| E afinal, o que é estratégia?
Autora:
Luciane Neves Beppler
Resumo
A estratégia
corporativa resume o propósito, a razão de ser da organização e, por isso,
precisa ser tratada com critério. Através de uma revisão teórica, os diferentes
entendimentos, níveis, objetivos e relevância da estratégia são abordados,
com a finalidade de possibilitar ao leitor um painel geral sobre o assunto,
que o auxilie em pesquisas posteriores. A diferença entre estratégia e
ações estratégicas também é contemplada pelo presente artigo.
Palavras-chave: Estratégia,
ações estratégicas, planejamento estratégico, níveis estratégicos.
1. Introdução
Muito se fala sobre estratégia e sobre seu papel fundamental
na sobrevivência de uma organização. O que muitos não admitem é que o
conceito de estratégia, a sua finalidade e seu entendimento nem sempre
estão claros. Estratégia é uma daquelas palavras que todos pensam saber
o que significa, mas quando têm de explicar, não é uma tarefa tão fácil
assim... Que o digam os teóricos!
Para entender estratégia, nada melhor do que visitar as
idéias de quem dedicou grande esforço no entendimento deste tema. Neste
artigo, serão observados os conceitos de estratégia adotados por diversos
autores conceituados, visando a formação de um panorama geral do conceito
de Estratégia, através de pesquisa bibliográfica.
A
questão da utilidade e validade do planejamento será discutida, com base
em teorias como a racionalidade limitada de Simon (SIMON, 1968) e as premissas
da escola ambiental (MINTZBERG et ali, 2000). Na seqüência, será abordada
a questão do equilíbrio, este tão sonhado objetivo gerencial. Para isso
será apresentada a visão de Mintzberg, da aplicação conjunta das dez escolas
por ele classificadas e da seleção das escolas mais adequadas a determinados
contextos organizacionais (MINTZBERG et ali, 2000).
Também
serão abordados os níveis de estratégia e será examinado o conceito de
Estratégia em comparação com ações estratégicas, mostrando-se aí como
estabilidade e adaptabilidade podem, e devem, coexistir.
objetivo do presente artigo é formar um quadro teórico através do qual
os conceitos de Estratégia, sua diferença com relação a ações estratégicas
e sua relevância possam ser compreendidos pelo leitor, buscando sistematizar
as diferentes interpretações para facilitar o estudo do assunto e contribuir
para pesquisas futuras.
2. Estratégia,
segundo os teóricos
Se
houvesse um entendimento único a respeito do que é estratégia as coisas
ficariam mais simples, no entanto tanto em termos de nomenclatura quanto
em termos de conceito, diferentes autores têm tanto similaridades quanto
diferenças.
Na
seqüência, será feito um esboço das principais idéias relacionadas à Estratégia,
conforme diferentes teóricos. Inicialmente, será estudada a teoria de
Andrews, considerado o primeiro a sistematizar os conhecimentos até então
desconexos sobre Estratégia. Porter, representativo autor da escola de
posicionamento, que dominou o cenário empresarial na década de 80 com
sua idéia de indústrias, também será visitado. Com um foco bastante voltado
para o lado interno da formação de Estratégia, Prahalad e Hamel e as competências
essenciais serão também citados. A escola ambiental será abordada através
de um artigo de Henderson, com uma interessante metáfora do contexto organizacional
como ecossistema.
Mintzberg
e seus cinco Ps, finalizarão a abordagem teórica, mostrando as diferentes
facetas que a Estratégia pode adotar.
