Contrariamente ao título, a mostra do fotógrafo Anderson Schneider retrata um mundo ainda com as feridas abertas. É o Iraque do pós-guerra do fogo americano, do embargo econômico, da ditadura de Sadam Russeim, das guerras diárias de um povo que, aos olhos do fotógrafo, tem a alma pacífica. "Por incrível que pareça é um povo extremamente pacífico. Talvez, por isso tenha chegado a esse ponto."

As fotos, cerca de 40, estão expostas em três salas intermediárias do Olho. O público poderá ver a mostra até 17 de abril. Todas as imagens da mostra foram trabalhadas com a dramaticidade do preto e branco. A técnica permite ao observador ter a exata noção de um mundo a esmaecer, encoberto por cortinas de névoa e cinza.

Mais do que as expressões de dor, vazio e profunda introspecção, as imagens mostram a miséria de um povo. Crianças e ovelhas entre os arsenais de guerra, uma noiva entre escombros, é a destruição em contraste com vida que segue. "É gente vivendo da própria sorte. É um país sem instituições. Talvez, família e religião sejam as últimas coisas que sobraram."

Atuando hoje como fotógrafo independente, Schneider passou cinco semanas no Iraque, entre janeiro e fevereiro de 2004. Com mais de 2 mil imagens captadas, o autor escolheu 53 delas para fazer parte do conjunto a ser apresentado na mídia e em exposições.

....
Na primeira fase, o trabalho foi publicado em vários veículos de circulação nacional, como Revista Época e Correio Braziliense. Esgotada essa fase, as fotos passaram a integrar exposições. A primeira foi realizada no Teatro Nacional, em Brasília, no mês de julho. Segundo o fotógrafo, o que mais lhe marcou nesse trabalho foi constatar o que o homem pode fazer com o próprio homem. "É um retrato da estupidez humana."

Schneider trabalha atualmente em um projeto para o BID. O fotógrafo está acompanhando vários projetos de cunho social que estão sendo desenvolvidos pelo banco no País. Depois de concluído, o trabalho também será apresentado em exposição em Washington, neste ano.

 

Ampliação

A exposição marca a inauguração, em dezembro, de um espaço permanente para mostras de fotografias. "Tinha o sonho de ver no Museu grandes exposições de fotografias, que é outra bela forma de arte. Acompanhei pessoalmente o projeto de adaptação para que fosse executado com rapidez", afirma a diretora-presidente do Museu Oscar Niemeyer (MON), Maristela Requião.

O projeto de adaptação museográfico foi realizado pelo arquiteto Felipe Tassara, de São Paulo, em parceria com o setor de Arquitetura do MON.

 



voltar exposições passadas