| Eureka
- O aluno em seu devido lugar: O Primeiro!
Autor: Paulo Sérgio Martins da Silva
Introdução
O termo heureca certamente nos leva a uma viagem de volta ao passado,
àqueles momentos que a gente lembra com saudades. Como aquelas frases
que não saem de nossas cabeças: "O rei está nu!" ou "Tu te tornas responsável
por tudo aquilo que cativas" ou ainda "Heureca!", que é simplesmente achei!
em grego.
Há, conta-se, uma célebre e conhecida história relacionada com os estudos
hidrostáticos de Arquimedes 1. Trata-se do paradoxo da coroa
e as densidades do ouro e da prata.
1 Nasceu em Siracusa em 287 A.C., cidade pertencente
à colônia grega na Sicília.
Herón II, rei de Siracusa, encomendou uma coroa em ouro puro a
um ourives. O rei desconfiado que este o tivesse enganado, fazendo uma
mistura de ouro com prata, pediu para Arquimedes que, com a sua inteligência
e astúcia, provasse a fraude deste artesão, que teria usado material menos
precioso que o ordenado pelo rei. Arquimedes, após longa reflexão, pois
o rei era austero e poderia transferir seu sentimento de ódio a ele, caso
não o satisfizesse com provas materiais e inquestionáveis, descobriu como
haveria de proceder. O empuxo 2da água seria a solução da questão
levantada pelo monarca, pois sendo sua densidade igual à unidade, certamente
o ouro e a prata teriam comportamentos diferentes entre si. Um dia, ao
entrar numa banheira completamente cheia de água, esta começou a transbordar
em proporção ao deslocamento do peso de seu corpo.
2Num corpo imerso em um fluido, sujeito à ação
da gravidade, força que age para cima com módulo igual ao peso do volume
do fluido deslocado pelo corpo, e cujo ponto de aplicação é o centro de
gravidade desse volume; empuxo arquimediano.
Foi aí que ele percebeu que o volume total do líquido derramado só poderia
ser igual ao volume do corpo que se encontrava imerso nesse líquido. Assim,
Arquimedes conseguiu saber o volume da coroa ao mergulhá-la em água e
medir o volume do líquido deslocado. Conhecido esse valor, bastava compará-lo
ao de uma peça de ouro de densidade igual ao peso da coroa.
A diferença de valores entre essa peça e a coroa seria devido a um material
diferente, contido em seu interior, de forma desonesta. Com esta descoberta,
Arquimedes ficou eufórico e saiu nu da banheira gritando: heureca, heureca!
(achei, achei!)

Interessante, sintética e atual é também a metáfora através
da comparação que ele faz com o mundo - navio 3- e a alavanca
- corda e polias. Arquimedes afirmou que dada uma força, pela sua ação
qualquer peso poderia ser movido. O rei Herón II maravilhou-se com tal
afirmação, pedindo-lhe uma demonstração prática.
3 Kybernetiks - Cibernética: Ciência que estuda
as comunicações e o sistema de controle não só nos organismos vivos, mas
também nas máquinas - arte de dirigir navios. (Chiavenato, Idalberto)
Arquimedes tomou um navio do rei, o qual não poderia ser movido sem a
ajuda de muitos homens, carregando-o de passageiros e de mercadoria. Colocou-se
a uma certa distância e sem grande esforço puxou as polias, movendo o
barco em linha reta, suavemente, como se estivesse no mar. A teoria da
Alavanca Simples formulada por Arquimedes resume-se a outra inesquecível
frase: Dá-me uma alavanca e um ponto de apoio e moverei o mundo!
Acredito que a aprendizagem adquirida por essa nova visão-de-mundo, através
de um software que "virtualiza" a Sala de Aula é a mudança de um
paradigma que a humanidade virá a reconhecer em breve! A alavanca chama-se
Eureka
4.
4Resultado de parceria da PUCPR com a Siemens.
Sua grafia está de acordo com a forma mais próxima do som respectivo.
1. O aluno visto como cliente
Em qualquer organização, o cliente é sua razão de ser; quando a instituição
é de ensino, há uma variação que não deixa de ser interessante, pois o
professor também o é, juntamente com o aluno. Quando há uma perfeita interação
entre os Corpos Discente e Docente desta instituição, está-se caminhando
rumo ao ideal. O aluno durante o processo de aprendizagem, e o professor
durante o processo de sua avaliação, são os clientes mutuamente complementares,
pois que a nota atribuída a qualquer trabalho, seja escrito, oral ou resultado
de contribuição em grupo, representa a contrapartida do serviço prestado.
