| Entrevista: Heron Arzua - Secretário
de Estado da Fazenda (SEFA)
Em busca de um projeto nacional
O pesadelo no comportamento ético, político
e social do país é reflexo direto da falta de um projeto
nacional que fale à alma e ao coração de todos os
brasileiros. Essa é a análise de Heron Arzua, 67, secretário
de Estado da Fazenda do Paraná pela segunda vez (a primeira foi
entre 1991 e 1994). É advogado especialista em Direito, Política
e Administração Tributária pela Fundação
Getúlio Vargas e desde 1974 integra a delegação brasileira
em seminários realizados sobre o tema em diversos países
do mundo.
Nesta entrevista cedida por e-mail à Bate
Byte, Arzua considera o momento crítico vivido pelo país
como uma oportunidade singular para abandonar projetos de desenvolvimento
superados, impostos pelas potências mundiais ao longo da história.
A alternativa é buscar soluções inéditas,
que mantenham as conquistas dos direitos e garantias individuais, mas
que sejam capazes de abolir a miséria em que vive a maior parte
dos brasileiros, integrando-a à nação.
Arzua destaca algumas ações adotadas
pelo Governo do Estado e que seriam o princípio deste caminho.
Entre elas está a isenção da cobrança do ICMS
para as 136 mil menores empresas paranaenses; a criação
de um portal na internet que torna público o destino de todo o
dinheiro gasto pelo Estado; e o desenvolvimento de sistemas em software
livre pela Celepar, o que representou uma economia de R$ 127 milhões
para os cofres públicos.
Confira os melhores trechos da entrevista.
Bate Byte – Num país como o Brasil, onde a geração
de emprego e renda, acesso à moradia, educação, saúde
e outras necessidades continuam a ser prioridade, a discussão sobre
o papel do Estado parece fundamental. No entanto, os defensores do chamado
“Estado mínimo” acreditam que a desoneração
da produção e a diminuição de impostos são
fórmulas indispensáveis para o desenvolvimento do país.
Como se pode alcançar o crescimento sustentável com aumento
da produção e distribuição de renda?
Heron Arzua – Esta questão de “Estado mínimo”
nos faz reportar ao relatório da Missão Montagu, fruto da
delegação inglesa com os representantes da City publicado
no Diário Oficial de 29 de junho de 1924. Essa missão propunha
o “Estado mínimo” com, entre outras, as seguintes recomendações:
fim das restrições alfandegárias; privatização
de empresas estatais, devendo vender as ações do Banco do
Brasil para os bancos estrangeiros; demitir o maior número possível
de funcionários públicos; eliminar as pensões e aposentadorias
que, segundo a Missão, correspondia a um gasto injustificável,
considerando que estas pessoas não faziam mais parte do mercado;
sepultar a pretensão de criar uma indústria siderúrgica
sob o controle do Estado.
É interessante observar como essa arrogante “fórmula
para o desenvolvimento do país” sobreviveu à substituição
da City por Wall Street chegando, intacta, às atuais perorações
dos representantes do FMI – Fundo Monetário Internacional.
Qual é o contexto internacional deste “Estado mínimo”
para o Brasil? Convivemos com um império hegemônico cuja
principal atividade econômica é a indústria bélica,
que, pela sua própria lógica, exige a geração
e manutenção de conflitos armados, tendo em vista a expansão
de novos mercados. O americano John Perkins em seu livro “Confissões
de um Assassino Econômico”, bestseller nos Estados Unidos,
relata, em minidências, as ações do que denomina “corporocracia”,
que age nos bastidores das instituições, visando ao endividamento
dos países da América Latina e outras práticas para
a manutenção da dependência e o alinhamento incondicional.
Se, por um lado, o então presidente Artur Bernardes rejeitou
categoricamente as recomendações da Missão Montagu,
apesar dos elogios veementes de parte da imprensa da época, associada
aos interesses financeiros, verificamos, há décadas, uma
crescente capitulação sem combates, influenciados pela “quinta
coluna”, na expressão de Paulo Nogueira Batista Jr, no seu
livro “O Brasil e a Economia Internacional - Recuperação
e Defesa da Autonomia Nacional”.