3. Os conceitos de Andrews
No
artigo, The Concept of Corporate Strategy (1991), Andrews define
a estratégia corporativa como o modelo de decisão da empresa, onde estão
determinados os objetivos e metas, as normas e planos para alcance dos
objetivos buscados. Este modelo também delimita as fronteiras do negócio
e da atuação organizacional. Para o autor, o modelo congrega decisões
estratégicas que se mostram eficazes ao longo do tempo e tende a modelar
o caráter, a imagem e a individualidades dos componentes e da organização
como um todo. Andrews afirma que alguns aspectos deste modelo de decisões
podem se manter estáveis por um longo período de tempo, como por exemplo,
fatores que determinam o caráter da empresa. Outros aspectos de uma estratégia,
no entanto, devem se adaptar a mudanças ambientais. Andrews chama atenção
para o fato de, apesar de estarem em níveis diferentes, as estratégias
de caráter e as de ação devem estar integradas, pertencendo ao mesmo modelo.
A definição resumida de estratégia elaborada por Andrews, engloba a linha
de produtos e serviços oferecida pela organização, os mercados e segmentos
a que se destinam os produtos e os canais de distribuição.
Andrews
já expressa que a estratégia é um processo intrinsecamente ligado à estrutura,
atuação e cultura organizacional. Enfatiza ainda que apesar de dever ser
uma tarefa racional, aspectos emocionais podem influenciar na tomada de
decisão. O autor considera a análise de riscos, ameaças e oportunidades
externas tão relevante quanto a consideração a valores pessoais, aspirações,
ideais e aspectos éticos para a escolha dos objetivos. Estratégia econômica
é descrita como sendo a opção estratégica que resulta do ajuste entre
a oportunidade é a capacidade organizacional dentro de um nível de risco
aceitável. Andrews conclui que em cada organização, a combinação entre
capacidade distintiva, os recursos e valores deve ser única, gerando resultados
ímpares para cada empresa e para cada situação.
4. Porter, a indústria e as cinco forças
Porter
afirma que, quer seja de forma implícita, quer seja de forma explícita,
todas as organizações possuem uma estratégia. O autor estuda a estratégia
competitiva, que conceitua como sendo o desenvolvimento de uma fórmula
ampla para o modo como uma empresa irá competir, bem como as políticas
e metas necessárias para alcançar seus objetivos. A estratégia competitiva
é “uma combinação dos fins (metas) que a empresa busca e dos meios (políticas)
pelos quais está buscando chegar lá.” (PORTER, 1986)
Partindo deste pressuposto, Porter
se destaca como um dos mais relevantes autores da escola do posicionamento,
que busca a obtenção e defensibilidade de uma posição rentável dentro
de uma determinada indústria ou formas de influenciar esta indústria a
favor da organização. O termo Indústria se refere ao conjunto de empresas
fabricantes de produtos que são substitutos bastante aproximados entre
si. As forças competitivas definem a intensidade da concorrência e também
a rentabilidade da indústria. Porter identifica cinco forças estruturais
básicas das indústrias que determinam o conjunto das forças competitivas.
São elas:
- Ameaça
dos novos entrantes;
- O
poder de barganha dos fornecedores;
- Ameaça
de produtos ou serviços substitutos;
- O
poder de barganha dos compradores;
- Rivalidade
entre os competidores já estabelecidos.
Em
seu artigo, O que É Estratégia? de 1996, Porter argumenta sobre
a distinção entre eficácia operacional e estratégia, mostrando que a confusão
entre estratégia e ações estratégicas já estava presente. Para Porter,
a eficácia operacional - o desempenho de atividades de forma mais eficiente
e eficaz do que os concorrentes - é um requisito para a sobrevivência
da empresa, enquanto a estratégia competitiva é o diferencial, a vantagem
competitiva sustentável das organizações. A escola do posicionamento,
como suas antecessoras, separa a formação da estratégia em duas fases:
a formulação e a implantação. Na formulação aplicam-se técnicas analíticas
e a implantação é controlada.
5. Prahalad e Hamel - O Foco Interno da Estratégia
Enquanto
Porter e a escola do posicionamento se detinham especialmente na análise
do ambiente externo (indústria) e na identificação das forças competitivas,
PRAHALAD e HAMEL (1998) fazem uma abordagem que enfatiza o foco interno
da formação da estratégia.
