| Uma empresa do tamanho do Paraná
Conheça a estrutura tecnológica da
empresa pública responsável pelos serviços de informática
do Governo do Estado
Criada em 24 de novembro de 1964, a Celepar é a primeira empresa
pública de informática do Brasil, fundada para executar
a política de tecnologia da informação no Paraná.
Apesar disso, quem analisa a situação atual da companhia
não imagina que, há alguns poucos anos, sua infra-estrutura
era desproporcional à demanda de serviços de um cliente
como o Governo do Estado.
Ter infra-estrutura é ser capaz de criar e manter sistemas, contar
com hardwares de grande capacidade, métodos de segurança
confiáveis, tecnologia para transmissão de dados, suporte
para armazenamento e principalmente capacidade técnica.
Para horror dos neoliberais, para quem os investimentos nas empresas
públicas servem para ampliar suas cantilenas sobre a elefantíase
do Estado, o desenvolvimento da Celepar resultou em diminuição
de gastos, aprimoramento da qualidade dos bens e serviços prestados,
integração dos diversos órgãos governamentais
e autonomia tecnológica. Para os paranaenses, a ampliação
da infra-estrutura da Celepar significa, direta e indiretamente, maior
agilidade e confiabilidade em serviços como saúde, educação,
comunicações, transportes, finanças e trânsito.
Nesta reportagem, você vai conhecer como a Celepar integra digitalmente
as centenas de órgãos do governo espalhados pelos municípios;
qual a tecnologia empregada e suas possibilidades; a potência e
o funcionamento do hardware que torna possível o acesso aos serviços
do governo por meio da Internet e da Rede Corporativa; de que maneira
os cidadãos e servidores que têm dúvidas são
atendidos; e como tudo isso foi feito com dinheiro que anteriormente era
usado para o pagamento de direitos autorais de softwares que hoje são
substituídos por programas desenvolvidos pelos técnicos
da própria Celepar.
Rede Corporativa, a linha digital que integra o Paraná
No Paraná, 93 organizações compõem a estrutura
governamental, entre secretarias, autarquias, empresas públicas,
sociedades e mais uma infinidade de setores. Apesar de Curitiba centralizar
todas essas instituições, a responsabilidade delas muitas
vezes não se limita à capital.
Por causa disso, os municípios contam com centenas de escritórios
do governo espalhados pelo território. Juntos, eles geram, a todo
momento, uma quantidade gigantesca de informações. Elas
precisam ser constantemente trocadas entre os diversos segmentos do Estado,
resultando em novas ordens, desembocando em mais dados, ramificando-se
em outras comunicações, que vão se multiplicando
quase que infinitamente. Como é possível saber o que está
sendo feito em cada canto do estado? Como se entender no meio desse turbilhão?
“É justamente essa a responsabilidade da Rede Corporativa
do Governo do Paraná, que é administrada pela Celepar”,
responde o gerente de serviços de rede, Odemir Bara. Trata-se da
linha que interliga digitalmente 2.059 pontos de presença do Governo
em 293 municípios. O estado funciona como se fosse um escritório
gigante, onde uma rede interna permite que os computadores troquem instruções
entre si de maneira rápida e segura.
A Internet ‘comum’ não poderia fazer esse serviço,
pois é muito vulnerável a espionagens e intervenções
externas. “A rede é o método ideal, que oferece sigilo
e segurança que as atividades governamentais demandam”, comenta
o gerente.
“O número de integrantes da Rede Corporativa cresce a cada
dia. Nosso objetivo é unir todas as extensões dos órgãos
do Governo nos 399 municípios paranaenses, e estamos conseguindo”,
argumenta. Em janeiro de 2003, 165 localidades compunham a conexão
estadual. Em três anos e meio esse número cresceu 78%.
As tecnologias da Rede Corporativa
Atualmente existe uma grande diversidade de tecnologias que podem ser
empregadas na constituição de uma rede corporativa. Dependendo
da opção, tem-se acesso a um serviço diferente.
A Rede Corporativa do Paraná é o resultado de uma seleção
de tecnologias, escolhidas de acordo com a realidade dos municípios.
A maior parte dos pontos são integrados via cabeamento terrestre.
No entanto, alguns locais remotos contam com acesso via satélite.
A Celepar escolhe o que será utilizado e contrata o serviço,
que é prestado pelas operadoras de telecomunicações.