Nesse contexto, não causa surpresa que o Brasil tenha gasto “50
bilhões de dólares para manter uma taxa cambial em um nível
supervalorizado no fim de 1998.” (com suas conseqüências
catastróficas sobre as exportações, balança
comercial, transações correntes, geração de
emprego e renda e a produtividade), conforme nos dá notícia
o Prêmio Nobel de Economia, o americano Joseph Stiglitz, no seu
livro “A Globalização e seus malefícios - A
promessa não-cumprida de benefícios globais”. Na pág.
245. Stiglitz ainda afirma “o que torna a especulação
lucrativa é o dinheiro proveniente dos governos, apoiados pelo
FMI”. Esse livro é leitura obrigatória para quem quiser
conhecer os bastidores da política econômica/financeira mundial.
O Brasil, há mais de dez anos, está empenhado, inutilmente,
em negociações internacionais, visando a extrair concessões
comerciais das grandes potências econômicas, num contexto
em que a superpotência hegemônica, cada vez mais, tem apostado
no uso bruto da força militar como a melhor solução
dos conflitos. Enquanto isso, o Governo Federal vem fazendo concessões
unilaterais, com seus efeitos adversos na economia nacional...
Quanto à desoneração da produção e
à diminuição da carga de impostos, no momento é
inviável, pois é a crescente participação
dos impostos, taxas e contribuições, no PIB, no âmbito
do Governo Federal, que permite pagar os juros da dívida, que cresce
em ritmo acelerado, enquanto que se observa ausência de investimentos
públicos, principalmente em infra-estrutura. A política
monetária de financiamento da dívida do Banco Central e
do Tesouro Nacional, com seus juros reais mais altos do mundo, não
tem paralelo na história das finanças em nível planetário.
As despesas, exclusivamente, com juros, do setor público consolidado
(governos federal, estaduais, municipais e empresas estatais) foi de R$
128 bilhões em 2004, saltando para R$ 157 bilhões em 2005,
devendo chegar aos R$ 200 bilhões ao final deste ano.
O crescimento econômico sustentável, com garantia de distribuição
de renda, só é possível quando a tributação
deixar de ser regressiva, isto é, quando a camada com menor poder
aquisitivo, deixar de pagar, proporcionalmente, mais impostos. Isso poderia
ser viabilizado, no contexto de um projeto para o país, com uma
verdadeira reforma tributária, pautada na simplicidade, justiça,
neutralidade e equilíbrio das contas públicas.
A falta desse projeto nacional, que fale à alma e ao coração
do povo brasileiro tem levado à crise de governabilidade, com a
desmoralização das instituições e a falta
de credibilidade popular em relação aos poderes constituídos.
O Brasil tem condições excepcionais de decretar, com sucesso,
a abolição da miséria em que vive a maior parcela
do seu povo, e, ao mesmo tempo, manter as conquistas da civilização
no que diz respeito aos direitos e garantias individuais e o respeito
à diversidade.
Acreditamos que esse “pesadelo” que presenciamos no comportamento
ético, político e social, é passageiro, um estímulo
para acordarmos de nossas ilusões e aplicarmos soluções
criativas e inéditas para nossos problemas! Temos orgulho de colaborar
com o Governo do Paraná, por estar sendo um farol a iluminar a
consciência nacional, quanto às grandiosas possibilidades
do nosso povo.
BB – A Lei de Responsabilidade Fiscal surgiu para orientar o planejamento
dos gastos, evitar o endividamento e equilibrar as contas públicas.
Na sua avaliação, essa lei tem se mostrado capaz de evitar
desperdícios, abusos e outras distorções que tradicionalmente
são praticados pelos gestores públicos?
Arzua – Não temos dúvida que a chamada Lei de Responsabilidade
Fiscal, Lei Complementar nº 101, de 4 maio de 2000, foi um avanço
na gestão de políticas públicas, e é bem vinda,
devendo ser preservada e aprimorada.
No entanto, não devemos esquecer que essa Lei veio na esteira
do Consenso de Washington (novembro de 1989), a partir da globalização
financeira, sendo um pacote de políticas neoliberais para a América
Latina, com suas reformas estruturais, a saber: desregulamentação
dos mercados, particularmente o financeiro e o do trabalho; privatização
a qualquer custo; abertura comercial; garantia dos direitos de propriedade
para as empresas das potências econômicas.
