| Ética Pessoal e Ética
Corporativa: limites e desafios
Autores: Julianne O. Capucho e Manoel
Flávio Leal
Atualmente, a palavra “ética” tem se tornado uma “expressão”
muito usada no cotidiano das pessoas, nas empresas e nas corporações,
pela sua constante exposição pela mídia e pelos impactos
promovidos por esta. Mas afinal de contas, o que é a ética
a que todos se referem? O que é ética corporativa? De que
maneira a ética pessoal e a ética corporativa podem se interagir?
Buscamos respostas para estas questões para verificarmos se de
fato entendemos o que é a ética e quais são algumas
maneiras de aplicá-la.
Vivemos em uma sociedade onde temos liberdade de expressão e pensamento.
A expressão de um indivíduo pode até ser contida,
ao passo que o pensamento não pode ser censurado, pode somente
ser influenciado. Tais influências são provenientes do meio
onde este indivíduo vive, da sua cultura, da sua educação,
da sua interação com a sociedade, e de suas relações
interpessoais. A ética adotada pode ser por ele mesmo modificada
em razão da mudança de valores e parâmetros que a
sustentava, assim sendo, o liberal do passado pode ser o conservador do
futuro, e vice-versa. Um fato que é apreciado por mais de um telespectador,
dificilmente será interpretado e valorado de forma idêntica
por todos eles. Conforme diz o ditado “cada cabeça uma sentença”.
A ética pessoal funciona como uma bússola para um indivíduo,
orientando-o a proceder conforme um juízo de valor pré-adotado
por ele mesmo. A sua liberdade de pensamento cria no íntimo de
sua consciência uma espécie de “laboratório
privado”, onde situações passam por análises
internas que visam moldar sua concepção sobre um determinado
assunto. Este molde é o seu ponto de vista, não necessariamente
imutável e definitivo, pois a ética de interpretá-lo
vai depender da ótica que o indivíduo estiver adotando.
Em se tratando de limites no campo da ética pessoal, podemos citar
o respeito que devemos ter à ética adotada pelo próximo,
o respeito à dignidade humana e aos princípios de cada cultura.
Temos que estar sempre atentos para não invadirmos a liberdade
do próximo, pois o que pode estar certo para você pode não
estar para o outro.
A ética corporativa por sua vez, abraça a idéia
de coletividade. A ética de uma corporação é
a maneira de como ela deve proceder em sociedade, e o que a define ou
a constrói é a soma das éticas pessoais que a compõem.
Sendo assim, a ética corporativa é formada por indivíduos
unidos por um fim comum de pensamentos e idéias, que possuem uma
mesma concepção no modo de realizá-los, estando sujeitos
a “regulamentos” que vão fornecer procedimentos adequados
a serem seguidos. A busca pela ética nas empresas também
impõe limites: a empresa realmente está adotando uma postura
ética ou está apenas fazendo um trabalho de marketing?
Poderíamos citar inúmeros exemplos de empresas que ajudam
a sociedade nos mais variados programas, mas muitas vezes isso acaba sendo
uma simples ação de seu interesse próprio e não
um trabalho social. Por outro lado, podemos dizer que algumas empresas
de fato apresentam uma boa conduta, estando preocupadas com a disposição
correta de resíduos gerados por seus processos produtivos, na verificação
de se os produtos que vêm desenvolvendo podem ser nocivos ao ser
humano e ao meio ambiente, entre outros. Isso caracteriza corporações
que dão exemplos à comunidade e aos seus colaboradores do
que é ter uma boa conduta ética. Uma das consequências
positivas desta boa conduta, é que essas pessoas, ao incorporarem
a imagem correta de ética, estenderão esses conceitos para
dentro de suas casas e continuarão dando bons exemplos para a vizinhança
próxima. Quando tratamos de corporações éticas,
podemos usar o jargão “o exemplo deve vir de cima”.
Se os superiores não realizam suas atividades dentro dos padrões
morais da sociedade, como eles poderão exigir que seus funcionários
façam o mesmo? Este é um dos desafios que as corporações
precisam enfrentar. É necessário que os seus superiores
sejam exemplos, referências de boa índole, para que desse
modo todos os membros da corporação entrem no “espírito
ético” da empresa.
WHITAKER coloca como objetivos dos códigos de ética em
[1], como podemos “garantir homogeneidade na forma de encaminhar
questões específicas” se até hoje existe discriminação
entre o alto escalão e o chão de fábrica dentro das
empresas? Verdade seja dita, nem todas as censuras aplicadas a um valem
para o outro. Enquanto para um uma situação pode ser permitida,
para o outro pode significar uma demissão por justa causa. E aonde
fica a ética? “Facilitar o desenvolvimento da competitividade
saudável entre concorrentes”. Como conseguir isso dentro
do capitalismo selvagem que existe hoje? Será que a solidariedade,
a gentileza e a cortesia podem ditar regras entre empresas que possuam
o mesmo mercado?
Dentro desses conceitos, como definir se uma pessoa é ética?
Como definir se uma corporação é ética? O
que mencionamos pode criar indivíduos e corporações
éticas? A única certeza que podemos ter é a de que
uma solução ideal não existe. Não há
como criar uma cartilha especificando o que as pessoas devem ou não
fazer no âmbito pessoal. Já no âmbito corporativo,
podemos tentar realizar algo nesse sentido, com a criação
de um “código de ética”, por exemplo. Fica claro
que a empresa torna-se ética perante a sociedade com as ações
que citamos anteriormente, mas é necessário que as pessoas
dentro dela possuam princípios e valores, que respeitem umas as
outras e que saibam conviver em harmonia, sabendo separar, através
dos príncipios e valores da corporação, o que é
certo e o que é errado para o bem de todos que trabalham naquele
ambiente. É a interação entre as éticas pessoal
e corporativa.
Ficam estas, entre tantas outras questões para serem pensadas
e refletidas, a respeito da ética perfeita que se tem em teoria,
mas que na prática não funciona da mesma maneira. Os limites
e desafios de fato existem, mas há que se buscar uma convergência
ética pessoal e corporativa verdadeira para que as empresas não
sofram os mesmos “efeitos colaterais” que empresas sofreram
no passado.
Referências
1. WHITAKER, M. C. Porque as empresas estão
implantando códigos de ética? Disponível em:
<http://www.eticaempresarial.com.br/
artigos_implantaempresas.htm>. Acesso em: 25 abr. 2003.
juli.anne@xmail.br
mfleal@celepar.gov.br

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