Até 2003, o método predominante era o frame relay. “De
lá para cá, migramos para uma nova tecnologia que proporciona
maior qualidade, performance e facilidades de gerenciamento”, revela
Bara. É o multiprotocol label switching (MPLS) que, além
de oferecer novas possibilidades, mantém os recursos do frame relay.
O novo sistema funciona de forma diferente dos outros: resumidamente,
entende-se que a rede comum consulta o IP (endereço digital) das
máquinas conectadas para cada “pacote de dados” trocado
entre elas. Um “pacote” é o mesmo que os átomos
do corpo de uma aplicação. Até mesmo um clique no
mouse despende milhares deles. Assim, para cada pacote enviado tem-se
o mesmo número de requisições ao IP. Isso pode deixar
o processo lento.
O MPLS é mais inteligente porque apenas o primeiro pacote da aplicação
consulta o endereço de destino. Os outros apenas “seguem”
o caminho aberto pelo pioneiro, agilizando a rota. Na informática,
esse fenômeno é conhecido como “rotulagem”.
O sistema permite ainda a adoção da tecnologia VoIP (Voz
sobre IP) que torna possível a conversação telefônica
por funcionários de todo o estado sem custos adicionais de telefonia.
“É como discar um ramal dentro do prédio de uma empresa”,
simplifica Bara. Para o gerente, essa medida representa agilidade no trabalho
e economia para os cofres públicos. Atualmente, 72 organizações
do Estado desfrutam do VoIP.
O caixa forte da Celepar
Quando uma pessoa acessa a Rede Corporativa por meio do seu computador,
ela não percebe – a menos que seja especialista em informática
– que por trás do simples digitar no teclado há todo
um complexo trajeto a ser percorrido pela informação, passando
por metros – às vezes quilômetros – de cabos,
entre o princípio e o destino final. Até agora, o caminho
que mostramos ficou entre os pontos espalhados pelo Paraná.
Mas essa é apenas uma das funções da Rede Corporativa.
A principal é oferecer uma boa conexão com o datacenter.
Esse nome pode ser traduzido como “central de dados”, e representa
o local onde está armazenado o conteúdo eletrônico
usado pelo Governo do Paraná na maior parte de seus serviços.
Por exemplo, se o policial registra um boletim de ocorrência –
utilizando um programa de computador feito especialmente para isso –
, vai acessar a Rede Corporativa e salvar esse documento com todos os
outros arquivos da Secretaria da Segurança Pública, locados
no datacenter. O mesmo processo faz a funcionária do colégio
ao digitar o histórico escolar dos alunos, que também está
guardado na Celepar. “A conexão com o datacenter viabiliza
uma forma avançada do uso da tecnologia”, comenta Bara.
Além de trabalhar com a rede, a central hospeda sítios
eletrônicos. Por exemplo, se você digitar no seu navegador,
irá acessar informações hospedadas na Celepar.
O datacenter está instalado na sede da estatal, em Curitiba.
É composto por duas salas repletas de maquinários, totalizando
179m2 cuidadosamente assistidos por 32 câmeras de vídeo.
O acesso é restrito aos técnicos. Eles passam o dia atentos
ao volume de informações que trafegam pelos computadores
e ao bom desempenho dos mesmos. Para isso, um software desenvolvido inteiramente
por eles faz o serviço de monitoração. Se é
detectado algum problema, os técnicos tomam providências.
O software ainda calcula o tempo de resposta de todas as páginas
da web hospedadas, isto é, em quanto tempo o usuário consegue
acessar o sítio. Um segundo é um tempo considerado aceitável,
dois é definido como regular e se passar de três é
sinal de alerta. Mas a maior parte das páginas fica bem abaixo
disso no decorrer do dia. Mais da metade delas respondem em menos de 0,03
segundos, e boa parte fica cravada em 0,01. O congestionamento se dá
nos horários de pico do uso da rede e em serviços específicos.
De acordo com o coordenador da divisão de operações,
Altamir Brun, o datacenter recebeu nos últimos três anos
um investimento de cerca de R$ 15 milhões, somente na modernização
e compra de novos equipamentos. Também foram criadas condições
para alojar corretamente os cabos e as máquinas. “É
necessário um ambiente com temperatura controlada, sistema anti-incêndio,
segurança e outras medidas que permitam o bom uso, a conservação
e a longevidade de toda essa estrutura”, argumenta.
Via digital
A qualidade do sistema usado para comunicação entre os
computadores do datacenter reflete diretamente em toda a Rede Corporativa
do Paraná. Se há uma boa conexão interna, a informação
fica disponível com velocidade para o usuário externo.