Orçamento fiscal equilibrado, moeda estável, mercado financeiro
desregulado, comércio “livre”, Estado mínimo,
eis a fórmula para o sucesso prescrita, pelos tradicionais exploradores
de nossas riquezas!
Nosso Governo Federal foi um “aluno aplicado” em seguir essas
recomendações, tendo, também, oferecido muito dinheiro
para financiar privatizações dos Estados e Municípios,
e efetuado um “programa de saneamento”... Os bancos estaduais,
nesse episódio, receberam especial atenção. Como
esses “programas de saneamento” deram-se através de
empréstimos a serem pagos, com juros, em conjunto com outras medidas,
os Estados e Municípios ficaram em maior ou menor grau na posição
de “pedintes”, em relação ao Governo Central
e deste em relação ao mercado financeiro.
O rombo do Banestado, por exemplo, foi coberto, sem entrada de “dinheiro
novo”, com uma enorme dívida, de longo prazo, que o Estado
do Paraná está administrando com grande esforço,
para não deixar de atender às necessidades populares.
Uma das conseqüências desse “arranjo” foi o aumento
da dívida mobiliária interna, do governo federal, que elevou-se
de R$ 60,7 bilhões em julho de 1994, para R$ 624,1 bilhões,
em dezembro de 2001, apesar do programa de privatizações
e do superávit primário obtido durante esse período.
A chave da exploração foi a partir da implementação
do conceito de superávit primário aplicado a todos entes
federados, via arrecadação de tributos. O ortodoxia convencional
do Tesouro e do Banco Central, na política de juros, entre outras
políticas daninhas ao interesse nacional, faz com que todo o povo
brasileiro trabalhe para o sistema financeiro internacional. A arrecadação
tributária teve um aumento sem precedentes, estando próxima
a 40% do PIB. Por outro lado, os lucros exuberantes da Petrobrás,
Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, por exemplo, vão
para o Tesouro Nacional, de acordo com a participação acionária
do Governo, e de lá são dirigidos aos detentores de títulos
públicos, de posse dos bancos privados e dos fundos de investimentos.
O mesmo ocorre com todo o superávit primário obtido, sempre
insuficientes para pagar os juros da dívida, a partir dos impostos
recolhidos e lucros das paraestatais. É o maior programa de transferência
de renda do mundo, de todo um povo submetido à miséria,
para o refinanciamento da dívida.
O economista Bresser Pereira, no livro “O Novo Desenvolvimento
e a ortodoxia convencional”, diz que trata-se de “uma ideologia
exportada para os países em desenvolvimento, uma antiestratégia
nacional que atende aos interesses dos países ricos em neutralizar
a capacidade competitiva desses países”. E mais: “É
como se o Wal-Mart desse conselhos para o Pão de Açúcar”.
Nesse contexto criado e cultivado, a atividade política, com
suas bilionárias campanhas eleitorais, tornou-se uma corrida por
credibilidade popular, a ser oferecida no balcão de negócios
do “Senhor Mercado”. Não é por acaso que governo,
com sua atividade legislativa, tornou-se, no conceito popular, sinônimo
de corrupção!
Não é de se estranhar que na América Latina surgiram
Estados formais fragilizados, subordinados ao mercado. Devemos lembrar
que o Brasil teve um desenvolvimento excepcional entre 1950 e 1980, tendo
patinado na estagnação a partir da aplicação
dessa “antiestratégia nacional”.
Onde está prevista a responsabilidade legal, a responsabilidade
fiscal, dos nossos “antiestrategistas”?
Com a palavra o editorial da Folha de São Paulo, de 31 de janeiro:
Opção custosa, ao tomar conhecimento dos resultados desalentadores
da nossa economia, em 2005: “Há algo profundamente errado
com um sistema que promove tamanha transferência de riqueza financeira.
E o faz arrancando do contribuinte os impostos que sustentam a maré
montante da dívida pública, que já supera R$ 1 trilhão”.
Os princípios de responsabilidade fiscal não devem valer
apenas para prefeitos e governadores que torram dinheiro. Os artífices
da política econômica devem justificativas aos cidadãos
sobre o custo de suas escolhas.
BB – O atual governo do Paraná adotou a política
de redução do ICMS como estímulo à criação
e manutenção de empresas. Essa política tem se mostrado
eficiente?