Procura-se consultores e CIOs 5, professores e alunos
como fontes independentes de especialização e aconselhamento. Os analistas
e consultores independentes desempenham papel vital, já que a tecnologia
muda com muita rapidez. Como testemunhas das mais diferentes abordagens
de um grande número de problemas, estão em posição privilegiada para transmitir
julgamentos quanto ao mérito relativo dessas abordagens. Assim, entrevistei
vários alunos matriculados regularmente em cursos do então Departamento
de Informática da PUCPR, hoje desvinculados da visão departamental, ora
denominados como Bacharelados em Ciência da Computação, em Análise de
Sistemas e em Sistemas de Informação, que num período de quase três anos,
contados a partir de agosto de 2000 a março de 2002 6, forneceram
subsídios valiosos na utilização do Eureka
como Programa de Aprendizagem Colaborativa, e é efetivamente uma contribuição
que em seu nome deixo como marco no crescimento da parceria entre os Corpos
Discente e Docente desta Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

5 Uma nova visão surge no mercado. Trata-se
do Analista de Sistemas de Informação, consultor em essência, ou CIO (Chief
Information Officer). Toda esta realidade serve para reafirmar que a informática
não é um fim em si mesma, mas sim uma ferramenta a serviço de todos os
ramos do conhecimento humano, servindo às diversas profissões, sejam estas
revestidas de caráter operacional, técnico, ou altamente especializado,
como é o caso dos profissionais dedicados aos diversos ramos de pesquisa.>
6 No período referido, mais de 15 (Quinze) Salas
Virtuais foram administradas no ambiente oferecido pelo Eureka(r), abrangendo
Cursos como Publicidade e Propaganda, Educação Física, Informática, Análise
de Sistemas, Ciência da Computação, Ciências Contábeis, Relações Públicas
e Sistemas de Informação. Listas de grupos de interesse também foram objeto
de avaliação, especificamente o da CE - Metadados, Comissão de Estudos
da ABNT abrangendo o tema de interesse.
2. O aluno avaliado por seus resultados
2.1. Introdução
A meu ver, o melhor método de avaliação é aquele similar ao denominado
como "Provão", que avalia a instituição de ensino como um todo, avaliando
seus Corpos Docente e Discente concomitantemente. Este, pelo grau de aprendizado
durante a realização de seu curso e aquele pela sua eficiência e eficácia
no processo de aprendizagem. Portanto, com o apoio do Eureka
na oferta e demanda de conteúdos em quantidade significativa, o torna
um repositório de conhecimento, cuja troca através dos módulos Fórum e
Chat, por exemplo, e com o armazenamento no módulo Conteúdo, gera
a sinergia já antevista pelo idealizador da TGS - Teoria Geral dos Sistemas,
Ludwig Von Bertalanffy, e pelos disseminadores da idéia de democracia
da informação.
2.2. Resultados
Pelos resultados eficazes e eficientes, entende-se que tanto professor
como aluno, e os dirigentes da instituição como um todo, acompanham holisticamente
o desenvolvimento dos programas de aprendizagem, podendo antecipar eventuais
atividades de correção de rumos, advindos da dinâmica evolução de interesses
do aluno, equilibrada com as demandas de mercado, no qual o mesmo inserir-se-á
ao concluir seu curso.
3. Freqüência: o melhor indicador de interesse do aluno
A métrica utilizada para avaliar a motivação e o interesse dos Corpos
Docente e Discente é multivariada: freqüência às aulas, grau médio das
turmas, nível de satisfação na participação de eventos intra e interturmas
com temas de interesse comum, percentual de aprovação e reprovação, evasão
escolar, turn-over, isto é, rotatividade de professores nos Cursos, e
assim por diante. A freqüência é, na minha opinião, o melhor destes indicadores
para mensurar o interesse do aluno no aprendizado. Isto, medido lato
sensu, leva todos da instituição à agradável sensação do dever cumprido.
