7º Mostra João Turin de Arte Tridimensional

De 21 de setembro a 30 de novembro de 2005

A.. C. Machado
Georgina Vidal
Gláucia Flügel

Promovida pela Secretaria de Estado da Cultura e organizada pela Casa João Turin, a Mostra João Turin de Arte Tridimensional apresenta este ano sua sétima edição, que se realiza na Casa Andrade Muricy. Dos 121 artistas inscritos, foram selecionados 40 artistas, que apresentam 66 obras em esculturas, instalações e objetos.

Dos participantes da mostra, se destacam os três artistas premiados: A.C. Machado, de Cascavel/PR, que recebeu o Prêmio Secretaria de Estado da Cultura com a instalação “Diálogo”; Georgiana Vidal, de Curitiba /PR, com o trabalho “Cacomóvel” que recebeu o Prêmio Governo do Estado e Glaucia Flügel, de Curitiba/PR, agraciada com o Prêmio Casa João Turin.

Junto à mostra acontece ainda a exposição da artista convidada, Letícia Marquez , com curadoria de Maria José Justino, onde a artista apresenta três instalações utilizando figuras femininas. “Utilizo as imagens como invólucros para falar de algo que é muito mais que um incômodo ou algo que transita dentro da figura feminina. A essência do meu trabalho é das minhas vivências.”, explica a artista .

A Mostra João Turin de Arte Tridimensional foi criada em 1991 pelo conselho de curadores da Casa João Turin, com a intenção de homenagear o escultor paranaense que dá nome à casa e incentivar os artistas que trabalham com a arte tridimensional.

Artistas selecionados:

- Ana Paula Silva - Cascavel/PR
- Serafim - Paranaguá/PR
- Ane Cazamajou - Curitiba/PR
- A.C. Machado - Cascavel/PR
- Dante Acosta - Santa Maria/RS
- Cesar Ferreira - Cascavel/PR
- Beni Moura - Paranaguá/PR
- Billo Baldessar - Colombo/PR
- Carol Steck - Curitiba/PR
- Cláudia França - Uberlândia/MG
- Cris Pereira - São José dos Pinhais/PR
- Emanuel Franco - Ananindeua/PA
- Eurico Rezende - Ribeirão Preto/SP
- Flávio Marinho - Curitiba/PR
- Georgiana Vidal - Curitiba/PR
- Giba - Curitiba/PR
- Glaucia Flügel - Curitiba/PR
- Glauco F. Menta - Curitiba/PR
- Hogenério - Belo Horizonte/MG
- Jack Castro Holmer - Curitiba/PR
- Janaína Falcão - Santa Maria/RS
- João Moro - Curitiba/PR
- João Nei - Curitiba/PR
- José Antonio - Curitiba/PR
- Juliano Jahn - Schroeder/SC
- Laerte Ramos - São Paulo/SP
- Liz Szczepanski - Antonina/PR
- Luiz Carlos Brugnera - Cascavel/PR
- Marcone Moreira - Marabá/PA
- Maria Amélia - Belo Horizonte/MG
- M. Nino - Recife/PE
- Michel Zózimo - Santa Maria/RS
- monike dias - Santa Maria/RS
- Osvaldo Carvalho - Niterói/RJ
- Osvaldo Marcón - Campina Grande do Sul/PR
- Raul Dotto - Santa Maria/RS
- Solange Pizzatto - Santa Rita do Sapucaí/MG
- Solange Simas - Joinville/SC
- Thorben Jensen - Curitiba/PR
- Vanessa Freitag - Santa Maria/RS

Letícia Marquez - Artista Convidada

Letícia Marquez
Cheung (detalhe)
ferro e gesso pedra
193 X 45 diâmetro
Foto Daniel Martinon

Letícia Marquez, Válvulas Soltas da Criação

“Tem sido meu ofício imantar, transformar e penetrar na matéria para recriar estes fragmentos internos na seqüência e forma com que emergem – até senti-los vivos e fora do meu corpo”. É desse modo que Letícia Marquez fala do seu processo criativo. Mineira, residente há anos no norte do Paraná, onde se fez artista e mestra de tantos outros, guarda ainda aquele gostoso sotaque caipira que contrasta com a sutileza e a sofisticação de suas obras.

