AGÊNCIA BANCÁRIA
VIRTUAL
Autor: Claudio Lopes Furquim - GPT
Trabalho apresentado no CONIP´98 -
IV Congresso de Informática Pública, na Categoria Serviço Público.
Introdução
O cidadão paranaense, necessitando
ser atendido em uma instituição pública para obtenção de algum serviço
que, para sua efetivação, requeira pagamento de uma taxa bancária,
pode percorrer um longo caminho e demorar algum tempo para obtê-lo.
Isto porque, atualmente, não existe integração entre o órgão público
e o banco, permitindo que toda a transação possa ser realizada em
um único lugar. O cidadão, após dar entrada no processo, precisa
se dirigir a uma agência bancária, muitas vezes distante, para fazer
o pagamento.
Pensando em melhorar esse atendimento,
a CELEPAR idealizou um projeto-piloto com a Junta Comercial do Paraná
para desenvolvimento de uma solução composta de quiosques de auto-atendimento
e um conjunto de ferramentas que permite integrar os sistemas informatizados
à rede bancária, sem necessidade de novos investimentos em comunicação.
Além disso, esse conjunto de ferramentas pode ser utilizado por
qualquer aplicação, ou seja, por qualquer serviço público que demande
pagamento bancário.
A solução é implementada através de
software que disponibiliza ao órgão público fornecedor do serviço
a capacidade de operar o chamado "cheque eletrônico" com
mais de 40 instituições bancárias. Assim, possibilita aos usuários
que possuem cartão magnético o pagamento da taxa no mesmo lugar
que está sendo atendido. A instituição passa a oferecer um serviço
ágil e com mais qualidade e o cidadão fica satisfeito com a possibilidade
de contar com um serviço melhor, a uma taxa mais barata e com menos
dispêndio de tempo.
É a CELEPAR tirando o cidadão da fila
e levando uma Agência Bancária Virtual a cada ponto de atendimento.
Características Técnicas da Solução
- Inovações
Com o serviço convencional, o cidadão
dirige-se ao balcão do prestador de serviços públicos. Solicita
um serviço e é emitida uma guia de recolhimento da taxa de pagamento
que deve ser paga em uma agência bancária. Paga a taxa, o cidadão
retorna ao balcão da prestação do serviço que ele solicitou, para
obter o documento que comprova a realização do serviço (a carteira
de motorista, certidões negativas, cópias de contratos, ...). O
cidadão enfrenta a fila do balcão do órgão público, da agência bancária,
e novamente do órgão público.
Já existe uma solução disponível para
integração com os bancos, aquela utilizada por pequenos comerciantes,
postos de gasolina, supermercados. Esta solução foi testada na Junta
Comercial do Paraná e não foi aprovada. O prestador de serviços
continuava emitindo a guia de recolhimento. O usuário dirigia-se
ao terminal de auto-pagamento e passava o seu cartão de conta corrente
bancária. Anexava-se o comprovante de pagamento à guia e retornava-se
ao balcão para conclusão do serviço. Os problemas foram: continuava
tendo três filas: a do balcão, a do terminal e de volta ao balcão.
O usuário sentia-se intimidado com o manuseio do terminal; não existia
integração entre o terminal e a aplicação, era uma integração off-line.
Para pontos de pouco volume de atendimento, contava-se com uma linha
discada, que demorava e era frequentemente de má qualidade. O fluxo
da transação não foi alterado, trocou-se um ponto de atendimento
bancário por um terminal.
Esse modelo de solução disponível no
mercado para operar o serviço de transferência de fundos, requer
que cada ponto de atendimento estabeleça uma conexão com a prestadora
do serviço através de discagem telefônica ou adquira um canal dedicado,
no caso de grande movimento. Isso dificulta a operacionalização
do serviço além de seu custo se elevar consideravelmente. Além disso,
a integração do sistema informatizado do usuário com o sistema bancário
é difícil e demorada para ser implementada.
