A exposição apresenta 60 fotografias em preto e branco de Marcelo Buainain, que recebeu o Prêmio Máximo da 2ª. Bienal Internacional de Fotografia Cidade de Curitiba. As fotos de Buainain foram produzidas em 1999, ano em que o fotógrafo viajou pela Índia. A coleção pertence ao Acervo do Museu de Fotografia Cidade de Curitiba e foi organizada pela Fundação Cultural de Curitiba.

 
A curadora do Acervo Artístico da Fundação Cultural de Curitiba e responsável pela mostra, Nilza Knechtel Procopiak, disse que a coleção segue as diretrizes filosóficas e documentais estipuladas pelo fotógrafo para sua exibição. Assim, a exposição é dividida em seis módulos, de acordo com os conjuntos de fotografias pertencentes a cada série. São elas: Kumbha Mela, Trabalho, Criança, Sikhs, Crematório e Retrato.
 
 
As Séries

As séries retratam não só o contexto social indiano, mas principalmente seus ritos e crenças religiosas. “Kumbha Mela”, por exemplo, é o maior festival religioso realizado na Índia a cada 12 anos. O festival alterna-se entre as cidades sagradas de Haridwar, Allahabad, Ujjain e Nasik. Já “Varanasi- a última peregrinação” refere-se ao ritual de cremação, às margens do rio Ganges. Por outro lado, as fotografias dos “Sikhs” foram produzidas durante a comemoração dos 300 anos de Khalsa, que significa puro, nome dado a todos os Sikhs batizados ou iniciados, em uma cerimônia chamada Amrit Sanchar. Essas séries regionais de fotografias, captadas pelas lentes de Buainain, revelam toda a atmosfera indiana de seus mistérios, encantos e religiosidade.

 
Apesar de mostrar situações e personagens que se aproximam dos ocidentais, as séries Trabalho, Retrato e Criança, “nos fazem perceber, por um ligeiro desvio, quer seja nos trajes, quer seja em pormenores, que a objetiva do fotógrafo não está no ocidente, e sim, na exótica Índia", pondera Procopiak.
 
 
A trajetória do fotógrafo

Nascido em 1962, em Campo Grande (MS), Marcelo Buainain abandonou o quinto ano de medicina, para trabalhar exclusivamente com fotografia, na qual atua desde 1982. Como freelancer iniciou uma série de colaborações editoriais para as revistas "Manchete", "Veja", "Isto é"; o jornal "Folha de São Paulo" e para a revista espanhola de arte "El Paseante".

Influenciado pela obra poética de Manuel de Barros, passou a dedicar-se à fotografia da natureza. Suas imagens coloridas do Pantanal foram difundidas em publicações especializadas no Brasil e na Europa. Algumas delas acompanhadas de fragmentos poéticos da obra do poeta mato-grossense. Com o apoio da Funarte e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, o fotógrafo coordenou a primeira e a segunda edição da "Semana Campograndense de Fotografia".

Em 1991, mudou-se para Paris, onde estudou a língua francesa, pesquisou fotografia, comercializou imagens do Pantanal, registrou a capital da França em uma série de fotografias e também trabalhou em laboratório fotográfico. Um ano depois, fixou-se em Lisboa, colaborando como freelancer para diversas publicações brasileiras e européias. Em reportagens para o jornal "O Estado de São Paulo" fotografou celebridades do cinema europeu e produziu trabalhos para outras publicações européias, que fez com que se voltasse para o portrait.

A fotografia documental fez com que viajasse pelo Brasil, Egito, Marrocos, Venezuela e Índia, a partir de 1997. Com o projeto "Índia - Quantos Olhos tem uma Alma", em 1998, recebeu o Prêmio Máximo de Fotografia atribuído pela "2ª Bienal Internacional de Fotografia Cidade de Curitiba". A premiação lhe possibilitou dedicar-se exclusivamente ao projeto por um ano. Período em que pode abordar e aprofundar temas do subcontinente asiático como o ritual de cremação, os refugiados tibetanos em Dhuram Shala, os 300 anos de Khalsa (Sikhismo) e a cidade de Calcutá, entre outros.

Durante sete meses, entre 1999 e 2000, sob encomenda do Centro Português de Fotografia, o fotógrafo realizou trabalho sócio-etno-documental sobre a Bahia. O projeto era alusivo aos 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil que, além do registro fotográfico, lhe possibilitou a redescoberta de suas raízes brasileiras. Buainain residiu desde 1994 em Portugal e atualmente mora em Natal (RN).

 

 


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