Fora da exigência, por vezes perversa, de um caminho único na arte contemporânea, ela investe em uma terceira via, desconstruindo o instituido. Em um sistema dominado pela arte propositiva ou pela busca da expressão mínima, entre o engajamento da arte ou o esmero da forma, a obra de Letícia é um oásis. Válvulas soltas da criação. De lambujem, a artista preserva valores eternos: a emoção estética, o prazer da mão que forma, a alegria da invenção, transgredindo o sistema e correndo os riscos da marginalidade.

Hoje seu trabalho se concentra fundamentalmente nos objetos (com forte sustentação na escultura, pois muitos deles são moldados pela mão), em meio a recursos os mais inusitados possíveis, usando todo tipo de material – pigmentos, ferro, madeira, cabelos, fitas de seda, resina, alumínio, silicone, massa universal, gesso pedra –, para criar instigantes instalações. Continua sua saga pelo fantástico, com imagens que nos fazem um convite a percorrer um labirinto simbólico, onde o monstro verte-se em fenômenos surpreendentes. A condição é a do espectador perder-se na riqueza dessas provocações, ora fisgado pela racionalidade, ora arrebatado pelo mistério, no jogo entre o diurno e o noturno.

Esses últimos trabalhos são perturbadores. A artista continua extraindo da matéria a beleza subterrânea, alquimia que permite o devaneio da criação. Em todas as três instalações, encontramos sombras de mulheres. Pode-se falar em uma espécie de maturação da colheita, como nos antigos rituais mágicos. A mulher, recorrente na obra de Marquez, vivencia o paradoxo entre a racionalidade que almeja e a sensibilidade a que é relegada. Ela, mulher e artista, anseia pelo equilíbrio. Seus delírios equivalem a seus demônios. Por isso mesmo, suas mulheres nos olham em silêncio (sempre de olhos fechados, pois falam do interior, da alma), externam em prosa muda uma fala urdida na resistência, expondo as relações partidas que precisam se recompor. A obra Andor – sete cabeças femininas degoladas, sete pecados capitais – repousa no roxo, a cor cristã da elevação (onde se carrega o santo – o andor – carrega-se a dor), num diálogo com o vermelho do Cabo de Guerra. Nesta, forças opostas tramam uma tensão, gerando energias que instigam a ruptura do cordão umbilical que deve ser rompido, para, na explosão do sangue, festejar a renovação cósmica. Essas cabeças sofridas interagem com a cabeça de Cheung, reminiscência da mulher oriental oprimida, desespero surdo que busca o equilíbrio das emoções no branco e preto, agora cortado pela luz amarela, o calor do sol, a revigoração. A mulher é o ser privilegiado da criação, pois é nela que a espécie se renova. A felicidade bestializa, só o sofrimento humaniza as pessoas, disse nosso Mário Quintana. Marquez trabalha nessa dimensão, na matéria da dor, mas recusa o niilismo na arte do mesmo modo que recusa todo pessimismo humano.

Letícia é uma artista forte, bricoleur, seduzida pela energia espiritual e pelas transcendências, em que o tempo pessoal e histórico não abole o mítico. Misteriosa em alguns momentos, transparente em tantos outros, tece sua obra recorrendo ao inconsciente do passado e à consciência corporal do presente. Realiza esse feito por meio de uma linguagem fortemente expressionista com interferências do fantástico. Como os surrealistas, busca a beleza convulsiva, superando a soleira da normalidade e permitindo a expansão da imaginação em viagens por regiões escondidas, recônditos da criação. É dessa intimidade que germina um mundo de ambigüidades, o extraordinário, o maravilhoso, o insensato; uma arte singular, enigmática, que se oferece como porta de entrada a experiências mais profundas. Entre o olho e o espírito, Marquez opta pela sensibilidade. É sempre temerário adentrar nas águas dessa artista, mas vale a pena correr os riscos.

