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A.. C. Machado |
Georgina Vidal |
Gláucia Flügel |
Promovida pela Secretaria de Estado da Cultura
e organizada pela Casa João Turin, a Mostra João
Turin de Arte Tridimensional apresenta este ano sua sétima
edição, que se realiza na Casa Andrade Muricy.
Dos 121 artistas inscritos, foram selecionados 40 artistas,
que apresentam 66 obras em esculturas, instalações
e objetos.
Dos participantes da mostra, se destacam os três artistas
premiados: A.C. Machado, de Cascavel/PR, que recebeu o Prêmio
Secretaria de Estado da Cultura com a instalação
“Diálogo”; Georgiana Vidal, de Curitiba
/PR, com o trabalho “Cacomóvel” que recebeu
o Prêmio Governo do Estado e Glaucia Flügel, de
Curitiba/PR, agraciada com o Prêmio Casa João
Turin.
Junto à mostra acontece ainda a exposição
da artista convidada, Letícia Marquez , com curadoria
de Maria José Justino, onde a artista apresenta três
instalações utilizando figuras femininas. “Utilizo
as imagens como invólucros para falar de algo que é
muito mais que um incômodo ou algo que transita dentro
da figura feminina. A essência do meu trabalho é
das minhas vivências.”, explica a artista .
A Mostra João Turin de Arte Tridimensional foi criada
em 1991 pelo conselho de curadores da Casa João Turin,
com a intenção de homenagear o escultor paranaense
que dá nome à casa e incentivar os artistas
que trabalham com a arte tridimensional.
Artistas selecionados:
- Ana Paula Silva - Cascavel/PR
- Serafim - Paranaguá/PR
- Ane Cazamajou - Curitiba/PR
- A.C. Machado - Cascavel/PR
- Dante Acosta - Santa Maria/RS
- Cesar Ferreira - Cascavel/PR
- Beni Moura - Paranaguá/PR
- Billo Baldessar - Colombo/PR
- Carol Steck - Curitiba/PR
- Cláudia França - Uberlândia/MG
- Cris Pereira - São José dos Pinhais/PR
- Emanuel Franco - Ananindeua/PA
- Eurico Rezende - Ribeirão Preto/SP
- Flávio Marinho - Curitiba/PR
- Georgiana Vidal - Curitiba/PR
- Giba - Curitiba/PR
- Glaucia Flügel - Curitiba/PR
- Glauco F. Menta - Curitiba/PR
- Hogenério - Belo Horizonte/MG
- Jack Castro Holmer - Curitiba/PR
- Janaína Falcão - Santa Maria/RS
- João Moro - Curitiba/PR
- João Nei - Curitiba/PR
- José Antonio - Curitiba/PR
- Juliano Jahn - Schroeder/SC
- Laerte Ramos - São Paulo/SP
- Liz Szczepanski - Antonina/PR
- Luiz Carlos Brugnera - Cascavel/PR
- Marcone Moreira - Marabá/PA
- Maria Amélia - Belo Horizonte/MG
- M. Nino - Recife/PE
- Michel Zózimo - Santa Maria/RS
- monike dias - Santa Maria/RS
- Osvaldo Carvalho - Niterói/RJ
- Osvaldo Marcón - Campina Grande do Sul/PR
- Raul Dotto - Santa Maria/RS
- Solange Pizzatto - Santa Rita do Sapucaí/MG
- Solange Simas - Joinville/SC
- Thorben Jensen - Curitiba/PR
- Vanessa Freitag - Santa Maria/RS
Letícia Marquez - Artista Convidada
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Letícia Marquez
Cheung (detalhe)
ferro e gesso pedra
193 X 45 diâmetro
Foto Daniel Martinon |
Letícia Marquez, Válvulas
Soltas da Criação
“Tem sido meu ofício imantar,
transformar e penetrar na matéria para recriar estes
fragmentos internos na seqüência e forma com que
emergem – até senti-los vivos e fora do meu corpo”.
É desse modo que Letícia Marquez fala do seu
processo criativo. Mineira, residente há anos no norte
do Paraná, onde se fez artista e mestra de tantos outros,
guarda ainda aquele gostoso sotaque caipira que contrasta
com a sutileza e a sofisticação de suas obras.
Fora da exigência, por vezes perversa, de um caminho
único na arte contemporânea, ela investe em uma
terceira via, desconstruindo o instituido. Em um sistema dominado
pela arte propositiva ou pela busca da expressão mínima,
entre o engajamento da arte ou o esmero da forma, a obra de
Letícia é um oásis. Válvulas soltas
da criação. De lambujem, a artista preserva
valores eternos: a emoção estética, o
prazer da mão que forma, a alegria da invenção,
transgredindo o sistema e correndo os riscos da marginalidade.
Hoje seu trabalho se concentra fundamentalmente nos objetos
(com forte sustentação na escultura, pois muitos
deles são moldados pela mão), em meio a recursos
os mais inusitados possíveis, usando todo tipo de material
– pigmentos, ferro, madeira, cabelos, fitas de seda,
resina, alumínio, silicone, massa universal, gesso
pedra –, para criar instigantes instalações.
Continua sua saga pelo fantástico, com imagens que
nos fazem um convite a percorrer um labirinto simbólico,
onde o monstro verte-se em fenômenos surpreendentes.
A condição é a do espectador perder-se
na riqueza dessas provocações, ora fisgado pela
racionalidade, ora arrebatado pelo mistério, no jogo
entre o diurno e o noturno.
Esses últimos trabalhos são perturbadores. A
artista continua extraindo da matéria a beleza subterrânea,
alquimia que permite o devaneio da criação.