O conjunto de equipamentos responsáveis por este serviço
interno é chamado de core – em português, “principal”.
Na verdade, este é apenas o nome do componente mais importante,
mas justamente por isso todo o conjunto recebe a mesma terminologia.
São três componentes: o core propriamente dito, máquina
que tem como função organizar todo o trânsito de informações,
determinando para onde cada uma delas deve ir. Para exercer esse comando,
o core conta com um ágil e organizado sistema de cabeamento, que
serve como via digital para o tráfego de dados. Mas essa máquina
pode ficar sobrecarregada se centenas de fibras estiverem conectadas à
ela. Para evitar isso existem os switches de acesso, pequenas centrais
onde são encaixados os cabos que partem de diversos computadores.
Os cabos de todo o datacenter são ligados à uma série
de switches, e somente eles ficam ligados ao core.
Esse esquema de core funcionou até abril deste ano na Celepar.
Perceba, no entanto, que um equipamento é “amarrado”
no outro. Se um switch falhar, parte significativa dos serviços
ficam paralisados. E se o core pifar, tudo pára!
“Essa situação era suscetível à indisponibilidades
generalizadas por depender de um único equipamento central, pois
em caso de falha todos os serviços seriam afetados”, confirma
o coordenador da divisão de infra-estrutura de rede, Júlio
César Pires Corrêa. “O número de portas de acesso
[espaços para conectar cabos nos switches] já estava chegando
no seu limite, impedindo o crescimento dos serviços”, acrescenta.
Por isso, o sistema recebeu um investimento de R$ 1 milhão na
sua ampliação e modernização. Graças
a um novo cabeamento, a velocidade está dez vezes maior (era 100
mega bits por segundo, agora equivale a 1 giba bit). O datacenter agora
tem dois cores, que são conectados entre si. Os dois recebem informações
vindas de qualquer dos switches. Assim, se um dos cores está saturado
ou com problemas, é possível optar por um trajeto mais veloz.
Esse método de múltiplas conexões é chamado
na informática de “redundante”, e garante alta disponibilidade
dos serviços.
Servidores e clientes
O sistema de core estuda unicamente qual é o caminho mais veloz
a ser percorrido para evitar o tráfego digital. Mas caminho para
chegar aonde? A ordem quem dá é um componente chamado servidor.
Fisicamente é como se fosse o gabinete de um computador caseiro,
mas com alta capacidade de processamento de dados, ou seja, velocidade.
São dezenas deles alojados em grandes armários metálicos,
os racks.
Cada servidor é responsável pelo atendimento a um cliente
específico: alguma secretaria, universidade ou sítio na
Internet. Ele reconhece o cliente e indica onde está a informação
que o computador do usuário procura, ou diz onde ela devem ser
gravada, dependendo do caso. Alguns servidores são capazes de enviar
ou salvar pequenas informações no próprio disco rígido,
mas geralmente esse é o papel de outra peça do datacenter,
que vamos conhecer no decorrer da reportagem.
De maio de 2004 até julho deste ano, o número de servidores
saltou de 179 para 295, um aumento de 65%. “Quando o número
de servidores cresce, quer dizer que mais clientes estão sendo
atendidos ou mais serviços estão sendo oferecidos”,
esclarece Altamir Brun.
Hoje a maior parte dos servidores é de posse da própria
Celepar, mas eles guardam informações de diversos clientes.
A maior parte das máquinas é usada para hospedagem de páginas
na Internet dos órgãos do Governo do Estado.
O sistema operacional predominante é o Linux Debian. A Celepar
passou a adotar o Linux nos novos servidores adquiridos por considerá-lo
um programa mais adequado ao ambiente do datacenter (veja a tabela). “Mas
isso não significa um abandono dos sistemas usados antes. A migração
precisa ser lenta e prudente para não afetar os serviços
da rede”, comenta o coordenador.
Storages: até 90 mil gigabytes em informações
Quem usa a Rede Corporativa está enviando e gravando dados a
todo momento. O servidor aponta onde, dentro do datacenter, está
o que o computador do usuário procura. Armazenar grande quantidade
de arquivos é papel do storage, componente proporcional ao HD ou
disco rígido de um micro comum. A “geladeira” –
apelido dado pelos técnicos – é uma grande caixa de
metal e plástico, com altura aproximada de uma pessoa.
Os storages hoje têm uma capacidade 20 vezes maior do que há
três anos e meio. “Assim como a rede se expandiu, a área
de storage também precisou crescer”, diz o gerente de serviços
operacionais, Jarbas Pessoa de Oliveira. A capacidade total de armazenamento
era de 4,4 terabytes, agora é 89,4.
