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“Donguri,
koro koro, donguri, ko...” é uma música
infantil japonesa que significa “avelãs rolando,
rolando...”. Essa melodia desenhada na memória
de Kimi Nii deu origem a esta série, com 81 esculturas
recentes, exibida na mostra. As obras foram produzidas nos
dois últimos anos. O curador Agnaldo Farias diz que
“o formato irregularmente cônico da casca da avelã
é também o embrião das formas apresentadas
por Kimi Nii para esta exposição, e a instabilidade
delas, um de seus aspectos essenciais”.
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Consagrada
por seu trabalho em cerâmica de alta temperatura, Kimi
Nii introduz nesta mostra uma novidade: a madeira. Donguri
reúne 80 trabalhos em cerâmica e uma versão
em madeira –Giroforma, obra em grande formato, com 2,70m
de altura e 2,70m de diâmetro. Farias lembra que a introdução
da madeira na produção da artista incluiu a
realização de novos procedimentos.
“Enquanto a argila vem do chão e o trabalho se
dá na dimensão da mão, a madeira exige
também os braços, o corpo, porque é matéria
de expansão vertical como as árvores”,
afirma o crítico. A exposição conta ainda
com outra série –Dimantes–, constituída
de relevos de parede, feitos em cerâmica com formas
pontiagudas, dispostos de maneira contínua em grande
painel, ou divididos em pequenos grupos.
“Valendo-se
delas (obras) a artista coloca em cena o modo peculiar com
que enfrenta o dilema resultante entre a geometria e a organicidade,
a idéia e a matéria, o pensamento e a ação.
Simultaneamente, jogando com a variação de escala,
demonstra como essa operação traz consigo relações
entre a obra e o visitante distintas entre si”, escreve
Agnaldo Farias.
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Kimi
Nii
Kimi
Nii nasceu em Hiroshima, no Japão, em 1947,
dois anos após o ataque com a bomba atômica.
A artista chegou ao Brasil em 1957 e ingressou na
arte da cerâmica em 1979, fazendo objetos escultóricos
que lhe renderam exposições em galerias
de arte a partir da década 80. A primeira foi
na Mônica Filgueiras, onde conheceu e começou
a conviver com muitos artistas.
Depois, participou de coletivas e realizou individuais
em outras galerias paulistanas, como Nara Roesler,
Raquel Arnaud e Deco, além de duas mostras
individuais em Tóquio. Kimi Nii também
é designer e sempre está presente nas
principais exposições nacionais e em
eventos internacionais, representando o Brasil.
“Mantendo a sua vocação geométrica,
Kimi volta-se à natureza e afaga com o olhar
e com as mãos a aparência do mundo natural,
retendo a sua lógica para materializá-la
em esculturas de barro que virtualizam a realidade
orgânica”, escreveu certa vez o professor
Miguel Chaia, preconizando a essência do processo
utilizado pela artista.
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