar imagens CIF enquanto que os da classe 3 devem obrigatoriamente
suportar o formato CIF. A qualidade da imagem é um fator crítico
para um sistema de videoconferência. Os melhores sistemas, que suportam
o formato CIF, classe 3 por exemplo, ao conectarem-se a um sistema
de qualidade inferior, como os da classe 1, forçosamente são obrigados
a operar no modo QCIF. As imagens QCIF têm a virtude de serem mais
compactas do que as do padrão CIF, devido ao menor número de pontos
de sua resolução, porém produzem resultados de qualidade inferiores,
como a menor definição dos contornos, compro-metendo a nitidez da
imagem.
8.2 Taxa
de Quadros
Taxa de quadros
pode ser melhor definida como o número de vezes que uma imagem é
atualizada por segundo. Quanto maior a taxa de quadros (frames por
segundo como é mais conhecida) mais suave será o movimento. As taxas
de quadros do padrão H.320 podem ser de 7,5, 10, 15 ou 30 fps. O
patamar mínimo exigido pelo padrão H.320 é a taxa de 7,5 fps, a
ser implementada por todos os sistemas da classe 1. Taxas mais elevadas
ficam ao encargo dos fornecedores. Comumente os sistemas da classe
2 suportam taxas de 15 fps, enquanto que os sistemas da classe 3
podem chegar a 30 fps. Novamente, como ocorre para o fator de resolução
da imagem, um sistema de maior qualidade ao conectar-se a um de
menor qualidade é obrigado a diminuir sua capacidade para manter
a compatibilidade.
8.3 Pré
e Pós-Processamento
Pré-processamento
consiste na aplicação de algoritmos para diminuir o ruído produzido
no fundo das imagens. As imagens captadas por câmeras em ambientes
com baixa luminosidade podem produzir ruídos no fundo das imagens
e causar a sensação de que ocorre movimento quando, na verdade,
não há. O pré-processamento evita que estes falsos movimentos sejam
codificados, levando o sistema a uma melhor performance. O pré-processamento
não é exigido dos sistemas da classe 1. O pós-processamento com-pensa
os movimentos bruscos das ima-gens, diminuindo a sensação de movi-mento
robotizado produzido por baixas taxas de quadros. Pode, também,
diminuir os ruídos causados pela transmissão e codificação das imagens.
8.4 Predição
de movimento
A predição de
movimento consiste em codificar apenas a sessão do quadro onde ocorreu
movimento em vez de codificar o quadro inteiro. O quadro anterior
serve de base para prever o quadro atual. Como resultado, somente
a diferença entre eles é codificada. [6] Esta característica é muito
importante em sistema com baixas taxas de transmissão. De um modo
geral, todos os sistemas do padrão H.320 devem ser capazes de decodificar
a predição de movimento. A codificação, contudo, está ao encargo
dos fornecedores. Os sistemas da classe 1 não suportam a codificação
preditiva, já os da classe 2 podem suportar uma parte da técnica
e os sistemas da classe 3 suportam uma codificação mais elaborada.
8.5 Áudio
Os tipos possíveis
de áudio especificados pelo padrão H.320 são: G.711, G.722 e G.728.
Os sistemas da classe 1 suportam apenas áudio G.711. O áudio G.711
possui qualidade de telefonia (banda estreita, 3Khz) e consome 48-64
Kbps de largura de banda. Já os sistemas da classe 3 suportam áudio
G.722, o qual possui qualidade estéreo (banda larga, 7Khz), e consomem
128 Kbps de largura de banda. Os sistemas da classe 2, opcionalmente
podem implementar áudio G.722. O áudio G.728 surge com uma opção
para sistemas com baixas taxas de transmissão. Este tipo de áudio
consome apenas 16 Kbps de banda. Os melhores produtos para videoconferência
permitem ao usuário escolher o tipo do áudio a ser utilizado.
Bibliografia
[1] CU-SeeMe
Version 2.1.1", Product Info 1997. Disponível
na Internet. <http://www.cu-seeme.com/cu211-win-info.html.
08 out.1997.
[2] MILLER,
Brian L. Videoconferência migra para a rede. LAN Times Brasil,
São Paulo, v. 2, n. 10, p. 24-26, jan. 1997.
[3] GOYA, Denise
H. et al. Videoconferência: fale e escute, veja e seja visto. PC
Magazine Brasil, São Paulo, v. 7, n. 2, p. 62-78, fev. 1997.
[4] NTSL, IP
Conferencing Software. Software Digest, Delran, v. 14, n.
6, p. 1-31, jun. 1997.
[5] H.320: A
quality requirement guide, white papers 1995. Disponível na Internet.
<http://www.vtel.com/
vcnews/ wpap1.html. 05 set.1997.
[6] KAWANO,
Wilson. Técnicas e padrões de compressão de vídeo para sistemas
multimídia distribuídos. Centro Federal de Educação Tecnológica
do Paraná, 1997. p. 23, Monografia - Curso de Especialização em
Teleinformática.
viani@celepar.gov.br

|