Para entender melhor, vale dizer que um terabyte é o mesmo que
mil gigabytes. Ou seja, a Celepar pode arquivar quase 90 mil gigabytes.
Seriam necessários 128 mil CDs comuns (de 700 megabytes) para manter
tudo o que está e pode ser gravado lá. E ainda tem o espaço
dos servidores, que é próximo a 20 terabytes.
Esse aumento é o resultado da compra de quatro novos storages,
feita em parceria com os clientes atendidos. No total, foram investidos
R$ 4,2 milhões.
Os maiores usuários desse arquivo gigante são a SESP (Secretaria
de Segurança Pública), com média de 39 mil boletins
de ocorrência eletrônicos por mês, além de contar
um projeto de digitalização das 10 milhões de cédulas
de identidade paranaenses, que a partir de agora possuirão recursos
tecnológicos; e o Detran-PR, com 3,3 milhões de motoristas
registrados e mais 70 mil novos processos de condutores por mês
(leia mais sobre o caso Detran nesta reportagem).
Em poucos meses, a Secretaria da Educação (SEED) vai se
juntar a esse grupo com o Paraná Digital. Esse projeto unirá
em rede todas as 2.100 escolas do estado, permitindo a atualização
de programas nos computadores do interior à distância, além
de salvar todos os documentos escolares nos storages da Celepar.
Para assegurar um uso ininterrupto dessas informações,
cada storage possui um sistema automático de backup (cópia
de segurança). Um compartimento especial recebe uma cópia
de tudo o que é gravado. Assim, caso o disco falhe, o reserva está
pronto para ser acessado.
Computador tamanho família
No meio do datacenter está o mainframe, um computador de grande
porte que pode ser considerado o cérebro de todo o conjunto. Ele
é especializado em apurar volumes imensos de instruções
com alta velocidade, além de ser capaz de atender diversos usuários
e clientes ao mesmo tempo. “Funciona como um servidor, mas com uma
capacidade gigantesca”, define a analista de suporte da gerência
de tecnologia de informação, Sonia Naomi Yabiku. O equipamento
é usado para viabilizar as aplicações mais difíceis
de serem administradas, como a dos grandes usuários dos storages.
O mainframe da Celepar recebeu um investimento de R$ 3,5 milhões,
aumentando sua capacidade. Agora ele processa até 311 milhões
de instruções por segundo (mips). De acordo com Yabiku,
anteriormente a máquina apurava até 260 mips. “Ainda
não estamos usando toda a potência dele. Se for necessário,
podemos habilitá-lo para alcançar até 491 mips”,
acrescenta.
Ajuda robótica
Algumas informações deixam de ser acessadas com o passar
do tempo, mas ainda precisam ser arquivadas por motivos legais. Exemplos
disso são os históricos escolares dos alunos e os dados
previdenciários dos aposentados. O tempo que isso precisa ser guardado
varia. Dois anos, cinco, dez, até o máximo de 70 anos. Assim,
existe o risco dos storages e dos servidores ficarem lotados só
com esse tipo de arquivo.
Há alguns anos, esse problema era resolvido salvando aquilo que
não é mais tão usado em cartuchos de memória
com alta capacidade. Um funcionário era responsável pela
gravação e identificação dos discos em uma
prateleira.
No entanto, esse método tinha alguns problemas. Os cartuchos de
memória do passado não tinham tanta capacidade: cada um
armazenava no máximo 800 megabytes, nível próximo
a um CD comum de hoje. Além disso, é lógico pensar
que não se deve salvar informações de tipos diferentes
em um mesmo disco, para evitar confusão na hora de achar o que
precisa.
Isso resultou em uma série de prateleiras contendo mais de 22
mil mídias móveis, e muitas ainda com boa parte da capacidade
sem ser usada. Para acessar algo, era ne-cessário um processo semelhante
ao usado nas velhas bibliotecas, em que se localizava um certo livro por
meio de um ficheiro cheio de pequenos cartões, classificados por
nome e assunto: primeiro era necessário identificar em qual mídia
está o que se procura, depois localizar o disco, pegá-lo
e encaixá-lo em uma máquina que, por fim, disponibilizaria
a informação. Note que isso pode levar minutos inteiros,
as vezes horas, o que é uma eternidade para o nível atual
das tecnologias de informática.
Para resolver essa situação, a Celepar investiu R$ 4,5
milhões na compra de um robô que cuida de todo o serviço.