A
idéia dos autores é de que a competência essencial da organização constitui
sua vantagem competitiva sustentável. Por competência essencial, os autores
entendem o aprendizado contínuo da organização, a capacidade de integrar
diferentes tecnologias, o grau de comunicação, envolvimento e comprometimento
verificado entre os integrantes da organização. Enquanto empresas que
trabalham com unidades de negócio tendem a valorizar os produtos finais
e os negócios que eles possibilitam, as que trabalham com uma carteira
de competências enfatizam os talentos e conhecimentos que podem gerar
produtos essenciais, do qual se derivariam produtos finais para diferentes
negócios. A carteira de competências habilitaria a organização a desenvolver
e manter carteiras de negócio adequadas à sua estratégia.
Prahalad
e Hamel fornecem algumas perguntas que podem ser feitas para identificar
as competências essenciais da organização. Segundo os autores, a competência
essencial não diminui com o uso, é única e difícil de ser imitada, o valor
por ela produzido é percebido pelo cliente, e, finalmente, permite acesso
à ampla variedade de mercados. Na metáfora da árvore apresentada no artigo
A Competência Essencial da Corporação, as competências essenciais
representariam o sistema raiz, que nutre e sustenta os demais componentes
organizacionais.
Com base nesta análise, os autores
propõem a criação e implantação de uma arquitetura estratégica, que privilegie
o compartilhamento de talentos e a identificação das competências essenciais.
As subunidades organizacionais deveriam trabalhar de forma conjunta e
não competitiva, e para isso dever-se-ia estabelecer uma cultura de rotatividade
de recursos corporativos, que tolere erros e onde se possa assumir riscos
calculados. As atividades de compartilhamento de recursos deveriam ser
transparentes e apoiadas pela alta gerência.
6. Henderson - A estratégia como processo ambiental
Usando
uma comparação com processos naturais, como seleção natural, competição
por recursos e sobrevivência do mais forte, Henderson traz um foco ecológico
ao processo de formação da estratégia, no qual a análise dos concorrentes
passa a ocupar papel de destaque.
Iniciando
com uma análise dos organismos vivos, o autor explica o grande número
de espécies existentes e que desenvolveram uma capacidade única na competição
pelos recursos dos quais necessitam como um resultado da variedade. A
explicação residiria no fato de que quanto mais rico o ambiente, maior
as probabilidades e as variáveis que podem gerar uma vantagem única para
cada espécie. Para o autor, o acaso aleatório é um fator importante tanto
na competição comercial quanto na competição natural. A diferença entre
estes dois modos de competição, para o autor, decorre da união da imaginação
e da lógica, que empregadas ao processo de formação de estratégia de negócios
podem ajudar na criação e avaliação de cenários.
A
coexistência de diferentes competidores em uma mesma indústria, é explicada
por Henderson segundo o Princípio de Gause: “Os competidores que conseguem
seu sustento de maneira idêntica não podem coexistir”, e é neste ponto
que a vantagem única passa a ser chave para a sobrevivência da organização.
Para o autor, “estratégia é a busca deliberada de um plano de ação para
desenvolver e ajustar a vantagem competitiva de uma empresa” (HENDERSON,
1998). Buscar aumentar o escopo da vantagem competitiva é visto como sendo
o objetivo da estratégia. A idéia principal de Henderson, é que analisar
o ambiente sem conhecer a natureza dos competidores ao formular uma estratégia,
pode ser uma decisão arriscada.
7. Mintzberg e os 5 Ps para Estratégia
MINTZBERG (1991) aponta os diversos
sentidos para o qual a palavra estratégia é empregada. Mintzberg amplia
o conceito de estratégia, por apontar cinco entendimentos que se pode
ter do conceito. São eles:
7. 1.
Estratégia
como Plano: Aqui a estratégia é entendida como sendo um curso de ação,
algo intencional e planejado, através do qual se buscam objetivos pré-determinados.
