A pequena mostra individual do aquarelista, pintor e desenhista polonês Brunon Bronislaw Lechowski (1887–1941), que já percorreu três países da Europa, pode ser vista em Curitiba. A mostra apresenta 42 obras provenientes do acervo do Museu e da coleção particular da família Lechowski. A exposição teve início na Inglaterra, seguiu para a Polônia e a Alemanha e agora termina a itinerância no Museu Oscar Niemeyer, responsável pela produção.

A mostra foi organizada pela equipe técnica do Museu, com o auxílio de um Conselho Curatorial. O conselho é formado pelo crítico de arte paranaense
 
Ennio Marques Ferreira, pela pesquisadora Myrian Sbravati e pela filha do artista, Wanda Lechowski.

Para a mostra realizada na Europa, o conselho também contou com a participação da historiadora Christhine Baptista que, há alguns anos, junto com Ennio e Myrian, realizou um projeto de aquisição de obras de Lechowski, pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Depois de adquiridas, as obras foram doadas ao então Museu de Arte do Paraná (MAP). Com a criação do Museu Oscar Niemeyer, o MAP foi extinto e todo seu acervo hoje compõe o acervo da instituição.
 
Aventura e Idealismo no Brasil
Bruno Lechowski viveu um período no Paraná e nos 16 anos em que permaneceu no Brasil deixou sua influência na base da pintura moderna brasileira. Ele chegou ao Brasil no dia 04 de setembro de 1925, no Rio de Janeiro. Bruno Lechowski veio motivado por uma aposta com os amigos: “percorrer todos os continentes como andarilho, num prazo de três anos, comunicando-se apenas através do idioma polonês, sem aceitar qualquer auxílio em dinheiro e viver apenas do resultado de sua arte”. O prêmio para o desafio correspondia a 300 mil zloty que, previamente, o artista destinou para a construção da primeira sede da Casa Internacional do Artista, em Varsóvia.

Impulsionado por esse projeto, a proposta previa a instalação de sedes semelhantes no maior número possível de países. Foi a forma que utilizou para expressar seu ideal de liberdade e de democratização da arte. A viagem foi preparada entre 1922 e 1924. Em 1925, iniciou a turnê pelo interior da Polônia e, em seguida, por diversos países europeus. Durante o trajeto expôs seus trabalhos em parques e praças públicas.

“Eu produzo como uma força virgem da natureza e tudo o que produzo pertence a todos ..”, afirmava Bruno Lechowski. Essa tinha sido a última vez em que os trabalhos de Lechowski tinham sido vistos na Europa, há 80 anos, antes desta produção realizada pelo Museu.
 
Carismático e de forte caráter humanista, sua passagem pelo Paraná foi marcada pela intensa troca com a nova geração de artistas e intelectuais, entre 1926 e 1927. A concentração de grande número de imigrantes poloneses no Paraná foi o que o atraiu para o Sul do país. Após sua passagem pelo Estado, viveu uma fase importante de sua vida em São Paulo, onde vivenciou a agitação provocada pelo movimento modernista brasileiro, antes de retornar para o Rio.

Desde que chegou ao Brasil, sempre foi presente como um pensador engajado ao meio artístico e social. No Rio, foi um dos principais criadores e orientadores do curso livre da Escola Nacional de Belas Artes, no então Núcleo Bernardelli, em 1931. Foi no Núcleo Bernardelli que Lechowski transmitiu seus conhecimentos e ideais a outros jovens pintores brasileiros da década de 30, como José Pancetti. Lechowski faleceu no Rio em 1941.

Nos três estados por quais passou, suas atuações foram intercaladas por sucessivas e comentadas exposições. Apontado como um “ardoroso trabalhador”, para produzir suas obras Lechowski manteve, em todos os lugares, a inesgotável criatividade na pesquisa de novos pigmentos naturais, nas combinações cromáticas, na paciente observação das luzes e das cores tropicais e nos movimentos dos corpos celestes. “O pintor é um músico da cor e um poeta da linha.”
Mostra na Europa
A produção da mostra, tanto na Europa como no Brasil, foi realizada o com incentivo da Lei Rouanet e com o patrocínio das empresas Compagas e Eletrobrás. Na Europa a mostra foi composta de 33 obras. A exposição foi aberta em Londres no dia 13 de setembro e permaneceu em cartaz até 01 de outubro, na sede da Embaixada Brasileira. No período de 13 a 30 de outubro foi apresentada em Varsóvia, no Palácio Krolikarnia; e do dia 04 ao dia 20 de novembro na Cracóvia, na Galeria dos Artistas Plásticos. A última etapa do roteiro europeu foi em Berlim, onde a exposição permaneceu em cartaz no Brasilianische Botschaft, de 05 a 12 de janeiro de 2006.

O projeto surgiu do convite feito pela Embaixada do Brasil em Londres para que o Museu apresentasse as obras de Lechowski presentes no acervo. Entre as obras apresentadas, 16 delas foram provenientes do acervo do Museu Oscar Niemeyer, uma aquarela de 1934 do acervo da Fundação Cultural de Curitiba e o restante da coleção particular de Wanda Lechowski.