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Este
texto é totalmente baseado no primeiro capítulo do livro
Organizational theory: text and cases, do autor Jones Gareth, e foi
produzido como forma de estudo e aprendizagem da disciplina Teoria das
Organizações, do Mestrado em Administração
da PUC, ênfase em Gestão Estratégica da Informação
e do Conhecimento. Esse capítulo trata das Organizações
e seus Stakeholders, abordando as questões: organizações,
o que são e por que existem; a finalidade da teoria organizacional
e sua relação com o desenho organizacional; como os gerentes
podem usar a teoria e o desenho organizacional para tornarem as empresas
mais eficientes; como as organizações satisfazem os vários
grupos de interesses (stakeholders) e o conceito de efetividade; e alguns
fatores de contingência que influem no desenho organizacional.
Introdução
As
organizações estão inseridas em ambientes complexos
e turbulentos, enfrentando constantes desafios e problemas, para os
quais precisam encontrar soluções. Uma organização
é a ferramenta usada pelas pessoas para coordenar suas ações
na obtenção de algo que desejam ou possui valor – isto
é, para atingir seus objetivos. As organizações
são intangíveis, isto é, podemos ver os produtos
ou serviços produzidos e, em alguns casos, podemos ver seus empregados,
mas não vemos como e por que eles são motivados a produzir
tais bens e serviços. No entanto, os grupos de pessoas e outros
recursos utilizados na produção, são a essência
das organizações.
Como
uma organização cria valor
Uma
organização é uma resposta para satisfazer alguma
necessidade humana, formada por indivíduos ou grupos de pessoas
que acreditam possuir as habilidades e conhecimentos necessários
para tal. Empreendedorismo é o termo usado para descrever
o processo pelo qual as pessoas reconhecem oportunidades e reúnem
recursos para satisfazer essas necessidades.
Um
modelo de criação de valor em três estágios
- entrada, conversão e saída - pode ser usado para descrever
as atividades da maioria das organizações (ver figura).
Cada estágio é afetado pelo ambiente em que a organização
opera. A maneira que as organizações adotam para obter
do ambiente as entradas necessárias (recursos humanos, informação
e conhecimento, matéria bruta, ou dinheiro e capital) para produção
de bens e serviços, e para utilizar os recursos humanos e tecnologias
para transformar entradas em saídas, determina quanto vale a
organização em cada estágio. O resultado do processo
de conversão são as saídas - produtos acabados
e serviços - disponibilizadas ao ambiente onde são compradas
pelos clientes. As organizações usam o dinheiro das vendas
para obter novos fornecedores de entradas e o ciclo começa novamente.
A maioria
da produção de bens e serviços se dá em
locais de empresas porque, trabalhando juntas, as pessoas podem criar
mais valor que individualmente, coordenando suas ações
em local organizado. O uso de organizações permite às
pessoas em conjunto: aumentarem a especialização e divisão
do trabalho; usarem tecnologias modernas para economia de escala e escopo;
gerenciarem a complexidade do ambiente externo; economizarem nos custos
de transações como negociações e monitoramento;
e exercerem poder e controle sobre as pessoas para aumento de produção
e eficiência.

O
que é teoria organizacional
É
o estudo de como as organizações funcionam e como elas
afetam e são afetadas pelo ambiente no qual operam.
Estrutura
organizacional
é o sistema formal de tarefas e relacionamentos de autoridade
que controla como as pessoas coordenam suas ações e usam
os recursos para atingir os objetivos organizacionais; controla também
a coordenação e as formas de motivação.
Para qualquer organização, uma estrutura apropriada é
aquela que facilita respostas eficazes aos problemas de coordenação
e motivação, evolui à medida que a organização
cresce e se diferencia, e pode ser gerenciada e modificada através
do processo de desenho organizacional.
Cultura
Organizacional é o conjunto de valores compartilhados e normas
que controla a interação entre os membros da organização
e destes com fornecedores, clientes e outras pessoas externas. Formata
o comportamento das pessoas e é formada pelas pessoas internas,
pela ética da organização, pelo seu tipo de estrutura
e pelos direitos dos empregados. Também evolui e pode ser gerenciada
através do desenho organizacional.
Desenho
Organizacional é
o processo pelo qual os gerentes selecionam e gerenciam vários
aspectos e dimensões da estrutura e cultura de forma que a organização
possa controlar as atividades necessárias para atingir seus objetivos.
Para a sua sobrevivência, deve equilibrar as pressões internas
e as externas do ambiente.
O desenho
organizacional tem-se tornado uma das principais prioridades de gestão
devido ao aumento da competitividade global e do crescente uso da tecnologia
da informação. É a fonte de sustentação
de sua vantagem competitiva e tem influência no tratamento de
contingência (evento que deve ocorrer de forma planejada, como
uma mudança no ambiente ou uso de uma nova tecnologia), na gestão
eficaz da diversidade, na habilidade para inovar em bens e serviços,
no controle do ambiente, na coordenação e motivação
dos empregados e no desenvolvimento e implantação de sua
estratégia. Um desenho pobre pode levar ao declínio da
organização.
