Minha mulher enlouqueceu
Autor: Pedro
Luis Kantek Garcia Navarro
Nosso
protagonista ainda está conosco, mas esta história me foi
contada por colegas dele do emprego anterior, muitos anos já passados.
Era num banco de Curitiba que foi vendido. O tal do banco ia implantar
um sistema em várias grandes agências pelo Brasil afora.
Como o titular desta história tinha parentes em Lins (SP), foi
logo avisando: "quando chegar a vez de Lins, eu vou!". Pois
bem, a vez de Lins chegou e a viagem foi marcada.
No dia em questão, viagem preparada para o final da tarde, chega
o bacana logo cedo na sua sala de trabalho, carregando a mala trazida
pronta de casa e avisando aos 4 cantos que hoje a tarde iria para Lins
rever sua cidade querida.
A sala de trabalho era um pool, contendo cerca de 30 ou 40 analistas e
programadores. Agora, prezado leitor, raciocine comigo: Quarenta pessoas
inteligentes, com iniciativa, sendo interrompidas em seu trabalho pela
entrada voluptuosa do analista que ia viajar, ouvindo a história
e se entreolhando ao final dela... Boa coisa não ia dar, não
é mesmo?
E não deu, como se verá. Perto do final do expediente da
manhã, o analista foi chamado pelo seu gerente (estaria o gerente
mancomunado? Nunca se soube) para uma reunião demorada fora do
prédio. Foi a deixa para 3 ou 4 forças tarefa serem disparadas,
também para fora do prédio, na busca de coisas pequenas
e pesadas, muito pesadas.
A equipe vencedora foi a que trouxe 4 tijolos de concreto, pequenos mas
muito pesados. Daí, parte da equipe passou a fazer campana sobre
o analista enquanto a outra abria-lhe a mala, organizava cuidadosamente
as suas coisas, para não estragar o belo trabalho, arrumatório
da mulher do analista, e abria espaço. Se você pensou no
que pensou, acertou: Três tijolos foram parar dentro da mala. O
quarto não coube e foi descartado. A mala foi fechada e lacrada
de novo e colocada no mesmo lugar onde estava.
Perto do final da tarde, entrou o analista, agarrou a mala, levou um susto
e saiu com pressa para o aeroporto. Os mais próximos apenas puderam
ouvir um murmúrio entredentes "minha mulher enlouqueceu? O
que ela botou de tão pesado nesta mala?".
Passadas duas ou três semanas do retorno dele, passada a fúria
com os colegas de trabalho e já entrando no clima da brincadeira,
foi possível descobrir o que aconteceu: Primeiro, houve excesso
de bagagem no aeroporto que teve de ser pago "cash", no embarque.
Depois, a alça arrebentou, a trouxa se transformou numa mala sem
alça literalmente. E, finalmente, chegando na casa da tia em Lins,
rodeado pelos sobrinhos, lembrou que trouxera umas lembranças de
Curitiba para distribuir. A gurisada curiosa não deu folga e logo
rodeou a mala enquanto esta era aberta. Os piás levaram um susto:
acharam que o tio tinha trazido tijolos de Curitiba para as brincadeiras
de Lins.
kantek@celepar.gov.br

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