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Artista |
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Alfredo Emílio Andersen nasceu em Kristiansand, sul
da Noruega, em 3 de novembro de 1860, filho do capitão
da marinha mercante Tobias Andersen e de Hanna Carine Andersen.
Tinha quatro irmãs: Hanna, Charlotte, Amalye e Othilie.
Apesar de ser desejo do pai que Alfredo se tornasse engenheiro
naval, o filho, já aos doze anos, em razão
da boa qualidade do seu desenho, obteve autorização
familiar para se dedicar à arte, incentivado por
um dirigente da escola onde estudava. Aos treze anos pintou
aquela que se supõe seja a sua primeira tela, intitulada
“Akt”.
Viajando na embarcação capitaneada por seu
pai, esteve em 1874 na Itália, onde, impressionado
com a riqueza artística do país, entrou em
contato com as grandes obras de arte do Renascimento, o
que deve ter contribuído para a decisão do
jovem de seguir a carreira artística. Todavia, impossibilitado
de ingressar em alguma academia de arte italiana, retornou
à Noruega.
Na capital do país, estudou de 1874 a 1877 com Wilhelm
Krogh, conhecido pintor, ceramista, cenógrafo e decorador
que considerava seu pupilo um jovem de excepcional talento.
Andersen com ele trabalhou como assistente por um longo
período.
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Com
dezoito anos mudou-se para a Dinamarca onde recebeu orientação
do retratista Carl A. Andersen, assistente da Academia Real
de Belas Artes de Copenhagen e professor da Escola Técnica,
que o preparou para os exames de admissão àquela
instituição de ensino. Sua carreira, a partir
de então, alcança rápida progressão,
passando o artista a exercer atividades não só
de pintor, como de cenógrafo e decorador. Foi admitido
na Academia em 1879 passando, entre 1881 e 1883, a também
lecionar Desenho Livre na Escola para Rapazes em Vesterbron
Asyl, dirigida pelo professor Tejlemann. Recebeu elogios
pelos métodos livres empregados no ensino elementar,
em que abolia o exercício de cópia para introduzir
o modelo vivo. |
Insatisfeito com a sistemática de ensino na Academia
de Copenhagen, abandonou em 1883 o curso, retornando a Oslo
onde, em 1884, realizou sua primeira e bem sucedida mostra
individual.
Teve o artista uma longa e proveitosa convivência com
Peter Eleifson quando da passagem do pintor pela Escandinávia.
Enriqueceu com isso seu trabalho de pesquisa e intensificou
suas tarefas de atelier.
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Andersen,
que também era apaixonado por música e arte
dramática, tocava flauta e participava de um conjunto
de canto coral. Chegou a fundar uma sociedade voltada para
o teatro, cujos lucros eram revertidos para pessoas carentes.
Depois de participar ativamente da vida cultural de Oslo entre
1885 e 1891, retornou a Kristiansand, tendo assumido posição
de liderança no meio artístico da cidade. Colaborou
na imprensa apresentando matérias de impacto, chegando
a envolver-se com política partidária.
Fez produtivos contatos com o pintor Olay Isaachen, em Setesdalen,
quando pintou telas com temática local.
Em Copenhagen, realizou em 1888 uma exposição
com boa aceitação da crítica.
Foi enviado à França em 1889, como crítico
de arte, a fim de fazer a cobertura do Salão de Paris.
Nessa ocasião, sua tela “Luar do Mar” foi
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adquirida
para coleção do rei Oscar II, da União
Sueco-Norueguesa. Andersen é verbete do dicionário
francês Benezit, no qual é considerado uma
das importantes personalidades artísticas da Europa.
O fato de ser amante da liberdade e adepto da integração
do homem à natureza aproximou-o do famoso escrito
Knut Hamsun, autor de “A Fome”, que também
defendia os mesmo ideais. Andersen retratou o amigo em 1891,
dando início, a partir de então, a uma série
de “portraits”, segundo ele, de caráter
mais subjetivo. O retrato de Hamsun, anos mais tarde, seria
adquirido pelo comerciante norueguês H. S. Sigmond,
no Rio de Janeiro, que o doou, por volta de 1930, à
Galeria Nacional da Noruega.
Em busca de novos horizontes Andersen embarcou em um navio
a vela com destino ao continente americano. Sabe-se que
em 1891 esteve no México, Antilhas e, de passagem
pela primeira vez, na costa brasileira.
