Em mais de 45 anos captando flagrantes, registrando personalidades e extraindo do cotidiano momentos de beleza, alegria, violência e dor, o fotógrafo Evandro Teixeira reservou destaque especial em sua carreira para a Guerra de Canudos (1896 – 1897), que ocorreu no período da transição entre o Regime Imperialista e o Republicano. Natural da Bahia, o fotógrafo cresceu ouvindo histórias de Canudos e delas extraiu a vontade de recontar, em imagens e texto, essa mesma história. Um fascínio que cresceu ao ler o clássico Os Sertões, de Euclides da Cunha, que cobriu a guerra como correspondente do jornal O Estado de São Paulo.

O resgate sonhado, desde adolescente, foi concretizado em 1997, no centenário do episódio, com o lançamento do livro Canudos 100 Anos. O desenvolvimento do projeto durou cerca de quatro anos. Nele, Evandro resgatou sobreviventes e herdeiros da comunidade criada por Antônio Conselheiro, líder messiânico que comandou milhares de seguidores na Guerra de Canudos. A exposição Evandro Teixeira – Canudos apresenta cerca de 50 imagens selecionadas entre as 100 fotos incluídas no livro.

“Refiz a trajetória de Conselheiro, conversei com seus herdeiros, registrei lado a lado a antiga e a nova Canudos (...) Canudos é sinônimo de luta, de resistência, de mudança, de esperança.
 

É a história do país, vivida e contada por gente simples, cuja força parece vir da agrura da terra, da beleza rude do sertão.” Por meio das fotos apresentadas nessa mostra é possível encontrar três Canudos: "os vestígios da primeira Canudos, destruída pela guerra; as ruínas da segunda Canudos, submersa pelo açude de Cocorobó, e a Canudos atual”.

Em imagens comoventes, captadas pelo apurado olhar de um baiano, elas revelam a realidade em preto e branco dos sertanejos nordestinos. “Os horizontes infinitos, a terra seca, o cinza da vegetação, o silêncio, e também a desolação e o abandono dos que vivem nesse outro Brasil, parado no tempo, escravizado, despossuído.” Para o fotógrafo, essas imagens levam “a pensar em uma guerra bem atual, em que a terra é disputada palmo a palmo, em uma luta pela mera sobrivência”. A partir delas, “a memória de outra guerra, surge na paisagem”, na medida em que surgem as paragens históricas de Canudos: o Local da Degola, a Lagoa do Sangue e o famoso Vale da Morte.


"O resultado é uma crônica feita de imagens e texto que vai do sertão clássico, dos cactos, da terra rachada e da seca, ao sertão pop, onde a pobreza convive com antenas parabólicas.” Canudos chegou a ter mais de 5 mil casas, tornando-se a maior cidade da Bahia à época, com cerca de 25 mil habitantes.


O fotógrafo Evandro Teixeira

Evandro Teixeira iniciou a carreira de fotógrafo em 1958, no jornal Diário da Noite, no Rio de Janeiro. Em 1963, foi para o Jornal do Brasil, onde permanece até hoje. Entre outras premiações importantes que recebeu ao longo da carreira, destacam-se o Prêmio Especial da Unesco, o Concurso Internacional A Família, em Tóquio,no Japão (1993), e os Prêmios do Concurso Internacional da Nikon, Japão (1975 e 1991) e da Sociedade Interamericana de Imprensa, em Miami, nos Estados Unidos.

Editou em 1983 o livro Fotojornalismo, registrando acontecimentos nacionais e internacionais marcantes desde a década de 60, com prefácio e textos do poeta Carlos Drummond de Andrade e dos escritores Otto Lara Resende e Antonio Callado. Já em 1988, lançou a edição ampliada do livro, no Rio de Janeiro, São Paulo e Basel (Suíça), com novas fotos e texto do jornalista Marcos Sá Correa. Em 1922, o livro Fotojornalismo foi incluído no acervo da Bibliotexa do Centro de Artes Georges Pompidou, de Paris.

Dois anos depois, em 94, tem o currículo incluído na Enciclopédia Suíça de Fotografia, onde estão registrados os maiores fotógrafos do mundo. As fotos de Evandro Teixeira fazem parte dos acervos do Museu de Belas Artes, Zurique, Suíça; Museu de Arte Moderna La Tertulia, Cali, Colômbia; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Masp e Museu de Arte Contemporânea de São Paulo.

A exposição sobre Canudos já foi apresentada em Paris, no ano Brasil na França, somando-se a dezenas de outras mostras individuais e coletivas realizadas no Brasil e no exterior.






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