Obtendo
Vantagem Competitiva
Como
foi dito, o desenho organizacional é a forma para sustentação
da vantagem competitiva, que vem a ser a habilidade de uma companhia
superar outra, devido à sua gestão ser capaz de criar
mais valor a partir dos recursos disponíveis. A Competência
permite à empresa desenvolver uma estratégia para superar
seus competidores produzindo produtos melhores a custos mais baixos.
A Estratégia é o modelo específico que orienta
as decisões e ações gerenciais no uso de competências,
para ter vantagem competitiva e superar competidores.
O desenho
organizacional é, então, a maneira que a empresa implementa
sua estratégia e deve estar evoluindo constantemente, acompanhando
mudanças e tendências, não existindo uma forma perfeita.
Uma organização deve desenhar sua estrutura de forma a
maximizar o uso de seus talentos e a desenvolver uma cultura que motive
as pessoas a trabalharem em equipe. A cultura e estrutura organizacional
determinam a habilidade dos gestores para coordenar e motivar seus empregados.
Quanto
melhor uma empresa funciona, mais valor ela cria. Historicamente essa
capacidade de criar valor tem aumentado, daí a importância
da divisão do trabalho, do uso de novas tecnologias e do desenho
e estruturas modernas e eficientes, para acompanhar a evolução
do mundo competitivo.
Stakeholders
Geralmente,
os stakeholders são motivados para participarem de uma organização
se recebem incentivos que excedem o valor de suas contribuições.
Existem dois grupos principais, os internos e os externos à organização.
Stakeholders
internos
são as pessoas mais próximas da organização,
como os acionistas, os gerentes e os trabalhadores. Os acionistas são
os donos da organização e sua contribuição
é o investimento em suas ações pela perspectiva
de retorno. Os gerentes são os responsáveis pelos negócios
da organização, coordenando os recursos e assegurando
o alcance dos objetivos. Os trabalhadores são todos os outros
empregados que possuem obrigações e responsabilidades.
Stakeholders
externos
são pessoas que possuem algum interesse na organização,
como clientes, fornecedores, governo, comunidades locais e público
em geral.
Efetividade
Organizacional: satisfazendo os objetivos e interesses dos stakeholders
As
organizações podem ser usadas por diferentes grupos de
stakeholders e todas as contribuições são necessárias
para viabilizá-las. Cada grupo de stakeholder é motivado
por seu conjunto de objetivos a contribuir com a organização
e é através do julgamento de quão bem seus objetivos
são alcançados que avaliam a efetividade da organização.
Algumas vezes os objetivos são conflitantes e os grupos buscam
equilibrar os incentivos e as contribuições. Uma organização
é viável enquanto um grupo de stakeholders dominante possuir
controle sobre os incentivos de forma a obterem as contribuições
necessárias de outros grupos.
Para
ser efetiva, a organização deve, no mínimo, satisfazer
os interesses de todos os grupos que apostaram nela. O poder relativo
dos grupos de stakeholders para controlar a distribuição
de incentivos determina como os diferentes objetivos serão atingidos
e que critério será utilizado na avaliação
de seu desempenho. Mas, quem decide quais são os objetivos mais
importantes?
A escolha
de objetivos tem implicações políticas e sociais.
Quando os acionistas delegam para os gerentes a coordenação
e uso dos recursos e habilidades da organização, ocorre
uma divisão de liderança e controle. Apesar de, na teoria,
os gerentes serem os empregados dos acionistas, na prática, essa
delegação dá aos gerentes o controle real da corporação
e o resultado é que os gerentes provavelmente vão perseguir
os objetivos segundo seus próprios interesses, que podem ser
conflitantes com os dos acionistas. Mesmo quando não existe concorrência
entre os objetivos dos diversos stakeholders, selecionar os que irão
aumentar as chances de sobrevivência da organização
não é uma tarefa simples. Uma organização
que não dá atenção a seus stakeholders e
nem tenta satisfazer minimamente seus interesses, está fadada
ao fracasso.
Outro
problema que uma organização tem de enfrentar é
como distribuir, entre os diversos grupos de stakeholders, os prêmios
que ganha como resultado de ter sido eficiente. Essa alocação
de prêmios ou incentivos é um componente importante da
eficiência da organização, pois pode influir na
motivação para futuras contribuições.
Uma
organização deve balancear cuidadosamente os interesses
dos stakeholders quando escolher um critério para avaliação
de desempenho. Normalmente, os interesses dos gerentes e acionistas
são usados no direcionamento das atividades pelo efeito positivo
que tem para a sobrevivência e prosperidade da organização.
Ter
habilidade para satisfazer às necessidades de clientes e stakeholders
é uma tarefa difícil e poucas organizações
conseguem fazer isso bem. Assim como é difícil gerenciar
os recursos do ambiente para competir com outras organizações
de mesmos objetivos. A habilidade da organização para
satisfazer os seus satakeholders também é uma questão
de sobrevivência.