Maria José Justino


Letícia Marquez
Nasceu em Uberlândia/MG. Graduada em Desenho e Plástica - Ribeirão Preto/SP (71-75). Reside em Londrina/PR desde 1975. Professora do Departamento de Artes/UEL (76-79). Membro do Conselho de Cultura de Londrina (91 a 94).

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS: Desde 1968, entre outras, Museu de Arte de Santa Catarina/Florianópolis (86); Museu de Arte Contemporânea do Paraná/Curitiba (92); Museu Metropolitano de Arte - Curitiba/PR (93 e 98); Sala Especial no 56º Salão Paranaense, MAC/PR (99); Espaço de Arte e Cultura - Brasil Telecom - Curitiba/PR (2002); Aliança Francesa (Instalações) - Londrina/PR (2002); Ecomuseu - ITAIPU - Foz do Iguaçu/PR (2003); Fundação Eurípedes da Rocha - Espaço da Rocha - Marília/SP (2003); Aliança Francesa - Espaço Cultural - Londrina/PR (2005).

EXPOSIÇÕES COLETIVAS: Entre outras, Museu de Arte de Himeji, Kioto-Japão (89); Panorama da Arte Brasileira/Pintura, MAM/SP (89 e 93); Arte Contemporânea Brasileira, Massy, França (92); Europ’Art, Genebra, Suíça (96); Ecomuseu - “ Três Mulheres, Três Poéticas “ - Itaipu - Foz do Iguaçu/PR; (2005); 7ª Mostra João Turin de Arte Tridimensional (Convidada Especial) Curitiba/PR (2005).

PREMIAÇÕES: Entre outras: Salão Paranaense, MAC - Curitiba/PR (83 e 87); 39º Salão de Arte de Pernambuco, Recife/PE (86); 5º e 7º Salão de Arte Brasileira, Fundação Mokiti Okada, São Paulo/SP (88 e 92); 7º Salão Paulista de Arte Contemporânea, São Paulo/SP (89); 13º Salão Nacional, Rio de Janeiro/RJ (93).

OBRAS PÚBLICAS E PARTICULARES: Museu de Esculturas ao Ar Livre, Ibiporã/PR (90); Capela do Juvenato Marcelino Champagnat, Londrina/PR (91); Painel - Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (95); Escultura - Fachada do Edifício Complexo Empresarial Oscar Fuganti, Londrina/PR (98); Instalação - Pronto Atendimento Infantil (PAI - Hospital Infantil de Londrina) Londrina/PR (99); Escultura - Museu Bandeirante, Palácio Bandeirantes, São Paulo/SP (2002); Torre do sino da igreja da Paróquia São Vicente de Paulo, Londrina/PR (2003).

Atelier: Av: Ademar Pereira de Barros, 730
Jardim Bela Vista - 86050 190 - Londrina/PR/Brasil
Fone/Fax: 43 - 3325-8527 Cel: 9994-8808
www.leticiamarquez.pop.com.br - leticiamarquez@pop.com.br

Horário de funcionamento da mostra:
Permanecerá aberta até dia 30 de novembro de 2005.
Terça-feira a Sexta-feira, das 10h às 19h
Sab. dom. e Feriados: das 10 às 16h

Horário de funcionamento:
Exposições: de terça-feira a sexta-feira,
das 10h às 19h
Sab. dom. e Feriados: das 10 às 16h

Alameda Dr. Muricy, 915 - Centro
80020-040 - Curitiba - Paraná - Brasil
Telefones: (41)  3321-4798 - Recepção
(41) 3321-4786 - Administrativo
(41) 3321-4997 - Fax
E-mail:
 
Acesso desde 08/06/1998  
Atualizado em 21.11.2007
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