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Retornando
à Europa procurou aperfeiçoar a técnica
de retrato na Inglaterra. Tomou conhecimento, então,
que sua cidade fora quase totalmente destruída por
um violento incêndio. Já na Holanda recebe
notícias que seu atelier se salvara.
Em 1892, este artista jovem mas profissionalmente maduro
aos 32 anos, impedido por suas convicções
religiosas de lecionar desenho na Escola Matriz, voltou
a empreender outra longa viagem a partir de Kristiansand,
em navio capitaneado por seu pai, cuja etapa final seria
Buenos Aires. Na costa brasileira, o barco aportou no porto
de Cabedelo, Paraíba, local onde teve a oportunidade
de pintar uma belíssima tela com a paisagem litorânea
da cidade. Ao continuar a viagem para o sul, um forte temporal
provocou avarias no mastro da embarcação,
obrigando-o a aportar em Paranaguá.
Ainda hoje persiste um certo clima de mistério no
fato de o artista – cujo nome já se projetava
na Europa, onde deixara amigos, admiradores e familiares
– ter tomado a decisão de permanecer nesse
então primitivo porto brasileiro, em uma terra, para
ele, inteiramente estranha e de duvidosas perspectivas profissionais.
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Desconhecendo completamente a língua do país,
recebeu ajuda do Sr. Hartog, de nacionalidade holandesa,
que falava vários idiomas, inclusive norueguês
e que ensinou português ao artista e o hospedou durante
cerca de seis meses. Andersen pintou o retrato de seu hospedeiro,
que seria o primeiro trabalho, por encomenda, realizado
no Brasil. Em Paranaguá, pintou um delicado friso
na sala de jantar da família Veiga, tendo como tema
Baco e um conjunto de dezenas de anjos portando frutos,
flores e frutos do mar, obra essa desaparecida com a demolição
do prédio, permanecendo apenas seu registro fotográfico.
Residiu o artista em Paranaguá durante cerca de dez
anos, quando conheceu Anna de Oliveira, uma jovem vinte
e cinco anos mais moça, descendente de índios
Carijó. Do relacionamento nasceram quatro filhos:
Anna Elfrida (1902), Thorstein (1905), Alfredo Jr. (1909)
e Alzira Odília (1914). Desde que chegou à
cidade portuária, Andersen desenhou e pintou principalmente
paisagens do litoral e retratos, tendo iniciado, a partir
de então, o ensino de arte. Muitos dos trabalhos
da produção artística de Andersen dessa
época não puderam ser resgatados por terem
sido trocados por mercadorias com a tripulação
dos barcos que faziam escala no porto.
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Com a conclusão da estrada de ferro Curitiba –
Paranaguá em 1885, a ligação do planalto
com o litoral foi muito facilitada, o que levou Andersen
a fazer algumas visitas à capital do Estado. Algum
tempo mais tarde faria o seguinte comentário: “Em
1893, visitei em Curitiba a Escola de Artes e Indústrias
dirigida pelo Sr. Mariano de Lima, tendo ficado impressionado.
Encontrei as diferentes classes cheias de alunos, crianças,
moças, rapazes e homens, todos trabalhando na melhor
ordem. A breve visita fez de mim um admirador desse Estado
progressista”.
Entre seus amigos, destacava-se a figura do engenheiro Rodolfo
Lange, que muito o incentivou. O pintor chegou a se hospedar
por algum tempo
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com
a família do engenheiro na Casa do Ipiranga, localizada
na Serra do Mar, entre os quilômetros 71 e 72 da estrada
de ferro Curitiba – Paranaguá. O filho do engenheiro,
o biólogo Frederico Lange de Morretes, foi aluno
do artista entre 1907 e 1910, tornando-se um dos grandes
paisagistas paranaenses.
É provável que Andersen tenha se transferido
para a Capital em 1902, por sugestão do engenheiro
Lange. Sabe-se que chegou a Curitiba nesse ano a fim de
pintar retratos de membros da família Cejat. A pedido
do amigo João Eugênio Marques começou
a dar aulas particulares de desenho e pintura. Dividiu nesse
ano um estúdio com Adolpho Volk, primeiro fotógrafo
de Curitiba, ocasião em que trabalhou pintando cenários
para fotografias e colorindo fotos. É dessa época
a belíssima série de fotos das Rutenas, coloridas
pelo artista, e a vista panorâmica de Curitiba, hoje
pertencentes ao Museu Paranaense. Volk, ao transferir seu
estúdio para novas dependências na rua XV de
Novembro, cede o prédio da Marechal Deodoro para
que Andersen instale o seu primeiro atelier na cidade.