Arzua – Essa decisão foi tomada para minimizar os efeitos
da atual política econômica do Governo Federal, fazendo parte
de um conjunto de medidas quanto à geração de emprego
e renda. Vamos contextualizá-la:
O Brasil tem os juros reais básicos mais altos do mundo, que o
Banco Central denomina de taxa Selic. Essa taxa Selic alta atrai capital
externo no refinanciamento da dívida interna, valorizando o real.
A apreciação cambial do real está gerando reflexos
gravíssimos no emprego, na renda e no agronegócio, esse
último já penalizado pela estiagem.
Nós, no Paraná, estamos resistindo a uma política
econômica que consegue a façanha de um crescimento do PIB
– Produto Interno Bruto de raquíticos 2,3%, em 2005, perdendo
somente, na América Latina, para o Haiti! O cenário internacional
favorável fez com que a economia mundial se expandisse, no mesmo
período, em média, 4,3%, tendo os emergentes contribuído
com um crescimento de 6,4%. A Argentina superou os 9%, país onde
os juros básicos não cobrem a inflação. Lá
quem quiser ganhar dinheiro tem que produzir, não especular!
O acerto da nossas políticas públicas de geração
de emprego e renda foi a criação de 150 mil empresas durante
nossa gestão. Uma de nossas primeiras medidas, à frente
da Secretaria da Fazenda, foi decretar a isenção total do
ICMS para a absoluta maioria dos estabelecimentos paranaenses. Hoje isentamos
totalmente 136.472 estabelecimentos de um total 215.638 constantes do
cadastro do ICMS. Estão sendo beneficiadas com redução
do imposto 32.221 empresas. O regime normal de pagamento do ICMS só
atinge 22% do total das empresas, ou seja 46.945 estabelecimentos (posição
de junho de 2006). Nossos técnicos da Receita Estadual ainda identificaram
um aumento expressivo da longevidade dos estabelecimentos.
Com toda essa e inúmeras outras renúncias fiscais implementadas,
graças à competência da Receita Estadual, o nível
de arrecadação tem sido acima da inflação,
bem como acima do crescimento do PIB paranaense.
Usamos todo o nosso espaço constitucional para neutralizar os efeitos
da política econômica do Ministério da Fazenda, do
Tesouro Nacional e do Banco Central.
Nas palavras do economista Yoshiaki Nakano, Folha de São Paulo,
de 16 de julho, “as atuais políticas monetária e cambial
estão enterrando as esperanças de milhões de brasileiros
de obter emprego e renda que são as grandes demandas da população.”
BB – Vamos falar um pouco de tecnologia. Estados e Municípios
economicamente pouco desenvolvidos geralmente têm dificuldades para
adotar tecnologia na administração, principalmente por causa
do custo dos equipamentos e carência de recursos humanos. Como fazer
para superar este desafio?
Arzua – A Receita Estadual está finalizando uma plataforma
tecnológica na área fiscal, incluindo treinamento de funcionários,
a custo zero, para as prefeituras do Paraná. A partir dessa iniciativa
inovadora, estamos envolvendo outros órgãos da Secretaria
da Fazenda, assim como outras Secretarias de Estado, para o desenvolvimento
de um pacote tecnológico, com as necessidades básicas, a
ser ofertado às administrações municipais.
BB – Cada dia, mais pessoas acessam a Internet e usam computadores.
Segundo dados do Ibope/Netratings, em maio, 13,2 milhões de brasileiros
acessaram a web em casa, com um tempo médio de 20h25min navegadas
no mês. Dessa forma, a rede mundial de computadores prova ser uma
ferramenta com um potencial poderoso para a interação com
o cidadão. Que tipo de serviços via web a Secretaria da
Fazenda oferece aos paranaenses?
Arzua – No sítio www.fazenda.pr.gov.br
encontram-se serviços relacionados à Receita Estadual, à
CAFE – Coordenação da Administração
Financeira do Estado e à CAEC – Coordenação
de Assuntos Econômicos e ao Conselho de Contribuintes.
A Receita Estadual fez uma verdadeira revolução no atendimento
ao contribuinte através do sítio, simplificando a vida dos
cidadãos, das empresas e contadores. Disponibilizou-se a legislação
e, através da interatividade, sua interpretação aplicada
a cada caso específico. O resultado obtido foi agilidade, clareza
e impessoalidade. Obrigações acessórias que poderiam
demandar anos, passaram a ser resolvidas em menos de 24 horas!