É a interpretação mais comum do termo;
7.2. Estratégia
como Trama (Ploy): A estratégia pode ser aplicada com a finalidade de
confundir, iludir ou comunicar uma mensagem falsa ou não, aos concorrentes;
7.3. Estratégia
como Padrão: Quando um determinado curso de ação traz resultados positivos,
a tendência natural é incorporá-lo ao comportamento. Se como plano as
estratégias são propositais ou deliberadas, como padrão as estratégias
são emergentes, surgindo sem intenção;
7.4. Estratégia
como Posição: Aqui a organização busca no nicho, ou indústria, em que
atua, um posicionamento que lhe permita sustentar-se e defender sua posição
dentro desta indústria. Refere-se a como a empresa é percebida externamente,
pelo mercado;
7.5. Estratégia
como Perspectiva: Refere-se ao modo como a organização se percebe frente
ao mercado. Tem relação com a cultura, a ideologia e percepção interna
da organização.
Mintzberg sugere que, assim
como as pessoas desenvolvem personalidades através da interação de suas
características, também a organização desenvolve um caráter a partir da
interação com o mundo através de suas habilidades e propensões naturais.
O autor defende a necessidade da definição mais completa de estratégia,
baseado na complementaridade das cinco definições. Como plano, a estratégia
tem por finalidade estabelecer direções para a organização. Como trama,
a estratégia é aplicada como manobra para ameaçar e confundir os concorrentes,
na busca de ganho de vantagem. Como padrão, a estratégia leva em conta
o comportamento e a assimilação de ações de sucesso no processo decisório
da organização. Como posição, a estratégia encoraja as organizações a
analisarem o ambiente, buscando uma posição que as protejam, visando defender-se
e influenciar a competição. Como perspectiva, a estratégia traz questões
referentes a intenção e comportamento em um contexto coletivo. O autor
conclui que a confusão em torno da estratégia dá-se, em grande parte,
devido ao uso contraditório e incorretamente definido do termo estratégia,
acreditando que o uso de várias definições poderia ajudar a debelar este
problema.
8. Planejar, planejar, planejar... Adianta?
Autores
como Andrews e Porter, entre outros, enfatizam a característica de planejamento
no processo de formação da estratégia (ANDREWS, 1991; PORTER, 1996). Mintzberg
e Henderson também apontam a necessidade de planejamento, seja para direcionar
e manter a empresa em seu rumo, seja para aumentar o escopo da vantagem
competitiva de que dispõem (MINTZBERG et alii, 2000; HENDERSON, 1998).
Para a maioria das pessoas estratégia sugere planejamento, como citado
por Mintzberg, mas frente teorias como a da racionalidade limitada de
Simon, o planejamento parece cair por terra (SIMON, 1968).
O enfoque da tomada de decisão, iniciado
por Herbert SIMON (1968) afirma que as organizações nunca podem ser perfeitamente
racionais, porque os seus membros têm habilidades limitadas de processamento
de informações. Segundo Simon as pessoas só conseguem chegar a formas
limitadas de racionalidade porque têm de agir com base em informações
incompletas, explorando um número limitado de alternativas e são incapazes
de dar valores acurados aos resultados. Ou seja, indivíduos e organizações
resolvem por uma “racionalidade limitada” e por decisões “satisfatórias”,
baseadas em simples regras empíricas, bem como em pesquisas e informações
limitadas. Também as preferências pessoais e experiências anteriores dos
envolvidos no processo de tomada de decisão influem no processo. (JONES,
2001)
Na escola ambiental o ambiente é encarado
como um ator, restringindo e delimitando o avanço das organizações, que
têm uma postura reativa frente às contingências que ocorrem. Para esta
escola, o ambiente é agente central no processo de geração da estratégia,
sendo que a organização tem uma atitude reativa às forças ambientais.
O papel da liderança, é um caráter passivo de ler o ambiente e garantir
adaptação. Nesta visão, as organizações se agrupam em nichos, onde permanecem
até que os recursos se tornem escassos ou as condições demasiado hostis
(MINTZBERG et alii, 2000).
