________________________________________________________________________ Sem título (Rua de Mangaratiba), 1926

A mostra apresenta 100 desenhos produzidos por Di Cavalcanti entre 1921 e 1964, período próspero de sua criação. As obras espelham temas recorrentes na obra do artista – caricaturas, cenas da vida noturna, carnaval, crítica social, retratos, cenas parisienses, tipos populares, figuras femininas, ilustrações e painéis para cenários de teatro –, além de trazer um pouco do dia-a-dia da época vivida por Di Cavalcanti.

A exposição é um dos destaques da programação 2007 do Circuito Cultural Banco do Brasil. Em parceria com o Banco do Brasil, o Museu Oscar Niemeyer abre, na próxima terça-feira (27), às 20h, a exposição para jornalistas e convidados. Durante a realização do evento, de 28 de novembro a 09 de dezembro, a entrada no Museu é gratuita. Nesse período, o público poderá contribuir doando dois quilos de alimentos não-perecíveis, que será destinado a instituições sociais da região.


Sem título (Grupo com Homem e Duas Mulheres e Paisagem com Fachada ao Fundo), 1927

Sob a curadoria de Fábio Magalhães, é a primeira vez que estas obras, cedidas pelo acervo do Museu de Arte Contemporânea da USP, circulam pelo país. A mostra já passou pelas cidades de Porto Alegre, Belo Horizonte, Ribeirão Preto, Recife, Belém e Fortaleza, e conta com o patrocínio do BB Seguros.


Sem título (Mulher Sentada), 1941

O modernista Di Cavalcanti


Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Mello ou Di Cavalcanti é um dos mais importantes nomes do modernismo brasileiro. Um dos articuladores da Semana da Arte Moderna nasceu no Rio de Janeiro em 6 de setembro de 1897 e faleceu, na mesma cidade, em 26 de outubro de 1976.

O desenho foi atividade ininterrupta na vida do artista. Desde os primeiros traços, em 1914, desenhar ou pintar foi a forma que ele encontrou para estabelecer relações com as pessoas, com a vida, com o seu tempo. Por isso, muitos de seus desenhos foram feitos nos bares, nos prostíbulos e nas ruas.

Artista de traço rápido e econômico, através de suas ilustrações, caricaturas e charges, Di Cavalcanti criticou, de modo bem-humorado, mas com ironia, os valores de uma burguesia urbana (carioca e paulista) que procurava imitar hábitos parisienses. Seu desenho sublinhou as enormes diferenças existentes entre o modo de vida da elite e do povo brasileiro. O olhar sensual, a abordagem cordial, a preferência por tipos mestiços fazem de Di Cavalcanti o “pintor mais brasileiro dos artistas”, como afirmou o crítico Mário Pedrosa.

Foi um extraordinário cronista de seu tempo. Cenas da vida noturna e de boemias, retratos dos amigos, Carnaval, tipos populares, cenas cariocas, prostíbulos são recorrentes na obra de Di Cavalcanti e, claro, a figura feminina – seu tema predileto. “Eles (os artistas) não amam a vida. Amam a arte como um mito. E eu amo, sobretudo, a vida, esta vida que vem como os calores sexuais, de baixo para cima...”, escreveu em carta Di Cavalcanti para Mário de Andrade, em 1930


Sem título (Mulher em Rua Estreita), 1929


Guerchnor (Caricatura), 1929

 





voltar página principal