A CAFE, em obediência à Lei de Responsabilidade Fiscal,
ofereceu ao público, de maneira didática e transparente,
a prestação de contas do Governo, superando a exigência
legal.
A CAEC administra o índice para o repasse constitucional, de
25%, devido pelo Estado aos municípios, sobre a arrecadação
do ICMS, disponibilizando toda matéria pertinente.
O Conselho de Contribuintes tem aperfeiçoado seu sistema de decisão,
que envolve o contencioso fiscal, de interesse das empresas, contadores
e tributaristas.
Aproveitamos a oportunidade para agradecer a parceria, que tem sido muito
produtiva, com a Secretaria de Assuntos Estratégicos e a Celepar,
com seus técnicos competentes. Foi através dessa parceria
que as iniciativas e criatividade de nossos colaboradores da Secretaria
da Fazenda puderam se tornar realidade.
BB – Como a Fazenda utiliza a internet para auxiliar na transparência
dos gastos do dinheiro público?
Arzua – Os gastos do Estado podem ser conferidos por qualquer cidadão
interessado por intermédio do programa “Gestão do
Dinheiro Público”, desenvolvido pela Coordenação
da Administração Financeira do Estado em parceria com a
Celepar. Ao leitor interessado, sugiro que acesse nosso sítio e
faça suas próprias pesquisas (www.gestaododinheiropublico.pr.gov.br).
Por ser um marco de transparência, no âmbito governamental,
recebemos vários prêmios por esta iniciativa.
BB – O Paraná é o primeiro Estado da Federação
a oferecer consulta sobre precatórios via web. Como surgiu essa
iniciativa, qual é a importância dela e como funciona?
Arzua – No sítio da Secretaria da Fazenda, basta clicar
em “Gestão do Dinheiro Público”, após
em “precatórios”, digitar o número do SID –
Sistema Integrado de Documento do Estado, para serem disponibilizadas
informações pertinentes.
Reconhecemos que é uma consulta bastante técnica, mas é
um início de um trabalho pioneiro. Estamos estudando a superação
de algumas barreiras jurídicas para ampliar as informações
ofertadas online. No entanto, a Secretaria da Fazenda, através
de um setor específico, disponibiliza todas as demais informações
para a parte interessada.
A iniciativa da Secretaria da Fazenda se insere na política deste
Governo, de seriedade e respeito pela coisa pública, orientação
que possibilitou, nesta área específica, o desbaratamento
de quadrilhas que agiam lesando o Tesouro e a Previdência Estadual,
bem como as pessoas simples e de boa fé.
BB – Abrir uma empresa é uma verdadeira maratona, a julgar
pela quantia de documentos que precisam ser reunidos e o número
de lugares diferentes a serem visitados. Quais os mecanismos adotados
pelo Governo do Paraná para facilitar a missão do empresário?
Arzua – Devemos lembrar que, normalmente, a abertura de uma empresa
exige a inscrição na Receita Federal, no Estado e na Prefeitura.
No caso de a empresa prestar serviços, tributados exclusivamente
pelo ISS – Imposto Sobre Serviços de qualquer natureza, da
esfera municipal, e pelos tributos administrados pela Receita Federal,
não há necessidade da inscrição no Cadastro
do ICMS, estadual (CAD-ICMS).
Considerando satisfeita a pré-condição de obtenção
do CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, na esfera
estadual a inscrição no CAD-ICMS pode ser obtida, instantaneamente,
na maioria dos casos, através do sítio da Fazenda. O novo
contribuinte, obtém, também, no ato, autorização
para impressão de documentos fiscais de venda ao consumidor.
Entre outras medidas para facilitar a missão do empresário,
vale ressaltar a baixa simplificada, que é efetuada, instantaneamente,
ou, em até 24 horas, através, também, do www.fazenda.pr.gov.br.
Estas duas iniciativas valeram prêmio por sua inovação
na gestão pública, conforme se pode conferir no nosso sítio.
BB – A Receita Estadual está entre os órgãos
governamentais que decidiram adotar o software livre em 100% das suas
estações de trabalho. Qual o impacto que o uso do software
livre trouxe para a economia do Estado?