Do ponto de vista dos ecologistas
da população, as mudanças que ocorrem são superficiais, sendo que a estrutura
e o caráter da organização são fixados logo após seu nascimento, sendo
que com o tempo elas tornam-se mais rígidas e menos capazes de tomar decisões
estratégicas.
Portanto, o planejamento parece assumir o papel de mapa, conforme
descrito por Mintzberg, servindo mais como um suporte para iniciar a ação,
do que como um objetivo que deve ser buscado, como no exemplo dos soldados
que perdidos nos Alpes, conseguiram voltar ao acampamento baseados em
um mapa dos Pirineus. O mapa foi o catalisador da ação, proporcionando
a noção de segurança e rotina, tão necessárias aos seres humanos. Ou seja,
se planejar não garante a previsão e resolução de todos os problemas,
pelo menos ajuda a se iniciar a ação (MINTZBERG, 2000).
9. A Questão do
Equilíbrio
No artigo, Five Ps for
Strategy, Mintzberg conclui que a confusão em torno da estratégia
se dá em grande parte devido ao uso contraditório e parcial do termo estratégia,
acreditando que o uso de várias definições poderia ajudar a debelar este
problema. As cinco definições surgem a partir dessa situação. No livro
Safári de Estratégia (MINTZBERG et alii, 2000), ao apresentar as grandes
correntes de estudo da estratégia categorizadas em dez escolas, o autor
afirma que cada uma destas escolas aborda com maior intensidade diferentes
aspectos da formação da estratégia. Se escolas como design, planejamentos
focalizam a estratégia como plano, a escola de posicionamento vai fundo
na estratégia como posição e a escola cultural aborda mais a estratégia
como padrão.
O
autor sugere que o ideal seria alcançar o equilíbrio ideal entre todas
estas perspectivas, de forma a conseguir localizar alternativas eficazes
para o contexto e a oportunidade. Para Mintzberg, da mesma forma que os
cinco Ps se complementam, as dez escolas também se combinam para dar uma
idéia do processo de formação da estratégia como um todo.
Na
verdade, vários autores da área administrativa enfatizam a necessidade
da busca do equilíbrio. Jones também afirma que encontrar o equilíbrio
entre centralização de poder e delegação, entre espe
cialização e redundância,
etc., é a mais difícil tarefa do administrador. Os Níveis de Estratégia
- Outro complicador
no entendimento da estratégia, reside no fato de que o termo é aplicado
a definições e ações em diversos níveis. Mintzberg e outros autores
identificam três níveis principais de estratégia, a saber:
-
Estratégia
Corporativa: ocupa-se, principalmente, com a seleção dos negócios no
qual a companhia deve competir e com o desenvolvimento e cordenação
do portfólio de negócios. A estratégia aqui definida deve nortear as
estratégias dos níveis hierarquicamente inferiores. Nesta fase, as metas
costumam ter horizontes de mais de cinco anos e são estáveis. As corporações
são responsáveis por criar valor através de suas unidades de negócio.
Para conseguir isso elas gerenciam seus portfólios de negócio, garantindo
que os negócios sejam bem sucedidos a longo prazo, desenvolvendo novas
unidades de negócios e, algumas vezes, garantindo que cada negócio seja
compatível com os demais do portfólio;
- Estratégia
de Negócios: Neste nível as estratégias dizem respeito ao desenvolvimento
e manutenção de vantagem competitiva para os bens e serviços que são
produzidos. Neste nível procura-se prever e se antecipar a mudanças
de mercado, posicionar-se contra concorrentes e influenciar a natureza
da competição. Neste nível pode-se escolher e aplicar uma das três estratégias
genéricas sugeridas por Porter;
- Estratégia
Funcional: Este é o nível dos departamentos e das divisões de operação.
A este nível a estratégia diz respeito a processos de negócio e cadeia
de valor. Envolve o desenvolvimento e coordenação de recursos através
dos quais as estratégias das unidades de negócio possam ser eficiente
e eficazmente executadas.
