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Universo
Farnesiano
Dono
de uma "personalidade difícil e de
um trabalho marcadamente autobiográfico",
Farnese revelou nas obras sua densa trajetória
pelas memórias da infância, do pai,
da mãe, dos irmãos, do "santo
egoísmo da família mineira"
e de seu primeiro e marcante encontro com o mar,
aos 22 anos, no Rio de Janeiro.
Prisioneiro
de sua solidão, expressou principalmente
o embate de seus medos, dores, tristezas, rancores,
complexos, perdas, depressões, pânicos,
relações, fetiches, libido, euforia
e alguma alegria, analisa o curador.
Natural
de Araguari, no Triângulo Mineiro, Farnese
iniciou a carreira como desenhista e gravador,
mas acabou desenvolvendo um universo único
em seus objetos. Utilizou-se, principalmente,
de fragmentos de tradição tipicamente
cristã como oratórios, maquinetas,
imagens sacras, esmoleiros e afins. Assim como
de galhos de árvores, bonecas,
chaves, ornatos, enfim de elementos encontrados
por acaso em suas longas caminhadas pelo aterro
do Flamengo, a partir de 1964, ano que executou
o primeiro objeto.
De acordo com Cosac, essa fase da obra foi batizada
pelo próprio Farnese de Grande Alegria,
que é também o título da
apresentação da primeira exposição
de objetos, realizada no Rio, em 1966. A fase
foi descrita pelo artista no livro Farnese de
Andrade.
"(...)
A intenção de explorar praias mais
longínquas vieram da descoberta da incrível
riqueza do lixo de Barcelona, (...) principalmente
nos corredores onde eu morava, antes de comprar
o estúdio (...) na Espanha. (...) Joga-se
de tudo fora, até a vida inteira de uma
pessoa. (...) O prazer que me proporcionam esses
achados nas mais variadas fontes, o encontro de
duas peças que se completam, às
vezes até existentes no caos de meu ateliê,
e o ver a obra pronta, completa, definitiva. É
aí que reside minha grande alegria." |
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