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A exposição
Odorico Tavares - A Minha Casa Baiana -Sonhos e
Desejos de Um Colecionador de Arte apresenta pela
primeira vez a coleção completa, composta
por 444 obras, formada pelo jornalista, poeta e colecionador
Odorico Tavares. O curador da mostra, Emanoel Araújo,
a classifica como uma das mais belas coleções
de arte moderna brasileira, reunida na Bahia por Odorico,
entre os anos 50 e 70.
Para apresentar a grande coleção,
o monumental Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba
(PR), foi escolhido para iniciar o
roteiro
expositivo nacional. Depois segue para o Museu AfroBrasil,
em São Paulo, Recife, Salvador e está
em negociação para ser exibida também
no Rio. A mostra no Oscar Niemeyer poderá ser
apreciada pelo público entre 15 de julho e
30 de novembro.
A
mostra marca as comemorações do segundo
aniversário de funcionamento do Museu, a ser
completado no próximo dia 8 de julho. Também
comemora os 90 anos de nascimento de Odorico Tavares.
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| Eclético
e atento |
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Pernambucano
de Timbauba e baiano por devoção, Odorico
fez da Bahia sua casa e de sua casa uma afetiva galeria.
Colecionou principalmente obras-primas de artistas brasileiros,
amigos e inspiradores de sua porção poeta,
chegando a dedicar a cada um deles um poema, reunidos
em Meus Poemas e Meus Artistas, o penúltimo de
seus livros publicados.
"É
uma coleção formada com antigüidades,
com intimidade e afeto de Odorico pelos artistas que
dela fazem parte", afirma o curador Emanoel Araújo.
De estética e gosto apurados, o colecionador
dividiu o cenário da paisagem baiana com obras
de Portinari, Di Cavalcanti, Pancetti, Djanira, Antonio
Bandeira, Segall, Volpi, Guignard, Manabu Mabe, Cícero
Dias e Carlos Bastos, entre outros.
Todos
amigos dele, com poemas dedicados. Desses, a mostra
apresenta nada menos do que 22 obras de Portinari, 20
de Pancetti, 16 de Di Cavalcanti, algumas obras de Mabe
-inclusive com figurativos da Bahia-, e até 20
obras da fase baiana do artista paranaense Poty Lazarotto.
"Ele também foi amigo de Tomie Ohtake, mas
que por alguma impossibilidade não chegou a adquirir
nenhuma obra dela. Por isso, Tomie está produzindo
uma obra especialmente para homenageá-lo."
Colecionador
"sequioso e atento por estender seu olhar nas muitas
viagens que fez", em suas andanças de jornalista,
Odorico também
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levou
para a Bahia obras de Picasso, Miró, Matisse
e do francês Georges Roualt. Além de obras
dos japoneses, internacionalmente reconhecidos, Hamaguchi,
Sugai e Tsutaka -muito valorizados no Japão.
A mostra exibe seis Mirós, quatro Picassos e
seis obras de Hamagushi. Além de uma série
fotográfica inédita de Pierre Verger.
Todos
devidamente acompanhados por uma coleção,
composta de 35 obras dos séculos 17 e 18, da
imaginária religiosa barroca, além de
peças do mobiliário dos séculos
18 e 19. Estes marcam os primeiros momentos da vocação
de colecionador inveterado de Odorico, na sua primeira
casa na Bahia, na Rua Recife, em Salvador.
No
pequeno apartamento, os que com ele conviveram, encontraram
bonecos e santos de Severino de Tracunhaen, as primeiras
imagens de santos da Bahia, os bois de Vitalino e, com
eles, nas paredes, os desenhos de Augusto Rodrigues,
os quadros mais antigos de Cícero Dias, de Lula
Cardoso Ayres e de Rego Monteiro. Eram os artistas pernambucanos.
"A
coleção de Odorico mostra esse olhar eclético
que possuía, sem diferenciar escolas ou processos
criativos, mas que amarrava com sensibilidade o vigor
da arte brasileira, desde a imaginária barroca
baiana até a arte modernista, através
dos nomes mais emblemáticos da arte brasileira.
Depois estendendo seu olhar atento a Picasso, Braque,
Miró e outros." |
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A Casa Baiana de Odorico
"Lembro-me de uma manhã de 1942, 5 de março
de 1942, quando, jovem repórter, descia eu, no
aeroporto de Ipitanga, para aqui assumir um posto de
promoção na minha carreira profissional
de imprensa (...)" Este é o início
do relato do próprio Odorico Tavares sobre a
paixão que teve por toda a vida pela Bahia.
Como
colaborador imediato do lendário Assis Chateaubriand,
Odorico Tavares durante 20 anos esteve à frente
dos Diários Associados da Bahia. Por meio dos
jornais e, mais tarde, a partir da década de
60, com a inauguração da TV Itapoan ,
os jovens artistas como Mário Cravo, Carlos Bastos,
Genaro de Carvalho e Raimundo Oliveira, receberam grande
apoio para suas primeiras e incipientes exposições.
Foi
histórica a reação inicial provocada
nos meios artísticos, na imprensa e até
entre os intelectuais, mesmo entre os que se intitulavam
modernos, que ainda não aceitavam o modernismo
pela fidelidade aos padrões tradicionais.
Indicado
aos visitantes brasileiros e estrangeiros como o homem
de cultura, o poeta, o jornalista e até o crítico
de arte, Odorico apoiou dezenas de iniciativas culturais.
Entre elas a criação do Museu de Arte
Sacra, do Museu Regional de Feira de Santana, dos salões
e das primeiras bienais de arte, sendo marcante a atuação
dele na primeira exposição de pintores
modernos de vanguarda. Além do apoio entusiasmado
à arquiteta Lina Bô Bardi para a instalação
do Museu de Arte Moderna da Bahia.
Como
amigo dos artistas, empresários e políticos,
cultivou amizade especial pelo senador Antônio
Carlos Magalhães. Dele foi companheiro de jornal
e descobriu afinidades marcantes como o gosto pelas
coisas antigas e pela arte moderna. São fartas
as fotos em que Odorico aparece com artistas, personalidades
políticas da época e ao lado de Magalhães.
"Pronuncio
sempre com emoção o seu nome. É
porque me vem à mente a convivência de
quase trinta anos ininterruptos. A ele muito devo. Devo
mais, porém como baiano e como cidadão,
do que como amigo, embora jamais possa esquecer o quanto
ele foi importante nos passos primeiros que dei em minha
vida, quer como jornalista ou como político",
relatou o senador no prefácio do catálogo
A Arte Brasileira, do Museu de Arte da Bahia. |
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