Uma
vez que as estratégias de alto nível estão desenvolvidas, as unidades
de negócio a traduzem em planos de ação que cada departamento ou divisão
deve obter para que a estratégia alcance sucesso.
10. A confusão: Ações estratégicas não
são A Estratégia
ANDREWS (1991) é o primeiro autor
a indicar que existem estratégias estáveis e um outro nível que deve se
adaptar ao ambiente. PORTER (1996) também faz uma clara diferença entre
eficácia operacional e estratégia, afirmando que, enquanto eficácia operacional
é pré-requisito, estratégia é o que diferencia os concorrentes.
MINTZBERG (1991) também afirma que
o uso contraditório e deficiente do termo estratégia gera confusão, fazendo
com que a estratégia se confunda com as ações estratégicas ou táticas.
Neste artigo, considera-se Estratégia como sendo o conjunto de metas principais
da empresa, seus princípios norteadores, o objetivo por ela buscado. Por
isso a estratégia é estável. Por ações estratégicas se entende as táticas
empregadas para se alcançar os objetivos. Estas são variáveis e responsivas
ao ambiente e às alterações tecnológicas, mercadológicas e econômicas.
Para facilitar o entendimento, apresenta-se
uma metáfora. Se a organização é um trem, tendo uma cidade X como destino,
a estratégia é o caminho a ser percorrido até que se chegue à cidade.
Dependendo da distância, para chegar até o destino você terá que parar
em várias estações e se alimentar. As estações podem representar as unidades
de negócio. Se houver algum problema técnico durante a viagem, como maquinista
doente ou um percurso interditado, recursos ou trilhas alternativas terão
de ser buscadas ou construídas. Os trilhos podem representar as estratégias
funcionais, que viabilizam a estratégia corporativa e de negócio e podem
ser escolhidas em função das contingências que podem acometer a organização.
As ações estratégicas se adaptam para que os objetivos estratégicos sejam
alcançados.
11. Se existisse receita...
Mintzberg
resume o que está envolvido no processo de formação de estratégia com
a seguinte frase: “A formação de estratégia (...) envolve transformação
e também perpetuação; deve envolver cognição individual e interação social,
cooperação e conflito; ela tem de incluir análise antes, programação depois,
bem como negociação durante; e tudo isso precisa ser em resposta àquele
que pode ser um ambiente exigente.”(MINTZBERG
et alii, 2000)
Por
depender de diversos fatores como indústria, contexto, cultura organizacional,
estágio do ciclo de vida, entre outros, formar uma estratégia que atenda
a todos eles e ainda crie um diferencial sustentável que viabilize a sobrevivência
e expansão da indústria, não é uma tarefa simples. Não é simples, mas
não pode ser menosprezada.
Como
afirma PORTER (1996), todas as organizações têm uma estratégia, seja ela
explícita ou implícita. A estratégia resume o propósito, a razão de ser
da organização e por isso precisa ser tratada com critério. Pode-se identificar
tanto pontos a favor quanto contra a estratégia. A estratégia, encarada-se
em termos de ações estratégicas, pode causar rigidez, bloqueios cognitivos
e resistência a mudanças. A ausência dela deixa a empresa sem parâmetros
para medir seu desempenho, sem senso de direção.
A
estratégia, como um mapa corporativo, é necessária, para que todos conheçam
pelo que trabalham e com que objetivo, no entanto não existe uma receita
pronta que identifica qual a melhor estratégia. Como ANDREWS (1991) já
havia deduzido, em cada organização, a combinação entre capacidade distintiva,
os recursos e valores deve ser única, gerando resultados ímpares para
cada empresa e para cada situação.
