A exposição Acervo do Museu Oscar Niemeyer (MON) está exibindo cerca de 40 obras, assinadas por 20 artistas, que compõem o acervo da instituição. A mostra é resultante da política adotada pela atual administração de valorização e difusão da arte paranaense, em especial.


A diretora-presidente do MON, Maristela Requião, tem como meta fazer com que parte das 2 mil peças do acervo esteja freqüentemente exposta no Museu e em outras instituições parceiras. "Queremos que o público conheça nosso acervo, que é significativo, e a arte paranaense. Admiro e considero todos os artistas que contribuíram para construir a história das artes no Paraná", afirma a diretora-presidente.


Alfredo Andersen, o primeiro acadêmico paranaense, Fernando Velloso, Arthur Nísio, Helena Wong, Uiara Bartira, Jussara Age, Eliane Prolic, Jeferson César e o escultor João Turim são alguns dos artistas do Estado, cujas obras integram o acervo em exposição. Também estão presentes obras de artistas reconhecidos nacional e internacionalmente como Tomie Ohtake, Carlos Ianelli e Jean-Baptiste Pigalle (1714-1785).
 
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Periodicamente, as obras são deslocadas internamente entre os espaços disponíveis do Museu e novas peças são exibidas, em substituição daquelas que ficaram por algum tempo expostas. As exposições do acervo são realizadas pela Assessoria de Acervo e Conservação do MON, sob a responsabilidade de Suely Deschermayer, que assina a curadoria dessas mostras.

O acervo inicial do MON surgiu com as obras vindas do Museu de Arte do Paraná (MAP) e com o acervo do extinto Banco do Estado do Paraná (Banestado), que aos poucos está sendo ampliado com novas aquisições. Em sua coleção completa figuram importantes artistas paranaenses e nacionais de diversos movimentos. Além das obras presentes, há outras assinadas pelos paranaenses Guido Viaro, Theodoro De Bona e Miguel Bakun, somadas às de Oscar Niemeyer, Tarsila do Amaral, Cândido Portinari e Caribé, entre outros.








 
   
Um suíço paranaense

A atual montagem dá destaque especial ao artista suíço Guilherme William Michaud (Vevey, Suíça 1829 - Colônia do Superagüi, PR 1902). Com a permissão dos pais, o artista veio para o Brasil em 1948 e em 1854 chegou em Superagüi, onde conheceu Custódia Américo, com quem se casou e teve nove filhos.

De espírito aventureiro, Michaud foi um desenhista autodidata, fazendo da natureza a sua oficina de aprendizagem. Sem máquina fotográfica para registrar a paisagem que admirava, o artista reproduzia as imagens de Superagüi em apurados desenhos e aquarelas, ricamente coloridas, apesar das poucas tintas disponíveis.

"O resultado era surpreendente, ele criava verdadeiras obras primas, que demonstram um sólido conhecimento anatômico e da estética natural", afirma a curadora Suely Deschermayer. Os trabalhos eram enviados aos parentes na Suíça.

Michaud faleceu em setembro de 1902 em Superagüi, onde está sepultado. Grande parte da produção do artista encontra-se na Suíça, doada pelas irmãs ao Museu de Vevey. Outra parte Michaud doou ao então governador da província, Visconde de Taunay, de quem recebia periodicamente pincéis e tintas. A coleção é constituída por um álbum com numerosas aquarelas de surpreendente beleza.
"Seu talento rompeu os obstáculos da falta de recursos materiais e alcançou um desenvolvimento inesperado, tornando-se provavelmente o primeiro pintor da paisagem paranaense."

 
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