Fisicamente, ele é composto por duas grandes caixas plástico-metálicas.
Uma é responsável pela “inteligência”.
A outra possui uma pequena prateleira no seu interior, onde ficam as mídias,
e é equipada com um braço mecânico que desloca-se
por um trilho, sendo capaz de agarrar qualquer cartucho quando ordenado.
Pesando um total de 1,03 toneladas, o robô é equipado com
um leitor de código de barras e sabe perfeitamente a localização
de cada mídia. Uma vez acionado, ele imediatamente pega o cartucho
certo e disponibiliza suas informações. Graças à
sua alta tecnologia, ele pode gravar documentos de tipos diferentes em
um mesmo disco sem criar confusão, utilizando 100% da capacidade
de cada um.
Os velhos arquivos, que antes respondiam por 22 mil mídias e muito
espaço físico, agora são mantidos em apenas 18, pois
a potência de cada uma delas é até 1800 vezes maior
do que o modelo usado anteriormente. Um cartucho de memória novo
tem capacidade nativa de 500 gigabytes e com compactação
chega até 1,5 terabytes. E o serviço daquele funcionário
agora se resume à administrar a máquina.
Cópias de Segurança
O robô também é o elemento principal na criação
de cópias de segurança de documentos importantes que originalmente
estão no storage. Atualmente ele trabalha com um total de 249 cartuchos.
Destes, 129 estão no ambiente open (ou seja, usados para trabalhos
executados pelos servidores) e os outros 120 são utilizados pelo
mainframe. As cópias dos arquivos que estão nesses discos
são atualizadas todos os dias, alguns de duas em duas horas.
Para as informações mais importantes, cria-se ainda uma
nova cópia em outra mídia que é mantida na fitoteca
da Celepar. Assim, contando com o backup que o próprio storage
cria, pode-se concluir que os conteúdos confiados à Celepar
possuem até quatro cópias. “Essa é uma medida
de segurança e garante que os dados oficiais dificilmente serão
perdidos, mesmo em casos extremos”, diz o analista de informática
responsável pelo robô, Derly Mendes da Silva.
O robô pode trabalhar com até 627 mídias, se necessário,
que é o espaço físico disponível em suas prateleiras
internas e é também até onde vai o trilho por onde
move-se o braço mecânico. “Se precisarmos, podemos
habilitá-lo para reconhecer mais mídias, aumentando o tamanho
do módulo e do trilho”, comenta Silva. Vale lembrar a capacidade
atual de 627 mídias compactadas representam um potencial de armazenamento
igual a 940,5 terabytes (ou 940 milhões de megabytes, equivalente
a 1,3 milhões de Cds).
Desenvolvendo os próprios programas
Imagine a Celepar como se fosse um imenso computador. Até agora
você conheceu o datacenter e a Rede Corporativa, ou seja, somente
o “hardware”, a estrutura física da empresa. Mas esse
imenso computador também chama a atenção pelo tipo
de programa que usa.
Diferentemente do maquinário pesado, que precisa ser comprado
pelo Estado, os softwares que atendem grande parte dos organismos governamentais
são desenvolvidos pelos técnicos da própria Celepar.
No passado os softwares usados pelo Governo eram criados por empresas
terceirizadas, o que demandava um certo custo e também o pagamento
de direitos autorais durante todo o período em que fosse utilizado.
Contudo, para o presidente da Celepar, Marcos Mazoni, a questão
financeira não era o problema principal, mas sim o código-fonte.
Todo software possui um código-fonte, uma espécie de DNA,
onde estão armazenadas todas as suas características. Para
atualizar o programa e adaptá-lo às novas necessidades,
é necessário mexer nesse código.
Os programas usados até então eram de “código
fechado”, ou seja, só quem construiu o sistema pode fazer
alterações – no caso a empresa dona do programa. “A
partir do momento em que é quebrado o contrato entre o estado e
a firma terceirizada, não tem mais como atualizar o programa”,
explica Mazoni. “A lei da oferta e da procura não funciona
nesse caso. Cada vez que a empresa responsável pelo software fosse
trocada, teria que ser construído um produto totalmente novo, o
que não é viável. O Estado estava informalmente 'atado'
ao contrato”, completa.
Há poucos anos o Paraná rompeu com as empresas terceirizadas
– cujos contratos somavam mais de R$ 400 milhões –
e decidiu transformar a Celepar na estatal responsável por suprir
as demandas tecnológicas de todo o Governo. “Ampliamos o
corpo de funcionários, abrimos extensões no interior e nossos
técnicos estão desenvolvendo nossos próprios softwares”,
diz.