12. Conclusão
Como
observado pelo estudo de diversos autores, existem vários entendimentos
possíveis sobre o que é estratégia, sendo que diferentes autores dão destaque
a diferentes elementos da estratégia. Se ANDREWS (1991) via estratégia
como um modelo de decisão, influenciado pela cultura e valores, que pode
ser incorporado pela empresa quando mostrasse ser confiável, para HENDERSON
(1998), a estratégia deve aumentar o escopo da vantagem competitiva da
organização, através da análise dos concorrentes. Se PORTER (1996) privilegia
o posicionamento estratégico, MINTZBERG (1991) vê esta característica
como sendo apenas outro P nos cinco por eles identificados. Cada uma destas
visões é valiosa e útil, e a combinação criteriosa delas com a situação
do ambiente e as características da organização é um ponto importante
para a sobrevivência e crescimento da organização.
Algumas teorias dizem
que o esforço de planejamento é infrutífero, dadas as limitações humanas,
no entanto, mesmo que sirva apenas como um mapa, como um catalisador para
a ação, o planejamento estratégico mostra-se indispensável.
A estratégia corporativa de uma empresa
deve contemplar um horizonte de longo prazo, deve ser estável, refletindo
os propósitos e objetivos organizacionais. Como o ambiente é dinâmico
e novas situações surgem a cada momento, ações estratégicas são tomadas
pela empresa com a finalidade de retomar o rumo traçado, independente
das dificuldades que possam surgir no percurso. As ações estratégicas
são adaptativas, respondendo às contingências ambientais à medida em que
elas ocorram, visando, com isso, o alcance dos objetivos estratégicos
da organização. O grande ponto a ser buscado é o equilíbrio, é a busca
da manutenção da estabilidade com o reconhecimento da necessidade de mudanças,
quando necessário (MINTZBERG, 1998).
Estratégia
é o conjunto formado pela missão, pelos valores, motivação, situações
desejadas e a evitar da organização, que a impelem, dentro de uma seqüência
coerente de decisões, na direção da busca de legitimação, sobrevivência
e de aumentos na eficácia e eficiência. Nesta busca, a organização pode
adotar estratégias como plano, padrão, trama, perspectiva e posição, mas
em essência, a estratégia e a organização são entidades intrínsecamente
ligadas. As duas devem estar em equilíbrio, ou o avanço será difícil,
senão impossível, de ser obtido.
Como
em tantas outras áreas, mais do que de certezas, Estratégia envolve intuição
e experiência e por que não, um pouquinho de sorte.
Referências
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strategy. In: MINTZBERG, H.; QUINN, J. B. The strategy process,
concepts, contexts, cases. 2. ed. New Jersey: Prentice-Hall, 1991.
p. 44.
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origens da estratégia. In: MONTGOMERY, C.; PORTER, M. Estratégia: a
busca da vantagem competitiva. 3. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
3. JONES, G. Organizational theory:
texts and cases. New Jersey: Prentice Hall, 2001.
4. MINTZBERG, H; AHLSTRAND,
B.; LAMPEL, J. Safári de estratégia - um roteiro pela selva do
planejamento estratégico. Porto Alegre: Bookman, 2000.
5. MINTZBERG, H. A criação
artesanal da estratégia In.: MONTGOMERY, C.; PORTER, M. Estratégia:
a busca da vantagem competitiva. Rio de Janeiro: Campus, 1998. p. 419-437.
6. MINTZBERG, H. Five Ps for strategy.
In: MINTZBERG, H.; QUINN, J. B. The strategy process, concepts, contexts,
cases. 2. ed. New Jersey: Prentice-Hall, 1991. p.12.
7. PORTER, M. E. What is strategy? Harvard
Business Review, p. 61-78, Nov/Dec. 1996.
8. PRAHALAD, C. K.;
HAMEL, G. A competência essencial da corporação. In: MONTGOMERY, C.; PORTER,
M. Estratégia: a busca da vantagem competitiva. 3. ed. Rio de Janeiro:
Campus, 1998.
9. SIMON, H. A. Administrative
behavior. In: SILLS, D. L. International encyclopedia of the social
sciences. New York: Macmillan and The Free Press, 1968. v. 1, p. 74-79.
luciane@celepar.gov.br

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