Projetando um futuro breve e que já está acontecendo, ou pelo menos há
indícios de que, por exemplo, ocorram aulas semi-presenciais na mesma
proporção que aulas a distância, temos um cenário onde considerarei o
Eureka
atual e o Eureka
ideal. Neste último, dinâmico como deve ser um produto moderno e voltado
ao consumo imediato, deve ter como prioridade a parceria Corpo Discente
- Corpo Docente, onde a ligação se daria na Sala Virtual, com ênfase na
categoria Aluno, que seria cadastrado nos vários PA's - Programas de Aprendizagem,
que os teriam como pastas em seu cenário. Desnecessário dizer que os logine
logout intermitentes que se é necessário fazer para sair de uma
sala a outra são cansativos e enfadonhos, pois partindo do pressuposto
que a "chave" das mesmas é a mesma, abrindo uma delas, abrem-se todas,
ou deveria ser assim. A conceituação sobre confiança deveria substituir
a sobre segurança e vários fóruns deveriam ser estimulados, como este
desenvolvido por meus alunos e eu que efetivamente usamos o Eureka como
aquela alavanca que o autor da frase, ou da interjeição, Arquimedes de
Siracusa, preconizou na emocionada assertiva: "Dá-me uma alavanca e um
ponto de apoio e eu moverei o mundo!" Arquimedes também descobriu a Lei
do Empuxo e se ele vivesse nos dias atuais certamente ficaria orgulhoso
com o emprego de sua interjeição: "Achei!", referindo-se à densidade específica
do ouro e da prata na coroa do rei Herón II.
Enfim, o Eureka
ideal deve ter um feedback instantâneo com seus usuários, ou melhor,
seus clientes. A pesquisa de mercado nunca foi tão fácil e rápida, instantânea,
fresca! É só observar o conteúdo denso dos alunos da PUCPR. Eles sabem
o que querem e o que dizem, e devem ser ouvidos, para o bem de todos,
e a felicidade geral. E ainda que eles não queiram falar, ou não queiram
freqüentar as aulas, devem ser respeitados. Cabe-nos, educadores deste
país, descobrir as causas da referida omissão, e propor soluções: é o
nosso papel. Nosso papel precípuo!
4. Parceria no aprendizado: ter sempre um tutor complementar
dentre os alunos
A parceria no aprendizado, que é o nosso business, é vital para
o verdadeiro sucesso da nossa profissão! Sempre repito aos nossos alunos,
que nosso "negócio é aprender!" e acho que nunca aprendi tanto como nos
últimos três anos, e sei que aprenderei nos próximos cinco, mais que já
aprendi em toda minha vida, e digo isso com total isenção de ânimo e lucidez
plena, graças a Deus!
A parceria no aprendizado entre os Corpos Discente e Docente garante
a qualidade final do ensino. Isto se traduz em uma prática de sucesso
que tenho adotado desde a criação da primeira Sala Virtual no Eureka :
ter sempre um ou mais co-tutores dentre os alunos, selecionados por algumas
características que julgo importantes na sua avaliação e alguns critérios
indispensáveis para o perfeito desempenho da tarefa, de forma que o aluno
e o professor se desincumbam da mesma da melhor forma possível. É a perfeita
interação, pois requer confiança e maturidade: ingredientes indispensáveis
para um perfeito relacionamento.
5. Contribuições para melhoria
Analisando todas as considerações feitas anteriormente, quero deixar
minha contribuição para o Eureka ,
que já representa uma realidade no aprendizado a distância, e é efetivamente
um marco no crescimento da parceria professor-aluno. Tanto na forma como
no conteúdo, há pequenos detalhes que na minha modesta percepção, se traduzem
numa grandiosa e perene ampliação do conceito de que o aluno deve estar
sempre em primeiro lugar, "doa a quem doer!"

Assim é que solicitei a alguns alunos que esboçassem suas críticas, sugestões
e opiniões 7. Foram formandos, assim como calouros de vários
cursos, alunos com bastante experiência no uso do Eureka ,
e outros com pouca experiência. Foram depoimentos isentos de euforia e
de frustração, a meu pedido, para que o todo fosse maior que a soma de
suas partes, e tudo se tornasse um feedback positivo aos idealizadores
e incentivadores do uso do Eureka .
Foram poucos, mas cobriram os requisitos: tempo de resposta, configuração
de correio externo e fórum.
7 Coletânea de críticas, sugestões e opiniões
constantes no livro Experiência de Virtualização Universitária: O Eureka
da PUCPR de autoria de Martins et alii.

|