E o problema do código foi resolvido: agora a Celepar só
trabalha com software livre, ou seja, com programas de código aberto,
o que garante que esses sistemas podem ser sempre usados e melhorados
independentemente de questões contratuais ou de direito autoral.
Mais ainda – quem quiser, pode adquirir gratuitamente os produtos
da Celepar e modificar seu “DNA” de acordo com as suas demandas.
Além da Venezuela, os estados de São Paulo, Rio Grande do
Sul, Sergipe, Amazonas, entre outros, estão usando os softwares
paranaenses adaptados.
Um exemplo da integração entre o novo papel da Celepar
e os organismos de governo é o caso Detran. O departamento atende
processos referentes a 3,3 milhões de motoristas e subindo, mais
os veículos. Um software para o Detran deve possibilitar a administração
desse universo, além de gerenciamento interno, de processos, multas,
exames, confecção de carteiras, entre outros serviços.
Para suprir toda essa demanda, a empresa terceirizada responsável
pelo sistema usado anteriormente cobrava um total de R$ 56 milhões
por ano.
O sistema usado atualmente supre todas as demandas do antigo e tem outras
vantagens: integra todas as Ciretrans do Estado por meio da Rede Corporativa;
atende novas exigências da legislação de trânsito;
possibilita o agendamento de exames via Internet pelos Centros de Formação
de Condutores (CFCs); é um software livre, ou seja, as atualizações
e modificações podem ser feitas pela própria Celepar,
sem custos adicionais.
Estatal Estratégica
Para o diretor de operações, Nivaldo Venâncio da
Cunha, todo o investimento recebido aponta a intenção do
governo do Estado em transformar a Celepar em uma estatal com papel estratégico,
responsável pela tecnologia e comunicação entre todas
as células do corpo governamental.
“A tecnologia exerce um papel fundamental na administração
pública hoje em dia, e esse papel não pode ser dado a uma
empresa de informática terceirizada. As gestões são
temporárias, mas a informação oficial é permanente.
A responsabilidade por viabilizar o tráfego digital e pelo tipo
de software usado não pode mudar de mão a cada quatro anos.
O Estado precisa ter credibilidade, ter o controle de suas ações
para não ficar vulnerável a grupos externos”, resume
o diretor.
Central de atendimento ao cidadão
Quando surge alguma dúvida sobre os serviços eletrônicos
do governo, a solução é entrar em contato com a central
de atendimento via telefone da Celepar (call center). O grupo também
informa os cidadãos paranaenses sobre assuntos da Receita Estadual
e da Secretaria da Fazenda.
No primeiro semestre de 2003, cerca de 82 mil ligações
foram atendidas pela equipe, que era parte terceirizada e parte composta
por funcionários públicos. Esse foi o primeiro desafio do
coordenador da Central de Atendimento, Timothy Squair.
“O contrato da empresa terceirizada terminava em julho de 2005.
Isso é normal, acontece sempre quando muda o governo, mas perde-se
a continuidade do serviço. Há um período de adaptação
e treinamento para que novos funcionários conheçam as especificidades
da Fazenda e da Rede Corporativa, comprometendo a qualidade do atendimento”,
diz.
Então, ao invés de abrir concorrência para uma nova
empresa terceirizada, a Celepar decidiu estatizar todo o quadro de funcionários
do Call Center e ampliar a equipe.
Depois de um período de transição e do aumento gradativo
do grau de exigência, a equipe integrada respondeu 147 mil ligações
nos primeiros seis meses deste ano. É um número 78% maior
do que o do mesmo período de 2003.
Hoje são 50 atendentes trabalhando: 22 atendem a Receita Estadual
e 28 a área de informática. Dos últimos, seis estão
sendo treinados para atuar no Paraná Digital, programa da Secretaria
da Educação.
“Agora contamos com uma equipe estável, eficiente e garantia
de continuidade”, define Squair.
Ligações atendidas
A equipe do call center foi estatizada e ampliada, e hoje atende 78%
mais ligações do que mo mesmo período em 2004.
Para tirar dúvidas sobre os serviços on-line do Governo
do Paraná ou sobre assuntos relacionados à Receita Estadual,
telefone para os seguintes números:
Informática: (41) 3350-5007 (7 dias por semana, 24 horas por dia).
Receita Estadual: (41) 3350-5009 de segunda à sexta entre às
7h e 19h.

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