O Estado do Paraná dispõe de uma rede
de comunicação de dados - PACPAR - que através de protocolo TCP/IP
interliga a CELEPAR à maioria dos órgãos públicos. Diversos tipos
de serviços informatizados já se encontram em operação nessa rede.
Oferecendo uma maneira simples, barata
e principalmente de rápida implementação, a CELEPAR, em parceria
com uma concessionária de serviço bancário, desenvolveu um conjunto
de ferramentas que permite a implantação imediata do "cheque
eletrônico" nos órgãos públicos do Estado do Paraná, sem necessidade
de novos investimentos em ambiente de comunicação, uma vez que utiliza
a rede de comunicação já disponível.
O serviço explorado por nossa solução
permite a transferência de fundos da conta do solicitante do serviço
diretamente para o órgão responsável por sua prestação. A interoperabilidade
com o sistema bancário é feita através da empresa especializada
que opera o serviço de transferência eletrônica de fundos (TEF).
É ela quem interage com o sistema bancário e oferece serviços ao
público interessado, através de troca on-line de mensagens.
Como ficou a prestação do serviço público
integrado ao sistema bancário? O cidadão dirige-se ao balcão. Solicita
a execução do serviço e fornece os dados que são necessários. Na
conclusão do serviço, o atendente pede-lhe o cartão bancário. É
digitada a senha e o serviço está concluído, levando o cidadão o
documento e o comprovante de pagamento bancário. Eliminaram-se duas
filas, agilizou-se o processo, aumentou-se a produtividade do serviço
público, eliminaram-se possibilidades de erro por manuseio de documentos
e, principalmente, facilitou-se a vida do cidadão.
O ambiente servidor concentra os pedidos
originados a partir de qualquer ponto do estado e os envia à empresa
prestadora de serviço bancário, necessitando apenas de um único
canal dedicado no servidor para atender a todos os pontos de atendimento.
Para cada transação efetuada, o servidor devolve ao ponto de atendimento
o recibo para ser impresso como documento comprovante da operação.
A identificação do órgão que recebe
o pagamento é impressa no recibo enviado; ela é atribuída pelo servidor
concentrador de pedidos durante a transação, através de uma tabela
de Identificação de Clientes que é construída com base nos endereços
de rede (TCP/IP) de cada um. Esta tabela é fornecida pela empresa
concessionária dos serviços bancários e mantida através de contrato
particular para disponibilização de terminais, garantindo assim
um controle centralizado com nível elevado de segurança.
Para efeito de conciliação bancária,
a concessionária fornece, periodicamente, relatórios consolidados
das operações realizadas. A partir do banco de dados do concentrador
podem ser obtidos registros de log, para processamento de auditoria
e estatísticas.
O ambiente cliente é composto por um
conjunto de ferramentas chamado "Kit Cliente" que contém:
um teclado padrão ABNT com dispositivo Leitor de Cartão Magnético;
um Teclado de 12 teclas (0 a 9, ENTRA e ANULA) conhecido como PIN,
para entrada da senha criptografada do usuário; e um software em
formato DLL (Dynamic Load Library) para ambiente Windows, com as
funções de comunicação entre a estação do usuário e o concentrador
na CELEPAR. Além disso, o kit é acompanhado por um aplicativo desenvolvido
em várias linguagens (Delphi, Visual Basic, Gupta Centura e Multimídia
AuthorWare) que além de permitir o uso imediato da estação do cliente,
serve como modelo para integração da aplicação do usuário.
Para integrar seus aplicativos a essa
tecnologia é necessário apenas que o sistema determine o valor a
ser cobrado, efetue uma chamada à função de leitura de senha e envie
estas informações ao concentrador através de apenas uma chamada
à função disponível na DLL, que providencia todo o procedimento
de comunicação e transferência de dados.
Nível de Implementação
A solução está sendo implantada na
Junta Comercial em Curitiba, na cidade metropolitana de São José
do Pinhais e nas principais cidades do interior (Ponta Grossa, Londrina,
Maringá e Cascavel) na forma de Quiosques de Auto-Atendimento.