Arzua – A universalização da utilização
do software livre foi determinação do Governo do Estado,
dentro do processo de independência tecnológica.
Tivemos que vencer barreiras tecnológicas e culturais para avançarmos
na sua utilização, dentro da Secretaria da Fazenda.
A questão cultural, como resistência à mudança,
é muito mais significativa que a tecnológica. Na própria
história do nosso povo, a formação religiosa e social
foi a de sempre consolar os aflitos, jamais remover as causas da aflição.
Nesse contexto, não é de admirar que a questão do
software livre tenha avançado muito, mas não com a velocidade
que gostaríamos, principalmente tendo em vista a importância
de uma tecnologia estratégica para os interesses nacionais.
Dentro da Secretaria da Fazenda, em breve, estaremos usando, única
e exclusivamente o software livre, em todas as suas plataformas e estações
de trabalho, envolvendo a totalidade de nossos colaboradores, bem como
nosso público externo.
O relatório, disponível no sítio da Celepar, www.celepar.pr.gov.br,
denominado “Programa Software Livre”, de maio de 2006, que
vale a pena conferir, nos dá notícia de uma economia de
R$ 127,3 milhões com a substituição dos programas
com códigos fechados.
BB – Qual é a mensagem final que você deixa aos nossos
leitores?
Arzua – Nós, como povo, estamos sempre querendo imitar os
países líderes do desenvolvimento material, esquecendo que
esse modelo de desenvolvimento é excludente, espoliativo e explorador.
Não podemos criar progresso para uma parte dos seres humanos à
custa da exploração permanente da outra. Como o homem, os
povos, os países, as instituições, “colhem
aquilo que semeiam”, esse modelo de desenvolvimento material é,
basicamente, autodestrutivo.
Após o 11 de setembro, ficou evidente que estamos em um momento
crítico da humanidade. Relatório do Senado Americano alertava
que “aumentaram as probabilidades de que uma, duas ou doze armas
de destruição em massa detonem na Rússia, na Europa,
no Oriente Médio ou mesmo nos Estados Unidos”.
O Hemisfério Norte é um campo minado com mais de 30 mil
bombas atômicas... e bombas atraem bombas...
Não tenho dúvidas que à medida que ficar claro para
o povo brasileiro o fracasso do modelo que a “elite” venera,
teremos mais possibilidades de encontrar o nosso próprio caminho,
com soluções criativas, não importadas.
À luz do avanço tecnológico alcançado, em
todas as áreas do conhecimento humano, é injustificável
que ainda não tenhamos decretado a abolição da miséria
em que vive o nosso povo, diante das nossas potencialidades.
É impossível que a extraordinária sensibilidade
artística de Stefan Zweig tenha se enganado ao escrever o livro
“Brasil, País do Futuro” ou que D. Bosco, tão
produtivo em suas inúmeras iniciativas em favor do próximo,
que tanto acertou em suas profecias, tenha se enganado naquela em que
se refere a “terra prometida, cheia de leite e mel, com uma riqueza
inconcebível”.
Não podemos desanimar com as más notícias que retratam
a decomposição de instituições que já
cumpriram sua finalidade e que serão preenchidas por outras, de
acordo com a necessidade histórica do nosso país.
Busquemos mais segurança, internamente, em nossos próprios
recursos, na vida que palpita dentro de nós, com sua infinita potencialidade.
Façamos a parte que nos cabe, na engrenagem social, com amor e
sabedoria, para que as sementes do nosso trabalho sejam lançadas
em solo fértil.
Acompanhe os gastos do Governo do Paraná:
O portal Gestão do Dinheiro Público (www.gestaododinheiropublico.pr.gov.br)
é uma iniciativa do Governo do Paraná que possibilita o
acompanhamento dos gastos do Estado. Basta selecionar o organismo que
deseja pesquisar e escolher os meses que a consulta engloba. O portal
irá informar o valor e o gasto com cada serviço utilizado,
além de oferecer detalhes de cada ação em um atalho
à parte.
O portal também informa a quantia de dinheiro repassado pelo
Governo do Paraná para cada um dos 399 municípios (seção
atualizada diariamente), oferece consultas sobre a ordem de pagamento
de precatórios e disponibiliza a íntegra dos contratos firmados
com a Renaut e com as concessionárias que administram rodovias
no Paraná, além de outros serviços.

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