Sendo
os gerentes os responsáveis pelo uso maximizado dos recursos
da organização, é importante entender como eles
avaliam a efetividade da organização. Controle, inovação
e eficiência foram apontadas como as três tarefas essenciais.
Controle significa ter controle sobre o ambiente externo, tendo habilidade
para atrair recursos e clientes. Inovação significa desenvolver
as habilidades e capacidades de forma a descobrir novos produtos e processos.
Eficiência significa desenvolver facilidades de produção
usando a tecnologia da informação para produzir e distribuir
produtos competitivos mais rapidamente.
Nesse
contexto, existem três abordagens para a avaliação
de eficiência: a abordagem de recurso externo (a organização
é eficiente se pode assegurar habilidades e recursos valiosos
de fora da organização); a abordagem de sistemas internos
(coordena recursos com a habilidade dos empregados para inovar em produtos
e se adaptar a mudanças); e a abordagem técnica (converte
habilidades e recursos em produtos acabados e serviços).
A
abordagem de recurso externo: Controle
É
um método que permite aos gerentes avaliar com que eficiência
uma organização gerencia e controla o ambiente externo.
Como medida, os gerentes utilizam indicadores como preço de estoque,
lucratividade, e retorno de investimento, comparando o desempenho de
sua empresa com outras. Outro indicador pode ser a habilidade dos diretores
para perceber e responder rapidamente a mudanças no ambiente,
sendo os primeiros a aproveitarem novas oportunidades.
A
abordagem de sistemas internos: Inovação
É
um método que permite aos gerentes avaliarem com que eficiência
uma organização funciona e opera. A estrutura e cultura
organizacionais devem permitir à empresa adaptabilidade e respostas
rápidas a mudanças de condições no ambiente.
Também é necessário ser flexível para tomar
decisões mais rapidamente e inovar em produtos e serviços.
Medidas incluem tempo necessário para tomada de decisão,
tempo necessário para colocar novos produtos no mercado, e tempo
gasto na coordenação de atividades de diferentes departamentos.
A
abordagem técnica: eficiência
É
um método que permite aos gerentes avaliarem com que eficiência
uma organização transforma uma dada quantidade de habilidades
e recursos em produtos acabados e serviços, e é medido
em termos de produtividade e eficiência. Por exemplo, um aumento
na quantidade produzida com o mesmo trabalho indica um ganho de produtividade.
A atitude e motivação dos empregados e seu desejo em cooperar
são fatores importantes que influenciam a produtividade e eficiência.
Medindo
efetividade: objetivos organizacionais
Os
gerentes criam objetivos que serão usados para avaliar o desempenho
da organização, que podem ser de dois tipos: oficiais
e operativos. Os objetivos oficiais são os princípios
que a organização estabelece formalmente em seus relatórios
anuais e outros documentos públicos, que podem também
dispor sobre sua missão. Os operativos são objetivos específicos
de curto e longo prazo que orientam os gerentes e empregados no desempenho
de seu trabalho. Podem ser utilizados para medir como a organização
está gerenciando o ambiente, como está o seu funcionamento
através da medição do tempo gasto na tomada de
decisão, ou para medir a eficiência da organização
através de benchmarks que podem ser comparados com seus competidores.
Os
fatores que afetam as organizações
Uma
organização eficiente desenha sua estrutura e cultura
de acordo com as necessidades de seus stakeholders de forma a ganhar
vantagem competitiva e sobreviver. O desenho organizacional deve também
considerar as contingências de ambiente, tecnologias, processos
internos que certamente irão influenciar a escolha da estrutura
e cultura organizacionais. Os demais capítulos irão detalhar
esses assuntos, fornecendo um modelo de componentes da teoria organizacional.
O
ambiente organizacional é o ambiente no qual a organização
opera e é a principal fonte de incerteza, pois clientes podem
retirar seu suporte, fornecedores podem segurar o fornecimento de algum
recurso ou mesmo alguns stakeholders podem ameaçar a empresa.
Sendo assim, sua estrutura deve ser desenhada de forma a permitir tratar
adequadamente os relacionamentos tanto com os stakeholders, como com
o ambiente externo.
O
ambiente tecnológico, ou seja, a maneira como os bens e serviços
são produzidos e a incerteza relacionada aos diferentes métodos
de produção, são fatores importantes a considerar
no desenho da empresa.
Quando
uma organização é criada e colocada em funcionamento,
ocorrem vários processos internos, ou processos organizacionais;
à medida que ela vai crescendo, muitos dos processos podem passar
por crises que provocam mudanças em suas estratégias e
estruturas.
Para
finalizar, ressalta-se que a teoria organizacional procura entender os
princípios que governam uma organização e os fatores
que afetam a maneira de sua operação, evolução
e mudança, com foco na organização como um todo.
sara@celepar.gov.br

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