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O
artista desenvolveu em Curitiba intensa atividade como pintor
e professor: ainda em 1902 esse atelier se transforma em
uma verdadeira escola de arte, ali permanecendo em atividade
até 1915. Além das aulas particulares Andersen
também lecionou Desenho na Escola Alemã e
no Colégio Paranaense.
A primeira exposição de Andersen no país
foi realizada em 1902, na Associação Curitibana
de Empregados no Comércio, tendo sido ele o primeiro
artista estrangeiro a expor individualmente em Curitiba. |
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Na ausência de galerias e de um mercado profissional
de arte na cidade, Andersen, que teve compreensão
e sensibilidade de se integrar a vida social e cultural
da cidade, criou em 1903 em seu atelier, um espaço
específico para a comercialização de
suas obras. Iniciou, então, um esquema na época
revolucionário para a aquisição de
suas pinturas: uma espécie de consórcio denominado
“ação entre amigos”, que permitia
parcelamento de pagamento e sorteio mensal de uma obra.
Realizou em 1908 sua primeira exposição de
pintura no Rio de Janeiro.
Andersen, artista criativo, executou projeto para o brasão
do Estado do Paraná, desenho que se encontra anexado
a Lei nº 904 de 21 de março de 1910. O brasão
foi modificado várias vezes, porém a figura
do ceifador, idealizado pelo pintor, continuou presente
até a última alteração, em 1990.
O envolvimento do artista com o ensino foi, sem dúvida,
marcante, desde o início de sua estada em Curitiba.
Vicente Machado, Presidente do Estado do Paraná,
no intuito de convencer Andersen a não voltar à
Noruega, chegou a prometer a criação de uma
escola de arte oficial na cidade, que seria dirigida pelo
mestre. E apelou para o sentimento de solidariedade do artista,
afirmando que a permanência do mesmo era fundamental
para ajudá-lo na educação do povo paranaense.
Esteve em 1927 no Rio de Janeiro a fim de executar alguns
retratos encomendados, ocasião em que obteve facilidades
para viajar à Noruega. Graças ao apoio de
dirigentes da Cia. Fiat Lux, a viagem foi realizada, permanecendo
o pintor em sua terra por cerca de um ano, com hóspede
de seu amigo, professor Wilhelm Krogh. Foi, na ocasião,
convidado pelo governo norueguês a dirigir a Escola
de Belas Artes de Oslo, tendo declinado do convite em razão
de compromissos já assumidos no Brasil. Andersen
retornou ao Brasil, presumivelmente, em fins de 1927.
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O projeto de Andersen para a instalação de
uma Escola de Arte, aprovada em 1929 não foi levado
adiante devido à instabilidade política do
país: em 1930 o Presidente eleito, Washington Luiz
foi deposto, assumindo Getúlio Vargas. A falta de
recursos financeiros no Estado impossibilitou a realização
de tão sonhado estabelecimento de ensino.
Ao completar 71 anos no dia 3 de novembro de 1931, Andersen
foi agraciado com o diploma de Cidadão Honorário
de Curitiba pelos relevantes serviços prestados à
arte do Paraná, primeiro título concedido
a alguma personalidade pela Câmara Municipal. A partir
deste ano até 1934, participou como artista e como
membro de comissões julgadoras em algumas edições
do certame promovido pela Sociedade de Artistas do Paraná,
antecessor do Salão Paranaense de Belas Artes.
Pintou em 1932 o seu mais conhecido auto-retrato que passou
a pertencer ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes.
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Segundo seu filho Thorstein Andersen, uma das últimas
telas pintadas pelo artista dois anos antes de seu falecimento,
foi retrato do professor Frederico De Marco, conhecido cientista
brasileiro. A obra “As Comadres” é datada
de 1935.
Faleceu em Curitiba no dia 9 de agosto de 1935 esse artista
extraordinário, considerado o mais importante pintor
estrangeiro residente no Brasil em sua época.
Além da rica coleção pertencente ao
Museu Alfredo Andersen, Curitiba, obras do artista podem
ser encontradas em instituições culturais
da Noruega, no Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro,
Museu de Arte de São Paulo, Museu de Arte do Paraná,
Museu Paranaense, Palácio do Governo do Estado do
Paraná, Escola de Música e Belas Artes do
Paraná, Clube Curitibano, entre outras instituições
e com um grande número de colecionadores do Paraná,
São Paulo e Rio de Janeiro, nos Estados Unidos e
Noruega.
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