Em todas as três instalações, encontramos
sombras de mulheres. Pode-se falar em uma espécie de
maturação da colheita, como nos antigos rituais
mágicos. A mulher, recorrente na obra de Marquez, vivencia
o paradoxo entre a racionalidade que almeja e a sensibilidade
a que é relegada. Ela, mulher e artista, anseia pelo
equilíbrio. Seus delírios equivalem a seus demônios.
Por isso mesmo, suas mulheres nos olham em silêncio
(sempre de olhos fechados, pois falam do interior, da alma),
externam em prosa muda uma fala urdida na resistência,
expondo as relações partidas que precisam se
recompor. A obra Andor – sete
cabeças femininas degoladas, sete pecados capitais
– repousa no roxo, a cor cristã da elevação
(onde se carrega o santo – o andor – carrega-se
a dor), num diálogo com o vermelho do Cabo
de Guerra. Nesta, forças opostas tramam
uma tensão, gerando energias que instigam a ruptura
do cordão umbilical que deve ser rompido, para, na
explosão do sangue, festejar a renovação
cósmica. Essas cabeças sofridas interagem com
a cabeça de Cheung, reminiscência
da mulher oriental oprimida, desespero surdo que busca o equilíbrio
das emoções no branco e preto, agora cortado
pela luz amarela, o calor do sol, a revigoração.
A mulher é o ser privilegiado da criação,
pois é nela que a espécie se renova. A felicidade
bestializa, só o sofrimento humaniza as pessoas, disse
nosso Mário Quintana. Marquez trabalha nessa dimensão,
na matéria da dor, mas recusa o niilismo na arte do
mesmo modo que recusa todo pessimismo humano.
Letícia é uma artista forte, bricoleur, seduzida
pela energia espiritual e pelas transcendências, em
que o tempo pessoal e histórico não abole o
mítico. Misteriosa em alguns momentos, transparente
em tantos outros, tece sua obra recorrendo ao inconsciente
do passado e à consciência corporal do presente.
Realiza esse feito por meio de uma linguagem fortemente expressionista
com interferências do fantástico. Como os surrealistas,
busca a beleza convulsiva, superando a soleira da normalidade
e permitindo a expansão da imaginação
em viagens por regiões escondidas, recônditos
da criação. É dessa intimidade que germina
um mundo de ambigüidades, o extraordinário, o
maravilhoso, o insensato; uma arte singular, enigmática,
que se oferece como porta de entrada a experiências
mais profundas. Entre o olho e o espírito, Marquez
opta pela sensibilidade. É sempre temerário
adentrar nas águas dessa artista, mas vale a pena correr
os riscos.
Maria José Justino
Letícia Marquez
Nasceu em Uberlândia/MG. Graduada em Desenho
e Plástica - Ribeirão Preto/SP (71-75). Reside
em Londrina/PR desde 1975. Professora do Departamento de Artes/UEL
(76-79). Membro do Conselho de Cultura de Londrina (91 a 94).
EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS:
Desde 1968, entre outras, Museu de Arte de Santa
Catarina/Florianópolis (86); Museu de Arte Contemporânea
do Paraná/Curitiba (92); Museu Metropolitano de Arte
- Curitiba/PR (93 e 98); Sala Especial no 56º Salão
Paranaense, MAC/PR (99); Espaço de Arte e Cultura -
Brasil Telecom - Curitiba/PR (2002); Aliança Francesa
(Instalações) - Londrina/PR (2002); Ecomuseu
- ITAIPU - Foz do Iguaçu/PR (2003); Fundação
Eurípedes da Rocha - Espaço da Rocha - Marília/SP
(2003); Aliança Francesa - Espaço Cultural -
Londrina/PR (2005).
EXPOSIÇÕES COLETIVAS:
Entre outras, Museu de Arte de Himeji, Kioto-Japão
(89); Panorama da Arte Brasileira/Pintura, MAM/SP (89 e 93);
Arte Contemporânea Brasileira, Massy, França
(92); Europ’Art, Genebra, Suíça (96);
Ecomuseu - “ Três Mulheres, Três Poéticas
“ - Itaipu - Foz do Iguaçu/PR; (2005); 7ª
Mostra João Turin de Arte Tridimensional (Convidada
Especial) Curitiba/PR (2005).
PREMIAÇÕES:
Entre outras: Salão Paranaense, MAC - Curitiba/PR (83
e 87); 39º Salão de Arte de Pernambuco, Recife/PE
(86); 5º e 7º Salão de Arte Brasileira, Fundação
Mokiti Okada, São Paulo/SP (88 e 92); 7º Salão
Paulista de Arte Contemporânea, São Paulo/SP
(89); 13º Salão Nacional, Rio de Janeiro/RJ (93).
OBRAS PÚBLICAS E PARTICULARES:
Museu de Esculturas ao Ar Livre, Ibiporã/PR (90); Capela
do Juvenato Marcelino Champagnat, Londrina/PR (91); Painel
- Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (95);
Escultura - Fachada do Edifício Complexo Empresarial
Oscar Fuganti, Londrina/PR (98); Instalação
- Pronto Atendimento Infantil (PAI - Hospital Infantil de
Londrina) Londrina/PR (99); Escultura - Museu Bandeirante,
Palácio Bandeirantes, São Paulo/SP (2002); Torre
do sino da igreja da Paróquia São Vicente de
Paulo, Londrina/PR (2003).
Atelier: Av: Ademar Pereira
de Barros, 730
Jardim Bela Vista - 86050 190 - Londrina/PR/Brasil
Fone/Fax: 43 - 3325-8527 Cel: 9994-8808
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Horário de funcionamento da
mostra:
Permanecerá aberta até dia 30 de novembro de
2005.
Terça-feira a Sexta-feira, das 10h às 19h
Sab. dom. e Feriados: das 10 às 16h
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