Está prevista para dentro dos próximos
30 dias, a implementação em mais 5 escritórios regionais de menor
porte em forma de atendimento pessoal, ou seja, o funcionário público
que atende o cidadão terá também condição de efetuar a cobrança,
usando o software de transação bancária que acompanha o kit de instalação
do cliente.
Nos demais órgãos do estado, a solução
está sendo apresentada e proposta aos responsáveis pelos aplicativos,
e é recebida com alto grau de interesse, devendo ser estudada e
planejada a melhor forma de implementação. O objetivo é levar a
solução a todos os pontos de atendimento, e deverá ser alcançado
em médio prazo.
Resultados
O software desenvolvido traz benefícios
para o cidadão, para o prestador de serviços públicos e para o atendente.
Para o cidadão, o processo ficou mais simples (ele precisava ir
ao órgão, ao banco, voltar ao balcão do órgão, mesmo quando se instalava
uma agência bancária em sala vizinha). É mais rápido, mais fácil
e menos sujeito a erros. Para o prestador de serviços, eliminou
papel (guia de recolhimento) e o trânsito desse papel; reduziu a
possibilidade de ocorrência de erro; diminuiu a despesa com a cobrança
bancária.
Antes da utilização da solução integrada,
cada operação bancária de recebimento de taxa custava para a Junta
Comercial R$1,80, independente do valor da taxa. Em alguns casos
o valor do serviço solicitado era até menor que o serviço cobrado
pelo banco, gerando prejuízo operacional. Por exemplo, uma fotocópia
que custava R$ 0,80 gerava igualmente uma despesa de R$1,80 pelo
serviço de cobrança. Com a nova sistemática, o custo da operação
é baseado em um percentual do valor da operação negociado com a
empresa prestadora do serviço bancário, garantindo sempre um valor
positivo arrecadado.
Um dos objetivos que se busca é a melhoria
do atendimento ao cidadão, e está proposta visa principalmente tirar
o cidadão da fila, levando o banco até ele.
O controle financeiro também melhora
quanto à velocidade, fluxo de processo e segurança, podendo os arquivos
de log ser facilmente auditados.
Também pode ser alcançado um aumento
de arrecadação, ocasionado pela redução dos gastos com serviço de
cobrança bancária hoje praticados.
Facilidade de reprodução
Trata-se de uma solução aberta que
pode ser utilizada por qualquer aplicação que necessite de pagamento
pelos serviços prestados.
Uma aplicação importante que está em
fase de conclusão é a Automação de Bilheteria a ser implementado
pela Fundação Teatro Guaíra de Curitiba. O projeto prevê, além de
automatizar a bilheteria local, prover os atuais Quiosques de informações
turísticas, atualmente instalados em Shopping Centers e locais turísticos,
a capacidade de vender e receber ingressos.
O DETRAN do Paraná também está planejando
disponibilizar esta tecnologia nos escritórios regionais que prestam
atendimento ao público e arrecadam taxas e impostos.
A solução implantada, usa tecnologia
dominada e disponível a nível nacional, uma vez que a comunicação
com a empresa integradora do serviço bancário, é feita via RENPAC
(Rede Nacional de Pacotes) operada pela Telebrás e concessionárias
regionais sem necessidade de licitação.
A empresa operadora do serviço "cheque
eletrônico" também é exclusiva e a única que opera imediatamente
este tipo de implementação, podendo ser contratada através de carta
convite.
.O ambiente local do cliente é baseado
em protocolo de comunicação TCP/IP, normalmente baseado em redes
locais do tipo ethernet.
Custo da implementação: Para cada ponto
instalado deve ser adquirido um Terminal com Leitor de cartão ótico
que tem preço médio de mercado em torno de R$ 80,00. Teclado PIN
para entrada de senha a preço médio de R$ 120,00. Além disso cada
ponto deve ser contratado junto à operadora do serviço bancário
e o custo varia de acordo com a o volume de transação. No máximo
é cobrada uma mensalidade de R$ 45,00 a título de administração,
incluindo fornecimento de relatórios de conciliação bancária.
Visão esquemática da solução:

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